África Proconsular
A África Proconsular foi uma província senatorial do Império Romano criada por Augusto em 27 a.C., a partir da junção de duas províncias já existentes na república, a Africa Nova e a Africa Vetus. Parte de seu território outrora pertenceu aos cartagineses e númidas, povos ali instalados desde meados do século IX a.C. ou mesmo antes. Sob o governo romano passou por um forte processo de difusão da cultura imperial, vindo a se tornar uma das províncias estrangeiras mais desenvolvidas de todo o império durante a pax romana. Desta província, inclusive, ascenderia ao poder em 193 d.C. a dinastia dos Severos, a primeira a reinar sobre o império sem qualquer ascendência romana. A província é formalmente dissolvida no século IV d.C. com as reformas do imperador Diocleciano, sendo por meio destas fragmentada em três províncias menores e autônomas que resistiriam até a época das incursões vândalas sobre o Norte da África, já no século seguinte.
Imagem: Victor Pinheiro da Silva · CC0 · Openverse
Quando a cidade de Cartago foi destruída e toda a região de Zeugitana foi submetida a Roma Antiga, no fim da Terceira Guerra Púnica, 146 a.C., seu destruidor, o general Cipião Emiliano, delimitou a fronteira deste novo território cavando a chamada fossa regia (SLIM & FAUQUÉ, 2001). Inicialmente se resumia apenas ao norte da Tunísia, não avançando muito para o interior distante do cabo Bon. Essa nova província recebeu o nome apenas de Africa, e assim permaneceu até que as próximas mudanças significativas nas fronteiras ocorressem. Em 123 a.C. um projeto proposto pelo senado romano, a Lex Rubria, propunha a criação de uma colônia sobre as cinzas da antiga Cartago, mas a ideia não vingou. Provavelmente pelo fato de Roma, quando conquistava um novo território, fazer questão de ali “conservar o cadáver” (SLIM & FAUQUÉ, 2001, p. 100). O projeto que realmente seria posto em prática para a reconstrução da futura capital da África Proconsular só surgiria com César, quase cem anos mais tarde (RAVEN, 1993).
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Com o inicio do regime imperial, a paz na região somente foi perturbada com revoltas isoladas, como a de Tacfarinas (17 d.C.). Isso possibilitou o desenvolvimento urbanístico da província, com a construção de cidades à moda romana. Nem sempre o modelo da cidade italiana era seguido à risca, vindo a adaptar-se ao ambiente geográfico ou social específico de cada localidade (WHITTAKER, 1993). Estes centros urbanos da África Proconsular eram conhecidos por possuírem a maior concentração de casas de banho do império. A população em geral, rica ou pobre, vivia em relativo conforto sem a escassez de água. As cidades eram arborizadas, as casas eram construídas contra o sol e possuíam ruas estreitas para haver sombra a maior parte do dia. Comércio e justiça se propagavam nos fóruns e basílicas, como os de Leptis Magna. Havia entretenimento para todos os públicos, com a província dispondo de um número considerável de teatros e arenas. Extensos aquedutos e estradas atravessavam a região levando água e mensagens para as cidades da costa. A paz era tamanha que para defender a região (não apenas a África Proconsular, mas também todo o Norte da África) bastava os legionários gauleses da III.ª Augusta, aquartelada ora em Theveste, ora em Amaedara (RAVEN, 1993).
O Império Bizantino reivindicava áreas perdidas pelo Império Romano do Ocidente no século V. Com o pretexto de recuperá-las, o imperador bizantino Justiniano I, em 534, enviou tropas a região para recuperá-las dos vândalos. Em 698, tropas árabes vindas de recentes conquistas na Líbia atacaram a região e puseram um fim total ao domínio romano sobre a África Proconsular — domínio este que existia desde as Guerras Púnicas contra a cidade de Cartago.


