Acesso aberto
Acesso aberto (AA) ou livre acesso significa a disponibilização online e sem limitações dos resultados de investigação científica. O Acesso Aberto pode ser aplicado a todas os tipos de publicações científicas com e sem revisão por pares, incluindo artigos científicos, documentos de conferência, teses, capítulo de livros, e monografias.
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A ideia e prática de disponibilizar os artigos científicos em Acesso Aberto começou pelo menos uma década antes de surgir o termo "open access". Investigadores da área da informática e computação vinham auto-arquivando usando o protocolo de transferência de arquivos (FTP), desde 1970 e os físicos faziam o mesmo no arxiv desde 1990. O post en:Subversive_Proposal Subversive Proposal sobre a generalização da prática foi publicado em 1994. O conceito inicial de Acesso Aberto refere-se ao acesso online e não restrito às publicações científicas que incluíam, em primeiro lugar, os artigos de revistas científicas. O termo "open access" foi formulado pela primeira vez em três declarações públicas: a "Iniciativa de Acesso Aberto de Budapeste" (Budapest Open Access Initiative) em fevereiro de 2002, a “Declaração de Bethesda sobre a publicação em Acesso Aberto” em junho de 2003, e a Declaração de Berlim sobre o Acesso Livre ao Conhecimento nas Ciências e Humanidades (Berlin Declaration on Open Access to Knowledge in the Sciences and Humanities), em outubro de 2003.
Grátis e livre
A distinção entre os de Acesso Aberto, grátis versus livre, iniciou-se em 2006 por dois co-autores da Iniciativa de Budapeste. O Acesso Aberto grátis refere-se ao acesso online sem restrições, enquanto que o Acesso Aberto livre refere-se ao acesso online sem restrições mas com alguns direitos adicionais de reutilização. As definições de Budapest, Bethesda, e de Berlin referem-se apenas ao Acesso Aberto livre. Os direitos de reutilização do Acesso Aberto livre são muitas vezes especificados através da utilização das várias Licenças Creative Commons; que requerem a atribuição da autoria.
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Existem várias formas de disponibilizar o Accesso Aberto às publicações científicas, as mais comuns são as designadas via Verde e via Dourada.
Revistas científicas: Acesso Aberto Dourado
Os autores que pretendem colocar o seu trabalho disponível em Acesso Aberto têm a opção de publicar numa revista científica de acesso aberto [en] (designado por Acesso Aberto dourado). Existem vários modelos de negócio para revistas de Acesso Aberto. O Acesso Aberto pode ser disponibilizado pelos editores tradicionais, que podem publicar em Acesso Aberto e manter a sua subcrição em simultâneo, ou por editores como a Public Library of Science (PLOS) que publica apenas revistas de Acesso Aberto. Uma revista de Acesso Aberto pode ou não requerer custos de processamento da publicação, conhecidos como APCs; publicar em Acesso Aberto não significa necessariamente que o autor tenha que pagar estes custos. Tradicionalmente, muitas revistas científicas cobram taxas, muito antes de o Acesso Aberto se tornar uma opção. Quando as revistas de Acesso Aberto cobram taxas de processamento, é a instituição empregadora ou o financiador que geralmente suporta estes custos, ao invés dos autores, e muitas revistas podem renunciar a estes custos no caso de dificuldades financeiras ou se os autores forem de países menos desenvolvidos. Algumas revistas que não apresentam taxas têm apoio financeiro institucional. Exemplos de editores que publicam em Acesso Aberto: BioMed Central e Public Library of Science. Cerca de 30% das revistas de Acesso Aberto cobram taxas para pagar os custos de publicação (por exemplo: as taxas PLoS variam entre 1.350$ e 2.900$) e substituem as taxas de subscrição. As receitas de publicidade e/ou o financiamento de fundações ou instituições são também formas de financiar a publicação.
Auto-arquivamento: Acesso Aberto verde
O auto-arquivamento [en], também conhecido como Acesso Aberto verde, refere-se à prática de depositar artigos num repositório institucional ou temático como o arXiv. Os editores de Acesso Aberto verde permitem o depósito imediato pelos seus autores. O auto-arquivo foi proposto a primeira vez em 1994 por Stevan Harnad no seu "Subversive Proposal". Contudo, o auto-arquivo foi prática dos investigadores da área da informática e computação usando arquivos por FTP local na década de oitenta, mais tarde recolhidos pelo CiteSeerX. O que é depositado pode ser tanto um preprint como um postprint com revisão por pares – ambas as versões arbitradas, versão final revista ou a versão do editor. Para saber se um editor ou revista científica permite aos autores o auto-arquivo, o autor deve consultar a lista de Políticas de Direito de Autor e Auto-arquivo dos Editores disponível no website SHERPA/RoMEO. O website EPrints também disponibiliza um conjunto de perguntas frequentes sobre auto-arquivo. Outras informações e links podem ser encontrados no blog Open Access Archivangelism e no website Eprints Open Access.
Acesso Aberto Bronze
Os artigos de acesso aberto "bronze" são gratuitos para leitura apenas na página do editor, mas não possuem uma licença claramente identificável; esses artigos normalmente não estão disponíveis para reutilização.
Forma de distribuição
Assim como o depósito de artigos em Acesso Aberto, a maioria das revistas científicas de Acesso Aberto são distribuídas através da World Wide Web, como forma de reduzir os custos de distribuição e aumentar a sua abrangência, velocidade e importância para a comunidação científica. O software de código aberto é, geralmente, usado nos repositórios institucionais, nos websites de revistas científicas de Acesso Aberto e noutras formas de disponibilizar o Acesso Aberto e a publicação em Acesso Aberto. O acesso aos conteúdos digitais implica o acesso à Internet, contudo essa distribuição pode apresentar barreiras físicas e por vezes barreiras financeiras. Os defensores do Acesso Aberto argumentam que as barreiras de acesso à Internet são relativamente reduzidas, no entanto, os esforços devem ser feitos para subsidiar o acesso à Internet universal, pagar-para-aceder apresenta uma barreira adicional relativamente elevada por si só.[carece de fontes?]
Em Portugal, as primeiras iniciativas de Acesso Aberto foram protagonizadas pela Universidade do Minho com a criação do RepositóriUM em 2003 e a definição de uma política institucional de auto-arquivo em 2004. Nos anos seguintes registaram-se outros acontecimentos, como a criação do SciELO Portugal, para a publicação de revistas de Acesso Aberto, ou a criação de novos repositórios em diversas instituições de ensino superior. Mas foi o surgimento do projeto Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP), em 2008, que assinalou o início de uma nova dinâmica na evolução do Acesso Aberto em Portugal. O desenvolvimento, no âmbito do projeto RCAAP, de um conjunto de serviços[ligação inativa] (como o Portal RCAAP, o Serviço de Alojamento de Repositórios Institucionais, o Repositório Comum, o Serviço de Alojamento de Revistas Científicas, e outros) para as instituições e a comunidade académica, bem como de uma intensa atividade de comunicação e disseminação, impulsionou um rápido desenvolvimento do Acesso Aberto em Portugal, colocando o país numa posição destacada a nível internacional. Neste período, quer o número de repositórios (que passou de 10 em 2008 para mais de 40 em 2014), quer o número de documentos portugueses disponíveis em Acesso Aberto no Portal RCAAP (que passou de pouco mais de 13000 no final de 2008 para mais de 150000 no início de 2014), cresceram a um ritmo ainda mais rápido do que o registado na generalidade dos países.


