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Agostinho de Hipona

Aurélio Agostinho de Hipona, conhecido universalmente como Santo Agostinho, foi um dos mais importantes teólogos e filósofos nos primeiros séculos do cristianismo, cujas obras foram muito influentes no desenvolvimento do cristianismo e filosofia ocidental. Foi bispo de Hipona, uma cidade na província romana da África. Escrevendo na era patrística, é amplamente considerado como o mais importante dos Padres da Igreja no ocidente. Suas obras-primas são De Civitate Dei e Confissões, ambas ainda muito estudadas atualmente.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/06/2026
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Biografia

Infância e educação

Agostinho nasceu em 354 no município de Tagaste na província romana da Numídia. Sua mãe, Mônica, era uma cristã devota e seu pai, Patrício, um pagão convertido ao cristianismo no leito de morte. Estudiosos acreditam que entre seus ancestrais estavam berberes, latinos e fenícios, mas ele próprio considerava-se um púnico. Seu nome, Aurélio, sugere que os ancestrais de seu pai eram libertos da gente Aurélia e que receberam a cidadania romana depois do Édito de Caracala (Marco Aurélio Antonino) em 212 e, portanto, a família já era romana do ponto de vista legal por pelo menos um século quando Agostinho nasceu. Assume-se que Mônica era berbere por causa do nome, mas, como a família era formada por honestitores, uma classe mais elevada de cidadãos chamados de "homens honrados", é muito provável que Agostinho tenha sido educado em latim. Aos onze anos, ele foi enviado para uma escola em Madauro (atual M'Daourouch), uma pequena cidade númida a apenas 30 quilômetros ao sul de Tagaste, e ali aprendeu literatura latina e as práticas e crenças pagãs. Foi ali também, por volta de 369 ou 370, que leu o diálogo perdido de Cícero, "Hortênsio", que o próprio Agostinho credita como responsável por despertar seu interesse em filosofia.

Professor de retórica

Entre 373 e 374, Agostinho ensinou gramática em Tagaste. No ano seguinte, mudou-se para Cartago para dirigir uma escola de retórica e lá permaneceu pelos nove anos seguintes. Perturbado pelo comportamento indomável de seus estudantes, fundou, em 383, uma escola em Roma, onde acreditava estarem os maiores e mais brilhantes retóricos. Porém, se desapontou com a apatia com que foi recebido pelas escolas romanas. Para piorar, seus estudantes, quando chegava o momento de pagar pelas aulas, simplesmente fugiam. Seus amigos maniqueístas então o apresentaram ao prefeito urbano, Símaco, que tentava conseguir um professor de retórica para servir na corte imperial em Mediolano (Milão). Agostinho conseguiu a posição e viajou para o norte para assumi-la no final de 384. Aos trinta anos de idade, já havia conquistado a mais visível de todas as posições acadêmicas do mundo latino, justamente numa época que tais postos eram portas de entrada para carreiras políticas. Neste período, embora demonstrasse algum fervor pelo maniqueísmo, jamais tornou-se um iniciado (um "eleito"), permanecendo um "ouvidor", o nível mais baixo da hierarquia da seita.

Conversão e sacerdócio

No verão de 386, depois de ouvir a história da vida de Santo Antão do Deserto por Placiano e seus amigos, Agostinho se converteu. Como ele próprio contou depois, a conversão foi incitada por uma voz infantil que ele ouviu pedindo-lhe para "tomar e ler" (em latim: tolle, lege), o que ele entendeu ser um comando divino para abrir a Bíblia, abri-la e ler a primeira coisa que encontrasse. Agostinho abriu na Epístola aos Romanos num trecho conhecido como "transformação dos crentes", os capítulos 12 ao 15, no qual Paulo delineia como o Evangelho transforma os crentes e seu comportamento. O trecho exato, segundo ele, foi; Ambrósio batizou Agostinho e seu filho Adeodato na Vigília da Páscoa de 387 em Mediolano. Um ano depois, em 388, Agostinho completou sua apologia "Sobre a Santidade da Igreja Católica". No mesmo ano, a família decidiu voltar para a África, mas Mônica morreu em Óstia, perto de Roma, quando se preparava para embarcar. Quando chegaram, passaram a viver aristocraticamente com os rendimentos auferidos pelas extensivas propriedades da família na região. Logo depois, Adeotato também faleceu e Agostinho, entristecido, vendeu todo seu patrimônio e deu o dinheiro aos pobres, mantendo apenas a casa da família, que ele converteu numa fundação monástica para si e alguns amigos.

