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Vasopressina

A vasopressina, também conhecida como arginina vasopressina (AVP) ou argipressina ou hormônio antidiurético (português brasileiro) ou hormona antidiurética (português europeu) (HAD, em inglês ADH, antidiuretic hormone), é um hormônio humano secretado em casos de desidratação e queda da pressão arterial; fazendo com que os rins conservem a água no corpo, concentrando e reduzindo o volume da urina. Este hormônio é chamado de vasopressina, pois aumenta a pressão sanguínea ao induzir uma vasoconstrição moderada sobre as arteríolas do corpo. O ADH atua no néfron, favorecendo a abertura dos canais de água (aquaporinas) nas células do túbulo de conexão e túbulo coletor.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/06/2026
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Estrutura química

A vasopressina é formada por uma sequência de nove aminoácidos e por isso é classificada como um nonapeptídeo. Possui peso molecular de 1228 kDa e sua sequência de aminoácido é a seguinte: A vasopressina também recebe o nome arginina vasopressina ou argipressina devido ao fato de uma arginina ocupar a posição 8 na molécula. Uma ligação sulfídica entre as moléculas de cisteína na posição 1 e 6, conferem à molécula de ADH uma estrutura em forma de anel.

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Produção

A vasopressina é secretada pela neuroipófise (porção posterior da hipófise), mas é produzida por células nervosas do hipotálamo que estendem seus axônios até a neuroipófise. Os neurônios dos núcleos supraóptico e paraventricular, localizados no hipotálamo, próximos ao centro da sede, são os responsáveis pela biossíntese da vasopressina. O processo de produção começa com a ativação do gene que codifica a vasopressina, localizado no cromossomo 20. Esse gene possui três éxons, separados por dois íntrons. Cada éxon dá origem a um dos três domínios do pré-pró-hormônio precursor da vasopressina. A molécula precursora da vasopresina, o pré-pró-hormônio, é um peptídeo de 168 aminoácidos, formado por três domínios funcionais: o peptídeo sinalizador mais o ADH, a neurofisina A ou II e um glicopeptídeo chamado copeptina. O pré-pró-hormônio, sob a ação enzimática, perde o peptídeo sinalizador transformando-se no pró-hormônio, o qual é empacotado em vesículas no complexo de Golgi, para posteriormente ser transportado do corpo celular do neurônio para as terminações nervosas. Esse transporte ocorre através do axônio e demora cerca de 12 a 24 horas. Durante esse tempo, o pró-hormônio sofre novas clivagens, dando origem às moléculas de ADH, neurofisina e copeptina. Os grânulos, nas terminações nervosas, são liberados por meio de exocitose. Uma parte dos grânulos é liberada, enquanto o restante permanece no interior da célula como estoque. O álcool (do consumo de bebidas alcoólicas) suprime a produção do ADH, aumentando a diurese.

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Funções biológicas

Rins

A vasopressina, nos rins, aumenta a permeabilidade das células dos túbulos renais à água. Nesse sentido, atua nos seguimentos distais do néfron, mais especificamente nas células principais dos túbulos de conexão e coletores, aumentando a reabsorção renal de água. Como resultado, permite que o organismo conserve água, aumentando a concentração da urina e diminuindo seu volume. Por essa razão, recebe o nome de hormônio antidiurético. As células dos túbulos coletores e da porção fina ascendente da alça de Henle se tornam mais permeáveis à ureia. A maior reabsorção de ureia pelos túbulos faz com que esta se acumule no interstício renal, contribuindo para a manutenção da hipertonicidade medular, o que é importante para a manutenção da capacidade renal de concentrar a urina.

Sistema vascular

O ADH também promove vasoconstrição arteriolar, aumentando a resistência periférica e consequentemente a pressão arterial. Por esse motivo também recebe o nome de vasopressina. Entretanto, em situações normais, a concentração de vasopressina no sangue está bem abaixo do nível necessário para promover o efeito vasoconstritor. Em casos de hipotensão severa, os níveis de ADH podem elevar-se para valores mais altos, contribuindo mais expressivamente com vasoconstrição periférica e aumento da pressão arterial.

Sistema nervoso central e comportamento

A vasopressina, além de ter ação hormonal, também atua como neurotransmissor, sendo encontrados receptores para a vasopressina em várias estruturas do sistema nervoso central. Algumas estruturas límbicas contêm receptores para vasopressina e por isso ela está relacionada a comportamento social, aspectos emocionais, aprendizado e memória. Abaixo estão relacionadas as ações da vasopressina no sistema nervoso central: A atuação da vasopressina na cognição e no comportamento social implica que a mesma possa contribuir para algumas situações patológicas como depressão e demência, além de estar relacionada às alterações do ciclo circadiano presentes nos pacientes depressivos e com Doença de Alzheimer. Considerando que a vasopressina e a ocitocina atuem na socialização, especula-se que essas substâncias possam aumentar a cognição social de pacientes com autismo, porém mais estudos são necessários nesse campo.

