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Ademar de Barros

Ademar Pereira de Barros GCIH foi um aviador, médico, empresário e influente político brasileiro entre as décadas de 1930 e 1960.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 09/07/2026
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Formação acadêmica e a Revolução de 1932

Formou-se em medicina em 1923 pela Escola Nacional de Medicina, (atualmente pertencente à Universidade Federal do Rio de Janeiro). Fez especialização no Instituto Oswaldo Cruz. Estudou nos Estados Unidos e fez residência médica em várias cidades europeias, onde se tornou aviador, retornando ao Brasil em 1926. Poliglota, Ademar era fluente em alemão, francês, inglês e espanhol. Em 6 de abril de 1927 casou-se com Leonor Mendes de Barros, com quem teve quatro filhos: Maria Helena Pereira de Barros Saad, Ademar de Barros Filho (o Ademarzinho), Maria Pereira de Barros (a Mariazinha) e Antônio Pereira de Barros (já falecido). Clinicou até 1932, quando se engajou nas fileiras da Revolução Constitucionalista de 1932, como o fizeram também grande parte dos jovens paulistas de sua época. Com a derrota do movimento constitucionalista, exilou-se no Paraguai, onde se alistou como médico na Guerra do Chaco, e na Argentina. Nos seus governos sempre procurou beneficiar os ex-combatentes de 1932 com pensões e homenagens, tendo, em 1947, iniciado a construção do Monumento do Soldado Constitucionalista, em São Paulo.

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Vida pública

Primeiros passos

Foi lançado na política partidária por um tio, que fora senador estadual na República Velha, José Augusto Pereira de Resende, chefe político do Partido Republicano Paulista (PRP) da região de Botucatu. Em 1934 elegeu-se deputado estadual constituinte pelo PRP, fazendo forte oposição ao governador Armando de Sales Oliveira, denunciando principalmente desmandos na administração do Instituto Butantã na gestão daquele governador. A nova constituição de São Paulo foi promulgada em 9 de julho de 1935. Como deputado estadual defendeu a cultura do café, apoiou o candidato José Américo de Almeida, que disputava contra Armando de Sales Oliveira, a presidência da república, nas eleições que deveriam ocorrer em janeiro de 1938. Defendeu presos políticos, entre eles Caio Prado Júnior, e fez oposição ao governo federal de Getúlio Vargas.

Interventor federal (1938–1941)

Durante o Estado Novo foi nomeado interventor federal no estado de São Paulo pelo então presidente Getúlio Vargas, recomendado por Benedito Valadares e Filinto Müller. Governou São Paulo, como interventor, de 27 de abril de 1938 a 4 de junho de 1941. Getúlio, em 1950, narrou assim, para a Revista do Globo, a escolha de Ademar: Inaugurou, neste seu primeiro governo, as visitas frequentes às pequenas cidades do interior do estado, antes ignoradas pelos governadores. Foram 58 cidades do interior visitadas por Ademar somente nos dois primeiros anos da interventoria, inclusive visitando, em 1939, no extremo oeste do estado, em Andradina, o Rei do Gado, Antônio Joaquim de Moura Andrade.

1945–1951: o PSP e o primeiro mandato como governador

Em 1945 foi permitida novamente a existência de partidos políticos, os quais haviam sido extintos em 1937. Ademar se filiou à UDN e apoiou o brigadeiro Eduardo Gomes para presidente da república nas eleições de 2 de dezembro de 1945. Ademar, porém, logo se afastou da UDN, e, em 1946, fundou o Partido Republicano Progressista (PRP), que pouco depois se fundiu com o Partido Popular Sindicalista que era liderado por Miguel Reale e José Adriano Marrey Júnior e o Partido Agrário Nacional liderado por Mário Rolim Teles, formando o Partido Social Progressista (PSP), que se tornou o maior partido político de São Paulo do período de 1947 a 1965, e o único partido político com diretórios em todos os municípios do estado de São Paulo.

