Palácio Real de Madrid
O Palácio Real de Madrid, também denominado de Palácio de Oriente e, durante a Segunda República Espanhola, de Palácio Nacional, é a residência oficial do Rei de Espanha, situado em Madrid, a capital espanhola. Com uma área de 135 mil m² e 3.418 quartos, é o maior palácio em funcionamento da Europa.
As origens do Palácio Real de Madrid remontam ao século IX, quando o emir do Emirado de Córdova, Maomé I, construiu uma edificação defensiva. Dois séculos mais tarde, após a sua conquista por Afonso VI de Castela, o primitivo castelo muçulmano transformou-se num alcázar, o qual seria ampliado sucessivamente pela Coroa ao longo dos séculos, até converter-se na sede da Corte com Filipe II de Espanha. O Real Alcázar de Madrid sucumbiu a um incêndio na Noite de Natal de 1734 e que duraria três dias (entre 24 e 27 de Dezembro). Foi Filipe V quem desejou que se construísse o palácio no mesmo lugar, simbolizando a continuidade da Monarquia Espanhola com a Casa de Bourbon. Para substituir o incendiado Alcázar pensou-se no arquitecto italiano Filippo Juvarra, mas o falecimento deste em 1736 determinou que o projecto fosse adjudicado a Giovanni Battista Sachetti, discípulo do anterior. Sachetti viu-se obrigado a modificar os planos do mestre que o havia projectado no sentido horizontal (e noutro lugar: os Altos de Leganitos), para poder adaptar-se ao menor espaço disponível; teve, assim, de ampliar para seis os três andares planeados por Juvarra, recorrendo aos entrepisos, frequentes na arquitectura italiana.
O interior do edifício destaca-se pela sua riqueza, tanto pelo uso de todo o tipo de materiais nobres como por estar ricamente decorado por artistas como Goya, Velázquez, El Greco, Rubens, Tiepolo, Mengs e Caravaggio. Também são mantidas no palácio diversas colecções reais de grande importância histórica, incluindo a Armaria Real, com armas e armaduras que datam do século XIII em diante, assim como a maior colecção mundial de Estradivários, as colecções de tapeçarias, porcelana, mobiliário e outras obras de arte de grande importância histórica.
Os elementos mais significativos do interior
A Escadaria Principal é o resultado de uma modificação de Sabatini sobre o projecto original de Sachetti, que a havia desenhado com outro tramo idêntico. A reforma realizou-se por desejo de Carlos III, já que lhe parecia inadequado o ingresso às habitações Reais, uma vez que com a escadaria dupla não havia mais que uma obscura passagem que dava acesso aos salões oficiais a partir da escadaria. Além disso, com esta modificação, podia usar-se o espaço do tramo encerrado para construir um grande salão de baile, actualmente conhecido como Salão de Colunas. Os degraus da escadaria, fabricados em mármore de San Pablo (Toledo), estão lavrados, cada um, numa única peça de cinco metros de comprimento e escassa altura, tendo, portanto, uma subida pouco pronunciada. A escadaria tem um único braço desde a sua base até ao primeiro patamar, onde se divide em dois braços paralelos com balaustrada, a qual está adornada com leões de mármore, obra de Felipe de Castro e Roberto Michel. A abóbada está decorada com estuques brancos e dourados, além de pinturas de Corrado Giaquinto, chamado por Fernando VI para a composição pictórica que representa "O Triunfo da Religião e da Igreja".
O Palácio Real de Madrid tem uma grande e variada quantidade de colecções artísticas da mais diversa índole, que vai desde a pintura à Real Farmácia com os seus potes: As colecções mais significativas são as seguintes: Durante o reinado de Filipe II, quando a Real Farmácia se converteu num apêndice da Casa Real com ordem para abastecê-la de medicamentos, função que ainda mantém. A Real Farmacia que existe na actualidade foi fundada como Museu de Farmacia em 1964. As salas de destilação e as duas salas adjacentes à farmácia foram reconstruídas tal como eram durante os reinados de Afonso XII e Afonso XIII. Os frascos são anteriores e são formados por frescos realizados nas fábricas da Granja de San Ildefonso e de Porcelana do Buen Retiro, mas também existem utensílios fabricados em louça de Talavera no século XVII. Considerada, juntamente com a Armaria Imperial de Viena como uma das dos melhores do mundo, a Armaria Real é formada por peças que vão do século XV em diante. São de destacar as peças de torneio realizadas para Carlos V e I e Filipe II pelos principais mestres armeiros de Milão e Augsburgo. Entre as peças mais apelativas sobressaem a armadura e instrumentos completos que o Imperador Carlos V e I empregou na Batalha de Mühlberg, e com os quais foi retratado por Tiziano no famoso retrato equestre do Museu do Prado. Infelizmente, partes da armaria perderam-se durante a Guerra Peninsular e a Guerra Civil Espanhola.