Hemostasia

A vasopressina contribui para a coagulação sanguínea aumentando a concentração do fator VIII e do fator de von Willebrand.

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Controle da secreção

A vasopressina é secretada pela neuroipófise e sob ação de vários fatores, entretanto, dois deles têm importância destacada: o estímulo osmótico e o hemodinâmico. Em situações de perda de água, ocorre aumento da osmolaridade do sangue, levando à sensação de sede e liberação do ADH pela neuroipófise. O resultado desses alterações é uma maior ingestão hídrica pelo indivíduo e maior retenção de água pelos rins, revertendo a situação de déficit de água. De outro modo, em situações onde ocorre queda da pressão arterial (hemorragia, por exemplo), a vasopressina também é liberada na tentativa de elevar a pressão arterial às custa da vasoconstrição arteriolar. Considerando sua ação antidiurética, existe uma relação inversa entre a concentração plasmática de vasopressina e o débito urinário: quanto maior a concentração de vasopressina, menor será o débito urinário e portanto maior a osmolaridade urinária. Entretanto existe um limite para esse fenômeno, de tal forma que o débito urinário não será nulo somente pela ação do ADH. O rim pode produzir urina com concentração urinária de no máximo 1200 mOsm/L, o que equivale a uma diurese de aproximada 700 mL. Mesmo com níveis elevados de vasopressina, a osmolaridade urinária não deve passar de 1200 Osm/L. A máxima concentração urinária é obtida quando a concentração de ADH no plasma está um pouco acima do dobro de seu valor normal, por volta de 6 pg/mL. Os estímulos para a secreção da vasopressina podem ser classificados em osmóticos e não osmóticos.

Estímulo osmótico

Conforme descrito anteriormente, a secreção de ADH é estimulada de acordo com variação na osmolaridade do plasma. Uma osmolaridade plasmática acima de 280 mOsm/L promove aumento na secreção do ADH. Abaixo desse valor, a secreção é ausente e por isso o valor de 280 mOsm/L é considerado o limiar osmótico para a liberação do ADH. Acima do limiar osmótico, a secreção de vasopressina ocorre de forma linear em relação à osmolaridade plasmática. Pequenas alterações na osmolaridade plasmática são suficientes para causar aumento considerável na secreção de ADH, permitindo que o rim altere rapidamente o volume urinário, garantindo a conservação de água no organismo.

Estímulo não osmótico (Hemodinâmico)

Vários fatores modulam a liberação do ADH, independente da alteração da osmolaridade plasmática, dentre os quais o mais importante é o fator hemodinâmico. Quando ocorre perda de fluido acompanhada ou não de hipotensão, receptores espalhados pelo corpo percebem essa alteração e enviam estímulos para o hipotálamo para liberação de ADH. Barorreceptores localizados no arco aórtico e no seio carotídeo percebem queda na pressão arterial, enquanto receptores de estiramento localizados nos átrios e grandes veias, percebem queda no volume circulante. Essas informações são transmitidas ao núcleo do trato solitário pelos nervos vago e glossofaríngeo. Do núcleo do trato solitário partem fibras para os núcleos supra-óptico e paraventricular, estimulando a liberação de ADH.

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Mecanismo de ação

Aumento da permeabilidade renal à água

A vasopressina aumenta a permeabilidade à água das células dos túbulos de conexão e túbulo coletor, através da inserção de aquaporinas na membrana apical. O ADH não consegue atravessar a membrana celular, por isso, para exercer suas funções biológicas, deve interagir com receptores na membrana celular e ativar segundos mensageiros, que irão desencadear uma cascata de eventos intracelulares. Esse processo está resumido abaixo: Inicialmente, o ADH liga-se ao receptor V2 localizado na membrana basolateral das células dos túbulos de conexão e túbulo coletor. Esse processo ativa a proteína G estimuladora, quer por sua vez ativa adenilciclase. A adenilciclase converte o ATP em AMPc, o qual age no núcleo celular, ativando o gene que codifica a aquaporina 2. Esses canais de água são empacotados em vesículas intracitoplasmáticas, através da ação da proteína quinase A (PKA), que também é ativada pelo AMPc. As aquaporinas armazenadas nessas vesículas, são transportadas pelo citoesqueleto até a região apical da célula, onde são inseridas na membrana por um processo de exocitose constitutiva. Normalmente as células dos seguimentos distais do néfron já possuem aquaporinas integrais na sua membrana basolateral (aquaporinas 3 e 4). Com a inserção da aquaporina 2 na membrana apical, criam-se canais de água nos dois lados da célula, permitindo que a água atravesse a célula da região apical até a basal com maior facilidade .

