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Mesoamérica

Mesoamérica é o termo com que se denomina a região do continente americano que inclui aproximadamente o sul do México, e os territórios da Guatemala, El Salvador e Belize bem como as porções ocidentais da Nicarágua, Honduras e Costa Rica. Várias civilizações pré-colombianas entre as mais avançadas e complexas de toda a América desenvolveram-se aqui ao longo dos séculos anteriores à conquista espanhola do México, incluindo olmecas, teotihuacanos, astecas e maias. Trata-se de uma macrorregião cultural de grande diversidade étnica e linguística, cuja unidade cultural está baseada no que Paul Kirchhoff definiu como o complexo mesoamericano.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
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Complexo mesoamericano

Entre outras coisas, o chamado complexo mesoamericano inclui a agricultura do milho, o uso de dois calendários (um deles ritual com 260 dias e outro civil, com 365 dias), os sacrifícios humanos e a organização estatal das sociedades. O complexo mesoamericano serviu como ferramenta teórica para distinguir os povos desta região relativamente a outras macrorregiões culturais que os circundavam, como a Aridoamérica e a Oasisamérica. O primeiro destes dois termos foi também cunhado por Kirchhoff. Nas fontes de língua inglesa, estas duas macrorregiões são agrupadas no sudoeste estadunidense (sendo por vezes incluídas, de forma errada, como periféricas as culturas do bajío ou o norte da Mesoamérica). A homogeneidade do processo civilizacional mesoamericano tem sido criticada, especialmente por autores de origem anglo-saxónica, como Michael D. Coe. Nas suas críticas, estes autores salientam as diferenças entre os diferentes povos que habitaram esta região (por exemplo, ao estabelecer uma distinção entre o que chamam México - apesar do México ser uma entidade moderna nascida no século XIX - e a área maia (Coe, 1996). No entanto, desde os pontos de vista teóricos utilizados pelos arqueólogos e antropólogos como Palerm (1972), López Austin y López Luján (1996), ou Duverger (1994), têm prioridade as características culturais que podem encontrar-se nas diversas áreas culturais englobadas na macrorregião mesoamericana. A difusão destes traços culturais deve-se à interação das diversas etnias que viveram neste território ao longo de milénios.

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Contexto ecológico

As terras mesoamericanas situam-se entre os 10º e 22º de latitude norte. Incluem a região que se estende desde a zona central do México, ao istmo de Tehuantepec, a península do Iucatão, Guatemala, Belize, El Salvador e as zonas costeiras do Pacífico de Honduras, Nicarágua e Costa Rica até ao golfo de Nicoya. Trata-se de uma combinação complexa de vários sistemas ecológicos. Michael Coe agrupa os diferentes nichos em terras altas (aquelas situadas a altitudes entre os 1 000 e os 2 000 m), conhecidas como planaltos; e terras baixas, com altitudes próximas do nível do mar, abaixo dos 1 000 m de altitude. No primeiro grupo destaca-se a sua grande diversidade climática, que inclui desde os climas frios de montanha ao clima tropical seco. Predominam, no entanto, os climas temperados com chuvas moderadas. Nas terras baixas predominam os climas subtropicais ou tropicais, como nas costas do Golfo do México e do Mar das Caraíbas.

Terras altas

Alguns dos vales das terras altas da Mesoamérica possuem solos férteis com aptidão agrícola. É este o caso dos vales de Oaxaca, de Puebla-Tlaxcala e do México. Ainda assim, a sua localização entre as montanhas impede a passagem das nuvens. Esta situação é especialmente crítica nos vales de terra quente da Mixteca, talvez os mais secos das terras altas. Além da escassez de chuva, existem poucos cursos de água, e apenas de caudal reduzido. As primeiras investigações arqueológicas na Mesoamérica pareciam mostrar que o clima deveria ter sido mais benigno no passado. No entanto, com o passar dos anos e com o aprofundamento do conhecimento sobre a região, sabe-se agora que o clima não devia ser muito diferente do actual, ainda que os ecossistemas mostrem um grau de desgaste importante, fruto da actividade humana. Uma boa parte das terras altas apresenta evidências de uma desflorestação antiga, e várias espécies desapareceram dos seus antigos habitats.