Pintura
O que conserva o palácio são os restos da grande colecção Real, uma vez que a maior parte passou a formar parte do Museu do Prado no século XIX. Conta-se que Fernando VII decretou a fundação do Prado para desfazer-se de tantos quadros, pois preferia decorar o palácio com papéis pintados e candeeiros, à moda francesa. Além dos valiosos afrescos de Tiepolo e outros, destacam-se no palácio vários quadros de Francisco de Goya, como dois pares de retratos, com diferentes trajos, de Carlos IV e sua esposa, Maria Luísa de Parma. O Prado possui exemplares de dois deles, mas são cópias pintadas por Agustín Esteve, sendo os do palácio os autênticos. De Diego Velázquez existem alguns exemplos de menor interesse. Outros autores mencionados nos inventários são Peter Paul Rubens, Giovanni Battista Tiepolo, Anton Raphael Mengs, Caravaggio, com um famoso quadro de Salomé, assim como Luca Giordano, pintor napolitano que trabalhou ao serviço de Carlos II. Retratistas da Corte bourbónica, como Louis-Michel van Loo, Winterhalter e Laszlo, contam também com uma presença lógica. Watteau, figura chave do Rococó francês, conta com duas pinturas, das poucas obras suas existentes em Espanha. As obras estão distribuidas pelos salões e por uma zona habilitada como museu de pintura, embora seja previsível que pelo menos uma parte seja levada para o futuro Museu de Colecções Reais.
Escultura
No Palácio Real as séries de escultura são de importância menor em relação à colecção de pintura, mas a série do século XVII, procedente do anterior Alcázar, é de um carácter excepcional. Os principais escultores representados são Mariano Benlliure, Gian Lorenzo Bernini, Antoine Coysevox e Agustín Querol. Sobressai a série de "Os Planetas" do Salão do Trono.
Mobiliário
O grande valor do mobiliário do palácio reside na sua autenticidade, pois são muito poucos os móveis de estilo moderno presentes nos seus salões (situados principalmente nos aposentos privados). A maior parte dos móveis correspondem à época de construção do palácio e reinados sucessivos, mostrando uma série ininterrupta de estilos rococó, neoclássico, império e isabelino. Algumas das séries de móveis mais importantes encontram-se nos salões de Gasparini, Trono e Espelhos. Cabe destacar "A Mesa das Esfinges", de estilo império, situada no Salão de Colunas, sobra a qual se assinou a entrada da Espanha na União Europeia.
Relógios
Considerada a maior e melhor colecção de relógios da Espanha, também é uma das principais no mundo. O relógio denominado de "El Calvário", do século XVII e construído em Nuremberga, é o mais antigo, enquanto que a existência de um grande número de relógios da época império se deve à aficção pelos relógios do Carlos IV. Há a destacar um relógio oferecido pelo presidente do Peru ao Rei Afonso XIII em 1906, e construído em 1878, pela riqueza de materiais usados para a sua elaboração, como o ouro, prata marfim, etc. A importância da colecção de relógios radica sobretudo nos relógios de época em estilo rococó, construídos para o Rei Fernando VI pelo relojoeiro suiço Jacquet Droz.
Porcelanas
No palácio existem porcelanas de todas as épocas, estilos e procedências, sendo as mais valiosas as pertencentes aos serviço das bodas dos reis Carlos III e Maria Amália da Saxônia.
Tapetes
Considerada a principal colecção de tapetes no mundo, a colecção do Palácio Real de Madrid compõe-se fundamentalmente por tapetes fabricados em Bruxelas e pelos realizados pela Real Fábrica de Santa Bárbara sobre cartões de Francisco de Goya. Há a destacar os tapetes que cobrem as paredes da Sala de Refeições de Gala.
Jardins do Campo do Mouro
Estes Jardins devem o seu nome ao facto de este lugar ter sido usado pelos muçulmanos para acampar as tropas que sitiavam a cidade na Idade Média. As primeiras obras para acondicionar os jardins devem-se a Filipe IV, o qual transformou o lugar construindo fontes e plantando diferentes tipos de vegetação, mas ainda assim estava bastante descuidado. Durante a reconstrução do Palácio Real, no século XVIII, realizaram-se diversos projectos de ajardinamento baseados nos jardins do Palacio Real de La Granja de San Ildefonso, os quais não se chegaram a realizar por falta de fundos. Só no reinado de Isabel II se começou o ajardinamento a sério do Campo do Mouro. Nesta época desenhou-se um grande parque e instalaram-se fontes trazidas do Palácio Real de Aranjuez. Infelizmente, com a queda de Isabel II houve um período de abandono e descuido, durante o qual se perdeu uma parte do desenho do jardim, o quel era de tipo romântico. Durante a regência de Maria Cristina iniciaram-se uma série de obras de recuperação, ortogando-lhe um desenho actual, de acordo com o traçado dos parques ingleses do século XIX.
Jardins de Sabatini
Os Jardins de Sabatini ficam situados na parte Norte, entre o Palácio Real, a Calle de Bailén e a Cuesta de San Vicente. De desenho francês, são uns jardins de carácter monumental, criados na década de 1930. São chamados de Jardins de Sabatini porque estão no lugar destinado às cavalariças construídas por Sabatini para o Palácio Real. Estes jardins estão adornados com um lago e, em seu redor, algumas das estátuas dos Reis espanhóis que no inicio estavam destinadas a coroar o Palácio Real, mas que não se colocaram na sua posição original porque o peso resultava excessivo para a estrutura do palácio. No seu interior, combinando com os jardins, também existem fontes, situadas geometricamente entre os seus passeios.


