África do Sul
África do Sul, oficialmente República da África do Sul e mais raramente referida como Suláfrica, é um país localizado no extremo sul da África, entre os oceanos Atlântico e Índico, com 2 798 quilômetros de litoral. É limitado pela Namíbia, Botsuana e Zimbábue ao norte; Moçambique e Essuatíni a leste; e com o Lesoto, um enclave totalmente rodeado pelo território sul-africano. O país é conhecido por sua biodiversidade e pela grande variedade de culturas, idiomas e crenças religiosas. A Constituição reconhece 11 línguas oficiais. Duas dessas línguas são de origem europeia: o africâner, uma língua que se originou principalmente a partir do neerlandês e que é falado pela maioria dos brancos e mestiços sul-africanos, e o inglês sul-africano, que é a língua mais falada na vida pública oficial e comercial, mas é apenas o quinto idioma mais falado em casa.
Mzansi, derivado do xossa substantivo umzantsi que significa "sul", é um nome coloquial para a África do Sul, enquanto alguns partidos políticos panafricanistas preferem o termo "Azania".
Mais tarde, em 1990, sob a liderança do presidente F. W. de Klerk, o governo sul-africano começa a desmantelar o sistema do apartheid, libertando Nelson Mandela, líder do ANC, e aceitando legalizar esta organização, bem como outras anti-apartheid. Os passos seguintes no sentido da união nacional são dados em 1991. A abertura das negociações entre os representantes de todas as comunidades, com o objetivo de elaborar uma Constituição democrática, marca o fim de uma época perturbada na África do Sul que iniciou-se em 1948 e teve seu fim em 1990, 42 anos, época esta chamada de apartheid, que numa tradução para o português seria "segregação racial". No dia 10 de abril de 1993, um dos principais líderes do movimento negro da África do Sul, Chris Hani, morreu vítima de dois tiros, diante da própria residência. O que seus assassinos não previram é que essa morte acabaria por acelerar o fim do apartheid. No mesmo ano, o governo e a oposição negra acordam nos mecanismos que garantam a transição para um sistema político não discriminatório. É criado um comitê executivo intermediário, com maioria negra, para supervisionar as primeiras eleições multipartidárias e multirraciais, e é criado, também, um organismo que fica encarregado de elaborar uma Constituição que garanta o fim do apartheid. Em abril de 1994 são realizadas as primeiras eleições multirraciais da história sul-africana. O ANC ganha as eleições e Nelson Mandela, formando um Governo de unidade nacional, torna-se o primeiro presidente sul-africano negro.
Pré-história
A África do Sul contém alguns dos mais antigos sítios arqueológicos e fósseis humanos do mundo. Vários restos de fósseis foram recuperados a partir de uma série de cavernas na província de Gautengue. A área é um Patrimônio Mundial pela UNESCO e foi denominada o Berço da Humanidade. Os locais incluem Sterkfontein, que é um dos mais ricos territórios de fósseis hominídeos no mundo. Outros locais incluem Swartkrans, Caverna de Gondolin, Kromdraai, Caverna Coopers e Malapa. O primeiro fóssil de hominídeo descoberto na África, a Criança de Taung, foi encontrado perto da cidade de Taung, na província Noroeste, em 1924. Outros restos de hominídeos foram recuperados a partir de sítios de Makapansgat em Limpopo, Cornelia e Florisbad no Estado Livre, Caverna Border em Cuazulo-Natal, na embocadura do rio Klasies no Cabo Oriental e Pinnacle Point, Elandsfontein e na Caverna Die Kelders em Cabo Ocidental. Esses sítios indicam que várias espécies de hominídeos viviam na África do Sul há cerca de três milhões de anos, entre eles o Australopithecus africanus.