Morte e veneração

Na primavera de 430, os vândalos, uma tribo germânica convertida ao arianismo, invadiram a África romana e cercaram Hipona. Agostinho, porém, já estava irremediavelmente doente. De acordo com Possídio, um dos poucos milagres atribuídos a ele, a cura de um doente, deu-se durante o cerco. Ainda segundo ele, Agostinho passou seus últimos dias em oração e penitência, com salmos pendurados nas paredes de seu quarto para que pudesse lê-los. Antes de morrer, ordenou que a biblioteca da igreja de Hipona e todos os seus livros fossem cuidadosamente preservados, e faleceu finalmente em 28 de agosto de 430. Logo em seguida, os vândalos desistiram do cerco, mas retornaram não muito depois e incendiaram a cidade, destruindo tudo menos a catedral e a biblioteca de Agostinho.

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Pensamento

Agostinho afirmou que os cristãos deveriam ser pacifistas como postura pessoal e filosófica. Apesar disso, afirmou que passividade perante uma grave injustiça que só pudesse ser detida com violência seria um pecado. A auto-defesa ou a defesa de outros pode ser uma necessidade, especialmente quando comandada por uma autoridade legítima. Apesar de não detalhar as condições necessárias para a guerra, Agostinho cunhou o termo "guerra justa" em sua obra "Cidade de Deus". Essencialmente, a busca pela paz deve incluir a opção de lutar para preservá-la no longo prazo. Uma guerra justa não pode ser preemptiva; deve ser defensiva e objetivar a restauração da paz. Tomás de Aquino, séculos depois, baseou-se na autoridade dos argumentos de Agostinho em sua tentativa de definir as condições nas quais uma guerra poderia ser considerada justa. Agostinho tentou e esforçou-se exaustivamente por compreender e desvendar o mistério da Santíssima Trindade e uma de suas principais obras, "Sobre a Trindade", é o resultado deste esforço. Após muito tempo de reflexão, esforço e trabalho, chegou à conclusão que nós, devido à nossa mente extremamente limitada, nunca poderíamos compreender e assimilar plenamente a dimensão (infinita) de Deus somente com as nossas próprias forças e o nosso raciocínio. Concluiu que a compreensão plena e definitiva deste grande enigma só é possível quando, na vida eterna, nos encontrarmos no Paraíso com o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Antropologia cristã

Agostinho foi um dos primeiros autores cristãos latinos a professar uma visão clara sobre a antropologia teológica ao defender o ser humano como a união perfeita de duas substâncias, o corpo e a alma. Em seu tratado tardio "Sobre os Cuidados com os Mortos" (420), por exemplo, defendeu o respeito ao corpo dos mortos afirmando que ele era parte da natureza humana. Uma das metáforas preferidas de Agostinho para ilustrar esta unidade é o matrimônio: caro tua, coniunx tua ("Seu corpo é sua esposa"). Ele acreditava que os dois elementos estavam inicialmente em perfeita harmonia, mas, depois da queda da humanidade, passaram a combater entre si de forma dramática. Afirmava também que os dois elementos são parte de duas categorias bem distintas. Enquanto o corpo é um objeto tri-dimensional composto de quatro elementos, a alma não tem dimensões espaciais e é composta por um tipo de substância adequada para governar o corpo e que é parte da razão. Agostinho não estava preocupado, como Platão e Descartes, em explicar em detalhes a metafísica envolvida nesta união. Bastava para ele admitir que os homens eram formados por duas substâncias metafisicamente distintas, sendo a alma superior ao corpo. Esta última afirmação baseada em sua própria classificação hierárquica para todas as coisas, classificando em ordem de importância as coisas que somente existem, as que existem e vivem e, finalmente, as que existem, vivem e tem inteligência ou dispõem da razão.

Astrologia

Os contemporâneos de Agostinho acreditavam que a astrologia era uma ciência exata e genuína; seus praticantes eram considerados como verdadeiros eruditos e chamados mathemathici. A disciplina tinha um importante papel na doutrina maniqueísta e Agostinho se sentiu atraído por este tipo de literatura quando jovem, fascinado principalmente pelos que alegavam poder prever o futuro. Posteriormente, já como bispo, costumava aconselhar seus fieis a evitarem astrólogos que combinassem ciências com horóscopos (é frequente que o termo mathematici nas obras de Agostinho seja traduzido como "matemático"). De acordo com ele, estes não eram verdadeiros estudantes de Hiparco ou Erastótenes e sim "vigaristas comuns".

