Bielorrússia
Bielorrússia ou Belarus, oficialmente República da Bielorrússia ou República de Belarus, é um país sem saída para o mar localizado na Europa Oriental, que faz fronteira com a Rússia a nordeste, com a Ucrânia, ao sul, com a Polônia a oeste, e com a Lituânia e Letônia a noroeste. A sua capital é Minsk, e outras de suas principais cidades são Brest, Grodno (Hrodna), Gomel (Homiel), Mogilev (Mahilyow) e Vitebsk (Viciebsk). Cerca de 40% da sua área total de 207 500 km2 é coberta por florestas, e os seus setores econômicos que mais se destacam são a agricultura e a indústria manufatureira.
O nome "Bielorrússia" deriva da expressão Rússia Branca ("Branco-Rus"). Existem diversas teorias sobre a origem do nome "Rus Branco". O nome descrevia a área da Europa Oriental coberta por neve e povoada por povos eslavos, em oposição à Rutênia Negra, controlada pelos lituanos. Outra possível origem para o nome poderia ser a vestimenta branca utilizada no período pela população eslava. Outras hipóteses para o nome diriam respeito às terras meridionais do país (Polatsk, Vitsiebsk e Mahilyow), que não haviam sido conquistadas pelos tártaros; antes de 1267, toda a terra que não havia sido conquistada pelos mongóis era considerada parte do "Rus Branco", dado que bel ou biel também significaria "livre", num período em que a maior parte da Rússia se encontrava sob o jugo dos tártaros. O nome apareceu pela primeira vez na literatura medieval alemã e latina. Nas crônicas escritas por Jan de Czarnków, mencionava-se que o grão-duque lituano Jogaila e sua mãe teriam sido encarcerados, em 1381, em "Albae Russiae, Poloczk dicto". O termo latino "Alba Russia" foi utilizado novamente pelo Papa Pio VI, ao estabelecer ali uma Sociedade Jesuíta em 1783. Sua bula papal decretava: "Approbo Societatem Jesu in Alba Russia degentem, approbo, approbo". Historicamente, o país foi designado em idiomas ocidentais como "Rutênia Branca"; o primeiro uso de "Rússia Branca" para se referir à Bielorrússia se deu no fim do século XVI, pelo inglês sir Jerome Horsey. Durante o século XVII, os czares russos utilizaram o termo "Rus' Branco" para descrever as terras conquistadas do Grão-Ducado da Lituânia.
História antiga
Restos tanto do Homo erectus quanto do homem-de-neandertal foram encontrados na região. Durante o Neolítico o homem moderno se deslocou para a área, fundando de 5 000 a 2 000 a.C. a cultura Bandkerimik, que predominou na região. Cimérios e outros povos pastorais vagavam pela região por volta do ano 1 000 a.C., e ao redor de 500 a.C. os eslavos haviam se fixado ali, sofrendo alguma pressão dos citas que habitavam a periferia de seus territórios. Diversas invasões "bárbaras" de povos asiáticos passaram pela região, incluindo os hunos e ávaros, por volta de 400–600 d.C., que no entanto não removeram dali a presença eslava.
Idade Média e período moderno
A região da atual Bielorrússia foi colonizada pelas tribos eslavas no século VI. Gradualmente estas tribos entraram em contato com os varegues, grupos de guerreiros e comerciantes escandinavos. Embora tenham sido derrotados e exilados, por um breve período, pela população local, os varegues foram convocados de volta posteriormente, e ajudaram na formação de uma politeia, comumente conhecida como Rússia de Kiev, em troca do pagamento de tributos. O Estado constituído pelos rus' teve seu início por volta de 862, em torno da cidade de Kiev, na atual Ucrânia, e em torno da atual cidade de Novgorod, na Rússia. Com a morte do grão-príncipe Jaroslau I, o Sábio aquela nação se dividiu em principados independentes. Estes principados rutenos foram afetados com gravidade por uma invasão mongol ocorrida no século XIII, e diversos deles acabaram por ser incorporados ao Grão-Ducado da Lituânia. Destes principados que foram dominados pelo Ducado, nove haviam sido colonizados pelos ancestrais dos bielorrussos. Neste período o Grão-Ducado da Lituânia estava envolvido em diversas campanhas militares, incluindo combates na fronteira com a Polônia contra os Cavaleiros Teutônicos, na Batalha de Grunwald, de 1410; a vitória conjunta permitiu que o Ducado controlasse as fronteiras noroeste da Europa do Leste.
