Adib Jatene
Adib Domingos Jatene GOMM • GOMA foi um professor, acadêmico, médico e inventor brasileiro. Foi ministro da Saúde durante os governos Collor e Fernando Henrique Cardoso.
Filho de imigrantes libaneses, Jatene nasceu em Xapuri no Acre. Aos dois anos Jatene perdeu seu pai, que era comerciante e fornecia os seringais. Jatene terminou o curso primário no Acre, logo após foi para Uberlândia, onde fez o ginásio e o primeiro ano científico. Depois foi para São Paulo, estudar engenharia no Colégio Bandeirantes, onde logo após acabou desistindo de cursar engenharia e resolveu cursar medicina. No quarto ano do curso de medicina começou a adquirir vivência em cirurgia, e entrou no grupo do professor Euryclides de Jesus Zerbini, inclusive em maio de 1951, quando Zerbini operou o primeiro doente de estenose mitral e Jatene o instrumentou. Jatene fez toda sua pós-graduação no Hospital das Clínicas, com o professor Zerbini. Em 1957 esteve em Uberaba onde foi professor de Anatomia Topográfica, onde também logo após montou seu primeiro modelo de coração artificial que utilizava um oxigenador de disco e uma bomba de rolete.
Adib é considerado por alguns o "pai" da CPMF , pois ele foi buscar a aprovação da contribuição com a promessa do então presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) de que ela seria um recurso a mais para a saúde. A promessa não foi cumprida e o Ministério da Saúde perdeu mais recursos do que os que conseguiu com a CPMF. Quando perguntado se sua saída do Governo FHC teve relação com a CPMF, Jatene respondeu: “Teve relação direta. Eu disse ao presidente Fernando Henrique que precisava de recursos. Ele pediu para falar com o Pedro Malan [ministro da Fazenda]. O Malan me disse que, em dois ou três anos, daria o dinheiro que eu precisava. Não podia esperar tanto tempo. Propus a volta do imposto sobre o cheque, que se chamava IPMF e havia sido extinto em 94. O presidente disse: ‘Você não vai conseguir aprovar isso.’ Respondi: Posso tentar? Ele autorizou. Pedi o compromisso dele de que o orçamento da Saúde não seria reduzido. A CPMF entraria como o adicional. E ele: ‘Isso eu posso te garantir’. Depois da aprovação, a Fazenda reduziu o meu orçamento. Voltei ao presidente. Disse: no Congresso, me diziam que isso ia acontecer. Eu respondia que não, porque tinha a sua palavra. Se o senhor não consegue manter a sua palavra, entendo a sua dificuldade. Mas me faça um favor. Ponha outro no meu lugar. Foi assim que eu saí, em novembro de 1996.”
Imagem: Elza Fiúza/ABr · BY · Openverse
Em 14 de novembro de 2014 morreu após sofrer um infarto agudo do miocárdio. O corpo foi velado na manhã do dia 15 de novembro no anfiteatro do Hospital do Coração, em São Paulo e enterrado no mesmo dia no Cemitério do Araçá.