Expansão banta
Os assentamentos de povos de língua banta, que eram agricultores e pastores que manejavam ferro, já estavam presentes ao sul do rio Limpopo (agora a fronteira norte com Botsuana e Zimbábue) nos séculos IV e V. Eles deslocaram-se, conquistaram e absorveram os povos coissãs, cóis e sãs. Os bantos se moveram lentamente em direção ao sul ao longo do tempo. Os primeiros sinais de siderurgia na atual província Cuazulo-Natal datam de cerca de 1050. O grupo meridional era o povo xossa, cuja linguagem incorpora certos traços linguísticos dos povos coissãs anteriores. Os xossa chegaram ao rio Great Fish, na atual província do Cabo Oriental. Como eles migravam, essas populações maiores da Idade do Ferro deslocavam ou assimilavam os povos anteriores. Em Mepumalanga, vários círculos de pedra foram encontrados junto a arranjos de pedras que têm sido chamado de Calendário de Adão.
Contato português
Na época do contato europeu, o grupo étnico dominante eram os povos bantos que migraram de outras partes da África cerca de mil anos antes. Os dois principais grupos eram os xossas e os zulus. Em 1487, o explorador português Bartolomeu Dias liderou a primeira viagem europeia a desembarcar em território que atualmente faz parte da África do Sul. Em 4 de dezembro, Dias desembarcou na Angra da Temeridade, mais tarde Baía das Baleias (corretamente designada por Walvisbaai pelos holandeses, na atual Namíbia). Antes disto, em 1485, Diogo Cão tinha chegado a Cabo Cross, 160 km a norte de Walvis bay. Depois de 8 de janeiro de 1488, impedido de prosseguir ao longo da costa por conta de tempestades, Dias navegou em alto mar e passou o ponto mais meridional da África sem vê-lo. Ele chegou até a costa oriental de África, no que chamou de Rio do Infante, provavelmente o atual rio Groot, em maio de 1488, mas em seu retorno, viu o Cabo, que chamou de primeira Cabo das Tormentas.
Colonização europeia
Em 1652, um século e meio após a descoberta da Rota Marítima do Cabo, a Companhia Holandesa das Índias Orientais fundou uma estação de abastecimento que mais tarde viria ser a Cidade do Cabo. A Cidade do Cabo tornou-se uma colônia britânica em 1806. A colonização europeia expandiu-se na década de 1820 com os bôeres (colonos de origem neerlandesa, flamenga, francesa e alemã) enquanto os colonos britânicos se assentaram no norte e no leste do país. Nesse período, conflitos surgiram entre os grupos xossa, zulu e africâners que competiam por território. Durante a década de 1830, cerca de doze mil bôeres (mais tarde conhecido como Voortrekkers) partiram da Colônia do Cabo, onde tinham sidos submetidos ao controle britânico. Eles migraram para as regiões que mais tarde se tornariam Natal, Estado Livre de Orange e Transvaal. Os bôeres fundaram a República Sul-Africana (atual Gautengue, Limpopo, Mepumalanga e províncias do oeste e do norte) e o Estado Livre de Orange (Free State).
Guerra dos Bôeres
As repúblicas bôeres resistiram com sucesso às invasões britânicas durante a Primeira Guerra dos Bôeres (1880–1881) usando táticas de guerrilha, que foram bem adaptados às condições locais. Os britânicos voltaram com um número maior de homens, com mais experiência e com uma nova estratégia na Segunda Guerra dos Bôeres (1899–1902), mas sofreram pesadas perdas durante os conflitos, apesar de terem sido os vencedores. Dentro do país, as políticas antibritânicas entre brancos sul-africanos focavam na independência. Durante os períodos coloniais neerlandês e britânico, a segregação racial era majoritariamente informal, apesar de algumas legislações terem sido promulgadas para controlar o estabelecimento e a livre circulação de povos nativos.
