Esfera armilar
A esfera armilar é um instrumento de astronomia aplicado em navegação que consta de um modelo reduzido do cosmo. Estima-se que foi desenvolvido ao longo do tempo, através de observações minuciosas do movimento aparente dos astros em torno da Terra.
A esfera armilar foi desenvolvida ao longo dos tempos por inúmeros povos que habitavam o lado asiático e seus registros constam em pinturas de cerâmica e documentos que os chineses durante o século I a.C. (Dinastia Han) já conheciam a esfera armilar. Sabe-se também que nessa época, o astrônomo chinês Zhang Heng é considerado a primeira pessoa a usar engrenagens e mecanismos de articulação hidráulicas no eixo da esfera armilar para reproduzir os movimentos da mecânica celeste para fins didáticos. O nome do instrumento vem do latim armilla ("bracelete"), visto que tem um esqueleto feito de anéis concêntricos articulados nos polos com escala de graduações e outros perpendiculares representando o equador, a eclíptica, indicando o curso do Sol em relação às estrelas de fundo para os 365 dias do ano, os meridianos e os paralelos. O equipamento, apesar de ter tal uso, não é uma defesa dos sistemas heliocêntrico ou geocêntrico e sim um substituto dos conhecimentos da álgebra e trigonometria que permite organizar o movimento aparente das estrelas em pontual. Nesse sentido, a bola no meio das esferas, representando a Terra ou, atualmente, o Sol nada mais são de representações errôneas que não tem a ver com suas funções e sim com o desconhecimento completo com respeito ao instrumento.
O instrumento que funciona como um almanaque náutico, usa o Sol do meio dia como referência das estrelas que surgem e se põem no horizonte durante o entardecer e alvorecer e uma vez, conferindo a altura do Sol com a latitude pela estrela polar era possível saber a data aproximada. No limbo de umas armilas existiam as marcações em grau da declinação das estrelas fixas o que permitia ao navegador conhecer as efemérides astronómicas sem consultar um almanaque náutico de hoje sem falar que contavam com a previsão por estimativa do azimute das estrelas que nasciam e se punham no horizonte. A esfera armilar que tinha por finalidade projetar os planos de inclinação de um observador nas coordenadas da esfera superior podia ser usada também para interpolar as horas diretamente segundo a posição da Ursa Menor, deveria então o instrumento ser usado à noite, fixo a um altar no cume das elevações para que pudessem ver o polo celeste, a observação era acompanhada por um recital semelhante a uma reza. A inclinação do eixo do instrumento deve ser igual à latitude local, ou seja, paralela ao prolongamento do eixo da terra na direção do polo celeste.
Apesar da comentada especulação religiosa, aproximadamente trezentos anos antes da época dos descobrimentos, várias pessoas que habitavam a península ibérica já sabiam que a terra era redonda e se interessavam pelo movimento aparente dos astros, a mecânica celeste era um novo conhecimento trazido ao ocidente. No ano de 1300, nobres, cosmógrafos e navegadores, a partir da Esfera Armilar, desenvolveram equipamentos mais reduzidos para a interpolação das horas (hora sideral) que faziam usando a estrela Kochab na constelação da Ursa Menor e a posição do Sol. Como muitas personalidades idealizavam seus próprios relógios de estrelas aos poucos o equipamento alcança um estágio mais simplificado voltado para o tempo relativo e o nome de noturlábios (astrolábio noturno) era um desses instrumentos. Entre as notórias personalidades da época, Dante Alighieri também possuía uma singular montagem de relógio astrolábio que funcionava com a passagem meridiana do astro rei pelo meridiano local, em seu limbo no lugar do grau de longitude constavam algumas das principais cidades terrenas distanciadas pela longitude como, Roma, Jerusalém e Ganges, povoamentos esses que muito contribuirão nos versos da Divina Comédia.
Após a invenção do sextante, que calculava a declinação dos astros em relação ao horizonte marítimo, e da linotipo que imprimia tábuas de logaritmos para uso em navegação, o instrumento caiu em desuso e passou a ser usado somente como produtos de decoração ou status.