Terras baixas

Bem diferente era a situação nas terras baixas. Especialmente no sudeste da costa do Golfo do México, as chuvas são demasiado abundantes. As selvas tropicais de vegetação espessa cobriam uma grande parte das planícies costeiras, e isto representava um obstáculo ao desenvolvimento da agricultura. Nestes lugares, tanto a vegetação como o excesso de água representavam um problema, o que levou os antigos mesoamericanos a idealizar sistemas de drenagem, cujos vestígios se podem observar na região de Chontalpa em Tabasco, onde subsistem os chamados camellones chontales. Por outro lado, a fauna de que dispunham os povos mesoamericanos não era facilmente domesticável. Muitos milénios antes do início da civilização na Mesoamérica, as principais espécies de mamíferos passíveis de serem domesticados haviam desaparecido devido à caça excessiva. Foi este o caso do cavalo e de algumas espécies bovinas. Este facto explica por que os povos desta região não tinham animais de carga e por que a civilização mesoamericana era exclusivamente agrícola. As únicas espécies domesticadas foram o xoloitzcuintle e o peru, mas nunca fizeram parte da dieta e da economia da maioria dos povos mesoamericanos. Não obstante o anterior, as sociedades da região praticavam a caça de outras espécies, quer como complemento à sua dieta (veados, coelhos, aves, numerosas ordens de insectos), ou como artigos de luxo (peles de felinos, como o jaguar e aves de plumagens vistosas, como o quetzal).

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Áreas culturais

Denominam-se áreas culturais as regiões habitadas por povos que partilham vários elementos em comum, seja pela sua ausência ou presença nos sistemas culturais. Isto não significa que todos os povos agrupados numa mesma área cultural constituam uma unidade étnica: em muitos casos, nem sequer partilham o mesmo idioma. Este facto não obsta a que possa existir interação entre eles, quer em virtude das suas relações políticas, comerciais ou por simples contiguidade geográfica. Segue-se uma caracterização sumária das diferentes áreas culturais do México, baseada no Atlas del México Prehispánico (2000), e no Atlas Histórico de Mesoamérica (Manzanilla y López Luján, 1989). A área conhecida como Centroamérica (não confundir com América Central), ocupa as costas pacíficas de El Salvador, Honduras, Nicarágua e a península de Nicoya na Costa Rica. Trata-se de uma região de clima tropical, com actividade sísmica importante, incluindo também os dois grandes lagos da América Central: o lago Nicarágua e o lago Manágua. Como no caso da região Norte, a Centroamérica fez parte da Mesoamérica apenas temporariamente. Costuma considerar-se que os povos centro-americanos formam parte da chamada zona de transição entre o mundo andino e a Mesoamérica. Os primeiros contactos com a área nuclear da Mesoamérica ocorreram no período pré-clásssico, como indica a influência olmeca nesta região. No entanto, no período clássico, as relações foram interrompidas e a Centroamérica recebeu um maior influxo das culturas do planalto colombiano. Exemplo disto é o desenvolvimento da metalurgia na Centroamérica, muito anterior ao que se verificou nos restantes povos mesoamericanos. No entanto, nos sítios salvadorenhos de Tazumal, San Andrés e outros, é visível a influência de Teotihuacan, Copán e outros sítios maias. No período pós-clássico, toda esta área ficou novamente incluída na esfera mesoamericana, sendo invadida por povos como os pipiles e nicaraos, falantes do nahuat, um dialecto do idioma falado pelos mexicas e percebe-se na cultura e arquitectura a influência de toltecas e astecas.