Independência, república e regime segregacionista
Em 1931, a União tornou-se efetivamente independente do Reino Unido, com a promulgação do Estatuto de Westminster. Em 1934, o Partido Sul-Africano e o Partido Nacional se fundem para formar o Partido Unido, buscando a reconciliação entre os africânderes e os brancos anglófonos. Em 1939, o partido se divide sobre a entrada da União na Segunda Guerra Mundial como uma aliada do Reino Unido, uma decisão que os seguidores do Partido Nacional se opuseram. Em 1948, o Partido Nacional foi eleito e chegou ao poder. Esse grupo político, sob a liderança do pastor e primeiro-ministro Daniel François Malan, reforçou a segregação racial, que já tinha começado sob o domínio colonial neerlandês e britânico. O Governo Nacionalista classificou todos os povos em três raças, com direitos e limitações desenvolvidas para cada uma. A minoria branca controlava a muito maior maioria negra. A segregação legalmente institucionalizada ficou conhecida como apartheid. Enquanto a minoria branca sul-africana usufruía do mais alto padrão de vida de toda a África (comparável aos de nações de países desenvolvidos ocidentais), a maioria negra ficou em desvantagem em quase todos os aspectos, como renda, educação, habitação e expectativa de vida. A Carta da Liberdade, adotada em 1955 pela Aliança do Congresso, exigiu uma sociedade não racial e o fim da discriminação.
A África do Sul está localizada no extremo sul do continente africano, com uma região costeira que se estende por mais de 2 500 km, sendo também banhada por dois oceanos (Atlântico e Índico). Com uma extensão territorial de 1 219 912 km², o país é o 25.º maior do mundo em área. A África do Sul tem uma paisagem variada. Na parte ocidental, estende-se um grande planalto composto em parte por deserto e em parte por pastagens e savanas, cortado pelo curso do rio Orange e do seu principal afluente, o Vaal. A sul, erguem-se as cordilheiras do Carru e, a leste, o Drakensberg, a maior cadeia montanhosa da África meridional, onde situa-se o ponto mais elevado do país no Mafadi com 3450 metros, na fronteira África do Sul-Lesoto. A norte, o curso do rio Limpopo serve de fronteira com o Botsuana e o Zimbábue. O clima varia entre uma pequena zona de clima mediterrânico, no extremo sul, na região do Cabo, a desértico a noroeste. No Drakensberg há áreas com clima de montanha e neve nos pontos mais elevados, comumente no inverno.
Clima
A África do Sul tem, em geral, um clima temperado, em parte por estar rodeada pelos oceanos Atlântico e Índico em três lados, pela sua localização climática mais leve no hemisfério sul e devido à altitude média, que sobe de forma constante em direção ao norte (em direção ao equador) e mais para o interior. Devido a esta topografia variada e pela influência oceânica, o país tem uma grande variedade de zonas climáticas. As zonas climáticas variam desde o deserto do Namibe, no noroeste, ao clima subtropical, no leste, ao longo da fronteira com Moçambique e com o Oceano Índico. Do leste, a terra sobe rapidamente sobre a Grande Escarpa da África Austral em direção ao planalto interior conhecido como Highveld. Embora a África do Sul seja classificada como semiárida, há uma variação considerável no clima, bem como na topografia.
Biodiversidade
A África do Sul assinou a Convenção sobre Diversidade Biológica em 4 de junho de 1994 e ratificou a convenção em 2 de novembro de 1995. O país produziu posteriormente uma Estratégia Nacional de Biodiversidade e um Plano de Ação, que foi recebido pela convenção em 7 de junho de 2006. O país está em sexto lugar entre os dezessete países megadiversos do mundo. Inúmeros mamíferos são encontrados na região das savanas, como leões, leopardos, rinocerontes-brancos, gnus-azuis, cudos, impalas, hienas, hipopótamos e girafas. A maior parte da área de savana localiza-se no nordeste do país, como no Parque Nacional Kruger e na Reserva Mala Mala, bem como no extremo norte da Biosfera Waterberg. A África do Sul abriga muitas espécies endêmicas, como o criticamente ameaçado coelho-bosquímano (Bunolagus monticularis), do Carru.
África do Sul é uma nação de cerca de 62 milhões de pessoas de diversas origens, culturas, línguas e religiões. O último censo foi realizado em 2011 e o próximo será em 2022. O Statistics South Africa classifica a população em cinco categorias raciais pelas quais as pessoas podem se classificar. Em 2022, os valores estimados para essas categorias foram negros com 81,4%, brancos com 7,3%, mestiços com 8,2% e indianos e asiáticos com 2,7% da população. A África do Sul tem onze línguas oficiais. Mesmo com o crescimento populacional da África do Sul na última década (principalmente devido à imigração), o país tinha uma taxa de crescimento populacional anual de -0,501% em 2008 (est. CIA), incluindo a imigração. A CIA estima que a população em 2009 na África do Sul tenha começado a crescer novamente, a uma taxa de 0,281%. A África do Sul é o lar de cerca de cinco milhões de imigrantes ilegais, incluindo cerca de três milhões de zimbabuanos. Uma série de motins anti-imigrantes ocorreram na África do Sul em 11 de maio de 2008.