Criação

Em "Cidade de Deus", Agostinho rejeitou tanto a imortalidade da raça humana proposta pelos pagãos quanto as ideias sobre "eras" comuns na sua época (como as pregadas por alguns gregos e pelos egípcios) e que diferiam dos escritos sagrados da Igreja. Em "A Interpretação Literal do Gênesis", Agostinho defende a posição que tudo no universo foi criado simultaneamente por Deus e não nos sete dias do calendário como requer uma interpretação literal do relato no Gênesis. Ele argumenta que a estrutura de seis dias para a criação apresentada ali representa um arcabouço lógico e não uma passagem de tempo física - o relato teria, portanto, um significado espiritual e não físico, mas, nem por isso, menos literal. Uma razão para esta interpretação é a passagem em Sirácida 18:1 (conhecido também como Eclesiástico), creavit omni simul ("Criou todas as coisas simultaneamente"), que Agostinho assumiu como prova de que os dias citados em Gênesis 1 não devem ser entendidos fisicamente. Agostinho também não acreditava que o pecado original tenha provocado mudanças estruturais no universo e chegou a sugerir que os corpos de Adão e Eva já teriam sido criados mortais antes da "queda". Finalmente, Agostinho reconhece que a interpretação da história da criação é difícil e lembra que devemos estar dispostos a mudar nossas ideias conforme novas informações forem aparecendo.

Eclesiologia

Agostinho desenvolveu sua doutrina sobre a Igreja principalmente como reação à controvérsia donatista. Segundo ele, há apenas uma Igreja, mas dentro dela há duas realidades, o aspecto visível (a hierarquia institucional, os sacramentos e os fiéis) e o invisível (as almas dos que estão na Igreja). O primeiro é o corpo institucional estabelecido por Cristo na terra que proclama a salvação e administra os sacramentos enquanto o segundo é o corpo invisível dos eleitos, composto pelos fiéis genuínos de todas as épocas, conhecido apenas por Deus. A Igreja, que é visível e social, é composta por "trigo" e "joio", ou seja, pelos bons e pelos maus (vide a parábola do Trigo e do Joio), até o fim dos tempos. Este conceito era diretamente contrário à suposição donatista de que apenas os que vivem num estado de graça eram parte da igreja "verdadeira" ou "pura" na terra e que sacerdotes e bispos que não estivessem em estado de graça não têm autoridade ou habilidade para conferir os sacramentos.:28 A eclesiologia de Agostinho foi desenvolvida principalmente na "Cidade de Deus". Na obra, ele concebe a Igreja como uma cidade ou um reino celestial governado pelo amor que triunfará no final sobre todos os impérios terrenos que são auto-indulgentes e governados pelo orgulho. Agostinho seguiu Cipriano ao defender que bispos e padres da Igreja são sucessores dos Apóstolos e que sua autoridade é conferida por Deus.

Escatologia

Agostinho originalmente acreditava no premilenialismo, ou seja, que Cristo iria literalmente fundar um reino de 1 000 anos na terra antes da ressurreição geral, mas rejeitou depois a crença afirmando que ela era "carnal". Ele foi o primeiro teólogo a expor uma doutrina sistemática do amilenialismo, embora alguns teólogos e historiadores cristãos acreditem que sua visão era mais próxima dos modernos pós-milenialistas. A Igreja medieval construiu seu sistema escatológico sobre o amilenialismo de Agostinho, no qual Cristo governa a terra espiritualmente através do triunfo da Igreja. Durante a Reforma, teólogos como João Calvino aceitaram a doutrina.

Pontos de vista epistemológicos

Preocupações epistemológicas permearam o desenvolvimento intelectual de Agostinho. Seus primeiros diálogos ("Contra academicos", 386; "De Magistro",389), ambos escritos logo depois de sua conversão, refletem o uso que ele fazia de argumentos céticos e demonstram o desenvolvimento de sua doutrina da iluminação interior. Agostinho também propôs o problema das outras mentes em diversas obras - mais famosamente talvez em "Sobre a Trindade" (VIII.6.9) - e desenvolveu o que viria a ser uma solução padrão: o argumento a partir da analogia a outras mentes. Ao contrário de Platão e outros filósofos anteriores, Agostinho reconheceu a centralidade do testemunho para o conhecimento humano e argumentou que o que os outros nos contam pode nos trazer novos conhecimentos mesmo se não tivermos razões independentes para acreditar em seus relatos testemunhais.

