Actinomycetota
Actinomycetota, também conhecidas como Actinobacteria, são um filo de bactérias Gram-positivas que frequentemente se assemelham a fungos devido à sua organização filamentosa ramificada (micélios) e à produção de esporos. Apesar das semelhanças morfológicas, como o diâmetro mais estreito de suas hifas (0,5 a 1,0 µm), elas são fisiologicamente bactérias, sendo organismos procarióticos e, em sua maioria, aeróbios, diferentemente dos fungos que são eucarióticos.
Pontos-chave
- Actinomycetota são bactérias Gram-positivas, também chamadas actinomicetos ou actinobactérias.
- Possuem organização filamentosa ramificada (micélios) e produzem esporos, o que as faz serem confundidas com fungos.
- Apesar da semelhança morfológica, são procarióticas e fisiologicamente bactérias, com hifas mais estreitas que as fúngicas.
- A maioria das actinobactérias é aeróbia, contrastando com a diversidade metabólica dos fungos.
- Estudos genéticos e químicos confirmaram sua natureza bacteriana, distinguindo-as definitivamente do Reino Fungi.
Desde sua primeira descrição no final do século XIX, as actinobactérias foram consideradas exóticas e frequentemente classificadas erroneamente como fungos devido à formação de estruturas filamentosas (hifas) e esporos. Somente a partir da década de 1950, com avanços em estudos genéticos e químicos celulares, foi confirmada sua natureza procariótica. A verificação de sua suscetibilidade a antibacterianos, a ausência de membrana nuclear e outras características bacterianas, como a presença de peptideoglicano na parede celular e a síntese de lisina via ácido diaminopimélico (DAP), as afastaram definitivamente do Reino Fungi, apesar de compartilharem parte do ciclo de vida com eucariotos.
A confusão inicial sobre a identidade das actinobactérias resultou em uma taxonomia desordenada, com muitas denominações e descrições sobrepostas. A grande variedade morfológica e a falta de consenso nos critérios taxonômicos, que inicialmente se baseavam em aspectos morfológicos e fisiológicos, contribuíram para essa desordem. A quimiotaxonomia, que utiliza componentes químicos celulares, e a taxonomia numérica, que agrupa microrganismos por dados fenotípicos, foram cruciais para organizar e evidenciar a heterogeneidade dos gêneros. Posteriormente, a sistemática molecular, com análises de ácidos nucleicos, permitiu reconstruir as relações evolutivas e validar a classificação, superando as dificuldades em aprofundar a classificação em níveis de espécie e subespécie.
A taxonomia aceita atualmente para as Actinobactérias é baseada em informações do LPSN (List of Prokaryotic names with Standing in Nomenclature) e do NCBI (National Center for Biotechnology Information). A filogenia, que representa as relações evolutivas, é estabelecida a partir das sequências do ARNr 16S do projeto The All-Species Living Tree (LTP 106).
Imagem: Levi Simons · CC0 · Openverse
A morfologia das actinobactérias é bastante variada, incluindo formas cocoide (Micrococcus), cocobacilar (Arthrobacter) e aquelas com fragmentação de hifas (Nocardia spp.) ou micélios ramificados altamente diferenciados (Streptomyces), que podem ou não formar porção aérea (Actinoplanes). Em geral, apresentam a organização celular procariótica típica, com uma região nuclear fibrilar, citoplasma granuloso com ribossomos de até 12 nm e inclusões diversas. A parede celular, com 10 a 20 nm de espessura, é composta por uma matriz rígida de peptideoglicano e polímeros associados, enquanto a membrana plasmática (7 a 10 nm) possui uma bicamada fosfolipídica com proteínas intercaladas.
Imagem: Josh McGinnis · BY-NC · Openverse
As actinobactérias são um grupo de organismos extremamente bem-sucedido em termos de habitat, sendo encontradas em uma vasta gama de ambientes naturais e modificados pelo homem. São amplamente distribuídas no solo e em outros ambientes terrestres. A maioria das espécies é saprofítica, mas também existem aquelas que formam associações mutualísticas e parasíticas com outros organismos. Isso resulta em diversos estilos de vida, incluindo habitantes do solo (Streptomyces spp.), comensais de plantas (Leifsonia spp.), simbiontes fixadores de nitrogênio (Frankia), residentes do trato gastrointestinal (Bifidobacterium spp.) e patógenos (Mycobacterium spp., Nocardia spp., Tropheryma spp., Corynebacterium spp., Propionibacterium spp.).