Maiores cidades
A maior cidade é Joanesburgo. Cidade do Cabo, Durban, Bloemfontein e Pretória são outras cidades importantes. A administração oficial (governo, tribunais, presidência e parlamento) encontra-se dispersa por Pretória (sede do Poder Executivo), Cidade do Cabo (sede do Poder Legislativo) e Bloemfontein (sede do Poder Judiciário).
Religião
De acordo com o censo nacional de 2001, os cristãos representavam 79,7% da população do país. Isso inclui cristãos zion (11,1%), pentecostais (carismáticos) (8,2%), católicos romanos (7,1%), metodistas (6,8%), neerlandeses reformados (6,7%), anglicanos (3,8%); membros de outras igrejas cristãs representavam outros 36% da população. Os muçulmanos representam 1,5% da população, hindus cerca de 1,3%, e judeus 0,2%. 15,1% não tinha qualquer filiação religiosa, 2,3% tinham outra religião e 1,4% não estavam especificados. Igrejas Indígenas Africanas eram os maiores entre os grupos cristãos. Acredita-se que muitas das pessoas que alegaram ter nenhuma afiliação com qualquer religião organizada, respeitam as religiões tradicionais indígenas. Muitos povos têm práticas religiosas sincréticas, combinando influências cristãs e indígenas.
Composição étnica
O Statistics South Africa define cinco categorias raciais pelas quais as pessoas podem se classificar no censo. As estimativas do censo de 2011 para estas categorias foi negros africanos com 79,2%, brancos com 8,9%, mestiço com 8,9%, indiano ou asiático com 2,5% e outros/não especificado com 0,5%. O primeiro censo na África do Sul, feito em 1911, mostrou que os brancos representavam 22% da população; esse número caiu para 16% da população em 1980. De longe, a maior parte da própria população é classificada como "africana" ou "negra", mas esse grupo populacional não é culturalmente e/ou linguisticamente homogêneo. Os principais grupos étnicos negros incluem os zulus, xossas, sotos (sotos do sul), bapedi (sotos do norte), vendas, tsuanas, tsongas, suázis e andebeles, os quais falam as línguas bantas. A população coloured (multirraciais) está concentrada principalmente na região do Cabo e vem de uma combinação de origens étnicas, como os brancos, cóis, sãs, griquas, chineses e malaios.
Idiomas
A África do Sul tem onze línguas oficiais: africâner, inglês, andebele meridional, sepedi, sesoto, suázi, tsuana, tsonga, venda, xossa e zulu. Em número de línguas oficias, o país é o terceiro, apenas atrás da Bolívia e da Índia. Apesar de todas as línguas serem formalmente iguais, algumas línguas são faladas mais do que outras. De acordo com o Censo Nacional de 2001, as três línguas mais faladas em casa são o zulu (23,8%), o xossa (17,6%) e o africâner (13,3%). Não obstante o fato de que o inglês é reconhecido como a língua do comércio e da ciência, sendo falada em casa por apenas 8,2% dos sul-africanos em 2001, uma percentagem ainda menor do que em 1996 (8,6%).