Aumento da permeabilidade renal à ureia

O aumento da permeabilidade à ureia ocorre através da inserção de transportadores de ureia denominados UT (do inglês, urea transporter) na membrana apical das células do túbulo renal, mais especificamente na porção terminal do túbulo coletor e na porção fina ascendente da alça de Henle. O processo é semelhante ao descrito acima para a inserção de aquaporinas 2, no qual o ADH liga-se ao receptor V2, que através do AMPc, desencadeia uma cascata de eventos, culminado na inserção do UT à membrana apical das células.

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Regulação da ação da vasopressina no rim

Para manter constante a quantidade de água no organismo, a liberação e ação do ADH precisa ser rápida para evitar perda de água e desidratação. Do mesmo modo, a reversão dessa ação também precisa ser rápida para evitar acúmulo de água em excesso no organismo, após a ingestão de grande quantidade de água. O ADH possui meia vida aproximada de 20 minutos devido à sua rápida metabolização renal e hepática. Considerando isso, após uma ingestão razoável de água, a diurese aumentará depois de, aproximadamente, 20 minutos, como resultado da queda dos níveis sanguíneos de ADH. A reversão da ação da vasopressina no rim ocorre através de três mecanismos básicos: As aquaporinas são removidas da membrana apical das células tubulares por um processo de endocitose, além disso, algumas moléculas de aquaporina são perdidas na urina, podendo ser detectadas por análise urinária específica. Outro mecanismo para diminuir o número de aquaporinas na membrana celular é a degradação do AMPc pela ação de uma enzima, a fosfodiesterase, promovendo a diminuição da síntese celular das aquaporinas.

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Distúrbios do ADH

As doenças relacionados à vasopressina são classificadas em excesso de produção/efeito do ADH e falta de produção/efeito do ADH.

Falta de produção/efeito

Essas situações são caracterizadas por poliúria, que por sua vez, estimula o centro da sede devido à perda de grande quantidade de água pela urina. Com a sensação de sede aumentada, o paciente passa a ingerir grande quantidade de líquido para manter seu balanço hídrico estável. O resultado final é a ocorrência de poliúria e polidipsia sem alteração da osmolaridade do sangue ou distúrbio eletrolítico. Por outro lado, se o paciente não tiver acesso a água (por exemplo, pacientes acamados) ou a ingestão de líquidos for insuficiente, ocorrerá desidratação e hipernatremia. Essa síndrome caracterizada por eliminação de grande quantidade de urina hipotônica recebe o nome de Diabetes insipidus. O termo diabetes está relacionado à perda de água e insipidus à ausência de sabor da urina. Nos primórdios da medicina, o exame do sabor da urina era frequente, existindo duas classificações para as poliúrias: o diabetes insipidus (eliminação de urina sem sabor) e o diabetes mellitus (eliminação de urina com sabor doce, sendo mellitus relativo ao mel). As causas de falta de produção/efeito do ADH, com consequente poliúria, são:

Excesso de produção/efeito

Essas situações são caracterizadas por retenção excessiva de água e desenvolvimento de hiposmolaridade e hiponatremia. As causas de excesso de produção/efeito do ADH são: Síndrome de secreção inapropriada de hormônio antidiurético: também conhecida como hormônio antidiurético de secreção inadequada, síndrome da secreção inadequada de vasopressina, SIHAD ou síndrome de Schwartz-Bartter, em homenagem aos médicos que descreveram a síndrome pela primeira vez em 1957. É caracterizada por excesso de produção do ADH mesmo quando não há queda da pressão arterial ou desidratação (por isso chamada secreção inapropriada), geralmente causada por desordens do sistema nervoso central, neoplasias, doenças pulmonares, HIV e medicações.

Determinação do HAD

Amostra: Plasma coletado com EDTA, para dosagem de HAD, e soro para determinação da osmolaridade. Valores de Referência: 0,4 a 2,4 pg/mL (quando a osmolaridade for <285mOsm/kg) e 2 a 12 pg/mL (em osmolaridade >250mOsm/kg) Valores Elevados: Encontrados na síndrome de secreção inapropriada de hormônio antidiurético (SSIHAD), que consiste na produção autônoma e sustentada de HAD em ausência de estímulos conhecidos para sua liberação. Está associada com uma grande variedade de distúrbios. Valores reduzidos: O diabetes insípido central é o mais importante distúrbio hipofuncional do HAD. Caracteriza-se por poliúria (>2,5L/d) e polidipisia (aumento da sede) resultantes da secreção inadequada de HAD ou da inabilidade dos túbulos renais em responderem ao hormônio. As causas de secreção diminuída de HAD em resposta aos fatores osmorregulatórios incluem traumatismo cranioencefálico, lesões pituitárias e uma forma herdada dos distúrbio. Fármacos: fenitoína e carbamazepina.

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Fontes consultadas

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