Projeto Albatroz
O Projeto Albatroz é uma organização não governamental ambiental brasileira que trabalha pelo conservacionismo de albatrozes e petréis, grupos de aves oceânicas que passam a maior parte de sua vida em alto mar. Ele foi fundado em 1990 pela bióloga Tatiana Neves, na cidade de Santos, no litoral de São Paulo.
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Os albatrozes e petréis são aves marinhas migratórias extremamente adaptadas ao ambiente oceânico que pertencem ao grupo dos Procellariiformes. Esse grupo enfrenta diversas fontes de impactos negativos em suas populações, destacando-se a poluição no oceano e a captura incidental em pescarias. Em terra, enfrentam problemas como a destruição de habitat e introdução de espécies exóticas invasoras em suas colônias. Com espécies ameaçadas de extinção, entende-se que a estratégia de vida dos albatrozes e petréis faz com que sejam pouco resistentes a impactos abruptos em suas populações. Um desequilíbrio no ciclo de vida destas aves demora anos para ser recuperado, visto que albatrozes e petréis costumam colocar somente um ovo a cada um ou dois anos. O Projeto Albatroz estima que cerca de 300 mil aves marinhas sejam capturadas incidentalmente pela pesca de espinhel todos os anos no mundo, sendo 30 a 40 mil albatrozes e petréis.
Imagem: Projeto Albatroz · BY-SA · Openverse
Primeiros anos
Em julho de 1990, Rogério Menezes, um aluno de mestrado da FURG – Universidade Federal do Rio Grande, que estudava a pesca do espadarte, desembarcou de um cruzeiro de pesquisa a bordo de um barco de pesca com espinhel no Porto de Santos. Ele trouxe consigo alguns albatrozes e petréis mortos, capturados durante a pescaria. Foi o primeiro contato da então estudante de biologia Tatiana Neves com a problemática da captura incidental de aves marinhas em pescarias. A partir desse momento, Tatiana iniciou sua pesquisa sobre a captura de albatrozes e petréis no Brasil, com apoio de mestres de pesca de barcos com espinhel introduzidos por Rogério. Com o início da primeira coleção de dados coletados, surgia o Projeto Albatroz.
Atuação internacional
O Projeto Albatroz se tornou referência internacional sobre a conservação de albatrozes e petréis em 1995, quando Tatiana Neves e Fábio Olmos participam da I Conferência Internacional sobre Biologia e Conservação do Albatroz, evento inédito sobre o segmento, que ocorreu em Hobart, na Austrália. Na ocasião, foram convidados a publicar um capítulo sobre a captura incidental de aves marinhas no Brasil compondo a obra The Albatross Biology and Conservation. Em setembro de 2000, o Projeto Albatroz contatou os principais armadores de pesca do Brasil para envolvê-los na questão da conservação dos albatrozes. Na reunião, foi apresentada toda a problemática da captura incidental e os possíveis danos para o setor pesqueiro.
Implementação de medidas mitigadoras no Brasil
Em abril de 2011, o Projeto Albatroz teve um papel vital na publicação da Instrução Normativa Interministerial (MMA/MPA) nº 04 para obrigatoriedade do uso de medidas mitigadoras no Brasil pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Ministério da Pesca e Aquicultura. Eles publicaram a Instrução Normativa Interministerial no. 04 de 15 de abril de 2011 onde torna obrigatório o uso do toriline e do peso de 60g a não mais que 2 metros dos anzóis para todos os barcos que pescam ao sul dos 20º S. Essa normativa teve como base os estudos realizados pelo Projeto Albatroz que, junto com pescadores da frota nacional de espinhel, chegaram ao desenho refinado do toriline e comprovaram cientificamente que a alteração da posição do peso não altera a captura do pescado.
Sendo a educação ambiental marinha uma das principais frentes de atuação do Projeto Albatroz na sensibilização sobre a cultura oceânica e a conservação de albatrozes e petréis, alguns de seus programas incentivam a educação ambiental para crianças e jovens. Em outubro de 2012, é iniciado o programa de educação ambiental marinha “Albatroz na Escola”. Para sua realização, foram elaborados materiais para professores e alunos, além de jogos e brincadeiras interativas monitoradas por uma equipe capacitada para abordar a realidade dos oceanos. O PAE - EaD foi concebido para formação interdisciplinar de professores, tendo como foco a Década do Oceano. São propostas atividades e conteúdos de educação ambiental marinha para aplicação em sala de aula, utilizando material didático elaborado exclusivamente para este programa. Desde sua criação, o PAE já envolveu mais de 30.000 pessoas e ultrapassou o atendimento a 2.500 professores, aumentando a acessibilidade da educação ambiental e envolvendo a sociedade na atuação cidadã.
Desde 2013, o Projeto Albatroz mantém amostras que originaram o Banco Nacional de Amostras Biológicas de Albatrozes e Petréis (BAAP), um banco de dados brasileiro que apoia estudos em genética, saúde, poluição, prevalência de plásticos e outros assuntos relacionados à conservação de aves da ordem Procellariiformes. O BAAP funciona sob gestão do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (CEMAVE) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em parceria com o Projeto Albatroz e com colaboração da R3 Animal. Sendo uma referência em pesquisa científica, o Banco contabiliza, desde 2018, 10 mil amostras biológicas de 39 espécies dessas aves marinhas ameaçadas de extinção, incluindo sangue, órgãos, gônadas, ossos, cultura bacteriana, parasitas, pele, penas e outros tecidos. O BAAP integra instituições e grupos de pesquisa para acesso aos materiais biológicos em prol da conservação das espécies ameaçadas listadas no PLANACAP e ACAP, tornando as amostras coletadas disponíveis para consulta pública.
Inaugurado em 24 de setembro de 2023, o Centro de Visitação e Educação Ambiental Marinha do Projeto Albatroz está localizado em Cabo Frio, no Rio de Janeiro, e é um espaço dedicado a disseminar a cultura oceânica e o conhecimento sobre a biodiversidade marinha, sensibilizando estudantes, educadores, pescadores, turistas e moradores da Região dos Lagos sobre a biologia e conservação dos albatrozes e petréis. O trajeto da exposição foi pensado para guiar o visitante de forma imersiva em temas de conservação, biologia e pesca, buscando aproximar as temáticas que envolvem essas aves do público. Este é o primeiro espaço inteiramente dedicado à divulgação científica sobre albatrozes e petréis no Brasil. A área útil do centro compreende mais de 18 mil m², estando ao lado do Parque Ecológico Municipal Dormitório das Garças e da Lagoa de Araruama, cedida por meio da Lei Nº 179/2019. Além de propor o conhecimento sobre as principais espécies da fauna e flora local, o espaço também pretende se consolidar como uma ponte educativa e cultural que integre as comunidades locais em ações pela sustentabilidade do oceano.