Problemas socioeconômicos
Segundo uma pesquisa para o período 1998–2000 elaborada pela Organização das Nações Unidas, a África do Sul foi classificada em segundo lugar em assassinatos e em primeiro para assaltos e estupros per capita. As estatísticas oficiais mostram que 52 pessoas são assassinadas todos os dias na África do Sul. O número relatado de estupros por ano é de 55 000 e estima-se que quinhentos mil estupros são cometidos anualmente no país. O total de crimes per capita é o 10º entre os sessenta países no conjunto de dados. O estupro é um problema comum na África do Sul. Em uma pesquisa de 2009, um em cada quatro homens sul-africanos admitiram ter estuprado alguém. Uma em cada três das quatro mil mulheres inquiridas pela Comunidade da Informação, Capacitação e Transparência disse que tinha sido violada no ano passado. A África do Sul tem uma das maiores incidências de estupros de crianças e bebês no mundo. Em um levantamento realizado entre 1500 crianças escolares no township de Soweto, um quarto de todos os meninos entrevistados disseram que "jackrolling", um termo para estupro em grupo, era algo divertido.
A África do Sul tem três capitais: Cidade do Cabo, a maior das três, é a capital legislativa; Pretória é a capital administrativa e Bloemfontein é a capital judiciária. África do Sul tem um parlamento bicameral: o Conselho Nacional de Províncias (câmara alta), tem noventa membros, enquanto a Assembleia Nacional (câmara baixa) tem quatrocentos membros. Os membros da Câmara dos Deputados são eleitos numa base populacional por representação proporcional: metade dos membros são eleitos por listas nacionais e a outra metade são eleitos em listas provinciais. Dez membros são eleitos para representar cada província no Conselho Nacional das Províncias, independentemente da população da província. Eleições para ambas as câmaras são realizadas a cada cinco anos. O governo é formado na casa mais baixa, e o líder do partido maioritário na Assembleia Nacional é o presidente. Desde o fim do apartheid em 1994, a política sul-africana tem sido dominado pelo Congresso Nacional Africano (ANC), que foi o partido dominante, com 60–70% dos votos. O principal adversário do governo do ANC é o partido da Aliança Democrática, que recebeu 22,2% dos votos na eleição de 2014 e 16,7% nas eleições de 2009.
Direito
As principais fontes de direito sul-africanas são o direito mercantil romano-neerlandês e o direito pessoal baseado no direito comum inglês, como as importações de assentamentos neerlandeses e do colonialismo britânico. A primeira lei europeia na África do Sul foi trazida pela Companhia das Índias Orientais Holandesas e é chamada de direito romano-neerlandês. Foi importado antes da codificação do direito europeu no Código Napoleônico e é comparável em muitos aspectos, a lei escocesa. Este foi seguido, no século XIX pelo direito inglês, tanto comum quanto legal. A partir de 1910 com a unificação, a África do Sul tinha seu próprio parlamento, que aprovaram leis específicas para a África do Sul. Durante os anos do apartheid, a cena política do país foi dominado por figuras como B. J. Vorster e P. W. Botha, bem como membros da oposição, como Harry Schwarz, Joe Slovo e Helen Suzman.
Forças armadas
A Força Nacional de Defesa da África do Sul (SANDF) foi criada em 1994, como uma força voluntária composta pela antiga Força de Defesa da África do Sul (SADF), as forças dos grupos nacionalistas africanos (Lança da Nação e Exército de Libertação do Povo Azanian), e as forças de defesa do antigo Bantustão. O SANDF é subdividido em quatro ramos, o exército, a força aérea, a marinha e o Serviço Médico Sul-Africano. Nos últimos anos, a SANDF se tornou uma grande força de paz no continente africano, e esteve envolvido em operações no Lesoto, na República Democrática do Congo, no Burundi, entre outros. Tem também participado como parte das forças de paz multinacional da ONU.
Relações internacionais
Enquanto era a União Sul-Africana, o país foi o membro fundador da Organização das Nações Unidas (ONU). O então primeiro-ministro sul-africano, Jan Smuts, escreveu o preâmbulo da Carta das Nações Unidas. O país é um dos membros fundadores da União Africana (UA), e tem a segunda maior economia de todos os membros dessa organização. A África do Sul também é um membro fundador da Nova Parceria para o Desenvolvimento da África (NEPAD), da UA. O país tem desempenhado um papel fundamental como mediador de conflitos entre nações africanas na última década, como no Burundi, na República Democrática do Congo, nas Ilhas Comores e no Zimbábue. Após o fim do regime do apartheid, a África do Sul foi readmitida na Commonwealth britânica. O país é um membro do Grupo dos 77 e presidiu a organização em 2006. A África do Sul também é membro da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul, da União Aduaneira da África Austral, do Tratado da Antártida, da Organização Mundial do Comércio (OMC), do Fundo Monetário Internacional (FMI), do G20 e do G8+5.
