Anexação da Crimeia pelo Império Russo
O território da Crimeia, anteriormente controlada pelo Canato da Crimeia, foi anexada pelo Império Russo, em 19 de abril [Calend. juliano: 8 de abril] de 1783. O período antes da anexação foi marcado pela interferência russa nos assuntos da Crimeia, uma série de revoltas por Tártaros da Crimeia, e ambivalência Otomana. A anexação deu início ao um período de 134 anos de governo do Império russo, que terminou com a revolução de 1917.
Crimeia independente (1774-1776)
Antes de a Rússia derrotar o Império Otomano na Guerra Russo-Turca de 1768-1774, o canato, povoado em grande parte por tártaros da Crimeia, fazia parte do Império Otomano. No Tratado de Küçük Kaynarca, que foi o resultado dessa guerra, o Império Otomano foi forçado a ceder a soberania sobre o canato e permitir que ele se tornasse um estado independente sob influência russa. Os tártaros da Crimeia não tinham desejo de independência e mantinham um forte apego emocional ao Império Otomano. Dois meses após a assinatura do tratado, o governo do canato enviou emissários aos otomanos, pedindo-lhes que "destruíssem as condições de independência". Os enviados disseram que, enquanto as tropas russas permaneciam estacionadas na Crimeia em Yeni-Kale e Querche, o canato não podia ser considerado independente. No entanto, os otomanos ignoraram esse pedido, não desejando violar o acordo com a Rússia. Na desordem que se seguiu à derrota turca, o líder tártaro Devlet Giray se recusou a aceitar o tratado no momento de sua assinatura. Tendo lutado contra os russos no Cubã durante a guerra, ele atravessou o Estreito de Querche até a Crimeia e tomou a cidade de Cafa (Teodósia moderna). Devlet posteriormente tomou o trono da Crimeia, usurpando Sahib Giray. Apesar de suas ações contra os russos, a imperatriz russa Catarina, a Grande, reconheceu Devlet como cã.


