Ativismo
Ativismo pode ser compreendido como a prática de sustentar ideais ou causas por meio de ações concretas, priorizando a transformação social em lugar de uma postura apenas reflexiva ou teórica (AO45) Nesse sentido, abrange estratégias voltadas a influenciar a condução de políticas públicas ou corporativas em áreas específicas, em contraste com condutas mais restritas ao âmbito privado e cotidiano.
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A imprensa por vezes usa o termo ativismo como sinônimo de manifestação ou protesto. Nas ciências políticas, também pode ser sinônimo de militância, particularmente por uma causa. Usualmente, ativismo pode ser entendido como militância ou ação continuada com vistas a uma mudança social ou política, privilegiando a ação direta, através de meios pacíficos ou violentos, que incluem tanto a defesa, propagação e manifestação pública de ideias até a afronta aberta à Lei, chegando inclusive à prática de terrorismo. Os termos "ativismo" e "ativista" foram usados pela primeira vez, com conotações políticas, pela imprensa belga, em 1916, referindo-se ao Movimento Flamingant. Dentro do enquadramento legal e eleitoral das democracias representativas, toma, habitualmente, a forma de atividade político-social - remessa de cartas, organização ou participação em reuniões, emissão de textos, entrevistas à imprensa e a dirigentes políticos em prol da postura de preferência; promover ou simplesmente seguir certos comportamentos que estão delineados ou que se estima que contribuam para a causa — tal como o boicote de certos produtos de consumo (ou a recomendação de outros), nas compras individuais ou de grupo; ou ainda a realização de manifestações públicas organizadas, tais como marchas, recrutamento de simpatizantes, coletas de assinaturas em apoio a manifestos favoráveis à causa ou contra algo que prejudique a causa.
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Alguns grupos e organizações participam do ativismo a tal ponto que podem ser considerados uma indústria. Nesses casos, o ativismo geralmente é feito em tempo integral, como parte do core business de uma organização. Muitas organizações na indústria do ativismo são organizações sem fins lucrativos ou organizações não governamentais com metas e objetivos específicos em mente. A maioria das organizações ativistas não fabrica bens, mas mobiliza pessoal para recrutar fundos e obter cobertura da mídia. O termo indústria do ativismo tem sido frequentemente usado para se referir a operações terceirizadas de arrecadação de fundos. No entanto, as organizações ativistas também se envolvem em outras atividades. O lobby, ou a influência das decisões tomadas pelo governo, é outra tática ativista. Muitos grupos, incluindo escritórios de advocacia, designaram funcionários designados especificamente para fins de lobby.
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O ativismo social, que em determinado momento foi o motor de diversas formas de organização popular e experiências coletivas, passou por um processo de enfraquecimento ao longo do tempo. Esse declínio pode ser compreendido a partir de três dimensões principais. A primeira está ligada à reabertura democrática, quando a arena institucional voltou a atrair a atenção e incorporou, em parte, as demandas vindas da base social, levando alguns movimentos a se transformarem em atores diretamente vinculados ao sistema político, que a literatura pode chamar de “institucionalização posicional”; quando esse ativismo se dá dentro da estrutura do Estado, é chamado de “ativismo institucional”, “ativismo burocrático” ou ativismo interno/inside activism. A segunda dimensão, ao contrário da anterior, refere-se ao esgotamento das forças militantes que, sem alcançar níveis suficientes de institucionalização, não conseguiram sustentar a intensidade de sua ação. Por fim, observa-se ainda o caminho oposto: grupos que conquistaram reconhecimento e acabaram absorvidos por lógicas corporativas, o que reduziu sua capacidade de mobilização e resultou em formas de cooptação.


