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Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil

O Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil (Sindireceita) é a entidade sindical de âmbito nacional que representa os ocupantes do cargo de Analista-Tributário da Receita Federal do Brasil, um dos dois cargos da carreira tributária e aduaneira da Receita Federal do Brasil, ao lado do de Auditor-Fiscal. Fundado em 9 de abril de 1992 em Belo Horizonte, com o nome de Sindicato Nacional dos Técnicos do Tesouro Nacional (Sindtten), tem sede em Brasília e declara mais de 10 mil filiados entre servidores ativos, aposentados e pensionistas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/10/2026
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História

Fundação

O sindicato foi criado na Assembleia Geral Nacional realizada em 9 e 10 de abril de 1992, na Escola Sindical Sete de Outubro, em Belo Horizonte. Participaram 39 delegados eleitos em 17 estados, que deliberaram sobre a forma de organização da entidade, elegeram uma diretoria provisória e marcaram para setembro daquele ano, em São Paulo, o primeiro Congresso Brasileiro dos Técnicos do Tesouro Nacional (Conbatten). A entidade recebeu então o nome de Sindicato Nacional dos Técnicos do Tesouro Nacional (Sindtten), pois representava os ocupantes do cargo de Técnico do Tesouro Nacional (TTN). Em 2011, o Conselho Nacional de Representantes Estaduais aprovou o dia 9 de abril, data da fundação, como Dia do Analista-Tributário.

Mudanças no cargo e no nome

O nome do sindicato acompanhou as transformações do cargo que representa. A Medida Provisória nº 1.915, de 1999, transformou o cargo de Técnico do Tesouro Nacional em Técnico da Receita Federal (TRF), e a Lei nº 10.593, de 2002, organizou a Carreira Auditoria da Receita Federal, integrada pelos cargos de Auditor-Fiscal e de Técnico. Nesse período a entidade passou a usar o nome Sindicato Nacional dos Técnicos da Receita Federal, que aparece em sua representação no Congresso em 2004 e 2006. Em 2005, durante a tramitação da Medida Provisória nº 258, que criava a chamada "Super-Receita" pela fusão da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária, o sindicato organizou paralisações, operações padrão e entregas de cargos de chefia em protesto contra a definição do cargo de Técnico como "auxiliar". Em agosto daquele ano, representantes da entidade levaram a reivindicação à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e afirmaram que 95% da categoria estava paralisada contra a criação da Super-Receita. A unificação foi concluída pela Lei nº 11.457, de 2007, que criou a Secretaria da Receita Federal do Brasil e transformou o cargo de Técnico da Receita Federal em Analista-Tributário da Receita Federal do Brasil.

Ação no Supremo sobre a constitucionalidade do cargo

A transposição do cargo de Técnico do Tesouro Nacional para Técnico da Receita Federal e a posterior transformação em Analista-Tributário foram contestadas no Supremo Tribunal Federal pela Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4616, proposta em 2011 pela Procuradoria-Geral da República a partir de representação do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco Nacional). Em editorial de junho de 2011, a então presidente do Sindireceita, Sílvia Felismino, afirmou que "a derrubada da ADI terá como principal efeito o fortalecimento da categoria". O relator, ministro Gilmar Mendes, votou inicialmente pela inconstitucionalidade da transposição, e o julgamento foi suspenso por pedido de vista do ministro Dias Toffoli. O Sindireceita atuou no processo em defesa do cargo. Em 2023, o tribunal julgou a ação improcedente por nove votos a zero, mantendo a constitucionalidade do processo de evolução do cargo.

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Organização

O Sindireceita é uma entidade civil mantida pela contribuição voluntária dos filiados. Sua estrutura nacional é formada pela Diretoria Executiva Nacional (DEN) e pelo Conselho Nacional de Representantes Estaduais (CNRE), com o Conselho Fiscal Nacional (CFN) e o Conselho de Ética e Disciplina (CET) como órgãos de fiscalização. Nos estados, a base é organizada em delegacias sindicais (DS), com Conselhos Estaduais de Delegacias Sindicais (CEDS) na Bahia, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. A entidade é filiada à Federação Brasileira de Sindicatos das Carreiras da Administração Tributária da União, dos Estados e do Distrito Federal (Febrafisco), que por sua vez integra a Confederação Nacional das Carreiras e Atividades Típicas de Estado (Conacate), ligada à Pública Central do Servidor. Além da representação salarial, oferece aos filiados assistência jurídica, convênios e cursos de formação continuada. Em 2019, firmou convênio com a Universidade Federal do Rio Grande (FURG) para cinco turmas de pós-graduação a distância em ciência de dados destinadas a servidores da Receita, e em 2022 fechou parceria com a Federação Nacional das Associações Atléticas Banco do Brasil (Fenabb) para uso das sedes das AABBs pelos filiados. Em 2013, publicou um livro comemorativo sobre seus primeiros 20 anos.