A África do Sul encontra-se dividida em nove províncias desde 1994. A tabela seguinte indica, para cada uma das nove províncias, o seu código oficial ISO 3166-2:ZA, o nome em português, inglês e africâner, e a capital. As províncias encontram-se divididas em municípios metropolitanos e distritos municipais; estes últimos encontram-se subdivididos em municípios locais e zonas de gestão distrital. A delimitação dos municípios encontra-se inscrita na Constituição, portanto cada alteração implica uma emenda; a última ocorreu em abril de 2006.
A África do Sul é um país de nível econômico médio, situado entre a Argentina e a Colômbia. O país é muito dependente da mineração: em 2019, o país era o maior produtor mundial de platina, cromo e manganês, o 2º maior produtor mundial de titânio, o 11º maior produtor mundial de ouro, o 3º produtor mundial de vanádio, o 6º maior produtor mundial de minério de ferro, o 11º maior produtor mundial de cobalto, o 15º maior produtor mundial de fosfato, e o 12º maior produtor do mundo de urânio. O país é um dos 10 maiores produtores do mundo de diamante (7º lugar em 2016) Em 2018, o país foi o 7º maior produtor mundial de carvão (252,3 milhões de toneladas) e o 6º maior exportador (88 milhões de toneladas). Na agricultura, em 2018, o país produziu 19,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar (14º maior produtor do mundo), 12,5 milhões de toneladas de milho (12º maior produtor do mundo), 1,9 milhão de toneladas de uva (11º maior produtor do mundo), 1,7 milhão de toneladas de laranja (11º maior produtor do mundo) e 397 mil toneladas de pera (7º maior produtor do mundo),além de ter grandes produções de outros produtos, como batata, trigo, soja, semente de girassol, maçã, entre outros, tendo uma agricultura bem diversificada, com cultivos tanto de países tropicais, como de países frios. Com as uvas, o país produz vinho: foi o 9º maior produtor do mundo em 2018. Com a semente de girassol, produz óleo: em 2018, o país foi o 10º maior produtor do mundo de óleo de girassol. Na pecuária, o país foi o 11º maior produtor mundial de lã em 2019.
Turismo
Em 2018, A África do Sul foi o 36º país mais visitado do mundo, com 10,4 milhões de turistas internacionais. As receitas do turismo, neste ano, foram de US$ 8,9 bilhões. A África do Sul é um destino turístico popular, com cerca de 860 mil visitantes mensais (março de 2008), dos quais cerca de 210 mil são de fora do continente Africano. Em 2013, a África do Sul recebeu catorze milhões visitantes internacionais. O turismo representa entre 1% e 3% do PIB sul-africano suporta mais de 10% dos postos de trabalho no país, de acordo com o World Travel & Tourism Council. A perda de florestas significa uma perda de habitat para a vida selvagem também. Cerca de 90% da vida selvagem na África do Sul pode ser encontrada atualmente apenas em parques e reservas nacionais, que podem ser visitadas durante safaris. Entre os animais encontrados, estão mamíferos, répteis, anfíbios e aves. Em contrapartida, apenas 34% da vida vegetal no país está localizado em áreas protegidas.
