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Ferrária

Ferrara ) ou, na sua forma portuguesa, Ferrária é uma comuna italiana da região da Emília-Romanha, província de Ferrara, com cerca de 130 461 habitantes. Estende-se por uma área de 404 km², tendo uma densidade populacional de 323 hab/km². Faz fronteira com Argenta, Baricella (BO), Bondeno, Canaro (RO), Copparo, Ficarolo (RO), Formignana, Gaiba (RO), Masi Torello, Occhiobello (RO), Ostellato, Poggio Renatico, Ro, Stienta (RO), Tresigallo, Vigarano Mainarda, Voghiera.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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História

Antiguidade e Idade Média

Os primeiros assentamentos documentados na atual área da Província de Ferrara datam do século VI a.C.. As ruínas da cidade etrusca de Spina, estabelecida ao longo das lagunas na antiga foz do rio Pó, foram perdidas ao longo do tempo e redescobertas em 1922 com os esquemas de drenagem nos pântanos de Valli di Comacchio, que revelaram oficialmente pela primeira vez uma necrópole com mais de 4.000 túmulos, evidência de um centro populacional com um aparente papel importante na Antiguidade. Há incerteza entre os estudiosos sobre a proposta origem romana do assentamento na sua atual localização (Tácito e Boccaccio referem-se a um "Forum Alieni"), pois pouco se sabe sobre este período, no entanto, algumas evidências arqueológicas apontam para a hipótese de que Ferrara poderia se ter originado a partir de dois pequenos assentamentos bizantinos: um aglomerado de instalações em torno da Catedral de São Jorge, na margem direita do braço principal do Pó, que então corria muito mais perto da cidade do que atualmente, e um castro, um complexo fortificado construído na margem esquerda do rio para defesa contra os lombardos.

Início da era moderna

Em 1452, Borso d'Este foi nomeado duque de Modena e Reggio pelo imperador Frederico III e em 1471 duque de Ferrara pelo Papa Paulo II. Leonel e, especialmente, Hércules I encontravam-se entre os mais importantes patronos das artes na Itália do final do século XV e inícios do século XVI. Durante este tempo, Ferrara tornou-se num centro cultural internacional, conhecido pela sua arquitetura, música, literatura e artes visuais. A arquitetura de Ferrara beneficiou muito do génio de Biagio Rossetti, a quem foi solicitado em 1484, Hércules I, elaborar um plano diretor para a expansão da cidade. A resultante "Addizione Erculea" é considerada um dos exemplos mais importantes do planeamento urbano renascentista e contribuiu para a seleção de Ferrara como Patrimônio Mundial da UNESCO.

Final da era moderna e contemporânea

Ferrara, uma cidade universitária perdendo apenas para Bolonha, permaneceu como parte dos Estados Papais por quase 300 anos, uma era marcada por um declínio constante; em 1792 a população da cidade era de apenas 27.000 habitantes, inferior à do século XVII. Entre 1805 e 1814 foi brevemente parte do Reino Napoleónico da Itália, um estado cliente do Império Francês. Após o Congresso de Viena de 1815, Ferrara foi devolvida ao Papa, agora garantida pelo Império Austríaco. Um forte baluarte foi erguido em 1600 pelo Papa Paulo V no local do Castel Tedaldo, um antigo castelo no ângulo sudoeste da cidade. O mesmo foi ocupado por uma guarnição austríaca entre 1832 a 1859. A fortaleza foi completamente desmantelada seguindo o nascimento do Reino da Itália e os tijolos foram usados para novas construções por toda a cidade.

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Geografia e clima

A cidade de Ferrara fica na margem sul do rio Pó, cerca de 44 km a nordeste da capital regional, Bolonha, e 87 km a sul de Veneza. O território do município, inteiramente parte da Planície Padana, é predominantemente plano, situado em média apenas 9 metros acima do nível do mar. A proximidade ao maior rio italiano sempre foi uma preocupação constante na história de Ferrara, afetada por inundações recorrentes e desastrosas, tendo a última ocorrido em 1951. O Idrovia Ferrarese liga o rio Pó de Ferrara ao Adriático em Porto Garibaldi. O clima do vale do Pó é classificado como subtropical húmido (Cfa) sob a Classificação climática de Köppen-Geiger, um tipo de clima comummente referido como "continental", que apresenta invernos severos e verões quentes com chuvas fortes na primavera e no outono.

