Veículo elétrico
O veículo elétrico é um meio de transporte que utiliza motores elétricos para sua propulsão. Caracterizado por um sistema de energia primário, uma ou mais máquinas elétricas e um sistema de controle de velocidade/binário, ele se enquadra na categoria de veículos de 'zero emissões'. Isso significa que não libera gases poluentes no ambiente e opera com um nível de ruído significativamente menor em comparação aos veículos de combustão interna, contribuindo para um ambiente mais limpo e silencioso.
Pontos-chave
- Veículos elétricos utilizam motores elétricos para propulsão, com energia armazenada em baterias.
- São classificados como 'zero emissões', não liberando gases poluentes e sendo mais silenciosos.
- A história dos veículos elétricos remonta a 1835, com um declínio no século XX devido à produção em massa de carros a combustão.
- No Brasil, a Gurgel foi pioneira com o Itaipu em 1975, e São Paulo oferece incentivos fiscais para veículos elétricos.
- Células de combustível oferecem uma alternativa às baterias, convertendo hidrogênio ou etanol em eletricidade para maior autonomia.
A jornada do veículo elétrico começou em 1828 com o projeto de motor elétrico de Ányos Jedlik, culminando na construção do primeiro veículo por Thomas Davenport em 1835. Ao longo do século XIX, esses veículos foram adaptados para trilhos. William Robert Grove desenvolveu a primeira célula de combustível em 1838. Um marco notável foi o carro elétrico La Jamais Contente, que em 1899, projetado por Camille Jenatzy, foi o primeiro a ultrapassar 100 km/h, destacando-se por sua aerodinâmica revolucionária. No início do século XX, empresas como Baker Electric e Detroit Electric fabricavam veículos elétricos, que representavam 28% da produção nos EUA em 1900. Contudo, a produção em massa de veículos a combustão por Henry Ford, que reduziu drasticamente os custos, levou ao declínio dos carros elétricos.
A fabricação de veículos elétricos em países como Brasil, Estados Unidos e Japão foi impulsionada pela preocupação da indústria automobilística com o aumento do preço do petróleo. No Brasil, a Gurgel se destacou em 1975 com o Gurgel Itaipu, um carro elétrico totalmente nacional, antecipando-se a outras empresas. Anos depois, em junho de 2006, a Fiat apresentou o protótipo do Palio elétrico no Salão do Automóvel e, desde então, mantém parcerias para o desenvolvimento de veículos e equipamentos de energia limpa.
O Brasil tem visto um crescimento na adoção de veículos elétricos. Em 11 de junho de 2012, São Paulo recebeu os dois primeiros táxis elétricos do país, modelos Nissan Leaf, disponíveis sem tarifa diferenciada. Em setembro de 2014, o BMW i3 tornou-se o primeiro carro elétrico plug-in disponível para clientes de varejo em oito cidades brasileiras. A Prefeitura de São Paulo, em maio de 2014, aprovou a Lei 15.997/14, que oferece devolução de 50% do IPVA (limitada a R$10.000 por cinco anos) e isenção do rodízio para carros elétricos, híbridos e a célula de combustível com valor de até R$150.000. O decreto que autorizou esses benefícios foi assinado em setembro de 2015, beneficiando inicialmente 387 veículos e buscando estimular políticas semelhantes em outras cidades.
Gurgel Itaipu: O Pioneiro Brasileiro
Em 1974, a Gurgel Motores apresentou o Itaipu no Salão de São Paulo, um minicarro elétrico para dois passageiros, sendo o primeiro desenvolvido na América Latina. Embora não tenha sido produzido em série, serviu de base para o E-400, um utilitário elétrico produzido entre 1981 e 1982, que foi o primeiro carro elétrico fabricado em série no Brasil. O E-400, com carroceria de fibra de vidro e motor elétrico de 13,6 CV, combinado a um câmbio VW de quatro marchas, atingia 80 km/h. Seus desafios incluíam baixa velocidade máxima, autonomia limitada de 127 km no uso urbano e um tempo de recarga de seis a oito horas para suas oito baterias de chumbo-ácido.
Pratyko: Inovação para Cadeirantes
Desenvolvido em Santa Catarina com apoio estadual, o Pratyko é um protótipo de carro elétrico projetado especificamente para cadeirantes. Sua inovação permite que o usuário entre e dirija sem sair da cadeira de rodas. É um dos poucos carros brasileiros a utilizar um motor elétrico da WEG e foi criado por três amigos: Gilberto Mesquita, João Frank Gil e Marcio David.
Projeto VE: Pesquisa e Desenvolvimento em Itaipu
O Projeto VE foca no desenvolvimento e pesquisa de veículos movidos a energia elétrica, sediado em Itaipu. Ele é composto por três grupos de trabalho dedicados ao Fiat Palio Weekend Elétrico (uso urbano), Daily Elétrico (caminhão para pequenas cargas) e Granmini Elétrico (miniônibus). A iniciativa começou em 15 de maio de 2006, com um acordo internacional de cooperação técnica entre Itaipu e Kraftwerke Oberhasli (KWO), e hoje conta com parcerias da Fiat, empresas de tecnologia, concessionárias de energia e instituições de pesquisa do Brasil, Paraguai e Suíça.
