Adam Ditrik von Bülow
Adam Ditrik von Bülow foi um dos acionistas da Companhia Antarctica Paulista, que foi um dos marcos da modernização no Brasil.
Era filho de uma famlília abastada na Dinamarca e estudou Direito na Faculdade de Direito (Det Juridiske Fakultet; Jura) da Universidade de Copenhague.
Chegada ao Brasil
Adam veio ao Brasil em 1865 Devido à situação difícil em que a Dinamarca se encontrava após a guerra com a Alemanha, mas principalmente devido à relação difícil com a família em Mørup, que eram religiosos fervorosos. Sem avisar a família, tomou um veleiro rumo a Nova Iorque, mas que teve que mudar sua rota e desembarcou no Rio de Janeiro. De lá, seguiu para Rio Claro onde permaneceu por seis meses com uma família de conhecidos. Foi para São Paulo em 1867 para trabalhar como professor em uma escola alemã, e em seguida foi trabalhar com uma empresa de importação. Em 1869 foi trabalhar para a companhia de importação e exportação C. Budich & Co. em Santos, tornando-se posteriormente sócio.
Zerrenner, Bülow & Cia
Em 1873 veio sua grande oportunidade, ao arrematar em um leilão o navio "Giovanni Luigi" juntamente com Antônio Zerrenner. Em 1876 terminaram a reforma do navio e fundaram a Zerrenner, Bülow & Cia, em sociedade paritária. Esta em breve tornou-se uma das mais importantes empresas de importação e exportação de São Paulo, e uma das quatro maiores exportadoras de café de Santos, com sede no Prédio Duplo do Valongo na cidade de Santos, em baixo da câmara de Vereadores. Em 1889 pôde se naturalizar brasileiro, após uma resolução da recém criada república, que permitiu aos estrangeiros que quisessem trabalhar no Brasil pudessem se naturalizar, o que criou maior confiança em se integrar ao país.
Antarctica
Em 1893, na posição principal credora, a Zerrenner, Bülow & Cia. assumiu o controle acionário da Antarctica. Os negócios da empresa começaram a melhorar em 1899 e através da aquisição da cervejaria Bavária e com a construção de novas fábricas, a Antarctica veio a se tornar uma das maiores cervejarias do Brasil. A libertação dos escravos de 1888 deixou as plantações de café sem mão-de-obra, que foi gradualmente substituída por imigrantes europeus, colocando os fazendeiros em dificuldades financeiras. Desta forma Adam e Zerrenner se tornaram proprietários de cinco fazendas, através da Cia. de São Paulo Cafeeira fundada em 1910. A Fazenda Val de Palmas tinha antes da crise de 1929 4 473 000 pés de café e era considerada a maior fazenda de café do Brasil.
Adam morreu em 22 de maio de 1923, o velório ocorreu em seu palacete na Avenida Paulista e foi sepultado no Cemitério dos Protestantes, na Consolação.
Casou-se em 23 de abril de 1879 em Copenhague com Anna Luise Ottilie Schaumann, filha do farmacêutico Gustav Schaumann.
Adam von Bülow construiu em 1895, de projeto do arquiteto Augusto Fried, o primeiro dos palacetes da avenida Paulista que juntamente com os palacetes da família Matarazzo e do cunhado Henrique Schaumann construídos um ano depois, e muitos outros que vieram em seguida, tornaram a avenida um dos símbolos da cidade de São Paulo. Residiu lá até a sua morte em 1923. A partir da torre da residência de Von Bülow foram tiradas várias fotografias de Guilherme Gaensly, tanto no rumo da Rua da Consolação como no rumo Paraíso. A residência foi um ícone da arquitetura da avenida Paulista até ter sido derrubado para dar lugar ao Edifício Pauliceia construído em 1955. Foi sócio-fundador da Associação Comercial dos Santistas, fundada em 27 de setembro de 1874. Foi vice-cônsul da Dinamarca em Santos e posteriormente em São Paulo de 1875 a 1922. Tornando-se um importante industrial, integrou em 1928 a primeira diretoria do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP).