México Central

Uma das áreas mais importantes durante a história pré-hispânica do México, foi a que se conhece como México Central. Esta área é constituída pelos vales temperados a frios situados na parte meridional do planalto mexicano e a norte da bacia do rio Balsas. Trata-se de um nicho ecológico caracterizado pelo seu clima temperado e pela ausência de cursos de água importantes. As chuvas, por outro lado, ocorrem entre os meses de abril e setembro, não sendo demasiado abundantes. Este facto motivou o desenvolvimento, desde muito cedo, de obras hidráulicas, entre as quais se encontram a canalização de rios e os sistemas de levadas nas encostas dos montes.

Área Maia

A Área Maia é uma das maiores da Mesoamérica. Alguns autores dividem-na em dois sectores: a península do Iucatão, a norte, e as Terras Altas, no sul. A primeira engloba, além da península iucateca, a região de Petén e o Belize. Trata-se de uma zona de terras baixas e clima quente, fustigada pelos furacões e tempestades tropicais provenientes do Mar das Caraíbas. Em termos geomorfológicos esta região é uma plataforma calcária, elevada apenas em direcção a sul, onde os Montes Maias rompem a planura da paisagem. Carece de cursos de água superficial, pois o solo é demasiado permeável, sendo abundantes os cenotes. Por outro lado, as Terras Altas englobam os Altos de Guatemala e os Altos de Chiapas. É uma região de clima temperado frio, com chuvas abundantes. As encostas das montanhas encontram-se cobertas por uma vegetação espessa a qual ameaça o desenvolvimento da agricultura. As Terras Altas não estão menos expostas aos ciclones tropicais, que com alguma frequência provocam danos na zona.

Oaxaca

A região de Oaxaca foi desde a época mesoamericana uma das mais diversas. Trata-se de um território extremamente montanhoso, limitado pela Sierra Madre del Sur e pelo escudo Mixteco. Inclui uma porção da bacia do rio Balsas, caracterizada por sua secura e relevo complicado. Nesse sentido, parece-se bastante à região do México Central. Foram dois os cenários principais da história cultural dos povos de Oaxaca. Por um lado, os vales centrais de Oaxaca viram surgir o desenvolvimento da cultura zapoteca, uma das mais antigas e conhecidas no âmbito mesoamericano. Esta cultura desenvolveu-se a partir dos vários caciquismos regionais que controlavam a terra de cultivo (muito fértil, ainda que demasiado seca) dos pequenos vales de Etla, Tlacolula e Miahuatlán. Alguns dos primeiros exemplos de grande arquitectura na Mesoamérica pertencem a esta região, como o centro cerimonial de San José Mogote. A hegemonia deste centro cerimonial na região dos vales passou depois para Monte Albán, a capital clássica dos zapotecos. A queda de Teotihuacan no século VIII permitiu o apogeu da cultura zapoteca. Ainda assim, a cidade de Monte Albán foi abandonada no século X, dando lugar a uma série de centros regionais que disputavam entre si a hegemonia política.

Guerrero

Tradicionalmente considera-se Guerrero como uma região pertencente à área Ocidente. No entanto, as descobertas mais recentes reorientaram a divisão das áreas culturais mesoamericanas, e nos trabalhos académicos dos últimos tempos Guerrero aparece como uma área cultural independente. Guerrero ocupa aproximadamente a área correspondente ao estado mexicano do mesmo nome, localizado no sul do México. Pode dividir-se em três regiões com características diferentes: a norte, a depressão do rio Balsas, onde este curso de água tem a maior influência sobre a configuração da geografia regional. A depressão do Balsas é uma região baixa, de clima quente e chuvas escassas, cuja secura é minorada pela presença do rio Balsas e seus numerosos afluentes. A parte central corresponde à Sierra Madre del Sur, região rica em depósitos minerais e com escassas potencialidades agrícolas. A parte sul da área guerrerense é constituída pela costa do Pacífico, uma estreita planície costeira, repleta de manguezais e palmeiras, fustigada pelos furacões do Pacífico.

