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Amade ibne Tulune

Amade ibne Tulune foi o fundador da dinastia tulúnida que governou o Egito Síria entre 868 e 905. De início um soldado escravo turco, em 868 foi enviado pelo califa abássida Almutaz (r. 866–869) como governador do Egito. Explorando a situação política volátil e a preocupação do regente abássida, Almuafaque (r. 870–891), com as guerras contra o Império Safárida e a Rebelião Zanje, dentro de quatro anos estabeleceu-se como governante virtualmente independente ao evitar o agente fiscal califal, Amade ibne Almudabir, tomar controle das finanças egípcias e estabelecer um grande força militar pessoalmente leal a ele. Amade também cuidou de estabelecer uma administração eficiente no país. Através de uma série de medidas, tal como as reforças do sistema de tributação e os reparos do sistema de irrigação, o rendimento fiscal anual cresceu acentuadamente. Como símbolo do novo regime, construiu uma nova capital, Alcatai, ao norte da antiga Fostate.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/07/2026
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Fontes primárias

Vários autores medievais escreveram sobre Amade ibne Tulune. As duas principais fontes são duas biografias de dois autores do século X, ibne Adaia e Albalaui. Ambas chamam-se Sīrat Aḥmad ibn Ṭūlūn, e o trabalho de Albalaui baseia-se em grande medida em ibne Adaia, embora é muito mais extenso. Ibne Adaia também escreveu um livro (Kitāb al-Mukāfaʾa) com anedotas da sociedade egípcia do período tulúnida. Mais informação é proveniente de um contemporâneo de ibne Tulune, o geógrafo e viajante Iacubi, cujos trabalhos cobrem os primeiros anos de seu governo no Egito, e de autores egípcios posteriores, especialmente os historiadores do século XV ibne Ducmaque e Almacrizi que basearam-se numa variedade de fontes anteriores para escrever sobre a história do estado Tulúnida. Várias outras crônicas árabes medievais dos séculos XIII ao XVI mencionam Amade ou seus oficiais, mas muitas são de um período posterior e não são muito confiáveis, especialmente em comparação ao ibne Ducmaque e Almacrizi.[a]

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Vida

Infância e começo da carreira

Ele nasceu no vigésimo terceira dia do mês do Ramadã de 220 A.H. (20 de setembro de 835) ou pouco depois, talvez em Baguedade. Seu pai, Tulune, era um turco oriundo de uma localidade conhecida em fontes árabes como Tagasgar ou Toguzoguz, ou seja, a confederação Uigur. No ano 815/816 (200 A.H.), Tulune foi feito cativo junto com outros turcos, e foi enviado como parte de um tributo pelo governador samânida de Bucara Nu ibne Assade ao califa abássida Almamune (r. 813–833), que à época residiu no Coração. Após Almamune retornar para Baguedade em 819, estes escravos turcos compuseram um corpo de guardas de soldados escravos (gulans) confiados ao irmão e sucessor de Almamune, Almotácime (r. 833–842). A mãe de Amade, chamada Cacim, foi uma das escravas de seu pai. Em 854/855, Tulune faleceu, e comumente se imagina que Cacim casou-se com o general turco Baiaquebaque. Esse relato, contudo, não aparece em ibne Adaia ou Albalaui e pode ser duvidoso. De acordo com Albalaui, após a morte de seu pai, Amade ficou sob tutela de Ialbaque, um companheiro íntimo de Tulune, que havia sido feito cativo com ele. Em seu leito de morte, Tulune solicitou que seu amigo Ialbaque tomasse conta de seu filho e esposa, e Bacbaque tratou Amade como seu filho.

