Juan Alberto Schiaffino
Juan Alberto Schiaffino Villano foi um futebolista uruguaio que jogava como meia-armador. Schiaffino celebrizou-se como o grande gênio da Seleção Uruguaia campeã da Copa do Mundo de 1950 em cima do Brasil em pleno Maracanã. Foi inclusive dele o primeiro gol uruguaio na histórica vitória de virada celeste.
Era filho de um uruguaio, Raúl Gilberto Schiaffino, que tinha origens na região italiana da Ligúria, com uma paraguaia, María Eusebia Villano. Uma tia materna foi quem criou seu apelido de Pepe, referindo-se à palavra italiana para pimenta, pois Schiaffino era bastante inquieto. Seus primeiros jogos como juvenil se deram no clube Palermo, alternando as práticas esportivas com o trabalhos temporários como os de padeiro e de operário em uma fábrica de alumínio - "eu não tinha profissão, trabalhava aqui e ali", ele explicaria. Do Palermo rumou ao Olimpia, equipe que deu origem ao River Plate uruguaio em 1933.[carece de fontes?] Chegou a ter uma breve passagem pelo Nacional ainda nos juvenis, rumando em 1943 ao rival Peñarol. Foi levado à equipe aurinegra pelo irmão mais velho, Raúl Schiaffino. O irmão Raúl também foi um destacado futebolista. Foi promovido ao time adulto do Peñarol em 1944 e já no ano seguinte foi o artilheiro do campeonato uruguaio de 1945,[carece de fontes?] bem como a principal figura da temporada. O Peñarol foi campeão e Raúl, apelidado de El Toto, fez 46 gols no ano, considerando amistosos. Naquele mesmo ano, Raúl estreou pela seleção uruguaia, em julho, defendendo-a até fevereiro do ano seguinte, sendo titular na Copa América de 1946.[carece de fontes?]
Peñarol
Schiaffino estreou no time principal do Peñarol na temporada de 1946. Enquanto o irmão Raúl era o centroavante titular, Juan logo tornou-se o meia-esquerda mais utilizado pelo clube em uma temporada de queda de desempenho da equipe, vice-campeã. Fez 13 gols em 23 partidas. No ano seguinte, o título uruguaio novamente não veio. Raúl precisou parar de jogar, enquanto Juan alternou-se na titularidade com Oscar Chirimini. Mas, segundo o próprio jogador, "somente em 1947 me firmei como um jogador de primeira divisão". Em 1948, ele passou à meia-direita. Foi o ano em que o Peñarol contratou Alcides Ghiggia, Óscar Míguez e Juan Hohberg. Porém, uma longa greve paralisou o campeonato após a primeira rodada do segundo turno. Ela só veio a se encerrar em abril do ano seguinte. O título foi então dado a quem era líder, o rival Nacional.
Milan
Schiaffino já havia sido sondado antes pelo Genoa, que tentara atrai-lo por ser clube da região das origens italianas do jogador, a Ligúria. Porém, ele permanecera no Peñarol. Já a estreia pelo Milan deu-se em 19 de setembro de 1954, com Schiaffino marcando duas vezes em vitória por 4-2 sobre a Triestina. Ele logo adquiriu passaporte italiano em função do limite de dois estrangeiros, já preenchido com os suecos Nils Liedholm e Gunnar Nordahl. Schiaffino vinha repor justamente a ausência de outro sueco, o recém-vendido Gunnar Gren. Sua função era de jogar mais recuado, para armar jogadas aos atacantes, para apenas eventualmente arriscar lances diretos ao gol, e a cumpriu com maestria, seja com arremates (mais precisos do que potentes) ou desarmes defensivos. A dupla cidadania permitiu que ele estreasse ainda naquele ano, em dezembro, pela seleção italiana; no mês anterior, em novembro, Schiaffino marcou gol no empate em 1-1 no seu primeiro clássico com a Internazionale. Ao todo, ele fez quinze gols no campeonato italiano de 1954-55,[carece de fontes?] cujo título foi imediatamente conquistado.
Roma
Schiaffino, que poderia ter vindo à Roma ainda em 1957 não fosse a desistência dos dirigentes do Milan em cumprir um acordo apenas verbal, chegou à equipe da capital em 1960, pelo valor de 102 milhões de liras italianas. O montante era superior em números absolutos à transferência recordista que o levara ao Milan, mas, embora ainda considerável para a época, era inferior com a incidência de inflação. Nos giallorossi, o uruguaio recuou mais, passando a atuar como líbero. Ainda assim, marcou no reencontro contra o ex-clube, em empate em 2-2. Foram três gols na Serie A de 1960-61, incluindo um sobre a Internazionale. A Roma terminou em quinto. Nela, Schiaffino reencontrou o colega Alcides Ghiggia, autor de um gol na Serie A.[carece de fontes?] Juntos, venceram a Taça das Cidades com Feiras daquela temporada. O torneio foi precursor da Liga Europa da UEFA.
