Guerra Civil Lituana (1381–1384)
A Guerra Civil Lituana de 1381–1384 foi o primeiro grande conflito pelo poder entre os primos Jogaila, Grão-Duque da Lituânia (e futuro Rei da Polônia), e Vytautas, o Grande. O conflito eclodiu após Jogaila assinar o Tratado de Dovydiškės com os Cavaleiros Teutônicos, um acordo que visava Kęstutis, pai de Vytautas. Kęstutis chegou a tomar o poder no Grão-Ducado, mas foi traído por apoiadores de Jogaila, especialmente de Vilnius. Durante negociações de trégua, Kęstutis e Vytautas foram presos e levados ao Castelo de Kreva. Kęstutis morreu uma semana depois, mas Vytautas conseguiu escapar e formou uma aliança com os Cavaleiros Teutônicos, invadindo terras lituanas com forças conjuntas. Eventualmente, os primos se reconciliaram, pois Jogaila buscava estabilidade interna para negociar a cristianização da Lituânia com o Grão-Principado de Moscou e o Reino da Polônia. Embora esta guerra não tenha resolvido a disputa pelo poder, ela foi um prelúdio para a subsequente Guerra Civil Lituana (1389–1392), que culminou no Acordo de Ostrów. Após mais de uma década de conflitos, Vytautas finalmente se tornou Grão-Duque da Lituânia, governando por trinta e oito anos.
Pontos-chave
- Foi a primeira luta pelo poder entre os primos Jogaila e Vytautas.
- O conflito começou com o Tratado de Dovydiškės, assinado por Jogaila com os Cavaleiros Teutônicos, visando Kęstutis.
- Kęstutis e Vytautas foram presos; Kęstutis morreu na prisão, e Vytautas escapou e aliou-se aos Cavaleiros Teutônicos.
- A reconciliação ocorreu devido à necessidade de Jogaila de estabilidade interna para negociações de cristianização.
- A guerra não resolveu a disputa de poder, que continuou em um conflito posterior, culminando na ascensão de Vytautas como Grão-Duque.
Os irmãos Algirdas e Kęstutis co-governavam o Grão-Ducado da Lituânia de forma pacífica. Algirdas, como Grão-Duque, focava nas províncias orientais, predominantemente ortodoxas, enquanto Kęstutis defendia a parte ocidental contra os Cavaleiros Teutônicos. Após a morte de Algirdas em 1377, seu filho Jogaila assumiu o trono, mesmo com a contestação de Andrei de Polotsk. Os Cavaleiros Teutônicos intensificaram suas cruzadas contra a Lituânia pagã, realizando campanhas significativas em 1378. Em 1379, Skirgaila, irmão de Jogaila, visitou os Cavaleiros para discutir a situação e a possível cristianização, gerando rumores de intriga contra Kęstutis. Uma trégua de dez anos foi assinada em Trakai em 29 de setembro de 1379, o último tratado conjunto entre Kęstutis e Jogaila. Contudo, negociações secretas subsequentes entre Jogaila e os Cavaleiros em Vilnius protegeram apenas as terras cristãs do sul, deixando as regiões pagãs de Kęstutis vulneráveis a ataques teutônicos.
A fase ativa do conflito foi marcada por golpes, fugas e alianças estratégicas, culminando na reconciliação dos primos.
Golpe de Kęstutis e Contragolpe de Jogaila
No início de 1381, os Cavaleiros Teutônicos invadiram o Ducado de Trakai e a Samogícia, sem violar o Tratado de Dovydiškės. Durante o ataque a Trakai, usaram bombas pela primeira vez, destruindo Naujapilis e fazendo cerca de 3.000 prisioneiros. Em agosto de 1381, Kuno von Liebenstein, komtur de Osterode e padrinho de Danutė da Lituânia, revelou o tratado secreto a Kęstutis. Vytautas negou conhecimento, suspeitando de uma armadilha teutônica. No outono de 1381, Kęstutis aproveitou a rebelião de Polotsk contra Skirgaila. Com Jogaila ausente para subjugar a rebelião, Kęstutis capturou Vilnius, a capital, tornando-se grão-duque. Jogaila foi preso ao retornar, Vaidila foi executado. Jogaila jurou lealdade a Kęstutis, foi libertado e recebeu Kreva e Vitebsk. Kęstutis então retomou a guerra contra os Cavaleiros Teutônicos, invadindo Vármia e tentando capturar Georgenburg (Jurbarkas).
A Fuga de Vytautas
Vytautas permaneceu detido até o outono de 1382. Ele conseguiu escapar com a ajuda de sua esposa Ana, que tinha permissão para visitá-lo. Fontes indicam que Vytautas trocou de roupa com Ana ou uma de suas criadas e saiu sem ser detectado. Inicialmente, buscou apoio de sua irmã Danutė e seu marido Janusz I de Varsóvia, depois de Siemovite IV, Duque da Mazóvia. Por fim, recorreu aos Cavaleiros Teutônicos, seus antigos inimigos, pedindo proteção e ajuda militar contra Jogaila. Em retaliação à sua fuga, Birutė, mãe de Vytautas, foi afogada em Brest, e dois de seus parentes, Vidimantas e Butrimas, foram assassinados.
A Reconciliação dos Primos
No início de setembro, os Cavaleiros e Vytautas tomaram Trakai brevemente e atacaram Vilnius sem sucesso. Em 21 de outubro de 1383, em Tapiau, Vytautas foi batizado no rito católico, recebendo o nome de Wigand (Vygandas em lituano) em homenagem ao seu padrinho, Wigand, komtur de Ragnit. Vytautas recebeu New Marienburg, um castelo no rio Neman, perto da foz do Dubysa, onde se juntou a parentes e seguidores banidos por Jogaila, incluindo seu irmão Tautvilas Kęstutaitis. Ele também buscou apoio dos samogitianos. Em 30 de janeiro de 1384, em Königsberg, Vytautas assinou o Tratado de Königsberg, prometendo vassalagem à Ordem Teutônica e a cessão de parte da Samogícia (até o rio Nevėžis, incluindo Kaunas). Em maio de 1384, os Cavaleiros iniciaram a construção de uma nova fortaleza em Kaunas, chamada Nova Marienverder. Em 14 de junho de 1384, Vytautas renovou suas promessas de Königsberg nesta nova fortaleza.
Vytautas retornou à Lituânia sem um acordo formal com Jogaila, recebendo Hrodna, Brest, Podlaskie e Vawkavysk. Para herdar a Volínia após a morte de seu tio Liubartas, Vytautas foi batizado no rito ortodoxo. Skirgaila continuou a governar Trakai. Vytautas jurou lealdade a Jogaila, tornando-se um duque regional. Jogaila considerava propostas de batismo, tendo rejeitado o Tratado de Dubysa com os Cavaleiros Teutônicos. Negociações com Moscou eram arriscadas, e a Ortodoxia não protegeria a Lituânia dos Cavaleiros, especialmente após o cerco mongol de Moscou em 1382, que enfraqueceu a Moscóvia. A Polônia ofereceu uma terceira opção: um casamento com Edviges da Polônia e a coroa polonesa. Em agosto de 1385, Jogaila assinou a União de Krewo, prometendo cristianizar a Lituânia, casar-se com Edviges e formar uma união pessoal Lituânia-Polônia. Em 1386, foi batizado e coroado rei, deixando Skirgaila como seu regente na Lituânia. Aproveitando a ausência de Jogaila, Andrei de Polotsk renovou sua reivindicação ao trono lituano. Vytautas, durante este período, manteve-se leal e ajudou Jogaila e Skirgaila a derrotar Andrei.


