Gabrielle Duchêne
Gabrielle Duchêne foi uma feminista, pacifista, sindicalista e activista antifascista francesa, reconhecida pelo seu trabalho na secção francesa da Liga Internacional de Mulheres pela Paz e Liberdade, entre muitas outras organizações.
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Nascimento e Família
Nascida a 26 de fevereiro de 1870, no 16.º arrondissement de Paris, França, Gabrielle Laforcade era filha de Joseph Laforcade, arquitecto paisagista e chefe do departamento de jardinagem da Câmara Municipal de Paris, e de Denise Rosalie Maréchal Laforcade, ambos oriundos de famílias burguesas francesas. Em 1892, com 22 anos, casou-se com o arquitecto paisagista Achille Duchêne, conhecido como um dos mais bem sucedidos e aclamados peritos na sua área profissional pela alta sociedade francesa durante os últimos anos do século XIX e o período da Belle Époque. Um ano depois, juntos tiveram uma filha, Suzanne Henriquette Duchêne, escritora e activista feminista, que se casou com o médico Alexandre Roubakine, filho do escritor russo Nikolai Roubakine.
Primeiros Anos
Pouco depois, Gabrielle Duchêne começou a demonstrar o seu interesse pela filantropia e a política francesa, falando publicamente sobre o caso Dreyfus, a causa sufragista e os movimentos sindicais, revelando extensivamente a sua indignação com o meio burguês donde provinha por ignorar a pobreza e as fracas condições de vida em que as classes baixas e trabalhadoras eram submetidas, sendo ainda exploradas sem terem quaisquer direitos. Em 1908, tornou-se co-fundadora da Entr'aide (Ajuda Mútua), uma iniciativa que unia, protegia e reivindicava melhores condições salariais e laborais para as operárias das fábricas de linho, lingerie e vestuário da área metropolitana parisiense, tendo a sua sede no número 146 da Avenida Émile Zola, no 15.º arrondissement. Desse ponto em diante, observando a dura realidade do trabalho fabril e operário, a activista lutou para que se estabelecesse a lei do salário mínimo, a igualdade salarial entre géneros e a promoção do sindicalismo através da educação dos trabalhadores.
Primeira Guerra Mundial
Com o eclodir da Primeira Guerra Mundial em 1914, apesar de militar pelo pacifismo, Gabrielle Duchêne integrou o pequeno grupo de pacifistas franceses que se recusou a aceitar a Union Sacrée (União Sagrada), um acordo promulgado pela esquerda política para não atacar ou tomar outras medidas de natureza bélica ou sancionária que pudessem prejudicar o esforço de guerra. Um ano depois, em 1915, a activista cessou as suas acções sindicais para se dedicar exclusivamente à causa pacifista e à luta pelos direitos da mulher. Nesse mesmo ano foi convidada a participar no Congresso Internacional de Mulheres em Haia, Países Baixos, criado por iniciativa da activista Jane Addams, com o apoio de várias associações feministas e pacifistas americanas e holandesas. Durante o evento, fruto da colaboração de diversas activistas de vários países, surgiu a ideia de se criar o Comité international des femmes pour la paix permanente (CIFPP, Comité Internacional de Mulheres pela Paz Permanente), sendo fundada em maio desse mesmo ano. Adepta da iniciativa, Gabrielle Duchêne criou a secção francesa da agremiação, da qual foi eleita presidente, ao lado de Jeanne Halbwachs no cargo de secretária geral, da sua filha Suzanne Duchêne como secretária adjunta e da Madame Morre-Lambellin na tesouraria. Pela mesma ocasião, ingressou na Société d'études critiques et documentaires sur la guerre (Sociedade de Estudos Críticos e Documentais sobre a Guerra), a qual congregava a minoria pacifista da Ligue des droits de l'homme (LDH, Liga dos Direitos do Homem).
Período Pós-Guerra
Em 1919, proibida de sair do país para participar no Congresso Internacional das Mulheres pela Paz e pela Liberdade em Zurique, Suíça, organizado pelas feministas alemãs Anita Augspurg e Lida Gustava Heymann, não lhe sendo dada autorização para a emissão do seu passaporte, Gabrielle Duchêne e quinze activistas francesas enviaram uma carta à organização pacifista e feminista, na qual explicaram a sua situação e a sua prontidão em mesmo assim colaborar com as activistas apesar da distância. Durante o evento, a CIFPP foi transformada na Ligue internationale des femmes pour la paix et la liberté (LIFPL, Liga Internacional de Mulheres pela Paz e Liberdade, ou WILPF em inglês), adoptando as ideologias do 28º presidente dos Estados Unidos Thomas Woodrow Wilson. Consequentemente, Gabrielle Duchêne criou a secção francesa da mesma. Assumindo o cargo de secretária geral, desempenhou o papel de representante francesa da liga nos congressos, comités e conferências internacionais que decorreram em solo francês, como na Conferência de Paz de Paris, realizada em Versalhes, a 18 de janeiro de 1919.
Segunda Guerra Mundial
Em 1940, com o avançar da Segunda Guerra Mundial e a ocupação da França pelo regime nazi, o nome de Gabrielle Duchêne foi adicionado à lista de pessoas a serem espionadas e vigiadas pela Gestapo e a polícia do governo de Vichy. Temendo pela sua vida, a activista deixou a capital francesa e refugiou-se em Aix-en-Provence, no sul do país, onde permaneceu até ter sido reconhecida e denunciada. Obrigada a fugir novamente, durante dois anos, com ajuda da resistência francesa, manteve-se escondida, encontrando finalmente um refúgio mais estável na casa da sua amiga, autora e jornalista Claire Géniaux em Milhars, Tarn, durante 1943 e 1944.
Últimos Anos de Vida
Após a Libertação, a activista retomou as suas actividades políticas e sociais, regressando a Paris e ingressando na Société des Amis de l'URSS (Sociedade de Amigos da URSS, mais tarde conhecida como Associação França-URSS), na Fédération démocratique internationale des femmes (FDIF, Federação Democrática Internacional das Mulheres) e na associação sem fins lucrativos Secours populaire français (SPF, Auxílio Popular Francês), para além de ter continuando até à sua morte ligada à Liga Internacional de Mulheres pela Paz e Liberdade. Gabrielle Duchêne faleceu a 3 de agosto de 1954, em Zurique, Suíça, com 84 anos de idade.
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Durante a sua vida, Gabrielle Duchêne escreveu inúmeros artigos, colaborando extensivamente com vários periódicos e revistas da época, para além de ter publicado vários documentos e relatórios sobre várias conferências e congressos em que participou ou ainda alguns estudos onde expunha as débeis condições de vida dos mais desfavorecidos, a exploração da classe operária e as injustiças sociais e económicas que afectavam os direitos das mulheres na sociedade francesa. Convidada por outros autores, a activista também escreveu os prefácios de várias obras, tais como Les méthodes modernes de guerre et la protection des populations civiles, avec une déclaration du professeur P. Langevin (Paris, Marcel Rivière, 1929), Confiance en Hitler? Autour d’une interview de M. Jean Goy (Paris, Comité mundial das mulheres), La famille et le mariage en URSS (Paris, Éditions France-URSS) e Guerre, War, Krieg (Paris, Comité mundial das mulheres).