Eleições

A diretoria nacional e as delegacias sindicais são eleitas para mandatos de três anos. Na eleição de outubro de 2025, realizada por votação eletrônica de 6 a 8 de outubro para o triênio 2026 a 2028, votaram 5.588 dos 9.111 filiados habilitados (61,33%). Concorreram três chapas à Diretoria Executiva Nacional, e venceu a chapa Nossa Identidade, da gestão de Thales Freitas Alves, com 2.439 votos (44,35% dos válidos), à frente de Reconstrução com Unidade (1.900 votos, 34,55%) e Experiência em Ação (1.161 votos, 21,11%). Na mesma votação foram eleitas as diretorias de 70 delegacias sindicais em 26 unidades da federação. A eleição de 2022 foi apertada: a comissão eleitoral anulou as urnas de duas delegacias após impugnação apresentada por uma das chapas, decisão mantida em recurso.

Presidentes

A lista abaixo reúne dirigentes identificados como presidentes da entidade em fontes publicadas, com o período em que aparecem no cargo. Não é uma relação completa dos mandatos.

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Atuação

Dirigentes do sindicato participam com frequência de audiências públicas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Em 2004, o então presidente Reynaldo Puggi defendeu o fortalecimento das administrações tributárias em seminário sobre a nova administração tributária brasileira. Em 2007, o coordenador de política tributária Ronaldo Lázaro Medina afirmou em audiência da Câmara que a redução da carga tributária dependia de superávit. Em 2016, a entidade apoiou o substitutivo ao Projeto de Lei nº 5.864/2016, sobre as atribuições dos cargos da carreira, e em 2017 atuou pela aprovação da parte remuneratória da Medida Provisória nº 765/2016, que implementava o acordo salarial. Em 2019, encaminhou à comissão especial da reforma da Previdência nota técnica sobre a PEC 6/2019. Em outubro de 2024, Thales Freitas Alves participou de audiência da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado sobre transição e fiscalização na reforma tributária.

Remuneração e mobilizações

A pauta salarial e a definição das atribuições do cargo são os eixos principais das mobilizações da categoria. Em agosto de 2012, os cerca de 7,5 mil Analistas-Tributários fizeram duas paralisações de 24 horas em menos de dez dias, cobrando a reposição das perdas desde o acordo salarial de 2008; o sindicato afirmava que o cargo ocupava a 107.ª posição na lista de salários de analistas do Poder Executivo. Em abril de 2015, a entidade defendeu as emendas à Medida Provisória nº 660 que modernizavam o marco legal da carreira, em posição oposta à do Sindifisco Nacional, que paralisou os auditores contra o mesmo texto. Em agosto daquele ano, o sindicato convocou paralisação de três dias contra a atuação da administração da Receita na tramitação da PEC 443/2009, que segundo a entidade poderia excluir os Analistas-Tributários da administração tributária.

Orçamento e funcionamento da Receita Federal

O Sindireceita costuma alertar para efeitos de cortes orçamentários sobre o funcionamento da Receita. Em agosto de 2017, a entidade criticou o adiamento de reajustes aprovados em lei e a extinção de 60 mil cargos vagos do Executivo federal, afirmando que 21% dos Analistas-Tributários já poderiam se aposentar. Em janeiro de 2020, assinou com o Sindifisco Nacional alerta contra o corte de R$ 1 bilhão no orçamento do órgão para aquele ano, e em fevereiro divulgou nota de repúdio à declaração do ministro Paulo Guedes que comparou servidores públicos a parasitas. No mesmo ano, respondeu publicamente a declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre a burocracia da Receita. Em abril de 2022, o então presidente Geraldo Seixas disse à CNN Brasil que havia risco de "apagão" no órgão por falta de recursos para custear os sistemas de informação, o que poderia comprometer o processamento das declarações do imposto de renda e a emissão de certidões.