Governo do Egito

Sob Almotácime, líderes turcos seniores começaram a ser nomeados como governadores das províncias com forma de apanágio. Assim, garantiram acesso imediato a receita fiscal provinciana para si e suas tropas, contornando a burocracial civil. Os generais turcos geralmente permaneciam em Samarra, enviado representantes para governar em seu nome. Assim, quando o califa Almutaz deu a Bacbaque o comando do Egito em 868, ele enviou seu afilhado Amade como seu tenente e governador residente. Amade chegou ao Egito em 27 de agosto e entrou na capital Fostate em 15 de setembro. Sua posição após sua nomeação estava longe de ser pacífico dentro de sua província. Como governador de Fostate, vigiou a guarnição da província e era chefe da comunidade muçulmana como reconhecido em seu título de "observador do exército e da oração da sexta-feira" (uale aljaixe ualçalate, wāli al-jaysh waʾl-ṣalāt), mas a administração fiscal, em particular a coleta do tributo latifundiário (caraje), estava nas mãos do poderoso administrador veterano Amade ibne Almudabir. O último foi feito como agente fiscal (amil) já desde ca. 861, e rapidamente se tornou o homem mais odiado no país por ter dobrado os impostos e estabelecido novos aos muçulmanos e não-muçulmanos. Amade rapidamente sinalizou sua intenção de ser senhor único de sua província: com sua chegada na capital, quando ibne Almudabir e Xucair, chefe do serviço postal (baride) e da correspondência com o governo califal, vieram encontrá-lo com um presente de 10 mil dinares, ele recusou a aceitá-lo. Pelos próximos quatro anos, Amade e seus rivais lutaram via seus emissários e parentes na corte califal em Samarra para se neutralizarem; no fim, Amade conseguiu assegurar que ibne Almudabir fosse transferido para a Síria em julho de 871 e assumiu a coleta do caraje. Ao mesmo tempo, Amade também assegurou a demissão de Xucair, que morreu pouco depois. Assim, cerca de 872 Amade assumiu o controle de todos os ramos da administração no Egito, tornando-se de facto independente do governo central.

Novo regime de Amade

A administração do Egito já estava bem desenvolvida antes de sua chegada, com alguns departamentos (divãs) responsáveis pela coleta de impostos fundiários, a supervisão do correio, os celeiros públicos ("divã alara" - dīwān al-ahrāʿ), as terras do delta do Nilo ("divã asfalalarde" - dīwān asfal al-arḍ), e possivelmente o erário privado ("divã alacaxe" - dīwān al-khaṣṣ) para uso pessoal do governador. Uma chancelaria ("divã alinxa" - dīwān al-inshāʾ) possivelmente também já existia, mas pode ter sido estabelecida sob Amade, quando remodelou a administração egípcia segundo o governo abássida central. Muitos dos oficiais nomeados por Amade foram treinados em Samarra. O chanceler de Amade era o capaz Abu Jafar Maomé (morto em 891), enquanto outras posições importantes na administração foram dadas a quatro irmãos Banu Almuajir e ibne Adaia. Albalaui também relata várias anedotas sobre o emprego extensivo de espiões e a habilidade própria de Amade para revelar espiões enviados contra ele, e alega que a chancelaria foi estabelecida de modo que poderia verificar cada correspondência com a corte califal.

Expansão na Síria

No começo da década de 870, uma grande mudança ocorreu no governo abássida, com o príncipe Almuafaque emergindo como regente de facto do império, paralisando seu irmão, o califa Almutâmide (r. 870–892). Oficialmente, Almuafaque controlou a porção oriental do califado, enquanto o filho e primeiro herdeiro de Almutadide, Almufauade, controlou a porção ocidental, com a ajuda do general turco Muça ibne Buga Alquibir. Na realidade, Almuafaque manteve as rédeas do poder. Almuafaque, contudo, estava preocupado com as ameaças mais imediatas ao governo abássida representadas pela ascensão do Império Safárida de Iacube ibne Alaite Açafar (r. 861–879) no Oriente e a Rebelião Zanje no Iraque, bem como com a necessidade de controlar as tropas turcas e lidar com as tensões internas do governo. Isso deu a Amade o espaço necessário para consolidar sua posição no Egito. Amade manteve-se fora do conflito contra os zanjes e ainda recusou-se a reconhecer Almufauade como seu suserano, que por sua vez não confirmou-o em sua posição.