Derrotas sucessivas, prefeito do município de São Paulo

Em 1954, Ademar foi candidato derrotado ao governo do estado de São Paulo. Jânio Quadros foi o eleito, com dezoito mil votos a mais que Ademar. Em 1955, candidatou-se à presidência da república pelo PSP, sendo novamente derrotado. O presidente da república Café Filho, que também era do PSP, não apoiou Ademar. Juscelino Kubitschek foi eleito presidente. O slogan da campanha de Ademar, em 1955, foi: "O Brasil precisa é de um gerente". Jânio Quadros apoiou e pediu votos para o candidato Juarez Távora. Acusado de corrupção pelo "Caso dos Chevrolet" e o "Caso dos caminhões da Força Pública" (atual Polícia Militar), exilou-se, pela segunda vez, no Paraguai e na Bolívia. Inocentado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, voltou ao Brasil. O promotor público do "Caso dos caminhões da Força Pública" foi o jurista Hélio Bicudo.

1963–1966: o segundo mandato como governador

Foi eleito, em 1962, pela segunda vez, governador de São Paulo, derrotando Jânio Quadros, com vinte mil votos de diferença, os quais foram obtidos nas pequenas cidades do interior de São Paulo, que Jânio se recusou a visitar, alegando que não precisava de seus votos. Sucedeu, em 31 de janeiro de 1963, o governador Carvalho Pinto, para governar até 31 de janeiro de 1967, porém governou somente até 6 de junho de 1966. Ademar voltou a governar em parceria com Prestes Maia que novamente era prefeito de São Paulo (1961–1965). Prestes Maia fora prefeito de São Paulo quando Ademar era interventor no estado de São Paulo (1938–1941). No início do governo, em 2 de abril de 1964, lançou a "Aliança Brasileira para o Progresso", visando a incentivar o desenvolvimento econômico através de planejamento e financiamento à ciência e à tecnologia.

Último exílio e morte

Exilou-se, pela terceira vez em sua carreira política, em Paris, capital francesa, logo depois de ter sido o mandato de governador cassado, o qual foi seu terceiro mandato político a ser cassado. Ademar foi operado, em janeiro de 1969, de hérnia e litíase. Em 7 de março, tentou se curar no santuário e gruta de Lourdes na França, onde se acredita haver águas milagrosas. Em Lourdes teve uma síncope. Faleceu, em Paris, em 12 de março de 1969, aos 68 anos, metade dos quais dedicados à vida pública. Seu corpo foi transladado para o Brasil. Do Aeroporto de Viracopos, que ele construíra, até São Paulo, pela Via Anhanguera, que ele também construíra, houve um grande cortejo fúnebre que chegou a dez quilômetros de extensão. Foi enterrado no Cemitério da Consolação, na região central da capital paulista, em 16 de março, com grande presença de público. Foi executado o toque de silêncio para o veterano da Revolução de 1932.

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Homenagens

Recebeu uma condecoração póstuma, em 1982, pelo governo do estado de São Paulo, através do decreto número 18 732, de 23 de abril de 1982, pelo então governador Paulo Maluf, um ademarista, quando foi admitido no grau de Grã-Cruz, no Quadro Regular da Ordem do Ipiranga. A lei estadual número 2 457, de 1980, também da época de Paulo Maluf, dá o nome de Dr. Adhemar Pereira de Barros ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Foi homenageado, também, dando-se o seu nome à rodovia SP-340 (Rodovia Governador Doutor Adhemar de Barros), que liga Campinas a Águas da Prata, pela lei número 1 382, de 6 de setembro de 1977. Em 1978, na capital paulista, a Escola Municipal de 1º Grau do Jardim Ipê, tornou-se a "EMPG Prefeito Adhemar de Barros". A lei estadual número 4 369, de 9 de novembro de 1984, institui, no estado de São Paulo, a "Semana Doutor Adhemar de Barros", a ser comemorada, anualmente, de 22 a 28 de abril.

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O estilo Ademar de governar

Construiu usinas hidrelétricas e muitas rodovias de grande porte, continuando a tradição do ex-presidente da república Washington Luís, do qual Ademar era admirador confesso. Ademar, em 27 de dezembro de 1938, declarou: Por outro lado realizou também muitas obras e ações de caráter social, construindo escolas, bibliotecas no interior do estado, hospitais e sanatórios, afirmando, no seu manifesto de candidato à presidência em 1960, que: Uma característica fundamental de Ademar era a ênfase no planejamento das ações de governo, no qual foi um dos pioneiros no Brasil. O estilo político "tocador de obra" e seu visual característico: mangas de camisa arregaçadas e suspensórios, se opunha ao populismo conservador e moralizante de Jânio Quadros. Esse estilo "tocador de obra" retornaria posteriormente, nas gestões de outros governadores, como Paulo Maluf e Orestes Quércia que, em alguns casos, incorporaram partes desse figurino ademarista de tocar obras, arregaçar a camisa e amassar barro.

