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Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney é uma circunscrição eclesiástica da Igreja Católica localizada no município brasileiro de Campos dos Goytacazes e seus vizinhos, no estado do Rio de Janeiro. Seu carisma é o uso e a divulgação da "forma extraordinária do rito romano" como "rito próprio" da Administração. Enquanto os fiéis católicos no território de Campos dos Goytacazes ligados à forma e a disciplina nova do rito romano são atendidos pela Diocese de Campos. Os fiéis católicos do mesmo território ligados à forma e a disciplina antiga desse rito são atendidos pela Administração apostólica, dotada de jurisdição pessoal e não-territorial, ou seja, tem autoridade sobre as pessoas, e não sobre o território.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/06/2026
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Legislação e posição jurídica

Uma Administração apostólica, de acordo com o Código de Direito Canônico, é uma circunscrição eclesiástica, equiparada a uma Diocese, que é governada por um Administrador apostólico, que a administra em nome do Papa, estando sujeito exclusivamente a ele. Na maioria dos casos, uma administração apostólica é criada em áreas de missão, onde a infraestrutura para uma diocese ainda não existe. A Administração apostólica de Campos por sua vez, é de "natureza pessoal", e não territorial, assim sua jurisdição "embora circunscrita ao território da Diocese de Campos, é sobre os sacerdotes e fiéis da forma antiga do rito romano, tendo o poder de incardinar presbíteros e diáconos". De maneira que todos os fiéis leigos da Administração são registrados em um livro específico, desde os recém-nascidos batizados - trata-se de um caso único no mundo. Todos os fiéis que pertencem à Administração apostólica são ao mesmo tempo fiéis da Diocese de Campos. Mas os fiéis diocesanos, não precisam pertencer à Administração apostólica. A Administração de Campos, portanto, é uma "prelazia apostólica pessoal", dotada de direito de sucessão, semelhante à Prelazia da Opus Dei (criada em 1982).

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História

Dom Mayer e a Diocese de Campos

De 3 de janeiro de 1949 a 29 de agosto de 1981, a Diocese de Campos foi chefiada pelo Bispo Dom Antônio de Castro Mayer, prelado conservador, tradicionalista, ortodoxo e apologista da fé católica contra os erros do mundo moderno. Dom Mayer repassou essa visão aos padres e fiéis da diocese, principalmente através de Cartas Pastorais. Dom Mayer enquanto ainda era padre torna-se parceiro de Plínio Correia de Oliveira, e teve um papel importante originalmente na "Sociedade Tradição, Família e Propriedade" (TFP), associação de leigos tradicionalistas e de militância católica. Dom Mayer como exteriorização da necessidade do combate pela fé católica, colocou em seu brasão pessoal, um leão, o que posteriormente originou seu apelido, como o "Leão de Campos".

Fundação da União Sacerdotal São João Maria Vianney

Em 1981, Dom Mayer tornou-se Bispo emérito, e foi substituído por Dom Alberto Navarro. Na iminência da chegada de Dom Navarro, fiéis de diversas cidades da diocese escreveram dando apoio a Dom Mayer e expressam o desejo de continuarem usando o rito tridentino. Eles também listam reivindicações para o governo da diocese, tais como o ensino do Catecismo de São Pio X, campanha pela moralização dos costumes e das vestes na igreja e fora dela, fidelidade à Tradição da Igreja Católica e a Missa Tridentina, formação tradicional dos seminaristas e padres, uso da batina, combate ao comunismo e contra aborto e eutanásia. Quando Dom Navarro chegou na diocese não atendeu a esses pedidos e instituiu imediatamente a missa de Paulo VI e as demais reformas eclesiais. Isso começou a causar uma cadeia de problemas.

