Abdicação de Pedro I do Brasil
A abdicação de Pedro I do Brasil ocorreu em 7 de abril de 1831, em favor de seu filho e futuro imperador Pedro II do Brasil. O ato marcou o fim do Primeiro Reinado e o início do período regencial no Brasil.
A estrutura construída na Independência fez com que fosse organizado um sistema político que colocava os municípios dependentes das províncias e estas, ao poder central; e ainda "adotaram um sistema de eleições indiretas baseado no voto qualificado (censitário), excluindo a maior parte da população do processo eleitoral. Disputaram avidamente títulos de nobreza e monopolizaram posições na Câmara, no Senado, no Conselho de Estado e nos Ministérios". O referido "Conselho de Estado", implementava o Poder Moderador instituído por Dom Pedro I, quando dissolvera a Constituinte: formado por membros vitalícios, nomeados pelo monarca, não mais que em número de dez, tinham por função ser ouvidos "em todos os negócios graves e medidas gerais de pública administração, principalmente sobre a declaração de guerra, ajuste de paz, negociações com as nações estrangeiras, assim como em todas as ocasiões em que o imperador se propunha exercer qualquer das atribuições do Poder Moderador" - e ao qual se opunham fortemente os liberais.
A Noite das Garrafadas.
Quando retorna à Corte, no dia 11 de março, teria já o imperador pensado na abdicação. Os portugueses locais, assim como membros da corte do Reino de Portugal, realizam uma manifestação em seu apoio, com luminárias, entrando em conflito com os nacionais, que atacavam o imperador com gritos de "Viva a Constituição" ou "Viva Dom Pedro II", naquela que passou à história com o nome de Noite das Garrafadas. O conflito duraria três dias e geraria mais atrito entre os nativistas e os portugueses.
Os Últimos Momentos de Dom Pedro I como Imperador
Com a capital em grande turbulência, Dom Pedro demite o Ministério e convoca um novo. Este novo ministério porém, causa irritação da população, que já se encontrava com um grande sentimento xenofóbico e antilusitano, pelo fato de no novo Ministério haver dois portugueses. Assim, os líderes dos movimentos liberais e nativistas chamaram o povo às ruas. O Campo de Aclamação foi escolhido como local de ajuntamento, devido a proximidade que possuía com os Jornais oposicionistas, como o jornal O Repúblico. O povo exige a volta da equipe anterior, ajuntando-se no Campo da Aclamação. Sendo essa exigência popular comunicada ao imperador, por meio de uma delegação de juízes paroquiais, este responde que "Tudo farei para o povo, nada, porém, pelo povo". Esta frase pode causar confusão a quem a lê sem que saiba o contexto na qual foi dito. De acordo com o monarca, estava em seu direito garantido pela constituição de nomear os ministros e que se acatasse ao pedido do povo, ele deixaria de ser o defensor da vontade da Nação e passaria a ser uma ferramenta orquestrada pela maioria. Assim, defenderia o interesse do povo mas não seria um instrumento do mesmo.
"Usando do direito que a Constituição me concede, declaro que hei muito voluntariamente abdicado na pessoa de meu muito amado e prezado filho o Senhor D. Pedro de Alcântara.Boa Vista, 7 de abril de mil oitocentos e trinta e um, décimo da Independência e do Império." Após escrever sua abdicação, o agora ex-imperador entrega o papel da renúncia ao mesmo major Miguel de Frias e Vasconcelos (comandante da Fortaleza de São José da Ilha das Cobras) que lhe viera comunicar o estado de ânimo das tropas e do povo, dizendo-lhe então, com os olhos marejados: "Aqui está a minha abdicação; desejo que sejam felizes! Retiro-me para a Europa e deixo um país que amei e que ainda amo." Eram duas horas da madrugada do dia 7 de abril de 1831. Viriato Correia fez a seguinte descrição dos momentos seguintes: Na manhã do mesmo dia o ex-Imperador embarca no navio inglês Warspite, acompanhado da Imperatriz D. Amélia e da filha, D. Maria, deixando no Brasil, além de Pedro II (5 anos), as meninas D. Januária (com nove anos), D. Paula (8 anos) e D. Francisca (7 anos), filhos de seu primeiro casamento; D. Amélia estava, então, grávida de três meses.
Na Europa, D. Pedro empreende uma luta contra seu irmão, D. Miguel, a fim de assegurar para a filha Maria a sucessão do trono português. No Brasil, dada a menoridade de Pedro II, tem início o conturbado e importante período regencial.


