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Agostinho de Cantuária

Agostinho de Cantuária foi um monge beneditino que se tornou o primeiro arcebispo de Cantuária em 597. É considerado o "Apóstolo dos ingleses" e o fundador da Igreja Católica da Inglaterra. Agostinho era prior de um mosteiro em Roma quando, em 595, foi convocado pelo papa Gregório I para liderar uma missão à Britânia com o intuito de converter o rei Etelberto e seus súditos no Reino de Câncio, que eram fiéis ao paganismo anglo-saxônico. A escolha de Câncio como alvo da missão deveu-se ao casamento de Etelberto com uma princesa cristã, Berta, filha do rei dos francos Cariberto I, do qual Gregório esperava tirar o máximo de vantagem. Antes da chegada a Câncio, os missionários ameaçaram desistir, mas Gregório urgiu-os a continuar e o grupo finalmente desembarcou, em 597, na ilha de Thanet e de lá partiu para a capital, Cantuária.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 30/06/2026
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Contexto da missão

Após a retirada das legiões romanas da província da Britânia, em 410, o povo da região foi deixado à própria sorte para se defender dos ataques dos invasores saxões. Antes da retirada, os britânicos já haviam se convertido ao cristianismo e o asceta Pelágio era nativo da região. A província também havia enviado três bispos ao Concílio de Arles de 314 e um bispo gaulês esteve na ilha em 396 para ajudar a resolver questões disciplinares. Restos materiais testificam uma crescente presença cristã pelo menos até o ano de 360. Após a retirada das legiões, tribos pagãs se assentaram na região meridional da ilha enquanto que a região ocidental, britânica, permaneceu cristã. Esta Igreja Britânica se desenvolveu então isolada de Roma, sob a influência de missionários da Irlanda, e se centrava nos mosteiros e não nas sés episcopais. Outras características peculiares eram o cálculo utilizado para determinar a data da Páscoa e o estilo de tonsura de que os clérigos se utilizavam. Evidências da sobrevivência do cristianismo na parte oriental da Britânia durante este período incluem o primitivo culto de Santo Albano e ocorrências da palavra ecoles em topônimos, derivada do latim ecclesia ("igreja"). Não há evidências de que estes cristãos nativos tenham tentado converter os invasores anglo-saxões e estes, por sua vez, destruíram grande parte do que restava da civilização romana nas regiões em que se fixaram, incluindo as estruturas econômicas e religiosas.

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Chegada e primeiras conquistas

Quando partiu de Roma, Agostinho estava acompanhado de Lourenço de Cantuária, que seria seu sucessor no arcebispado, e de um grupo de 40 companheiros, alguns dos quais eram monges. Logo após terem deixado a cidade, os missionários interromperam a viagem, assustados com a magnitude do desafio que lhes fora dado, e enviaram Agostinho de volta a Roma para conseguir uma autorização para retornarem. Gregório recusou o pedido e enviou Agostinho de volta com cartas de encorajamento aos missionários, urgindo-os a perseverarem. Em 597, Agostinho e seus companheiros finalmente desembarcaram em Câncio e conseguiram algumas vitórias imediatamente: Etelberto permitiu que os missionários se assentassem e pregassem em sua capital, Cantuária, e que se utilizassem da Igreja de São Martinho para os serviços litúrgicos. No início da Idade Média, conversões em massa requeriam a conversão do governante primeiro e Agostinho já apareceu realizando-as no primeiro ano de sua chegada em Câncio. Porém, nem Beda e nem Gregório mencionam a data da conversão de Etelberto, que, por conta dos batismos em massa, deve ter ocorrido provavelmente em 597.[b] Além disso, Gregório, já em 601, estava escrevendo para o casal real chamando o rei de "seu filho" e mencionando seu batismo.[c] Uma tradição posterior, relatada pelo cronista do século XV Thomas Elmham, fornece uma data para a conversão do rei como sendo o Pentecostes, ou 2 de junho, de 597 e não há razão para duvidar dela, embora não exista também nenhuma outra evidência que a suporte. Contra a hipótese da conversão em 597 há uma carta de Gregório ao patriarca Eulógio de Alexandria, de junho de 598, que menciona diversas pessoas convertidas por Agostinho, mas não o rei. Porém, é certo que o rei já havia se convertido em 601 e que o evento provavelmente ocorreu em Cantuária.