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Governo

O órgão legislativo das comunas italianas é o Conselho Municipal (Consiglio Comunale), que, em cidades com população entre 100.000 e 250.000 habitantes, é composto por 32 vereadores eleitos a cada cinco anos com um sistema proporcional, contextualmente às eleições para prefeito. O órgão executivo é o Comitê Municipal (Giunta Comunale), composto por 12 assessores, nomeado e presidido por um prefeito eleito diretamente. O atual prefeito de Ferrara é Alan Fabbri da Liga Norte. A organização urbana é regida pela Constituição italiana (art. 114), o Estatuto Municipal e várias leis, notavelmente o Decreto Legislativo 267/2000 ou Texto Unificado sobre Administração Local (Testo Unico degli Enti Locali). A atual divisão das cadeiras na Câmara Municipal, após as eleições locais de 2019, é a seguinte:

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Paisagem urbana

Arquitetura

O imponente Castelo dos Este, situado no centro da cidade, é um ícone de Ferrara. É uma grande casa senhorial com quatro baluartes maciços e um fosso que foi erguida em 1385 pelo arquiteto Bartolino da Novara com a função de proteger a vila das ameaças externas e servir de residência fortificada para a família Este. Foi extensivamente renovado nos séculos XV e XVI. A Catedral de São Jorge, projetada por Wiligelmus e consagrada em 1135, é um dos melhores exemplos da arquitetura românica. O duomo foi renovado várias vezes ao longo dos séculos, pelo que o seu estilo eclético resultante é uma combinação harmoniosa da estrutura central e portal românico, a parte superior gótica da fachada e a Torre sineira renascentista. As esculturas do portal principal são atribuídas a Nicolau. A parte superior da fachada principal, com arcadas de arco ogival, data do século XIII. Os leões de mármore reclinados que guardam os portais são cópias dos originais, agora no museu da catedral. Um elaborado relevo do século XIII a representar o Juízo Final encontra-se no segundo andar do alpendre. O interior foi restaurado em estilo barroco em 1712. A Torre sineira de mármore atribuída a Leon Battista Alberti foi iniciada em 1412, mas ainda se encontra incompleta, faltando um andar adicional projetado e uma cúpula, como pode ser observado nas inúmeras gravuras e pinturas históricas sobre o assunto.

Parques e jardins

A cidade está quase totalmente cercada por 9 quilómetros de antigas paredes de tijolos, construídas principalmente entre 1492 e 1520. Hoje as muralhas, após uma cuidadosa restauração, formam um grande parque urbano ao redor da cidade e são um destino popular para corredores e ciclistas.

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Demografia

Em 2007, havia 135.369 pessoas residentes em Ferrara, sendo 46,8% do sexo masculino e 53,2% do sexo feminino. Os menores (crianças com 18 anos ou menos) totalizaram 12,28% da população em comparação com os pensionistas que somam 26,41%. Estes valores comparam-se com a média italiana de 18,06% (menores) e 19,94% (pensionistas). A idade média dos residentes de Ferrara é de 49 anos em comparação com a média italiana de 42. Nos cinco anos entre 2002 e 2007, a população de Ferrara cresceu 2,28%, enquanto a Itália como um todo cresceu 3,85%. A taxa de natalidade atual de Ferrara é de 7,02 nascimentos por 1.000 habitantes em comparação com a média italiana de 9,45 nascimentos. Ferrara é conhecida por ser a cidade mais antiga com mais de 100.000 habitantes, bem como a cidade com menor taxa de natalidade. Em 2006, 95,59% da população era italiana. O maior grupo de imigrantes foi de outras nações europeias como Ucrânia e Albânia: 2,59%, seguidas pelo Norte da África: 0,51% e Ásia Oriental: 0,39%. A cidade é predominantemente católica romana, com pequenos grupos de cristãos ortodoxos. A comunidade judaica histórica ainda sobrevive.

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Cultura

O Palio de São Jorge é uma corrida de cavalos com tema medieval realizada todo último domingo de maio. Segundo algumas fontes, para dar as boas-vindas a Azzo VII d'Este após a sua vitória na batalha de Cassano d’Adda em 1259, os ferrarenses organizaram corridas festivas de infantaria, servas, burros e cavalos. Contudo, as primeiras corridas oficiais de cavalos deram-se em 1279, quando se decidiu codificar nos estatutos municipais uma tradição talvez já existente há alguns anos, sendo provavelmente a competição mais antiga do mundo. O Espetáculo de rua de Ferrara é um desfile não competitivo de músicos de rua de todo o mundo. Na edição de 2017, mais de 1 000 artistas de 35 nações diferentes participaram do festival, incluindo dançarinos, palhaços, equilibristas, malabaristas e outros artistas originais. Além disso, a cidade hospeda anualmente o Festival de balões Ferrara, um grande espetáculo de balão de ar quente.

Comunidade Judaica

A comunidade judaica de Ferrara é a única na Emilia Romagna com presença contínua desde a Idade Média até aos dias de hoje. Desempenhou um papel importante quando Ferrara desfrutou do seu maior esplendor nos séculos XV e XVI, com o duque Hércules I. A situação dos judeus deteriorou-se em 1598, quando a dinastia Este se mudou para Modena e a cidade ficou sob controlo papal. O assentamento judaico, localizado em três ruas em forma de triângulo perto da catedral, tornou-se um gueto em 1627. À parte de alguns anos sob Napoleão e durante a revolução de 1848, o gueto durou até a unificação italiana em 1859. Em 1799, a comunidade judaica salvou a cidade do saque das tropas do Sacro Império Romano. Durante a primavera de 1799, a cidade caiu nas mãos da República Francesa, que ali estabeleceu uma pequena guarnição. A 15 de abril, o tenente marechal de campo Johann von Klenau aproximou-se da fortaleza com uma modesta força mista de cavalaria, artilharia e infantaria austríaca reforçada por camponeses rebeldes italianos, comandados pelo conde Antonio Bardaniand e exigiu a sua capitulação. O comandante recusou. Klenau bloqueou a cidade, deixando um pequeno grupo de artilharia e tropas para continuar o cerco. Nos três dias seguintes, Klenau patrulhou o campo e capturou os pontos estratégicos circundantes de Lagoscuro, Borgoforte e a fortaleza de Mirandola. A guarnição sitiada fez vários ataques pela Porta de São Paulo, sendo repelidas pelos camponeses insurgentes. Os franceses tentaram dois resgates da fortaleza sitiada: o primeiro, a 24 de abril, quando uma força de 400 modenenses foi repelida em Mirandola e o segundo, o general Montrichard tentou levantar o bloqueio da cidade avançando com uma força de 4 000 homens. Finalmente, no final do mês, uma coluna liderada por Pierre-Augustin Hulin alcançou e aliviou a fortaleza.