Política tributária

O sindicato defende propostas de justiça tributária e critica a concessão recorrente de benefícios a devedores. Em março de 2018, em audiência no Senado, o diretor Breno Rocha afirmou que o país havia perdido mais de R$ 480 bilhões em tributos sonegados entre janeiro e outubro de 2017 e que a entidade estimava em R$ 100 bilhões anuais as perdas com contrabando e descaminho; sobre os parcelamentos especiais, disse que "as empresas não se preocupam em recolher e preferem esperar o Refis". Desde 2015, mantém a campanha "Brasil sem Crise", com propostas para enfrentar a crise fiscal sem elevar a carga tributária. Em dezembro de 2022, no simpósio "Mais Simples Mais Justo", o sindicato propôs isentar do imposto de renda, numa primeira etapa da reforma tributária, quem ganhava até R$ 2.379, compensando a perda com uma alíquota de 32,5% para rendas acima de R$ 18.658, e apresentou um simulador da tabela corrigida pela inflação.

Lei Orgânica da Administração Tributária

Em 2013, o sindicato se opôs à proposta de Lei Orgânica do Fisco elaborada pelo Ministério da Fazenda, por discordar do texto e da forma como ele foi discutido com as entidades da categoria. Após a Emenda Constitucional nº 132, que previu uma lei orgânica para as administrações tributárias, a entidade passou a participar das discussões da proposta com outras entidades do fisco. Em março de 2026 recebeu a apresentação da minuta elaborada pela Afresp, e em junho apresentou a entidades de auditores estaduais e municipais propostas para distribuir as competências por critérios objetivos. Em entrevista de agosto de 2026, Thales Freitas defendeu uma lei orgânica única para as administrações tributárias e alertou para o risco de corporativismo na definição das atribuições.

Controle aduaneiro e fronteiras

Em outubro de 2009, uma equipe do sindicato percorreu 16 cidades de cinco estados para avaliar os postos da Receita nas fronteiras terrestres e, em 2010, voltou a esses locais e a outros 15 municípios. Segundo o levantamento, divulgado pela imprensa em outubro de 2010, os 31 pontos de fronteira tinham 596 auditores e analistas, pouco mais da metade do necessário; um estudo interno da própria Receita estimava o mínimo em 1.032 servidores. O trabalho deu origem ao projeto Fronteiras Abertas, que mapeou esses pontos de passagem e reuniu propostas para o controle da faixa de fronteira. Em novembro de 2015, em audiência na Câmara, a presidente Sílvia Felismino afirmou que só 510 analistas e 296 auditores atuavam nos 27 postos de fronteira e defendeu o funcionamento ininterrupto das aduanas: "Tem que ser 24 horas, porque temos que dar competitividade aos portos". A Receita rejeitou a proposta na mesma audiência. Em 2019, o presidente Geraldo Seixas apresentou na Comissão de Segurança Pública da Câmara propostas de presença fiscal permanente nas fronteiras, portos e aeroportos, afirmando que "é na Aduana que exercemos o primeiro combate ao crime organizado". No mesmo ano, a entidade se opôs à exigência da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) de que servidores aduaneiros passassem pela inspeção de segurança nos aeroportos.

Campanhas

O sindicato lançou em fevereiro de 2006, no Carnaval de Salvador, a campanha "Pirata: tô fora! Só uso original!", em parceria com o Conselho Nacional de Combate à Pirataria. A ação usou cartazes, bonés, camisetas e tabelas da Copa do Mundo de 2006, e foi apresentada pela revista da Organização Mundial da Propriedade Intelectual como exemplo das iniciativas brasileiras contra a pirataria. A campanha recebeu a categoria nacional do 2.º Prêmio Nacional de Combate à Pirataria. Edições posteriores receberam os nomes "Viva a Originalidade" e "Pirata: Tô Fora! Brasil sem Crise". Em 2018, a entidade divulgou vídeo de valorização do cargo de Analista-Tributário, em campanha por um novo concurso público para a Receita.

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Fontes consultadas

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