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Academia Brasílica dos Esquecidos

A Academia Brasílica dos Esquecidos foi uma academia de letras do Brasil Colônia fundada em 1724, sob o patrocínio do vice-rei D. Vasco Fernandes César de Meneses na cidade de Salvador, na Bahia. Figuraram como membros Rocha Pita, autor da "História da América Portuguesa", e Frei Jaboatão, que escreveu "Novo Orbe Seráfico". Três volumes de textos inéditos encontram-se no Instituto Histórico.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 30/06/2026
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Contexto histórico e motivações

Sua origem está ligada aos movimentos nativistas que eclodiam no Brasil, por meio de conflitos que opunham os naturais contra os portugueses, determinando nos primeiros o despertar do interesse pela descrição literária da natureza e história do Brasil. Por outro lado, surgira na Europa uma "onda" de academias, a partir da Itália, passando por França, Espanha e Portugal, no que ficou conhecido por movimento academicista. Neste último país dentre as várias academias que se fundaram, duas tiveram particular importância para o surgimento desta primeira academia na colônia: a Academia dos Singulares, do inquisidor-mor Pedro Duarte Ferrão, e a Academia de História, de 1720; esta academia, em particular, segundo registrou Alberto Lamego, trazia no seu corpo membros de todas as colônias - exceto o Brasil: fato que justificaria, assim, levasse em seu nome o fato de terem sido Esquecidos da metrópole.

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Registos da instalação, membros fundadores

O Exmo Snr. Vasco Fernandes César de Meneses, incomparável vice-rei do Estado do Brasil, que no seu ínclito nome traz vinculada com a profissão de d'ilustrar as armas a propensão d'honrar as letras, para dar a conhecer os talentos que nesta Província florescem, e por falta d'exercício literário estavam como desconhecidos, determinou instituir uma academia, a cujo fim fez chamar por cartas circulares as seguintes pessoas: o reverendo padre Gonçalo Soares da França; o desembargador Caetano de Brito e Figueiredo, chanceler deste Estado; o desembargador Luís de Siqueira da Gama, ouvidor geral do cível; o doutor Inácio Barbosa Machado, juiz de fora desta cidade; o coronel Sebastião da Rocha Pita; o capitão João Brito de Lima; e José da Cunha Cardoso; aos quais na tarde de 7 de março de mil setecentos e vinte e quatro comunicou a vontade com que se achava d'erigir e estabelecer a academia, cuja resolução abraçaram uniformes os sete convocados, como filha de tão excelente e generoso espírito; e com o seu beneplácito escolheram por empresa o sol com esta letra: - sol oriens in occiduo -, assentando entre si com louvável modéstia intitularem-se - Os Esquecidos."

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Existência e legado

Teve breve duração tal academia, findando-se no ano seguinte ao de sua criação, em fevereiro de 1725. Ocupava-se de temas frívolos, como os registrados que foram levados pelo próprio Rocha Pita: "Uma dama que sendo formosa não falava por não mostrar a falta que tinha nos dentes" e equivalentes; também primavam pela produção de acrósticos e versos outros, sérios ou cômicos, chegando mesmo a produzir construções que antecipavam o concretismo, como o Labirinto Cúbico, de Anastácio Ayres de Penhafiel. Bandeira registra que, apesar da breve existência dessas entidades e de sua pífia produção literária, não se pode negar que foram de "benéfica influência no desenvolvimento de nossas letras". Daria, mais tarde, origem à ainda mais efêmera Academia Brasílica dos Renascidos (1759).

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Crítica moderna

Sobre os Esquecidos disse José Veríssimo: "apesar da origem oficial, e de serem um arremedo, havia nelas um sentimento de emulação com a Metrópole, e portanto um primeiro e leve sintoma de espírito local de independência."

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Excertos

Alguns textos de membros da Academia exemplificam a produção que então se fazia (em domínio público): Labirinto cúbico Anastácio Ayres Penhafiel INUTROQUECESAR NINUTROQUECESA UNINUTROQUECES TUNINUTROQUECE RTUNINUTROQUEC ORTUNINUTROQUE QORTUNINUTROQU UQORTUNINUTROQ EUQORTUNINUTRO CEUQORTUNINUTR ECEUQORTUNINUT SECEUQORTUNINU ASECEUQORTUNIN RASECEUQORTUNI Deste Apotema vigilante, e cego Uma parte confirmo, outra reprovo. Que o Amor com Amor se paga provo, Que o Amor com Amor se apaga nego. Tendo os Amores um igual sossego, Se estão pagando a fé sempre de novo, Mas a crer que se apagam me não movo, Sendo fogo, e matéria Amor, e emprego. Se de incêndios costuma Amor nutrir-se, Uma chama com outra há de aumentar-se, Que em si mesmas não devem consumir-se. Com razão deve logo duvidar-se Quando um Amor com outro sabe unir-se, Como um fogo com outro há de apagar-se?

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