Alcino (futebolista)
Alcino Neves dos Santos Filho, mais conhecido como Alcino, foi um futebolista brasileiro que atuou como atacante.
Início
Nascido em família humilde nos subúrbios do Rio de Janeiro, Alcino começou no clube de sua vizinhança, o Madureira - inicialmente, de modo recreativo, e, a partir dos 16 anos, nas categorias de base propriamente ditas do "Tricolor Suburbano". Ainda na base, despertou atenção de emissários do Flamengo, em cujos juvenis ele chegou a realizar treinos em 1967. Contudo, as finanças familiares só permitiram por seis meses os deslocamentos à Gávea, com Alcino descuidando-se da assiduidade também pela boemia precoce e gosto por contravenções e pequenos furtos. Ainda juvenil, Alcino também tentou jogar no Fluminense, mas não terminou liberado pelo Madureira. Em 1970, já destacando-se como artilheiro nos juvenis, teve suas primeiras chances no time principal do MAC, com três gols (um deles, sobre o Vasco da Gama em sete partidas pelo estadual no elenco treinado por Dequinha. Embora promissor, a postura descompromissada de Alcino em Conselheiro Galvão veio a render-lhe uma suspensão por tempo indeterminado na reta final. Como a maior parte de sua remuneração advinha das bonificações pós-vitórias, o atacante negociou então com o Olaria.
Remo
Alcino chegou em Belém em dezembro de 1970 e viria a ser considerado o maior ídolo do Remo. onde tornou-se tricampeão paraense (1973, 1974 e 1975) tornando-se artilheiro nestas edições - respectivamente, com 7 gols, 12 gols e 21 gols. Em paralelo, na vida pessoal, constituiu família, com esposa e filhos paraenses, alguns concebidos fora do casamento. Alcino também é o 2º maior artilheiro do Remo, com 158 gols marcados. atrás apenas de Dadinho. Seu brilho foi usado como argumento de reabilitação pelos advogados do clube para impedir a execução da pena de 64 meses de prisão à qual havia sido condenado, algo que fazia-o evitar viajar com o Remo para partidas no Rio de Janeiro, prevenindo-se da possibilidade de ser preso. A própria vítima do assalto veio a concordar e o processo criminal terminou arquivado em 1974, permitindo que Alcino, em 1975, se destacasse também como autor de um dos gols (juntamente com Mesquita) de recordada vitória remista dentro do estádio do Maracanã sobre o Flamengo de Zico.
Grêmio e Portuguesa
Alcino chegou ao Grêmio em contexto no qual o novo clube, que tivera seu recordista heptacampeonato gaúcho seguido acumulado na década de 1960 recentemente igualado em 1975 pelo arquirrival Internacional, buscou em Alcino e nos argentinos Agustín Cejas e Oscar Ortiz os principais reforços para impedir que a marca fosse superada. Alcino enfrentou a inconveniência de chamar-se de modo parecido com o maior artilheiro gremista, Alcindo, e não chegou a marcar gol no clássico Grenal. Mas teve bons momentos no antigo Olímpico Monumental, sagrando-se (com 17 gols) o artilheiro do estadual de 1976. O Tricolor venceu o primeiro turno, mas ao fim o Inter conseguiu estabelecer o recorde do octacampeonato. O treinador gremista Paulo Lumumba daria lugar a Telê Santana, que ao longo do Brasileirão de 1976 viria a desaprovar as contínuas indisciplinas de Alcino, engedrando a negociação do atacante com a Portuguesa. Foi contratado em março de 1977, em um cenário forte da Lusa para ser o parceiro do ícone local Enéas. A dupla teve bons momentos tanto no estadual de 1977, em que a equipe foi semifinalista, como na primeira fase do Brasileirão daquele ano, onde foi vice-líder do Grupo C, à frente do Corinthians.
Ainda artilheiro e campeão
Embora ainda possuísse propostas de clubes de expressão, Alcino optou em 1979 por aceitar boa oferta financeira e de mordomias extras apresentada pelo Atlético Goianiense. Teve individualmente bom desempenho no Dragão, com oito gols em sete jogos pelo Brasileirão daquele ano, mas sem que o coletivo permitisse ao clube goiano ir além do 62º lugar. A crise financeira que agravou-se no Atlético inviabilizou a permanência de Alcino, negociado em 1980 com a Internacional de Limeira. Na Inter de Limeira, Alcino foi uma das figuras em campanha destacada no Paulistão daquele ano - sexto lugar geral e eliminada pelo São Paulo somente na na prorrogação das semifinais do segundo turno.
Decadência
Dono do próprio passe ao ser liberado em novembro de 1981 pelo Paysandu, Alcino negociou com o Santa Cruz por novos fatores pessoais, ao receber ordem judicial que restringia-o de aproximar-se da família após episódio de agressão. Contudo, pouco atuou em Pernambuco: novos episódios de indisciplina fizeram a equipe coral rescindir em março de 1982 com o atacante. A inatividade o fez chegar a ter mais de cem quilos ao chegar ao seu clube seguinte, com quem acertou somente em janeiro de 1983 - o Rio Negro, onde esteve inicialmente até abril, pelo Brasileirão daquele ano. Ainda em 1983, Alcino atuou por outros três clubes, normalmente passando por três meses em cada um e sem maiores destaques: defendeu, na ordem, o Marília, o Sampaio Corrêa e o América de Natal, regressando então ao Rio Negro. Em sua segunda passagem pelo clube, teve relativo protagonismo no vice-campeonato amazonense de 1984, mas nova polêmica extracampo - ao acidentalmente, enquanto dirigia o ônibus que levava o elenco alvinegro, atropelar e matar um morador de rua. A tragédia faria Alcino deixar Manaus, voltando ao Rio de Janeiro em agosto de 1984 para defender o Campo Grande, equipe que recentemente havia vencido a segunda divisão brasileira em 1982 e feito um satisfatório campeonato carioca em 1983.
Reestabelecido no Pará, Alcino atravessou a década de 1990 com problemas financeiros, embora pudesse morar em sítio como funcionário de antigo dirigente do Remo e manter tanto hábitos relacionados ao álcool como ritmo de jogo em partidas de várzea - curiosamente, como goleiro, criando fama a ponto de ser brevemente empregado como treinador de goleiros do Ananindeua no início da década de 2000. Alcino integrou a Seleção Paraense ideal do século XX, em eleição promovida em 2000 entre cronistas da imprensa esportiva estadual. Em 2001, foi eleito como o melhor atacante remista. Na noite de entrega, ele recebeu o prêmio das mãos de seu filho caçula Edson, o qual não via havia mais de uma década, protagonizando naquela noite um dos mais belos e emocionantes encontros na TV esportiva do Estado. Alcino morreu em 20 de julho de 2006, vítima de câncer generalizado. Uma das últimas homenagens em vida foi proporcionada pela ESPN Brasil, celebrando-o no Mangueirão em dia de jogo na chamativa campanha feita pelo Remo na vitoriosa Série C com o qual o clube pôde festejar a temporada do centenário.