Regularização pela Santa Sé

Juntamente com a Fraternidade São Pio X, o grupo de sacerdotes de Campos fez uma peregrinação a Roma, durante o Jubileu do ano 2000 e foram recebidos pelo Cardeal Darío Castrillón Hoyos, presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, com um almoço, seguido de um diálogo. Dom Rangel não pode estar presente nas negociações, e foi representado pelo Pe. Rifan. Dom Rangel enviou Pe. Rifan a Menzingen, Suiça, na "Casa geral" da Fraternidade São Pio X, para uma reunião em 13 de janeiro de 2001 e depois em 24 de abril de 2001, em que estavam presentes os seus quatro bispos, para discutirem sobre as negociações com o papado. Esse foi o último contato da Fraternidade com os padres de Campos. Depois disso a Fraternidade retirou-se das negociações, e Campos decidiu continuar e procurar uma regularização jurídica por conta própria.

Atualidade

Em 2002 devido a saúde e a idade de Dom Rangel, Pe. Fernando Rifan foi nomeado pelo Papa como seu Bispo-coadjutor, que com a morte de Dom Rangel em 2003, torna-se Administrador de Campos, sendo nomeado Bispo de Cedamusa, e consagrado pelo Cardeal Darío Castrillón Hoyos em Campos, "assim Mosenhor Rifan tornou-se o primeiro bispo consagrado no apostolado tradicional desde a introdução da reforma de Paulo VI". Dom Rifan, afastando-se das posições anteriores de Dom Mayer e Dom Rangel, editou uma série de Cartas Pastorais, em que defende a interpretação de continuidade de todo o Concílio Vaticano II e suas reformas, condenando como cismáticas e errôneas as posições defendidas pela Fraternidade São Pio X.

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Membros

No final de 2003 foram publicadas estatísticas separadas pela primeira vez, sobre a Diocese de Campos e a nova administração apostólica, a última relatou que atendia 28.325 católicos, 28 sacerdotes, 9 seminaristas, 75 irmãs religiosas e 15 escolas, enquanto a diocese relatou o atendimento de 854.000 católicos, 48 padres diocesanos e 17 religiosos, 30 seminaristas, 19 irmãos religiosos, 67 religiosas, e 5 escolas. Os números correspondentes em 2012 foram, para a administração apostólica pessoal, 30.733 católicos, 40 sacerdotes, 32 seminaristas, 2 irmãos religiosos, 100 irmãs religiosas, 2 asilos, 2 orfanatos, e 15 escolas. Atualmente a Administração mantém relações cordiais e amigáveis com a Diocese de Campos em todos os níveis. A Administração também possui diversas "Associações Públicas de Fiéis", das quais se destacam a Congregação Mariana; o Apostolado da Oração; a Liga Católica Jesus, Maria e José; e a Cruzada Eucarística.

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Vida consagrada

Para além da vida dos Padres e seminaristas, destaca-se também a presença de irmãs religiosas dentro da Administração. Atualmente existem dois Institutos voltados para a vida consagrada feminina que são:

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Paróquias

Atualmente, a Administração apostólica possui 12 paróquias, uma quase-paróquia, e 4 reitorias. No total possui 115 templos, e mais 12 comunidades ao longo do Brasil, que são atendidas pelos padres da Administração, por pedido de seus fiéis. Essa organização foi construída por Dom Licínio Rangel, em 2002, juntamente com a Cúria diocesana, o Conselho de Governo, e o Conselho Econômico. As paróquias e entidades da Administração são: As comunidades que a Administração auxilia ao longo do Brasil são:

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Seminário

O decreto "Animarum Bonum" de 2002, autorizou a ereção canônica de um Seminário na Administração apostólica, o que foi feito imediatamente, sendo fundado o "Seminário da Imaculada Conceição", localizado em Campos. Atualmente, há apenas o Seminário Maior, que é dividido em três etapas: um ano de Espiritualidade (propedêutico), três anos de Filosofia e quatro anos de Teologia. No início do curso de Filosofia, os seminaristas recebem a batina, hábito de uso diário obrigatório a partir dali. No curso de Teologia, os seminaristas recebem a tonsura clerical: as ordens menores (ostiariato, leitorato, exorcistato e acolitato), e posteriormente as ordens do subdiaconato e do diaconato.[nota 4] Estudam também na instituição seminaristas de outros lugares, atualmente alguns missionários da África. Atualmente é o único seminário na América Latina, em comunhão com o Papa que oferece uma formação espiritual e intelectual orientada para a forma extraordinária do Rito Romano.[nota 5]

