Actante
Actante é um termo frequentemente utilizado na Semiótica e que se desenvolve no Círculo Linguístico de Praga. Originalmente foi utilizado pelo linguista francês Lucien Tesnière (1893-1954) para denotar as principais funções sintáticas que dependem do verbo na sintaxe. Posteriormente o linguista lituano Algirdas Julien Greimas (1917-1992) o utilizará para determinar os participantes ativos em qualquer forma narrativa, seja um texto, uma imagem, um som. Actante. In: Semiótica. Diccionario Razonado de la Teoria del Lenguaje. Madrid: Gredos, pg.23-24).
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Para a Semiótica, todo texto (visual, sonoro, escrito) é dotado de uma estrutura interna, organizada como uma narrativa. A narrativa não é apenas uma descrição de fatos em uma sequência, mas uma mudança de estado sofrida ou executada por sujeitos ou, em termos semióticos, actantes, aqueles que executam ou sofrem a ação, que estão inscritos no texto, sujeitos das funções da narrativa. Chamam-se actantes às relações gramaticais e/ou funcionais que existem entre os atores (aqueles que atuam ou recebem a ação) em uma determinada narrativa). Segundo ainda a Semiótica, "ator" é um conceito mais amplo que o de "personagem", pode ser figurativo (seres divinos ou humanos, animais, objetos) ou noológico (amor, ódio, virtude etc). De acordo com as funções actanciais que exerce, o ator é investido de um papel temático, isto é, tem uma missão a executar. Exemplos: o herói, o defensor dos valores sociais; o vilão, o rebelde; o conselheiro, aquele que sabe; o pescador, quem conhece os segredos do mar, o ajudante, um computador, um vírus etc.
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Greimas, o grande nome quando se fala em atuantes, construiu seus conceitos a partir do que Vladimir Propp e Étienne Souriau já haviam escrito e estudado a respeito do assunto. A discussão sobre os actantes gira em torno da definição dos personagens/papéis por meio de suas ações. A partir daí podemos enxergar semelhanças entre praticamente todas as narrativas, sejam elas reais ou fictícias. Uma vez definidos por suas ações, o personagem deixa de ser importante, o que importa é sua ação. Wladimir Propp classificou os personagens do conto popular russo nos seguintes sete atuantes (papéis ou personagens fixos): o herói; o antagonista (ou agressor); o doador; o auxiliar, a princesa (ou seu pai), o mandante e o falso herói (Morfologia do Conto Maravilhoso ). E. Souriau foi mais enigmático quando nomeou os seis atuantes (funções dramáticas) no teatro seguindo os elementos da astrologia: Leão - força temática orientada; Sol - representante do bem desejado; Terra - para quem o leão trabalha; Marte - o oponente; Balança - o árbitro que atribui o bem; Lua - o auxílio (in Duzentas Mil Situações Dramáticas . Estas funções podem ser combinadas na mesma personagem.
Um modelo mais amplo
A partir destas definições, Greimas chega à conclusão de que há um número restrito de atuantes ou actantes. Toda narrativa terá, independentemente de quais sejam seus personagens, o mesmo grupo de actantes. Ele acredita que nos dois modelos (de Propp e Sourriau) é possível visualizar a relação entre “sujeito” (aquele que pratica a ação) e “objeto” (aquele que sofre a ação), relação que é norteada pelo “desejo” e pela “procura”. Além de sujeito versus objeto, Greimas também observou a relação do destinador (aquele que anuncia, proporciona a ação) versus o destinatário (aquele a quem a ação será dirigida) e a do adjuvante (o que facilita a ação) versus o oponente (o que a dificulta). Este modelo é considerado mais abrangente, uma vez que pode ser aplicado em qualquer narrativa e não apenas ao conto popular russo ou ao teatro.