Ciência e tecnologia
Vários desenvolvimentos científicos e tecnológicos importantes originaram-se na África do Sul. O primeiro transplante de coração humano foi realizado pelo cirurgião cardíaco Christiaan Barnard no Hospital Groote Schuur em dezembro de 1967; Max Theiler desenvolveu uma vacina contra a febre amarela; Allan McLeod Cormack pioneira da tomografia computadorizada por raios-x e Aaron Klug que desenvolveu técnicas cristalográficas de microscopia eletrônica. Com exceção de Barnard, todos os avanços citados foram reconhecidos com Prêmios Nobel. Sydney Brenner ganhou mais recentemente, em 2002, por seu trabalho pioneiro em biologia molecular. Mark Shuttleworth fundou uma das primeiras empresas de segurança na internet, a Thawte, que foi posteriormente comprada pela líder mundial VeriSign. Apesar dos esforços do governo para incentivar o empreendedorismo em biotecnologia, outros campos de alta tecnologia e TI, não há outras empresas inovadoras notáveis fundadas na África do Sul. É um objetivo expresso do governo a transição da economia sul-africana para torná-la mais dependente da alta tecnologia, com base na constatação de que a África do Sul não pode competir com as economias do Extremo Oriente na manufatura, nem pode usufruir de sua riqueza mineral perpetuamente.
Educação
A educação na África do Sul é a segunda melhor do continente africano, perdendo apenas para Cabo Verde. Na época do apartheid, os estudantes de todos os grupos étnicos da África do Sul iam com frequência a escolas próprias para cada etnia. Fora isso, os menores caucasianos de dezoito anos que falavam inglês e africânder, apesar de serem obrigados a estudar as duas línguas, iam com frequência a instituições de ensino adequadas a cada etnia. Considerando cada menor de dezesseis anos, o governo pagava muito mais caro com a educação dos caucasianos do que a dos não caucasianos. Entre os sete e os dezesseis anos, o ensino era obrigatório para os menores caucasianos de dezoito anos. Cerca de 90% deles iam diariamente a escolas da rede pública de ensino. O resto ia para escolas da rede particular controladas pelo Estado. Mais de 55% terminavam o ensino médio.
Saúde
A expansão da SIDA (síndrome da imunodeficiência adquirida, AIDS no Brasil) é um problema alarmante no país, chegando a atingir 31% das mulheres grávidas em 2005 e uma taxa de infecção nos adultos estimada em 20%. A ligação entre HIV, um vírus transmitido principalmente por contato sexual, e SIDA foi negado há muito tempo pelo presidente Thabo Mbeki e pelo ministro da saúde Manto Tshabalala-Msimang, que insiste que as muitas mortes no país são causadas por má nutrição, e muita pobreza, e não pelo HIV. Em 2007, em resposta a pressões internacionais, o governo fez esforços para combater a SIDA. A SIDA afeta principalmente aqueles que são sexualmente ativos e é muito mais presente na população negra. A maioria das mortes são de pessoas economicamente ativas, resultando em muitas famílias perdendo sua principal fonte de renda. Isso tem resultado em muitos órfãos pela SIDA que em muitos casos dependem do estado para suporte financeiro e médico. É estimado que há 1,2 milhões de órfãos na África do Sul. Muitas pessoas mais velhas também perdem o apoio dos membros mais jovens da família. Cerca de cinco milhões de pessoas estão infectadas pela doença.
Energia e transportes
No setor dos transportes, o país conta com uma rede de 20 192 km de ferrovias e 362 099 km de rodovias, dos quais 73 506 km estão pavimentados e 239 km são classificados como autoestradas. O país conta com 567 aeroportos (a 11ª maior rede aeroviária do mundo em 2012) e seus maiores portos marítimos estão localizados nas cidades de Cidade do Cabo, Durban, Porto Elizabeth, Richards Bay, Baía de Saldanha. Após tentativas frustradas por parte do governo de estimular a construção pela iniciativa privada da capacidade de geração de energia do país, a empresa estatal fornecedora de energia Eskom começou a ter deficiência de capacidade na geração de energia elétrica e infraestrutura de distribuição em 2007. Essa falta levou à incapacidade de atender às demandas da indústria e dos consumidores em todo o país, resultando em apagões. Inicialmente a falta de capacidade foi provocada por uma falha na Central Nuclear Koeberg, mas uma falta generalizada de capacidade de produzir energia devido ao aumento da demanda tornou-se evidente desde então. A fornecedora tem sido amplamente criticada por não planejar adequadamente e construir a capacidade de geração elétrica de forma suficiente, embora o governo tenha admitido que é culpado por se recusar a aprovar o financiamento para investimento em infraestrutura.