CPFL Energia e Mobilidade Elétrica
A CPFL Paulista, em colaboração com a CPFL Piratininga e Rio Grande Energia (Grupo CPFL Energia), formatou o Projeto de P&D ANEEL “PA0060 INSERÇÃO TÉCNICA E COMERCIAL DE VEÍCULOS ELÉTRICOS EM FROTAS EMPRESARIAIS DA REGIÃO METROPOLITANA DE CAMPINAS”. O objetivo é integrar veículos elétricos em frotas de grandes empresas da região, criando um laboratório real de Mobilidade Elétrica para estudar seus impactos no setor elétrico. Os estudos incluem avaliação de impactos na rede de distribuição, proposição de regulamento tarifário para recargas, desmistificação do tema, análise do modelo de negócio das distribuidoras e desenvolvimento de competências para infraestruturas de recarregamento.
FNM: De Motores a Caminhões Elétricos
A FNM (Fábrica Nacional de Motores), conhecida como 'FeNeMê', foi criada na Era Vargas para fabricar motores aeronáuticos. Em 1949, expandiu para automóveis e caminhões. Em 2018, a FNM retornou como Fábrica Nacional de Mobilidade, dedicando-se à produção de caminhões elétricos. O primeiro eletroposto do Brasil, que converte energia solar ou permite a troca de baterias, foi inaugurado no Rio de Janeiro em 10 de outubro de 2010. Atualmente, o Projeto de Mobilidade Elétrica conta com cinco pontos de recarregamento: quatro em Campinas (sede da CPFL, Bosch, Centro de Convivência e Shopping Iguatemi) e um no Posto Graal 67, na Rodovia Anhanguera, em Jundiaí (SP).
USP: Pesquisa e Uso de Veículos Elétricos
A Universidade de São Paulo (USP) recebeu em 2011 a doação de quinze Scooters elétricas, distribuídas pelos campi para patrulhamento. A USP é a universidade brasileira mais engajada no tema, implementando um eletroposto de carga lenta para carros elétricos. Além disso, um estudo acadêmico patrocinado pelo CNPq está sendo conduzido por professores da FEA-USP, investigando os impactos socioeconômicos e as perspectivas de modelos de negócios para o Veículo Elétrico na região da Grande São Paulo.
Em Portugal, houve um impulsionamento recente na aquisição de veículos elétricos, com o Governo da República concedendo benefícios fiscais. No entanto, com a mudança de governo e a implementação de medidas de austeridade, alguns desses benefícios foram revogados, impactando o setor.
Incentivo para Abate de Veículos
O incentivo para a aquisição de um carro elétrico poderia atingir 6.500 Euros, especialmente se a compra fosse realizada com o abate de um veículo em fim de vida (Art.º 38.º do DL 39/2010, de 26 de Abril).
Isenção de Impostos (IA e IUC)
Veículos elétricos estavam isentos do pagamento do Imposto Automóvel (IA) e do Imposto Único de Circulação (IUC), conforme a Lei n.º 22-A de 2007.
Deduções Fiscais para Empresas
A aquisição de veículos elétricos permitia realizar deduções no Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Coletivas (IRC). Além disso, foi criada a MOBI.E, uma entidade gestora da mobilidade elétrica, que distribuiu 64 pontos de carregamento por Portugal.
Sociedade MOBI.E: Rede de Carregamento
A MOBI.E, entidade gestora da mobilidade elétrica, já possuía 64 pontos de carregamento distribuídos por Portugal. A meta era ter cerca de 1.300 pontos de carregamento públicos convencionais e 50 pontos de carregamento rápido em cinquenta cidades até meados de 2011.
Conversão para Veículo Elétrico
A empresa portuguesa embrionária McMob oferece o serviço de conversão de veículos convencionais (a diesel ou gasolina) para elétricos. Atualmente, a conversão é possível apenas para o veículo Smart, com um custo que varia entre 7.000€ e 10.000€.
Um estudo da Nissan revelou que o número de postos de gasolina no Reino Unido caiu de 37.539 em 1970 para 8.472 em 2015. Em contrapartida, os postos de carregamento elétrico aumentaram significativamente, com uma estimativa de 7.900 até agosto de 2020. O estudo aponta que, dado o ritmo de crescimento de carros híbridos e elétricos (mais de 115 registrados por dia nos primeiros quatro meses do ano, ou um a cada 13 minutos), o 'ponto de viragem' onde os carregadores superam os postos de gasolina pode ocorrer mais cedo do que o previsto.
Atualmente, existem dois tipos principais de carros elétricos comercializados: os com baterias recarregáveis e os com célula de combustível. A célula de combustível gera corrente elétrica por meio de uma reação química entre oxigênio e hidrogênio (H2), convertendo em energia elétrica tanto o H2 da água quanto o do etanol (álcool combustível). Enquanto veículos elétricos a bateria exigem maior tempo de recarga e têm menor autonomia, o uso de células de combustível elimina esses inconvenientes, oferecendo maior independência energética.
Os veículos elétricos utilizam bancos de baterias como sua principal fonte de energia. A energia química armazenada nessas baterias é convertida em energia elétrica, que é então transportada para os motores. Estes, por sua vez, transformam a energia elétrica em energia mecânica, impulsionando o veículo e permitindo sua locomoção.