Século XX
Durante as negociações do Tratado de Brest-Litovsk, a Bielorrússia declarou sua independência pela primeira vez, em 25 de março de 1918, formando a República Popular Bielorrussa, criada sob ocupação alemã e uma das primeiras tentativas de se ocidentalizar o país. Imediatamente após a formação da República Popular iniciou-se a Guerra Polonesa-Soviética, e a Bielorrússia foi dividida entre uma Polônia que ressurgia e a Rússia soviética; a parte que ficou sob controle russo se tornou a República Socialista Soviética da Bielorrússia, em 1919, e eventualmente passou a integrar a República Socialista Soviética Lituano-Bielorrussa. As terras bielorrussas foram então divididas entre a Polônia e os soviéticos após o fim da guerra, em 1921, e a RSS Bielorrussa se tornou um dos membros fundadores da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, no ano seguinte. Ao mesmo tempo, a parte ocidental do país permaneceu sob ocupação polonesa.
A Bielorrússia é um país sem saída para o mar, relativamente plano, com grandes extensões de terreno pantanoso. De acordo com uma estimativa feita em 2005 pela Organização das Nações Unidas, 40% do país está coberto por florestas. Diversos riachos e cerca de 11 000 lagos podem ser encontrados na Bielorrússia. Três grandes rios cortam o país: o Neman, o Pripyat, e o Dnieper. O Neman corre em direção oeste, rumo ao mar Báltico, enquanto o Pripyat vai para leste, rumo ao Dnieper, que por sua vez deságua no mar Negro. O ponto mais elevado da Bielorrússia é o Dzyarzhynskaya Hara (Monte Dzyarzhynsk), com 345 m de altitude, e seu ponto mais baixo é o rio Neman, situado a 90 m. A altitude média do país é de 160 m acima do nível do mar. Seu clima apresenta invernos frios, com temperaturas médias, em janeiro, de −6 °C, e verões frescos e úmidos, com uma temperatura média de 18 °C. A Bielorrússia tem uma média de chuva anual de 550 a 700 mm. O país se situa na zona de transição entre o clima continental e o clima oceânico.
As florestas bielorrussas ocupam 40% da superfície do país. São limpas, bem gerenciadas e altamente protegidas. A Constituição estipula que as florestas pertencem ao Estado; portanto, não há florestas privadas no país. Entretanto, algumas áreas florestais são arrendadas a empresas internacionais. A extração de madeira é altamente regulamentada a fim de manter a cobertura florestal estável e muitas áreas são protegidas. O alto número de guardas florestais e um nível relativamente baixo de corrupção permite que o país aplique suas leis melhor do que muitos de seus vizinhos, tais como Rússia, Ucrânia ou Polônia. A política de proteção florestal é de longa data. O corte maciço de madeira começou a corroer gravemente as florestas do país no início do século XX. Em 1945, eles haviam sido reduzidos a 25% do território da Bielorrússia. Entretanto, a partir dos anos 1950, a política ambiental do regime soviético enfatizou o equilíbrio entre a exploração e a proteção dos recursos naturais, de modo que no início dos anos 1990 o país havia voltado para a área florestal do início do século.