Não existe uma única cultura sul-africana, devido à diversidade étnica do país, e cada grupo racial tem a sua própria identidade cultural. Isto pode ser apreciado nas diferenças na alimentação, na música e na dança entre os vários grupos. Há, no entanto, alguns traços unificadores.
Belas artes
A arte sul-africana inclui os mais antigos objetos artísticos do mundo, que foram descobertos em uma caverna do país e foram datados em 75 mil anos de idade. As tribos dispersas de povos coissãs que se deslocaram para a África do Sul em torno de 10 000 a.C. tinham sua própria expressão artística, vista hoje em uma infinidade de pinturas rupestres. Eles foram substituídos pelos povos bantos/angunes com suas próprias formas de arte. Novas formas artísticas evoluíram nas vilas e cidades: a arte dinâmica, que usa de tiras de plástico a aros de bicicleta. A arte popular neerlanda com influências dos africânderes trekboers e os artistas brancos urbanos seguiram mudando as tradições europeias a partir de 1850 e também contribuíram para essa mistura eclética, que continua a evoluir ainda hoje.
Literatura
A literatura sul-africana surge a partir de uma história social e política única. Um dos primeiros romances bem conhecidos escritos por um autor negro em um idioma africano foi Mhudi, de Solomon Tshekisho Plaatje, escrito em 1930. Durante os anos 1950, a revista Drum tornou-se um viveiro de sátiras políticas, ficção e ensaios, dando voz à cultura negra urbana. Entre os autores sul-africanos brancos mais notáveis estão Alan Paton, que publicou o romance Cry, the Beloved Country em 1948. Nadine Gordimer se tornou a primeira sul-africana a ser agraciada com o Prêmio Nobel de Literatura em 1991. Seu romance mais famoso, July's People, foi lançado em 1981. J. M. Coetzee ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 2003. Na época da atribuição do prêmio, a Academia Sueca afirmou que Coetzee "em inúmeros disfarces retrata o envolvimento surpreendente do estranho".
Culinária
A cultura sul-africana é diversa; alimentos de muitas culturas são apreciados por todos e especialmente comercializados para os turistas que desejam provar a grande variedade da culinária do país. A culinária sul-africana é fortemente baseada na carne grelhada enquanto um evento social tipicamente sul-africano conhecido como um braai (ou churrasco). O país também se tornou um grande produtor de vinhos, sendo que alguns dos seus melhores vinhedos encontram-se em vales em torno de Stellenbosch, Franschhoek, Paarl e Barrydale, no Cabo Ocidental.
Música
Existe uma grande diversidade na música da África do Sul. Muitos músicos negros que cantavam em africâner ou inglês durante o apartheid passaram a cantar em línguas africanas tradicionais, e desenvolveram um estilo único chamado kwaito. Digna de nota é Brenda Fassie, que alcançou fama graças à sua canção "Weekend Special", cantada em inglês. Músicos tradicionais famosos são os Ladysmith Black Mambazo, e o Quarteto de Cordas do Soweto executa música clássica com sabor africano. Os cantores sul-africanos brancos e mestiços tendem a evitar temas musicais tradicionais africanos, preferindo estilos mais europeus. Existe um bom mercado para música africâner, que cobre todos os gêneros da música ocidental.
Esportes
Os esportes mais populares da África do Sul são o rugby, o críquete e o hóquei em campo (hóquei de grama, no português brasileiro). Outros esportes com prática significativa são natação, atletismo, golfe, boxe, tênis e netball. Apesar do futebol ser mais praticado entre os jovens (e estar em crescimento no país), outros esportes como o basquete, o surf e o skate estão cada vez mais populares. Entre os atletas de futebol sul-africanos que jogaram em grandes clubes estrangeiros estão Steven Pienaar, Lucas Radebe, Philemon Masinga, Benni McCarthy, Aaron Mokoena e Delron Buckley. A África do Sul sediou a Copa do Mundo FIFA de 2010 e o presidente da Fifa, Sepp Blatter, premiou o país com uma nota 9 (de uma escala de até 10) por sediar o evento esportivo com êxito.