Inícios
Schiaffino estreou pela seleção uruguaia ainda antes de estrear no futebol adulto de clubes, tamanha era a fama já criada de que seria ainda melhor que o irmão Raúl Schiaffino, então no auge da carreira. Uma primeira vez dera-se ainda em 29 de dezembro de 1945, em partida considerada não-oficial pela FIFA contra a Argentina, pois foi organizada pelo Círculo de Jornalistas Esportivos. Ele e o irmão atuaram juntos, com ambos entrando no decorrer da partida - Raúl substituindo Walter Gómez e Juan, Pedro Riephoff. Raúl marcou o gol uruguaio no empate em 1-1. A estreia oficial deu-se dias depois, em 10 de janeiro de 1946, contra o Brasil, pela Copa Rio Branco em Montevidéu. Foi em novo empate em 1-1, com a partida sendo suspensa aos 78 minutos, com o abandono dos adversários, em atrito com o árbitro - o técnico brasileiro Flávio Costa foi expulso. Naquela partida, os irmão Raúl e Juan voltaram a atuar juntos. Raúl foi titular e Juan entrou no decorrer da partida para substituir Riephoff.[carece de fontes?] Porém, só Raúl terminou convocado à Copa América daquele ano, realizada poucas semanas depois.
Copa do Mundo de 1950
Como foi o único jogo da Celeste na primeira fase, o confronto com os bolivianos foi marcado para a data da última rodada dos demais grupos. Schiaffino fez o terceiro e o sexto gol de uma vitória de 8-0 acompanhada por apenas 6.200 pessoas no estádio Independência, em Belo Horizonte. Por muito tempo, porém, acreditou-se que ele teria feito cinco gols nesse jogo. A inverdade só foi esclarecida em função dos cinco gols marcados pelo russo Oleg Salenko em um só jogo na Copa do Mundo FIFA de 1994. Vinha se divulgando que Salenko havia igualado um recorde de Schiaffino, mas o próprio uruguaio, conhecido pela sinceridade, imediatamente veio a público esclarecer que "todos sabem que fiz somente dois gols nessa partida. Os outros me estão presenteando e seria uma falta de respeito aos companheiros que os converteram que me os adjudiquem". Um dia depois do recorde de Salenko, Schiaffino declarou que "o que me chama atenção é que a FIFA não tenha acertado com o resultado justo, pois me deram quatro gols, que não é certo, e também cinco, o que é ainda pior. A FIFA se equivoca, eu digo a verdade".
Copa do Mundo de 1954
Schiaffino só voltou a defender em 1953 a seleção. Foi em vitória por 2-1 em amistoso contra a Inglaterra em Montevidéu.[carece de fontes?] Embora ausente da Copa América daquele ano, foi convocado à Copa do Mundo FIFA de 1954. Pouco antes de ela começar, acertou contrato com o Milan. Na estreia, fez o segundo gol na vitória por 2-0 sobre a Tchecoslováquia. A classificação para as quartas-de-final foi garantida já no jogo seguinte, um sonoro 7-0 sobre a Escócia. A Celeste havia passado pela chave formada também com a Áustria e considerada como "o grupo da morte" daquela edição. Nas quartas, os uruguaios enfrentaram outros britânicos, os ingleses. No fim do primeiro tempo, o capitão Obdulio Varela lesionou-se e, como substituições não eram permitidas, Schiaffino teve de recuar para não deixar espaços abertos no meio-de-campo, improvisando-se como volante central. com a partida ainda em 2-1. Apesar disso, o Uruguai venceu por 4-2, com ele fazendo um gol já no segundo tempo, o terceiro dos sul-americanos. A Inglaterra estava completa e ali fez seu primeiro jogo de alto nível em uma Copa do Mundo, mas justamente em um dia em que os sul-americanos estiveram ainda melhores, triunfando sobre o time de Stanley Matthews.
Schiaffino estreou pelo Milan em setembro de 1954. Para não preencher uma das duas vagas de estrangeiro em um time que já contava com os suecos Nils Liedholm e Gunnar Nordahl, o uruguaio, neto de um italiano, buscou o passaporte local. Já pôde em dezembro do mesmo ano estrear pela seleção italiana, em vitória por 2-0 sobre a Argentina em Roma.[carece de fontes?] Schiaffino, porém, foi bastante criticado nessa partida, fazendo com que só retornasse à Azzurra três anos depois. El Pepe vinha de grandes temporadas a nível doméstico e internacional com o Milan e foi requisitado para as eliminatórias rumo à Copa do Mundo FIFA de 1958. Nelas, a Itália disputou um triangular contra Irlanda do Norte e Portugal. O primeiro jogo foi uma esperada vitória sobre os norte-irlandeses em Roma. Todavia, Schiaffino não estava em campo: ele só foi chamado após reformulações no time, o que incluía também a chamada de seu compatriota e antigo colega Alcides Ghiggia, o que se deu após uma surra de 6-1 em amistoso contra a Iugoslávia.
Imagem: FlikkaD · BY-SA · Openverse
Depois de encerrar a carreira, em 1962, seguiu por mais uma temporada na Roma como assistente-técnico, mas depois ficou anos afastado do futebol, até trabalhar no futebol uruguaio. Primeiramente, treinou a própria seleção, na Copa América de 1975. Em um torneio em que jamais disputou como jogador, não teve sorte: a Celeste, como campeã da edição anterior, entrou diretamente nas semifinais, onde enfrentou a Colômbia. Fora de casa, os uruguaios perderam por 3-0. Em Montevidéu, ganharam por apenas 1-0, mas tiveram por duas vezes a oportunidade de cobrar pênaltis, ambos desperdiçados por Fernando Morena - que terminou expulso e o Uruguai, eliminado.[carece de fontes?] No ano seguinte, Schiaffino tornou-se técnico do Peñarol. Mas ficou somente até julho, sendo substituído por Roque Máspoli em um ano de resultados ruins, ainda que se tenham vencido cinco e perdido somente um nos oito clássicos com o Nacional. Foi o ano em que nenhum dos dois clubes foi campeão, com o Defensor tornando-se o primeiro clube fora da dupla a ser campeão desde 1931.[carece de fontes?]