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Obras sociais

Em 2012 a Administração possuía 2 asilos, 2 orfanatos, e 15 escolas, onde seu trabalho social se conjuga. As escolas da Administração tinham no mesmo ano, cerca de 200 professores e 3000 alunos. Em janeiro de 2008, Dom Rifan escreveu a “Carta de princípios das nossas Escolas Católicas”, que orienta a manutenção dos colégios da Administração. A Administração também realiza atendimento a famílias carentes nas favelas e na zona rural de Campos, bem como oferece cursos profissionalizantes gratuitos. A Administração possui uma editora e gráfica própria, a "Editora Dom Licínio", que imprime as cartas pastorais e orientações dos Bispos, os folhetos litúrgicos e algumas obras sobre doutrina e teologia da Administração, tais como o DVD "A Santa Missa no Rito tridentino", e o livro "Liturgia da Semana da Santa".

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Liturgia e piedade

O Papa João Paulo II já em sua carta autógrafa "Eclesiae Unitas" do Natal de 2001, e posteriormente na ereção da Administração Apostólica, com o decreto "Animarum Bonum", concedeu a esta, a faculdade de celebrar a Missa, Breviário, sacramentos, sacramentais, Calendário litúrgico, bem como toda a disciplina litúrgica conforme as edições do Papa São Pio V, em 1570, até São João XXIII em 1962, anteriores as reformas litúrgicas do Papa Paulo VI, a partir de 1965, constituindo-se como "rito próprio" da Administração. A partir de 2009 a Administração editou um "Ordo Liturgicus" ("Ordinário Litúrgico"), no qual regulariza as especificações e peculiaridades do rito próprio da mesma, que é atualizado todo ano. A arquitetura, a indumentária e a arte sacra na Administração de Campos, também desconsiderou a evolução que a estética na Igreja Latina passou a partir dos anos 50, influenciada principalmente pelo modernismo, idealismo e subjetivismo, e não interrompeu o uso da estética e das formas anteriores, presentes na Tradição católica. Os paramentos litúrgicos da Administração por sua vez, são fabricados por um grupo de freiras que surgiu dentro da própria Administração, o "Instituto Imaculado Coração de Maria e São Miguel Arcanjo". Nos anos 90 os padres de Campos haviam publicado um missal para leigos, o "Missal Dominical Popular", com os textos da missa tridentina em latim e português e uma justificativa doutrinária das razões pelos quais não se deveria aderir a missa nova e as mudanças da Igreja.

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Posição doutrinária

Dom Mayer nos primeiros anos após o Concílio, havia aceito sua doutrina como correta, e a interpretado de acordo com a Tradição da Igreja, embora sempre tenha sustentado que havia erros no texto da Dignitatis Humanae, e posteriormente na elaboração da Missa Nova. Já no início dos anos 80, porém, o pensamento de Dom Mayer havia se tornado claro e firme, e a partir daí, junto com Dom Lefebvre, sustentou que o Concílio era herético, posição compartilhada pela União Sacerdotal. Dom Rangel defendeu a mesma posição, até a regularização e criação da Administração pessoal em 2002, quando declara publicamente que aceita o Concílio e a validade da Missa Nova, Dom Rangel porém, deixa claro que construiria um diálogo referente a algumas passagens do Concílio, e não declara aceitar a "liceidade" da Missa nova, o que permite criticá-la. Em seguida a sua morte, porém, Dom Rifan tornou-se chefe da instituição e imediatamente editou uma série de "Cartas Pastorais" dirigidas a seus fiéis em que prescreve que a Administração segue a "hermenêutica e interpretação de continuidade" do Concílio Vaticano II, condenando totalmente a interpretação de descontinuidade, o documento central nesse sentido foi a "Orientação Pastoral – O magistério vivo da Igreja", de 2007. Para ele é carisma da Administração, o seguimento do Magistério do Papa e da Igreja, dessa forma aceitando toda a doutrina do Concílio.

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Fontes consultadas

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