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Filosofia de ensino

Agostinho é considerado uma figura muito influente na história da educação e uma de suas primeiras obras, De Magistro ("Do Professor"), contém muitos de seus pensamentos sobre o tema. Durante sua vida, suas ideias foram mudando conforme foi encontrando novas direções ou formas melhores de expressa-las. Finalmente, já nos seus anos finais, escreveu as "Retratações" (ou "Reconsiderações"), revisitando suas obras mais antigas e melhorando alguns textos. A partir dela, fica claro que Agostinho acreditava que a educação era uma busca incansável por compreensão, significado e verdade que sempre deixa aberto o espaço para a dúvida, o desenvolvimento e a mudança. Gary N. McCloskey identificou quatro "encontros de aprendizado" ("aulas") na abordagem agostiniana à educação: as experiências transformadoras; a jornada em busca da compreensão, significado e verdade; o aprendizado com os outros em comunidade; e a criação dos hábitos de aprendizado. Segundo ele, Agostinho acreditava ainda que o diálogo, a dialética e a discussão eram as melhores formas de aprender e que este método deveria servir de modelo para as aulas.

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Morte e santidade

Pouco antes da morte de Agostinho, os vândalos, uma tribo germânica que haviam se convertido ao arianismo, invadiram o norte de África controlada até então pelo Império Romano do Ocidente. Os vândalos sitiaram Hipona na primavera de 430, quando Agostinho entrou em sua doença terminal. De acordo com Possídio, um dos milagres atribuídos a Agostinho, a cura de um homem doente, teria ocorrido durante este cerco. Agostinho teria se excomungado ao se aproximar da sua morte em um ato de penitência pública e solidariedade aos pecadores. Passando seus últimos dias em oração e arrependimento, ele pediu que os Salmos penitenciais de Davi fossem pendurados em suas paredes para que pudesse lê-los, o que o levou a "chorar livre e constantemente", de acordo com a biografia de Possídio. Enquanto dirigia a biblioteca da igreja em Hipona , ele ordenou todos os livros ali contidos deveriam ser cuidadosamente preservados, com agostinho acabando por morrer em 28 de agosto de 430. Pouco depois de sua morte, os vândalos abandonaram o cerco de Hipona, mas retornaram logo depois e queimaram a cidade, destruindo tudo, exceto a catedral e a biblioteca de Agostinho, que acabaram intocadas.

Relíquias

De acordo com o Verdadeiro Martirológio de Beda, o corpo de Agostinho foi posteriormente transladado para Cagliari, na Sardenha, pelos bispos católicos expulsos do Norte da África por Hunerico. Por volta de 720, seus restos mortais foram transportados novamente por Pedro, bispo de Pavia e tio do rei lombardo Liutprando, para a igreja de San Pietro in Ciel d'Oro em Pavia, para salvá-los dos frequentes ataques costeiros dos Árabes. Em janeiro de 1327, o Papa João XXII emitiu a bula papal Veneranda Santorum Patrum, na qual nomeou os agostinianos guardiões do túmulo de Agostinho (chamado Arca ), que foi reconstruido em 1362 e elaboradamente esculpido com baixos-relevos de cenas da vida de Agostinho, criadas por Giovanni di Balduccio.

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Visões e pensamentos

A grande contribuição das obras de Agostinho abrangeu diversos campos, incluindo a teologia, filosofia e sociologia. Junto com João Crisóstomo, Agostinho foi um dos estudiosos mais prolíficos da igreja primitiva em quantidade.

Teologia

Agostinho foi um dos primeiros autores latinos cristãos antigos com uma visão muito clara da antropologia teológica. Ele via o ser humano como uma unidade perfeita de alma e corpo. No seu último tratado Sobre os cuidados a ter com os mortos, secção 5 (420), ele exortou o respeito pelo corpo, alegando que este pertencia à própria natureza da pessoa humana. A figura favorita de Agostinho para descrever a unidade corpo-alma é o casamento: caro tua, coniunx tua – teu corpo é tua esposa. Agostinho acreditava que, embora inicialmente os dois elementos, corpo e alma, estivessem em perfeita harmonia, após a queda da humanidade eles entraram em combate dramático um com o outro. Ele escreveu sobre eles como duas coisas categoricamente diferentes: o corpo como um objeto tridimensional composto pelos quatro elementos e a alma como espacialmente adimensional. Ele definiu ainda a alma como uma espécie de substância, participante da razão, adequada para governar o corpo.