Ocidente

O Ocidente é uma das zonas menos conhecidas da Mesoamérica. Trata-se de uma extensa região, que inclui as encostas da Sierra Madre Occidental, uma parte da Sierra Madre del Sur e a bacia média e baixa do rio Lerma. Os contrafortes da montanha estavam cobertos de bosques de pinheiros e carvalhos, cuja extensão tem diminuído devido à actividade silvícola. A terra tem aptidão agrícola pela sua fertilidade e pela disponibilidade de recursos hídricos, especialmente na planície costeira de Sinaloa, no bajío e na meseta Tarasca. Os climas variam desde frio de montanha no oriente de Michoacán, até ao clima tropical das costas de Nayarit. A região foi habitada por povos de fala uto-asteca, como os coras, huichol e tepehuanos. A incorporação destes povos na esfera da civilização mesoamericana foi muito gradual, e presume-se que os primeiros avanços na cerâmica da região estiveram ligados às tradições dos povos andinos do Equador e Peru. As mudanças que afectaram as restantes regiões de forma clara são menos observáveis no Ocidente, por isso, as tradições culturais do período pré-clássico, como as de Colima, Jalisco e Nayarit ou a dos túmulos de poço, sobreviveram até bem dentro do período clássico (150-750/900d.C.). A mais conhecida das sociedades do Ocidente é a purépecha ou tarasca, que rivalizou no século XV com o poderio dos mexicas.

Norte

A zona Norte da Mesoamérica formou parte desta superárea cultural apenas durante o período clássico (150-750 d.C.), altura em que o apogeu de Teotihuacan e o crescimento da população favoreceram as migrações em direcção ao norte bem como o comércio com as longínquas terras da Oasisamérica. Trata-se de um território plano, situado entre as Sierra Madre Oriental e Occidental. O clima é seco, quase desértico, e a vegetação é escassa, pelo que a agricultura no norte só foi possível mediante a canalização dos cursos de água superficiais (entre os quais se destaca o rio Pánuco e os afluentes do rio Lerma) e ao armazenamento da água da chuva. A excessiva dependência do bom clima levou os povos do norte da Mesoamérica a abandonar a região em meados do século VIII, altura em que enfrentaram uma seca prolongada e as invasões de povos oriundos da Aridoamérica.

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A cronologia das culturas da Mesoamérica

A Mesoamérica distingue-se por ter sido a primeira região da América em que se desenvolveram civilizações complexas. Os primeiros sinais da presença humana na Mesoamérica foram encontrados num local de abate de mamutes em Santa Isabel Ixtapan, no vale do México, perto de Texcoco. Juntamente com os restos de um mamute desmembrado encontrou-se uma grande variedade de ferramentas de sílex e obsidiana, estimando-se que este local date de 7 700 a 7 300 a.C. A primeira civilização complexa conhecida na Mesoamérica é a dos olmecas, que habitaram a região costeira do golfo do México durante o período pré-clássico inicial, a partir de 1300 a.C., com apogeu entre 1150 e 700 a.C. nos sítios de La Venta e San Lorenzo Tenochtitlan. Foram encontrados vestígios de outras culturas iniciais, possivelmente ligadas aos olmecas em Abaj Takalik e Izapa. No período pré-clássico tardio e no sul da Mesoamérica, a civilização maia clássica evoluía em locais como Kaminaljuyú, Edzná,Cobá e Lamanai. A civilização maia clássica atingiu o seu apogeu em locais como Palenque, Tikal, Copán, entre outros. Entretanto, nas terras altas de Oaxaca floresciam os reinos zapotecas de Monte Albán.

