Adhemar Ferreira da Silva
Adhemar Ferreira da Silva foi um atleta brasileiro, primeiro bicampeão olímpico do país, primeiro atleta sul-americano bicampeão olímpico em eventos individuais, recordista mundial do salto triplo cinco vezes e primeiro atleta a quebrar a barreira dos 16m no salto triplo.
Adhemar era filho único de uma família humilde que morava em um porão no centro da Casa Verde. Segundo o próprio, "eles saíam para trabalhar e eu ficava cuidando da casa. Eu via, eu tinha sete para oito anos, os outros garotos, nas ruas, brincando, e eu tinha essa vontade de brincar também. Só que as minhas obrigações de casa não me permitiam fazer isso". Depois do ensino primário em um colégio de freiras, Adhemar estudou escultura na Escola Técnica Federal de São Paulo, se formando em 1948.
Adhemar começou a competir em 1947. Nesse ano, conversando com José Márcio Cato, da equipe de atletismo do São Paulo, ele gostou da sonoridade da palavra atleta e resolveu começar a praticar o esporte defendendo a camisa do São Paulo Futebol Clube. Aos dezoito anos, após receber algumas instruções básicas, saltou 12,9m, impressionando o técnico do São Paulo, Dietrich Gerner. Sua primeira competição foi no Troféu Brasil em 1947, obtendo a marca de 13,05 metros. Em dezembro de 1950, saltou 16m e igualou o recorde mundial do japonês Naoto Tajima, em vigor desde 1936. Em 30 de setembro de 1951, marcou 16,01 m no Rio de Janeiro, tornando-se recordista absoluto e primeiro atleta na modalidade a passar dos 16 m. É pentacampeão sul-americano e tricampeão panamericano (1951, 1955 e 1959). Venceu o campeonato luso-brasileiro, em Lisboa em 1960. Foi dez vezes campeão brasileiro, tendo mais de quarenta títulos e troféus internacionais e nacionais.[carece de fontes?] Possuía um estilo elegante e altivo ao saltar, tendo como marca principal o equilíbrio.
Jogos Olímpicos
Adhemar foi para os Jogos Olímpicos de Verão de 1948 em Londres e não conseguiu um bom resultado, ficando apenas em 11º lugar. Mas na Olimpíada de Helsinque, na Finlândia, em 1952, surpreendeu ao bater o recorde mundial que na época era de 16 metros, e ainda superou o feito por quatro vezes na mesma tarde (16,05 m, 16,09 m, 16,12 m e 16,22 m). Após conquistar a medalha de ouro percorreu a pista de atletismo em agradecimento ao público. O gesto é frequentemente associado à popularização da volta olímpica realizada por atletas individuais no contexto do atletismo. Antes da prova, ele pediu à cozinheira finlandesa, que conhecera, um prato especial para sua volta: bife com salada. Ao voltar, Adhemar encontrou o prato e um bolo com a inscrição "16,22".
Em 1956, interpretou a Morte na peça Orfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes e no filme franco-italiano Orfeu Negro, de 1959, feito a partir do texto teatral, que venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro[carece de fontes?] e a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Foi revelado que ele recebeu a oferta do filme enquanto estudava educação física. Ele foi preferido para o papel de ator devido ao seu corpo atlético e não atuou em nenhum outro filme, pois não tinha muito interesse em fazer filmes que acabaram encerrando sua carreira de ator. A antropóloga americana Ann Dunham afirma que Orfeu Negro era o filme favorito de seu filho, o ex-presidente Barack Obama. Por conta desse filme, Adhemar ainda é reconhecido como um dos poucos medalhistas de ouro olímpicos que desempenhou um papel importante no cinema.
Estudou Educação Física na Escola do Exército, Direito na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil (1968) e Relações Públicas na Faculdade de Comunicação Social Cásper Libero (1990).[carece de fontes?] Em 1993, Adhemar foi entrevistado pelo Museu da Pessoa, contando sobre momentos marcantes de diferentes fase de sua vida pessoal e profissional. Ao ser perguntado sobre o retorno para o Brasil após sua primeira medalha de ouro nas olimpíadas, o atleta demonstra a reação de sua mãe ao lhe dizer que a família não poderia aceitar uma casa que lhe seria dada pelos leitores da Gazeta Esportiva: Eu digo: "Tudo bem mamãe, eu tenho que explicar uma coisa à senhora - nós não vamos receber esta casa." "Por quê?" "Porque se recebermos, eu serei considerado profissional." [...] Ela me perguntou o que era ser profissional, e eu disse que ser profissional significa não mais poder participar das competições, e possivelmente não mais dar uma alegria da senhora estar aqui visitando o Rio, com esta mordomia toda, etc., e além do mais eu terei que devolver a medalha de ouro. Então, diante disso, a minha mãe disse: "Bem, meu filho, não vamos receber essa casa. Essa casa talvez não traga a felicidade que a gente espera." Então eu fiquei satisfeitíssimo porque ela de pronto entendeu. Agora podem notar o que era dificuldade, quer dizer um atleta não ganhava, não podia ganhar, não podia ter auxílios, e eu trabalhava pela manhã, trabalhava à tarde, estudava à noite, e treinava em hora de almoço.
Imagem: Hugo Sundström · BY · Openverse
Os saltos de Adhemar inauguraram a tradição brasileira nas provas de salto triplo. Depois dele, surgiram Nelson Prudêncio, prata na Cidade do México 1968 e bronze em Munique 1972, João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, bronze em Montreal 1976 e Moscou 1980 e ex-recordista mundial, e Jadel Gregório, atual recordista brasileiro e sul-americano, com 17,90m. A Associação Internacional de Federações de Atletismo listou o ouro de Helsinque entre os 100 maiores momentos dos primeiros 75 anos do órgão em 1987, e em 2012 introduziu Adhemar no IAAF Hall of Fame. Em 2021, uma placa em homenagem a Adhemar foi posta no Centro Esportivo Tietê, situado onde ficava o Clube de Regatas Tietê em que treinava. Em 2022, uma estátua de Adhemar foi erguida no bairro de Santana. Em 2023, foi inscrito no Livro de Aço dos Heróis da Pátria.


