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Aborígenes australianos

Os aborígenes australianos são os habitantes originais do continente australiano e de suas ilhas próximas. Dados recentes indicam que os australianos nativos são provavelmente descendentes dos primeiros humanos modernos a migrar para fora da África. Teriam migrado do continente africano para a Ásia há cerca de 70 mil anos, chegando à Austrália 5 mil anos depois, há cerca de 65 mil anos. Os nativos do Estreito de Torres são indígenas das ilhas localizadas no Estreito de Torres, que estão no extremo norte de Queensland, perto de Papua-Nova Guiné. O termo "aborígene" é tradicionalmente aplicado apenas aos habitantes indígenas do continente australiano e da Tasmânia, junto com algumas das ilhas adjacentes, ou seja: os "primeiros povos" da região. "Australianos indígenas" é um termo abrangente usado para se referir também aos ilhéus aborígenes do Estreito de Torres.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/06/2026
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História

Colonização britânica

A habitação humana da Austrália teve seu início estimado entre 48 000 e 42 000 anos atrás, possivelmente com a migração de pessoas por pontes de terra e por cruzamentos pelo mar de curta distância, no que é atualmente o sudeste da Ásia. Estes primeiros habitantes podem ter sido antepassados dos modernos indígenas australianos. Na época da colonização europeia no final do século XVIII, a maioria dos indígenas australianos eram caçadores-coletores, com uma complexa cultura oral e valores espirituais com base em reverência à terra e uma crença no Tempo do Sonho. Os habitantes das Ilhas do Estreito de Torres, etnicamente melanésios, foram originalmente horticultores e caçadores-coletores.

Racismo pós-independência

Em meados dos anos 1900, com a Austrália já independente da Inglaterra, a discriminação racial contra qualquer indivíduo que não fosse de ascendência inglesa continuava. Entre 1910 e 1970, o governo da Austrália retirou 100 000 crianças aborígenes - a maioria de pele clara, ou seja, mestiços - dos pais e internou-as em centros educativos para incutir nelas a cultura ocidental. Esse tipo de ação foi chamada de "Política de Assimilação". Os australianos chamam de "geração roubada" a essas crianças. Recentemente, em 2008, John Howard, primeiro-ministro da Austrália, lamentou publicamente esse fato, mas não quis pedir desculpas oficiais, pois isto iria acarretar em milhões de dólares de indenizações para as famílias ou seus descendentes. Até 1962, os aborígenes não votavam. Puderam recensear-se pela primeira vez cinco anos depois. Por volta de 1965, a população de aborígenes puros chegava a pouco mais de 40 000, pois foram massacrados pelos colonizadores e expulsos das terras produtivas, migrando para regiões desérticas ou para o norte da Austrália.

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Demografia

Etnias

Os aljauara são cerca de quinhentos. São os únicos aborígenes que enterram os mortos. Os aranda também são poucas centenas; deixaram a caça e dedicam-se à pecuária. No deserto de Gibson, vive um povo com o mesmo nome, de apenas trezentos membros. Outro povo pequeno é o gurindji, com duzentos e cinquenta indivíduos. De população igualmente escassa, os mudbara trabalham nas reservas do governo na região ocidental do deserto. Já os pitjantjara trabalham nas reservas governamentais na região central. São vários milhares de indivíduos. Os pintubi também são trabalhadores assalariados; vivem em reservas e trabalham para proprietários brancos na criação de gado.

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Cultura

Os aborígenes australianos são nômades, caçadores e colectores de vegetais e praticam a religião animista. No deserto, as populações concentram-se onde há água em acampamentos temporários. As habitações são simples refúgios. Erguem proteções contra o vento com ramos e moitas e, se o solo for arenoso, escavam covas para ficarem mais protegidos do mesmo. Quando as noites são frias, dormem ao redor do fogo. O cão é o único animal doméstico. Os homens caçam animais de grande porte como os cangurus e pescam. As mulheres recolhem os vegetais e o mel, caçam animais pequenos e apanham crustáceos. Os aborígenes não usam o arco e a flecha para caçar, mas servem-se de lanças, bastões e boomerangues. Para a coleta, utilizam o machado de pedra e o pau de escavar. Fabricam estes utensílios com madeira, ossos e pedra. Preparam a comida diretamente sobre as brasas, pois não têm recipientes de cozinha resistentes ao fogo.

Clãs

Os clãs identificam-se com um totem, que é a representação da divindade de que se dizem descendentes. O totem costuma ter a figura de um animal, uma planta ou um objecto, que não podem ser mortos, comidos ou destruídos, porque são sagrados. Cada clã tem um território próprio, mas não possui direitos exclusivos sobre ele, já que outro clã pode obter autorização ou ser convidado a caçar lá.

Religião

A cultura aborígene caracteriza-se pela forte união de todos os seres da natureza com o ser superior que integra tudo. Nesta concepção, o ser humano não é superior, mas partilha a natureza com os demais seres, sendo todos indispensáveis. Por este motivo, os humanos devem honrar a natureza em tudo o que fazem. Há, no deserto, lugares de grande valor histórico, cultural e sagrado para os aborígenes, como monólitos gigantes e crateras de meteoritos. Dentre eles, destacam-se três formações rochosas: o Chambers Pillars, o Kata Tjuta e a Ayers Rock. Durante o pôr do sol, as rochas reflectem a luz solar e parecem estar em brasa. À medida que o sol se põe, a pedra torna-se acinzentada, até acabar totalmente negra.

Arte

Os aborígenes usam a arte como meio de comunicação. Os instrumentos de trabalho são feitos com maestria e destreza e levam pinturas e inscrições, onde contam as histórias do povo, do clã ou da pessoa e se evoca a relação com as divindades. As pinturas do corpo ou em cascas de eucalipto usam como tema a mitologia ou retratam cenas do cotidiano.

Música

Embora as diferentes tribos aborígenes não sejam absolutamente homogêneas, sua música possui uma raiz cultural comum. Assim, ela desempenha papel importante na vida social e religiosa deles, com cada clã fazendo uso de música que seja diretamente ligada ao seu totem. Como ocorre em outras sociedades não-letradas, a música desempenha papel fundamental na transmissão de lendas e tradições de geração em geração, e também na comunicação com deuses e espíritos. No caso da transmissão de tradições, geralmente os mais hábeis são designados à tarefa, enquanto no caso dos ritos, a execução costuma ser deixada a cargo dos mais velhos. Contudo, como acredita-se que somente uma execução perfeita pode estabelecer contato com as entidades sobrenaturais, os erros podem levar a punições severas que incluem a morte, motivo pelo qual às vezes o idoso designado para a tarefa acaba repassando-a a alguém mais habilidoso. Algumas dessas canções só são acessíveis a indivíduos que atingiram certo grau de prestígio na hierarquia da tribo.

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Fontes consultadas

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