Anos finais e morte

Após seu retorno da Síria, Amade adicionou seu nome nas moedas emitidas pelas casas da moeda sob seu controle, junto com aqueles do califa e seu herdeiro-aparente, Almufauade. No outono de 882, o general tulúnida Lulu desertou para os abássidas. Ao mesmo tempo, o governador tulúnida de Tarso e do tugur morreu, e seu substituto, Iazamane Alcadim, com apoio popular, recusou-se a reconhecer o governo tulúnida. Amade imediatamente partiu em pessoa à Síria — levando o acorrentado Abas consigo por precaução — e marchou para Tarso. Em Damasco, recebeu uma mensagem de Almutâmide informando-o que o agora quase-impotente califa havia escapado de Samarra e estava rumando à Síria. Tomar custódia de Almutâmide aumentaria imensamente a posição de Amade: não apenas a única fonte de legitimidade política do mundo islâmico residiria sob seu controle, mas ele também seria capaz de posar como o "salvador" do califa. Amade, portanto, decidiu parar e esperar a chegada de Almutâmide. No entanto, contudo, o califa foi alcançado em Hadita, no Eufrates, pelo governador de Moçul Isaque ibne Cundaje, que derrotou a escolta califal e levou-o para Samarra (fevereiro de 883) e então para Uacite, onde Almuafaque poderia melhor controlá-lo. Isso abriu uma nova fenda entre os dois governantes: Almuafaque nomeou Isaque ibne Cundaje como governador do Egito e Síria — na realidade uma nomeação amplamente simbólica — enquanto Amade organizou uma assembleia de juristas religiosos em Damasco que denunciou Almuafaque como usurpador, condenou seus maus-tratos ao califa, declarou seu lugar na sucessão como vazio e conclamou uma jiade contra ele. Apenas três participantes, incluindo o principal cádi do Egito, Bacar ibne Cutaiba, recusaram-se a pronunciar a convocação da jiade publicamente. Amade teve seu rival devidamente denunciado em sermões nas mesquitas através dos domínios tulúnidas, enquanto o regente abássida providenciou uma denúncia ritual de Amade. Apesar de sua retórica beligerante, ninguém fez movimentos para confrontar o outro militarmente.

Descendência

Segundo Albalaui, de suas várias esposas e concubinas, Amade teve 33 crianças, 17 filhos e 16 filhas. A única edição moderna de Albalaui fornece a seguinte lista:

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Legado

Apesar da breve duração de sua dinastia, o governo de Amade foi um evento seminal não apenas para o Egito, mas o mundo islâmico inteiro. Para o Egito, seu reinado marca um ponto de virada, pois o país, pela primeira vez desde à época dos faraós, deixou de ser uma província passiva sujeita a um poder imperial estrangeiro e tornou-se novamente um ator político em seu próprio direito. O novo reino forjado por Amade, compreendendo Egito e Síria bem como Jazira e Cilícia, e em menor medida as porções orientais do Magrebe, estabeleceu uma nova zona política separada dos domínios islâmicos mais a leste, restaurando a seu modo a fronteira que existia entre os Impérios Romano/Bizantino e Sassânida na Antiguidade. O Egito foi a base do poder de Amade; ele prestou atenção especial à restauração de sua economia, bem como o estabelecimento de uma burocracia, exército e marinha autônomas. Estas políticas foram continuadas por regimes tardios centrados no Egito, os iquíxidas (r. 935–969) e posteriormente os fatímidas (r. 969–1071), que igualmente usaram a riqueza do Egito para estabelecer controle sobre partes ou mesmo quase toda a Síria. De fato, como Thierry Bianquis aponta, o território governado por Amade na Síria foi notavelmente similar àquele controlado pelos posteriores regimes egípcios de Saladino (r. 1174–1193) e o Sultanato Mameluco do Cairo (r. 1250–1517).

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Fontes consultadas

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