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Almuafaque

Abu Amade Tala ibne Jafar, melhor conhecido por seu lacabe como Almuafaque Bilá, foi um príncipe e líder militar, que atuou como regente virtual do Califado Abássida por boa parte do reinado de seu irmão, o califa Almutâmide (r. 870–892). Sua estabilização do cenário político interno após uma década de Anarquia em Samarra, a defesa bem-sucedida do Iraque contra o Império Safárida e a supressão da Rebelião Zanje restaurou em grande parte o poder do califado e começou um período de recuperação, que culminou no reinado de seu próprio filho, Almutadide (r. 892–902).

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/07/2026
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Vida

Infância

Tala, comumente conhecido pelo tecnônimo Abu Amade, era filho do califa Almotauaquil (r. 847–861) e uma escrava concubina, Um Isaque. Em 861, presenciou o assassinato de seu pai em Samarra por escravos militares turcos (gulans): Atabari relata que ele estava bebendo com seu pai naquela noite, e foi de encontro aos assassinos enquanto ia ao banheiro, mas após tentar proteger o califa, ele retirou-se para seus aposentos quando percebeu que seus esforços eram inúteis. O assassinato foi quase certamente instigado pelo filho e herdeiro de Almotauaquil, Almontacir (r. 861–862), que em seguida ascendeu ao trono; contudo, o papel de Abu Amade na questão também é suspeito, dado seus íntimos laços mais tarde com os líderes militares turcos. Segundo Hugh Kennedy, "é possível, portanto, que Abu Amade já tivesse laços íntimas com os jovens turcos antes do assassinato, ou que foram forjados naquela noite". Esse assassinato abriu um período instabilidade interna conhecido como "Anarquia em Samarra", onde os chefes militares turcos rivalizaram com outros grupos poderosos e com entre si pelo controle do governo e seus recursos financeiros.

Regente do califado

No momento que Almutadi foi morto pelos turcos em junho de 870, Abu Amade estava em Meca. Imediatamente foi para Samarra, onde ele e Muça ibne Buga apoiaram o novo califa, Almutâmide (r. 870–892), e asseguraram o controle do governo. Ele diferiu da maioria dos príncipes abássidas de seu tempo por sua íntima relação e participação nos assuntos militares. Em sua carreira ecoa a de seu avô, Almotácime (r. 833–842). Como ele, seu poder se baseou na grande extensão de sua íntima associação com o exército turco: em decorrência das exigências da classe turca para que um dos irmãos do califa fosse nomeado como seu comandante, superando seus próprios líderes, que foram acusados de se apropriarem dos salários, Almuafaque foi nomeado o principal intermediário entre o governo califal e o exército turco. Em retorno pela lealdade dos turcos, ele abolou os demais corpos do exército califal como os Magariba ou os Faraguina, que não são mais mencionados depois de ca. 870. Kennedy sumariza os arranjos da seguinte forma: "[Ele] assegurou o estatuto e posição deles como o exército do califado e [seu] papel na administração civil significou que eles receberiam seu pagamento". Sua relação pessoal com a liderança do exército turco — inicialmente Muça ibne Buga, bem como Caigalague e Isaque ibne Cundaje após a morte de Muça em 877 — seu prestígio como príncipe da dinastia e a exaustão após uma década de guerra civil, permitiram-no estabelecer controle inconteste sobre os turcos, como indicado pela disposição deles para participar em campanhas custosas sob sua liderança.

Campanhas

Como o principal líder militar do califado, recaiu sobre Almuafaque os vários desafios à autoridade imperial que surgiram durante estes anos. De fato, como Michael Bonner escreve, "a liderança decisiva de Almuafaque salvou o Califado Abássida da destruição em mais de uma ocasião". As principais ameaças militares ao Califado Abássida eram a Rebelião Zanje no sul do Iraque e as ambições de Iacube ibne Alaite, o fundador do Império Safárida, no Oriente. Um soldado humilde, Iacube, apelidado Açafar ("O Caldeireiro"), explorou o tumulto em Samarra para ganhar controle sobre seu nativo Sistão, e então expandir seu controle. Cerca de 873, governava quase todos os territórios orientais do califado, expulsando do poder os até agora dominantes taíridas, um movimento denunciado por Almuafaque. Finalmente, em 875 ele tomou controle da província de Pérsis, que não apenas forneceu-lhe muito da escassa receita dos cofres do califado, mas também estava perigosamente próxima do Iraque. Os abássidas tentaram evitar um ataque a Iacube por formalmente reconhecerem-no como governador de todas as províncias orientais e por garantirem-lhe honras especiais, incluindo adicionando seu nome na oração da sexta-feira e nomeando-o à posição influente de saíbe da xurta (chefe de polícia) em Baguedade.[a] No entanto, no ano seguinte Iacube começou seu avanço contra Baguedade, até ser confrontado e decisivamente derrotado pelos abássidas de Almuafaque e Muça ibne Buga na Batalha de Dair Alacul próximo da cidade. A vitória abássida, uma completa surpresa para muitos, salvou a capital e permitiu a recuperação de Avaz, mas apesar da morte de Iacube por causa de uma doença em 879, os safáridas continuaram firmemente instalados em seus domínios em boa parte do Irã.

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Fontes consultadas

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