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Características da civilização mesoamericana

Ao delimitar geograficamente a área mesoamericana, Paul Kirchoff propõe também uma série de características que definem as culturas desta região e que são comuns a todas elas. Entre estes traços culturais sublinha o uso de dois calendários (um ritual de 260 dias e outro de 365 dias), um sistema de numeração de base vinte e a escrita pictográfico-hieroglífica, o sacrifício humano, o culto a certas divindades (em que sobressaem os cultos às divindades da água, fogo e a Serpente Emplumada, entre outros. Apesar de Paul Kirchoff haver dado uma definição geral da Mesoamérica, actualmente aquela vai mais além de simples critérios materiais (cultivo do milho, utilização do algodão, politeísmo, etc.), e inclui aspectos culturais que tem as suas raízes nas primeiras sociedades sedentárias da região. Christian Duverger argumenta que o expoente máximo da civilização mesoamericana foi a civilização mexica. No entanto, esta afirmação tem sido contestada por outros autores (como López Austin, López Luján e Florescano), os quais sustentam que a civilização mesoamericana é o resultado da participação de múltiplos povos com crenças diferentes. Apesar da diversidade étnica, a Mesoamérica alcançou um grau de relativa homogeneidade graças aos contactos existentes entre as diferentes regiões por meio de trocas comerciais ou campanhas militares.

Calendário de 260 dias

O calendário de 260 dias Tonalpohualli, cuja aparição remonta a 1 200 a.C., reflecte a evolução do costume de medir o tempo, não só para saber em que dias semear, que celebrações religiosas celebrar, ou como se movimentam os astros, mas também com fins divinatórios. Os nomes utilizados para identificar os dias, os meses e os anos no mundo mesoamericano têm origem, em grande parte, na visão mágico-religiosa que os habitantes da Mesoamérica tinham do meio natural em que estavam inseridos no período pré-clássico: animais, flores, os astros e a morte. Este calendário está presente em todas as zonas culturais da Mesoamérica.

Escrita glífica

A escrita glífica e o seu estudo têm passado por diversas etapas. Desde os primeiros estudos discute-se se o sistema glífico mesoamericano (excluindo o sistema maia) é evidência de um sistema de sinais que expressavam ideias, principalmente religiosas não utilizando a fonética. Relativamente ao uso de elementos pictográficos e sua relação com os ícones, a escrita mesoamericana sempre conteve uma grande variedade de significados, não apenas uma visão artística, mas também religiosa e cultural. Os glifos incluem personagens, animais, topónimos, entre outros, que estão presentes em todas as culturas mesoamericanas, incluindo Teotihuacan, onde as imagens são belas e artisticamente elaboradas. Predominam os glifos pictográficos e ideográficos.

Oferendas à terra

O enterramento de ricas oferendas dadas à terra, nos centros cerimoniais, tem a sua origem no início da sedentarização de grupos outrora nómadas. Os espaços cerimoniais e seculares eram delimitados, como forma de estabelecer uma ordem cósmica na terra, que justificava o domínio das classes governantes sobre a restante sociedade. Eram típicas as oferendas aos deuses originais, o antigo fogo do vulcão e a Mãe Terra. A oferta de todos os indivíduos duma comunidade consistia num montículo de terra, e mais tarde, na construção de pirâmides. Estas estruturas seriam depois utilizadas como altares para ofertas e outras cerimónias religiosas. As oferendas eram importantes para os centros cerimoniais: davam-lhes os poderes ideológico e religioso. A ocorrência de saques das oferendas efectuadas indica algo mais que a busca de riquezas: era uma forma de debilitar e/ou erradicar o poder religioso e político dum centro cerimonial. O significado real das oferendas está ainda por esclarecer, mas pensa-se que cada objecto tivesse um poder mágico, independentemente da sua antiguidade.