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O caso do cofre do Ademar

Mesmo depois de falecido, Ademar foi alvo de escândalo: em 18 de junho de 1969, membros do movimento guerrilheiro VAR-Palmares assaltaram, na cidade do Rio de Janeiro, um suposto cofre de Ademar, localizado na casa de sua ex-secretária Anna Gimel Benchimol Capriglione, que teria sido, segundo algumas versões, sua amante. O episódio ficou conhecido como o "Caso do Cofre do Ademar". O valor subtraído, que, segundo ex-membros da VAR-Palmares, contaram à Revista IstoÉ, foi de 2,596 milhões de dólares, equivalente em 2010, corrigido pela inflação da moeda americana, a 15,4 milhões de dólares. Anna Gimel, porém, declarou à polícia carioca que, no cofre, achavam-se apenas documentos. Em telegrama diplomático vazado dos Estados Unidos, o ex-embaixador John Danilovich afirma que Dilma Rousseff planejou o assalto. Um dos filhos de Ademar, o então deputado federal Ademar de Barros Filho, declarou à revista Veja, em 1970, que Ademar passava por dificuldades financeiras, que não havia dinheiro algum no cofre, e que fora ele, Ademar Filho, quem pagara as despesas do translado dos restos mortais de Ademar, de Paris até São Paulo.

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Empresário

Foi proprietário da fábrica de chocolates Lacta, além de possuir interesses na área imobiliária, especialmente a Imobiliária Aricanduva. Foi responsável pelo loteamento, na capital paulista, que se tornou o Jardim Leonor, nome de sua esposa. Ajudou a desenvolver parte do bairro do Morumbi, em São Paulo, na década de 1960, quando o governo do estado comprou o Palácio dos Bandeirantes e seu vice-governador Laudo Natel, então presidente do São Paulo Futebol Clube, construiu o Estádio do Morumbi. Na década de 1940, a construção do Estádio do Pacaembu por Ademar tinha dado também origem ao bairro homônimo. Foi sócio da empresa "Divulgação Cinematográfica Bandeirantes" e da Rádio Bandeirantes, que mais tarde, dariam origem à Rede Bandeirantes de rádio e televisão, hoje presidida por seu neto, Johnny Saad, e que se localiza no bairro do Morumbi na capital paulista. Foi presidente das Fábricas Redenção e Nossa Senhora Mãe dos Homens, proprietário de fazendas no interior do estado de São Paulo, da Fábrica de Produtos Químicos Vale do Paraíba, da Sociedade Extrativa de Taubaté, com plantação de cacau para a Lacta, e da Sociedade Extrativa Limitada de Itapeva.

Lacta

A empresa Lacta, fabricante brasileira de chocolates, conhecida por marcas e produtos de sucesso, foi de propriedade de Ademar de Barros. Após sua morte, a gestão da empresa passou a seu filho, o também político Ademar de Barros Filho. Em 1996, após brigas entre a família, a empresa foi vendida à Kraft Foods.

Rádio Bandeirantes

Ademar de Barros foi o segundo proprietário da Rádio Bandeirantes, de São Paulo. A rádio foi fundada por Paulo Machado de Carvalho, e foi comprada posteriormente por Ademar. Mais tarde, Ademar venderia sua rádio ao genro, João Saad.

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Herdeiros políticos

Cientistas políticos não conseguem estabelecer claramente uma espécie de herdeiro político do ademarismo. O estilo de governo Paulo Maluf pode ter sido influenciado em alguns aspectos pelo estilo de Ademar, porém eles não foram aliados políticos. A carreira política de Maluf começou com sua nomeação para prefeito de São Paulo, justamente no dia do falecimento de Ademar: 12 de março de 1969. O ademarismo continuou sendo uma grande força na política paulista, mesmo depois de extinto o PSP, sendo que, em 1972, 60% dos prefeitos eleitos naquele ano no estado de São Paulo eram oriundos do PSP. Ademar de Barros Filho (1929-2014), o "Ademarzinho", seguiu carreira política e chegou a se eleger deputado federal várias vezes entre 1966 e 1994, e foi, também, secretário de estado, em São Paulo, na década de 1970. Os filhos de Ademar Filho o impediram de fazer empréstimos em dinheiro para as campanhas políticas.

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Fontes consultadas

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