Alboácem Ali ibne Alfurate
Alboácem Ali ibne Maomé ibne Muça ibne Haçane ibne Alfurate foi um oficial sênior do Califado Abássida que serviu três vezes como vizir sob o califa Almoctadir (r.908 932). Inteligente e bem educado, Ali emergiu como um capaz administrador fiscal e representante de seu irmão mais velho Amade. Posteriormente veio a liderar uma das duas grandes facções civis rivais durante o califado de Almoctadir, a Banu Alfurate, a outra sendo o grupo de oficiais em torno do comandante-em-chefe Munis Almuzafar e o vizir Ali ibne Issa Aljarrá.
Ali começou sua carreira ao lado de seu irmão Amade durante a última parte do califado de Almutâmide (r. 870–892) e a regência de Almuafaque (r. 870–891). Ambos eram protegidos de Ismail ibne Bulbul, que após tornar-se vizir de Almutâmide e Almuafaque em 885, inseriu-os na administração como oficiais fiscais e confiou-lhes o departamento da receita fundiária do Sauade. Após a demissão de ibne Bulbul, Amade foi preso por algum tempo, mas pela época da ascensão de Almutadide (r. 892–902) em 892, foi libertado e novamente recebeu o departamento fiscal do Sauade, e mais adiante os departamentos do imposto fundiário, com Ali como seu vice. Os irmãos ibne Alfurate e seus apoiantes vieram a formar dois grandes grupos que dominariam a burocracia abássida pelas décadas subsequentes, os Banu Alfurate ou furátidas. Seus principais rivais eram outro grupo de famílias secretariais, os Banu Aljarrá ou jarráidas, chefiado por Maomé ibne Daúde e seu sobrinho Ali ibne Issa Aljarrá, que substituíram os Banu Alfurate como chefes dos departamentos fiscais em 899. Os dois grupos simplesmente representavam diferentes facções em um conflito pelo ofício e poder, mas havia indicativos de diferença "ideológica" também: muitas das famílias Banu Aljarrá originaram-se de famílias nestorianas convertidas e empregaram cristãos em sua burocracia, além de manterem estreitos laços com o exército, enquanto os Banu Alfurate tentaram impor firme controle civil do exército e (mas nem sempre abertamente) favoreceram o xiismo. A rivalidade entre os dois grupos foi intensa, mas principalmente contida como suas fortunas mudaram repetidamente, muito embora tortura e confisco forçado das propriedades de um oficial deposto eram comuns sob o antigo sistema estabelecido conhecido como mussadara, que forçou oficiais depostos devolverem o dinheiro que haviam desviado; com efeito, no entanto, praticamente forçou oficiais a desviar enquanto em ofício de modo a serem capazes de fornecer somas durante inquérito da mussadara.
Ali ibne Alfurate foi uma personalidade complexo. Bem-educado e altamente culto, foi muito inteligente e notoriamente eloquente. Distinguiu-se como um administrador fiscal extremamente capaz, "comprometido com a reforma do abuso e a elevação das receitas do estado sem opressão" (Hugh Kennedy) e capaz para "solucionar rapidamente o que pareciam ser os problemas mais complicados" (Dominique Sourdel). Como cortesão, exerceu poder no estilo de um "grande senhor feudal" (Kennedy), tendo afinidade com o luxo e gastando grandes extravagâncias com seus apoiantes para engrandecer sua própria imagem. Ao mesmo tempo, sua lealdade primária não foi com o Estado ou o califa, mas com a melhoria e enriquecimento dele próprio e seus apoiantes, que formaram quase um "secreto partido político-religioso" (Sourdel) de xiismo duodecimano dentro do coração do Califado Sunita. Além disso, apesar de combater a corrupção dos outros, não estava acima de quebrar a lei para seu próprio benefício, e era "até certo ponto implacável e sem escrúpulos quando se tratava de promover seus próprios interesses" (Kennedy).


