Abscesso periapical
O abscesso periapical é um acúmulo de pus associado a um dente com a polpa infeccionada. Ele é um tipo de abscesso dental, e pode se apresentar de forma aguda ou crônica.
O abscesso periapical agudo apresenta dor extrema, contínua, pulsátil e bem localizada. A área ao redor do dente afetado pode ser sensível à palpação e com edema, e em alguns casos com discreta mobilidade dentária. O dente em si pode sofrer descoloração, fratura ou sua gengiva estar avermelhada e com edema. Em alguns casos, o abscesso dental pode perfurar a cortical óssea e começar a drenar nos tecidos adjacentes, criando edema de face ou até mesmo linfadenopatia. Sinais e sintomas comuns dos abscessos dentais incluem: Dispneia e estado mental alterado são sinais e sintomas que podem apontar para um comprometimento sistêmico grave e constituem emergência médica. Um abscesso agudo apresenta sintomatologia mais intensa, pela ausência de drenagem, e abscessos crônicos tendem a ser assintomáticos: a formação de uma fístula permite a drenagem do pus e o alívio da pressão nos tecidos dentários.
Normalmente, os abscessos dentais não aparecem radiograficamente, mas abscessos de tamanho exuberante ou de longa data podem se apresentar como lesões radiolúcidas de limites mal definidos. Na tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC), os abscessos também se apresentam como lesões osteolíticas (hipodensas) em tecidos moles: a TCFC pode ser útil para o diagnóstico diferencial em lesões grandes ou para avaliar o envolvimento dos seios da face, mas não é considerada essencial para o tratamento de abscessos periapicais. A técnica de escolha é a radiografia periapical, mas a radiografia oclusal pode ser empregada, assim como a panorâmica, a última para pacientes com limitação da abertura bucal.
O abscesso é um acúmulo localizado de pus, uma substância composta por células mortas, resíduos, neutrófilos e macrófagos. Ele se desenvolve em resposta a patógenos e inflamação. Os principais fatores causadores de abscessos periapicais são:
Os abscessos periapicais são comuns e a sua prevalência varia entre 5 a 46% na população. Fatores que contribuem para higiene oral inadequada como a desigualdade racial e socioeconômica influenciam sua frequência na população.
O diagnóstico deve associar informações coletadas na história clínica, exame clínico e radiográfico. Algumas manobras semiotécnicas podem ter utilizadas para o diagnóstico diferencial entre os tipos de abscesso:
O prognóstico é excelente quando tratado, porém o não tratamento implica em mortalidade elevada: a mortalidade pode aumentar em até 40% se o paciente desenvolver mediastinite, assim como comprometimento das vias aéreas, requerendo intubação ou traqueostomia; infecções ascendentes para os seios da face ou para o cérebro possuem um prognóstico mais desfavorável. Complicações dos abscessos dentais incluem: O tratamento do abscesso periapical envolve prescrição de antibióticos, tratamento endodôntico, drenagem do abscesso e exodontia do dente afetado. Os antibióticos são frequentemente prescritos quando há envolvimento sistêmico ou não há acesso imediato ao tratamento odontológico, entretanto deve-se evitar seu uso desnecessário; os antibióticos mais frequentemente prescritos são penicilinas e cefalosporinas. Normalmente sua administração é oral, mas casos graves podem requerer administração intravenosa.