Arte visual

Durante o Renascimento, a família Este, conhecida pelo mecenato das artes, acolheu um grande número de artistas, sobretudo pintores, que formaram a chamada Escola de Ferrara. A impressionante lista de pintores e artistas inclui os nomes de Andrea Mantegna, Vicino da Ferrara, Giovanni Bellini, Leon Battista Alberti, Antonio Pisanello, Piero della Francesca, Battista Dossi, Dosso Dossi, Cosimo Tura, Francesco del Cossa e Ticiano. Nos séculos XIX e XX, Ferrara recebeu novamente e inspirou vários pintores que se afeiçoaram à sua atmosfera misteriosa. Entre eles Giovanni Boldini, Filippo de Pisis e Giorgio de Chirico. Uma grande coleção de pinturas é exibida na Galeria Nacional do Palazzo dei Diamanti.

Literatura

Os literatos e poetas renascentistas Torquato Tasso (autor de Jerusalém Libertada), Ludovico Ariosto (autor do poema épico romântico Orlando Furioso) e Matteo Maria Boiardo (autor do grandioso poema de cavalaria e romance Orlando Enamorado) viveram e trabalharam na corte de Ferrara durante os séculos XV e XVI. A Bíblia de Ferrara foi uma publicação de 1553 da versão ladina do Tanakh usada pelos judeus sefarditas. Foi pago e feito por Yom-Tob ben Levi Athias (o espanhol Marrano Jerónimo de Vargas, como tipógrafo) e Abraham ben Salomon Usque (o judeu português Duarte Pinhel, como tradutor), e foi dedicado a Hércules II d'Este. No século XX, Ferrara foi a casa e local de trabalho do escritor Giorgio Bassani, conhecido pelos seus romances que muitas vezes acabaram adaptados para o cinema (The Garden of the Finzi-Continis, Long Night in 1943). Na ficção histórica, a autora britânica Sarah Dunant ambientou o seu romance de 2009, Sacred Hearts, num convento em Ferrara.

Religião

Ferrara deu à luz Girolamo Savonarola, o famoso padre dominicano medieval e líder de Florença de 1494 até à sua execução em 1498. Era conhecido pela sua queima de livros, destruição do que considerava arte imoral e hostilidade ao Renascimento. Pregava com veemência contra a corrupção moral de grande parte do clero da época, e o seu principal oponente era o papa Alexandre VI (Rodrigo Borgia). Durante o tempo em que Renata de França era duquesa de Ferrara, a sua corte atraiu pensadores protestantes como João Calvino e Olympia Fulvia Morata. A corte tornou-se hostil aos simpatizantes protestantes após o casamento da filha de Renata, Ana d'Este, com o fervorosamente católico Francisco II de Lorena, Duque de Guise.

Música

O músico ferrarense Girolamo Frescobaldi foi um dos mais importantes compositores de música de teclas no final do Renascimento e início do Barroco. A sua obra-prima, Fiori musicali (Flores Musicais), é uma coleção de música de órgão litúrgica publicada pela primeira vez em 1635. Tornou-se a mais famosa das obras de Frescobaldi e foi estudada séculos após a sua morte por vários compositores, incluindo Johann Sebastian Bach. Maurizio Moro, um poeta italiano do século XVI, mais conhecido por madrigais é pensado ter nascido em Ferrara.

Cinema

Ferrara é o berço dos diretores de cinema italianos Michelangelo Antonioni e Florestano Vancini. Este último filmou em Ferrara o seu filme de 1960 Long Night, em 1943. A cidade também foi cenário do famoso filme de 1970 Il giardino dei Finzi-Contini de Vittorio De Sica, que conta as vicissitudes de uma rica família judia durante a ditadura de Benito Mussolini e a Segunda Guerra Mundial. Além disso, Al di là delle nuvole (1995), de Wim Wenders e Michelangelo Antonioni, e Il mestiere delle armi (2001), de Ermanno Olmi, um filme sobre os últimos dias de Giovanni dalle Bande Nere, também foram filmados em Ferrara.

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Cidades geminadas

A cidade de Ferrara encontra-se geminada com as seguintes cidades:

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Fontes consultadas

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