Filosofia

Os contemporâneos de Agostinho frequentemente acreditavam que a astrologia era uma ciência exata e genuína. Seus praticantes eram considerados verdadeiros homens de conhecimento e chamados de matemáticos. A astrologia desempenhou um papel importante na doutrina maniqueísta, e o próprio Agostinho foi atraído por seus livros em sua juventude, sendo particularmente fascinado por aqueles que alegavam prever o futuro. Mais tarde, como bispo, ele alertou que se deveria evitar astrólogos que combinam ciência e horóscopos. (O termo "mathematici" de Agostinho, que significa "astrólogos", às vezes é mal traduzido como "matemáticos".) De acordo com Agostinho, eles não eram estudantes genuínos de Hiparco ou Eratóstenes, mas "vigaristas comuns".

Sociologia, moral e ética

Agostinho foi um dos primeiros a examinar a legitimidade das leis do homem e tentar definir os limites das leis e direitos que ocorrem naturalmente, em vez de serem impostos arbitrariamente por mortais. Todos os que têm sabedoria e consciência, conclui ele, são capazes de usar a razão para reconhecer a lex naturalis, a lei natural. A lei mortal não deve tentar forçar as pessoas a fazer o que é certo ou evitar o que é errado, mas simplesmente a permanecerem justas. Portanto, " uma lei injusta não é lei ". As pessoas não são obrigadas a obedecer às leis injustas, aquelas que a sua consciência e a sua razão lhes dizem que violam as leis e os direitos naturais.

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Obras

Agostinho foi um dos mais prolíficos autores latinos em termos de obras sobreviventes e a lista de seus trabalhos tem mais de cem títulos diferentes. Entre eles estão obras apologéticas contra as heresias dos arianos, donatistas, maniqueístas e pelagianos; textos sobre a doutrina cristã, principalmente "De Doctrina Christiana" ("Sobre a Doutrina Cristã"); obras exegéticas como comentários sobre o Gênesis, os Salmos e a carta de Paulo aos Romanos; diversos sermões e cartas; e uma "Retractationes", uma revisão de suas primeiras obras escrita no final de sua vida. Além destas, Agostinho é também bastante conhecido por suas "Confissões", que é um relato pessoal de seus primeiros anos, e pela "Cidade de Deus" (De Civitate Dei; em 22 livros), que ele escreveu para restaurar a confiança aos seus companheiros cristãos abalados pelo saque de Roma pelos visigodos em 410. Sua "Sobre a Trindade", na qual ele desenvolve a tese conhecida como "analogia psicológica" da Trindade, é uma de suas obras primas e possivelmente uma das maiores obras teológicas de todos os tempos. Finalmente, Agostinho escreveu ainda "Sobre a Livre Escolha da Vontade" ("De libero arbitrio"), que trata do motivo pelo qual Deus dá aos homens o livre arbítrio que depois pode ser usado para realizar o mal.

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Influência

Tanto em sua argumentação filosófica quanto na teológica, Agostinho foi fortemente influenciado pelo estoicismo, platonismo e neoplatonismo, particularmente pela obra de Plotino, o autor das "Enéadas", provavelmente por intermédio de Porfírio e Vitorino (como defendeu Pierre Hadot). Embora ele tenha depois abandonado o neoplatonismo, algumas ideias ainda transparecem em suas primeiras obras. Sua obra primal e influente sobre o livre arbítrio, um tema central da ética, tornar-se-ia o foco de filósofos posteriores como Schopenhauer, Kierkegaard e Nietzsche. Agostinho foi influenciado também por Virgílio (conhecido por suas obras sobre a linguagem), Cícero (conhecido por suas obras sobre a argumentação) e Aristóteles (principalmente a "Retórica" e a "Poética"). Tomás de Aquino foi fortemente influenciado por Agostinho. No tema do pecado original, Aquino propôs uma visão mais otimista do homem que a de Agostinho ao preservar os poderes da razão, vontade e das paixões do homem caído mesmo depois da queda. A doutrina de Agostinho sobre a graça eficaz encontrou uma eloquente expressão na obra de Bernardo de Claraval.

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Cultura popular

Agostinho foi interpretado por Dary Berkani no filme para televisão de 1972 "Augustine of Hippo". Ele foi interpretado também por Franco Nero na mini-série de 2010 "Augustine: The Decline of the Roman Empire" e no filme de 2012 "Restless Heart: The Confessions of Saint Augustine" O nome moderno está ligado à Família Agostinelli. Bob Dylan gravou uma música chamada "I Dreamed I Saw St. Augustine" em seu álbum "John Wesley Harding". O artista pop Sting homenageou de certa forma as lutas de Agostinho contra o desejo na música "Saint Augustine in Hell" ("Santo Agostinho no Inferno") que aparece no álbum de 1993 do cantor, "Ten Summoner's Tales".

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