Sacrifícios humanos

Quando se fala de sacrifícios humanos, não se trata simplesmente de matar por gosto. O acto de sacrificar tem um grande significado religioso-político. O sacrifício significa a renovação da energia cósmica divina pois os deuses deram a vida ao homem, sacrificando a sua própria. O homem deverá entregar a sua vida para manter a ordem divina estabelecida. O sangue é sinónimo de vida na crença mesoamericana: o sangue humano é o líquido que sacia a sede dos deuses (neste caso o deus Sol), sendo parcialmente constituído de sangue dos deuses. Com o sangue revitalizam-se não só as divindades, mas também a própria terra, as plantas e os animais (como a águia e o jaguar). O sangue é, tal como a água, necessário à vida na terra e à vida celestial.

Politeísmo

O aumento do número de divindades mesoamericanas deu-se graças à incorporação de elementos ideológico-religiosos novos na religião primitiva (cujas divindades eram Fogo, Terra, Água e Natureza) como as divindades astrais (Sol, estrelas, constelações, Vénus) e suas representações em esculturas antropozoomórficas, antropomórficas, zoomórficas ou formas de objectos quotidianos. As qualidades dos deuses bem como os seus atributos mudaram através dos tempos e da influência cultural de outros grupos mesoamericanos. Deuses que são três entes cósmicos diferentes e ao mesmo tempo um só. A religião mesoamericana tem uma outra característica importante: a existência de dualismo entre as divindades, com o enfrentamento entre polos opostos: positivo, exemplificado pela luz, o masculino, a força, a guerra, o sol, etc.; e o negativo, as trevas, o feminino, o sedentarismo, a paz, a lua, etc.

Sistema dualista de pensamento

Entende-se por pensamento dualista a capacidade dos indígenas em pensar os contrários de um modo único, estando este modo de pensamento patente quer na religião quer na política, nas crenças populares e nos comportamentos quotidianos. Este tipo de pensamento nasceu da sobreposição entre os nahuas e os autóctones da Mesoamérica, isto é, duma fusão cultural entre ambos. Existem inúmeras manifestações deste tipo de pensamento, mas apenas se considerarão as mais representativas: o nagualismo e o jogo da bola. Entende-se por nagualismo a capacidade do ser humano em encarnar um aspecto animal ou a prática do nahual. Esta palavra designa a encarnação animal de um homem ou ainda o homem que tem o poder de encarnar-se nesse animal, mas no fundo esta crença é a afirmação de que se pode ser homem e animal ao mesmo tempo. Ao contrário do totemismo, que tem um valor colectivo, é algo estritamente individual. Existem naguales muito conhecidos como o jaguar ou a águia, mas também de animais mais modestos como o xoloitzcuintle, o armadilho (dasipodídeos; clamiforídeos), o tlacuache, etc.

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Arqueologia

O desenvolvimento tecnológico possibilitou novos achados científicos, como por exemplo, o Lidar. Utilizado nesse contexto para descobrir a localização de Valeriana, conforme publicado pela revista Reuters: "Archeologists in Mexico have discovered a huge, lost Mayan city, which they named Valeriana, hidden deep in the southern jungle of Campeche -- a sprawling, urban settlement, replete with architectural marvels and agricultural infrastructure. (...) Valeriana was discovered by chance thanks to Lidar, or Light Detection and Ranging, a technology that uses lasers to map and analyze archaeological landscapes." A análise de DNA Ambiental é uma técnica que pode ser utilizada para identificar espécies vegetais na região de Yaxnocah, no sul da Península de Yucatán, contribuindo para entender práticas como manejo de água, agrofloresta e adaptação agrícola. Podemos ver essa técnica sendo utilizada no trabalho apresentado na revista Frontiers: "Agricultural adaptation, agroforestry, and water management were key for the ancient Maya to guarantee wellbeing and survival. During the Preclassic Maya occupation, upland and scrub vegetation were present in the area, though with fluctuating cover and distribution over time. Pine savanna may have been induced by anthropogenic burning or by a successional pathway to open vegetation types in drier times during the Preclassic period."

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