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Papa João Paulo I

João Paulo I (em latim: Ioannes Paulus I; em italiano: Giovanni Paolo I), nascido Albino Luciani; foi o Papa da Igreja Católica, Bispo de Roma e Soberano da Cidade do Vaticano de 26 de agosto de 1978 até a data de sua morte. O seu Papado, de 33 dias, está entre os mais curtos da história Papal, resultando no mais recente ano de três Papas e o primeiro a ocorrer desde 1605. João Paulo I continua sendo o mais recente Papa nascido na Itália, o último de uma sucessão que começou com Clemente VII em 1523.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Primeiros anos e educação

Albino Luciani nasceu na província de Belluno, norte da Itália; era o irmão mais velho de Federico (1915–1916), Edoardo (1917–2008) e Antonia (1920–2010). Seu nome de batismo fora uma homenagem a um amigo da família, que morrera numa explosão em uma mina de carvão na Alemanha. De origem humilde, viu seu pai, chamado Giovanni, que era socialista, ser inúmeras vezes forçado a buscar trabalho em outros países, por ocasião da Primeira Guerra Mundial. Em 1922, aos 10 anos, ficou pasmo quando um frade capuchinho veio a sua aldeia para pregar os sermões quaresmais. A partir desse momento decidiu que queria ser padre e foi até seu pai para pedir sua permissão. O pai concordou e disse-lhe: «Espero que, quando te tornares sacerdote, estejas do lado dos trabalhadores, porque o próprio Cristo estaria do lado deles». Sua mãe, Bertola, católica fervorosa, também o incentivou a seguir a formação religiosa. Iniciou seus estudos no seminário Minori, em Murano, e os concluiu no Seminário Georgiano em Belluno.

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Vida sacerdotal

Ordenado sacerdote em 7 de julho de 1935, Luciani serviu como pároco em sua cidade natal, Forno de Canale, antes de se tornar professor e vice-reitor do seminário de Belluno em 1937. Entre as diferentes disciplinas, ele ensinou teologia dogmática e moral, direito canônico e arte sacra. Em 1941, Luciani começou a fazer o Doutorado em Teologia Sacra pela Pontifícia Universidade Gregoriana. Isso exigia a frequência de pelo menos um ano em Roma. No entanto, os superiores do seminário de Belluno queriam que ele continuasse a lecionar durante seus estudos de doutorado. A situação foi resolvida por uma dispensa especial do Papa Pio XII em 27 de março de 1941. Sua tese (The origin of the human soul according to Antonio Rosmini) atacou amplamente a teologia de Rosmini e lhe rendeu o doutorado Magna Cum Laude em 1947. Em 1947, foi nomeado chanceler do Bispo Girolamo Bortignon, OFM Cap, de Belluno. Em 1954, foi nomeado Vigário Geral da Diocese de Belluno.

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Episcopado, eleição e pontificado

Embora, segundo consta, não tivesse grandes ambições, foi nomeado bispo pelo Papa João XXIII e cardeal pelo Papa Paulo VI, com o título de São Marcos. Esteve presente no Concílio Vaticano II, convocado em 1962 por João XXIII. Albino Luciani era o Patriarca de Veneza quando, com 65 anos, foi eleito Papa, em 26 de agosto de 1978, na terceira votação do conclave que se seguiu à morte do Papa Paulo VI, superando o cardeal considerado "ultraconservador" Giuseppe Siri - favorito ao trono de São Pedro, de acordo com a imprensa - por 99 votos a 11. Segundo conta-se, a princípio, um atônito Luciani teria declinado de aceitar o pontificado, mas fora persuadido do contrário pelo cardeal holandês Johannes Willebrands, que estava sentado a seu lado na Capela Sistina. Para isso, ter-lhe-ia dito: "Coragem. O Senhor dá o fardo, mas também a força para carregá-lo". Escolheu o nome de João Paulo (Ioannes Paulus, pela grafia em latim) para homenagear seus antecessores, João XXIII e Paulo VI. Morreu na madrugada de 28 de setembro de 1978, entre 23h30min e 04h30min da madrugada, no Palácio Apostólico do Vaticano. Na época do conclave, o cardeal britânico Basil Hume, um de seus eleitores, chamou João Paulo I de "o candidato de Deus". A figura de João Paulo I na Igreja Católica sempre foi a de um papa afável, tendo, por isso, recebido a alcunha de "O Papa Sorriso".

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Morte

“Genealogia episcopal do Papa João Paulo I” A versão oficial é a de que João Paulo I tinha estado a beber um chá durante a tarde do dia 27 de setembro de 1978. Nessa tarde, quando rezava na capela papal acompanhado pelo seu secretário, o padre irlandês John Magee, João Paulo I teve uma forte dor no peito, mas recusou chamar o médico. Jantou, deitou-se e acabaria por morrer essa noite, tendo sido encontrado morto na manhã seguinte. Embora João Paulo I tenha sido encontrado morto por uma freira que trabalhava para ele e o acordava havia muitos anos, a versão oficial divulgada pelo Vaticano, contudo, diz que o corpo de João Paulo I teria sido encontrado pelo padre Diego Lorenzi, um de seus secretários, enunciando a morte como "possivelmente associada com infarto do miocárdio". Para alguns, João Paulo I teria sido vítima das terríveis pressões características de seu cargo, e que, não as tendo suportado, veio a perecer. A citada freira, após a morte deste, fez voto de silêncio.

Teorias da conspiração

O momento de sua morte, apenas 33 dias depois de sua eleição para o papado, e alegadas dificuldades do Vaticano com os procedimentos cerimoniais e legais, juntamente com declarações inconsistentes feitas após a morte, fomentaram várias teorias da conspiração. O autor britânico David Yallop escreveu extensivamente sobre crimes não resolvidos e teorias da conspiração, e em seu livro de 1984 In God's Name sugeriu que João Paulo I morreu porque estava prestes a descobrir escândalos financeiros supostamente envolvendo o Vaticano. John Cornwell respondeu às acusações de Yallop em 1987, com um A Thief In The Night, em que analisou as várias alegações e negou a teoria. De acordo com Eugene Kennedy, escrevendo para o The New York Times, o livro de Cornwell "ajuda a purificar o ar de paranoia e de teorias da conspiração, mostrando como a verdade, cuidadosamente escavada por um jornalista em um volume pode nos refrescar, faz-nos livres".

Encontro com a Irmã Lúcia

A revista italiana 30 Giorni revela, com base em declarações de um dos quatro irmãos de João Paulo I, que a Irmã Lúcia, durante a visita que o então Patriarca de Veneza lhe fez no Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra, sempre o tratou por "Santo Padre". O Cardeal Luciani fica impressionado e pergunta: "Por quê?", ao que a Irmã responde: "Vossa Eminência um dia será eleito Papa". E ele disse: "Sabe-se lá, irmã…", e a Irmã retorquiu: "Será sim, mas o seu pontificado será muito breve".

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Beatificação

Imagem: JeanToniR · BY-SA · Openverse

O caminho para a beatificação de João Paulo I foi iniciado em outubro de 2021 pelo Papa Francisco, ao autorizar a promulgação do decreto referente a um milagre atribuído à intercessão de Luciani, proclamando-o bem-aventurado em data a ser fixada pela Santa Sé. O milagre atribuído teria sido a cura "cientificamente inexplicável" em 2011, de uma menina argentina de onze anos, que tinha uma grave doença cerebral. Em 4 de setembro de 2022, foi beatificado pelo próprio Papa na Praça de São Pedro.

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