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Outras obras

Em 604, Agostinho fundou mais duas sés episcopais na Britânia. Dois missionários que chegaram em 601 foram consagrados, Melito como bispo de Londres e Justo como bispo de Rochester. Beda relata que Agostinho, com a ajuda do rei, "recuperou" uma igreja que havia sido construída pelos romanos em Cantuária.[e] Não é claro se Beda queria dizer que Agostinho reconstruiu a igreja ou se ele simplesmente reconsagrou um edifício que tinha sido utilizado para cultos pagãos. As evidências arqueológicas suportam esta última hipótese; em 1973, os restos de um edifício com corredores datando do período romano-britânico foi descoberto ao sul da atual Catedral de Cantuária. O historiador Ian Wood argumenta que a existência do Libelus indica um contato maior entre Agostinho e os cristãos nativos, pois os tópicos cobertos na obra não se restringem às conversões dos pagãos, mas também tratam das relações entre os diferentes estilos de cristianismo.

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Conquistas adicionais

Mais simples de implementar foram os mandatos romanos sobre os templos pagãos e suas celebrações. Os primeiros deveriam ser consagrados para o uso cristão, enquanto que as festas, se possível, deveriam ser movidas para datas em que se celebravam mártires cristãos. Um dos locais de culto se revelou ser um santuário em homenagem a um santo local, "São Sixto", mas os fiéis não sabiam nada sobre a sua vida ou a sua morte. Ele pode ter sido um dos cristãos nativos, mas não foi tratado como tal, pois, quando Gregório foi informado, pediu que Agostinho acabasse com o culto e utilizasse o santuário para homenagear o santo romano São Sisto (Sixtus). Gregório legislou também sobre o comportamento dos leigos e do clero. Ele colocou a missão diretamente sob a autoridade papal e deixou claro que os bispos ingleses não tinham autoridade alguma sobre seus contrapartes francos e vice-versa. Outras diretivas suas tratavam do treinamento a ser dado ao clero nativo e da conduta dos missionários.

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Morte e legado

Antes de sua morte, Agostinho consagrou Lourenço como seu sucessor ao arcebispado, provavelmente para garantir uma transição suave no cargo. Ainda que na época de sua morte, em 26 de maio de 604, a missão ainda mal tivesse passado das fronteiras de Câncio, seus esforços introduziram um estilo missionário mais ativo nas ilhas Britânicas. Apesar da presença prévia de cristãos na Irlanda e em Gales, eles não fizeram nenhum esforço para converter os invasores saxões. Já Agostinho estava focado em converter os descendentes destes invasores e, ao final, se tornou uma influência decisiva para o cristianismo da região. Muitos de seus sucessos só foram possíveis por conta da relação próxima com Etelberto, que deu ao arcebispado tempo para se consolidar. O exemplo de Agostinho também influenciou o grande esforço missionário da Igreja Anglo-Saxônica. O corpo de Agostinho foi originalmente sepultado no pórtico do que hoje é a Abadia de Santo Agostinho, em Cantuária, mas foi posteriormente exumado e recolocado num túmulo dentro da igreja da abadia, que se tornou um local de peregrinação e veneração. Após a conquista normanda, o culto de Agostinho passou a ser ativamente promovido e o seu santuário passou a ter uma posição central entre as capelas laterais, ladeado por santuários de seus sucessores, Lourenço e Melito. O rei Henrique I da Inglaterra concedeu à abadia uma feira de seis dias a ser celebrada na época em que as relíquias foram transladadas para o seu novo santuário, de 8 a 13 de setembro, anualmente.

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Fontes consultadas

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