Indivíduos de etnia bielorrussa constituem 81,2% do total da população do país. Os outros principais grupos étnicos são os russos (11,4%), poloneses (3,9%) e ucranianos (2,4%) Os dois idiomas oficiais do país são o russo e o bielorrusso; O russo é o principal idioma, utilizado por 72% da população, enquanto o bielorrusso, segunda língua oficial, é utilizado apenas por 11,9%. O polonês, o ucraniano e o iídiche oriental também são falados por minorias. A Bielorrússia tem uma densidade populacional de cerca de 50 hab./km2; 71,7% do total de sua população está concentrado nas áreas urbanas. Minsk, a capital e maior cidade do país, é lar de 1 741 400 dos 9 724 700 habitantes da Bielorrússia. Gomel, com 481 000 habitantes, é a segunda maior cidade do país, e capital do Voblast de Homel. Outras grandes cidades são Mogilev (365 100), Vitebsk (342 400), Hrodna (314 800) e Brest (298 300). Como muitos outros países europeus, a Bielorrússia tem um crescimento populacional negativo, e uma taxa negativa de crescimento natural. Em 2007 a população do país diminuiu em 0,41% e sua taxa de fertilidade era de 1,22. Sua taxa bruta de migração é de +0,38 por 1 000, indicando que a Bielorrússia tem uma imigração levemente superior à sua emigração. Em 2007, 69,7% da população do país tinha entre 14 e 64 anos de idade; 16% tem menos de 14, e 14,6% tem mais de 65. Sua população também está envelhecendo; enquanto a idade média atualmente é de 37, estima-se que a idade média dos bielorrussos estará entre 55 e 65 anos em 2050. Existem cerca de 0,88 homens para cada mulher no país.
Religião
Historicamente, a Bielorrússia teve a predominância de diferentes religiões, principalmente o cristianismo ortodoxo, o catolicismo (especialmente nas regiões ocidentais), diferentes denominações do protestantismo (especialmente durante o período de união com a Suécia protestante). Grandes minorias praticam o judaísmo e outras religiões. Diversos bielorrussos se converteram à Igreja Ortodoxa Russa depois que a Bielorrússia foi anexada pela Rússia, após a partilha da Comunidade Polonesa-Lituana. Como consequência, a ortodoxia russa tem atualmente mais adeptos que as outras denominações cristãs. A minoria católica romana do país, que forma cerca de 10% da população do país, e se concentra na parte ocidental do país, especialmente em torno de Hrodna, e é formada por uma mistura de bielorrussos e da minoria polonesa e lituana do país. Cerca de 1% da população pertence à Igreja Greco-Católica Bielorrussa. Atualmente, o país tem a maior proporção de católicos romanos em toda a Europa do Leste.
Idiomas
O bielorrusso é uma língua derivada da língua eslávica oriental, aparentada ao russo e ao ucraniano. Sob comando soviético, 80% das crianças foram ensinadas exclusivamente em russo, e russo era a língua oficial para todos os negócios e transações governamentais. Os nomes das ruas agora estão mudando e a educação está enfatizando mais a história e a literatura do país. Entretanto, russo é uma língua muito falada. As duas línguas oficiais do país são o russo e o bielorrusso. O russo é a língua mais usada no ambiente familiar, utilizada por 70% da população, enquanto o bielo-russo, a primeira língua oficial, é falado por cerca de 23% da população. As minorias também falam polonês, ucraniano e iídiche oriental. O bielorrusso, embora não seja tão amplamente usado como o russo, é a língua materna de 53,2% da população, enquanto o russo é a língua materna de apenas 41,5%.
A Bielorrússia é uma república presidencial, governada por um presidente e por uma assembleia nacional. De acordo com a constituição de 1994 do país, o presidente é eleito a cada cinco anos. No entanto, depois de uma eleição disputada em 1996, este mandato passou de cinco para sete anos. A Assembleia Nacional é um parlamento bicameral que compreende a Casa dos Representantes (câmara baixa), com 110 assentos, e o Conselho da República (câmara alta), com 64 assentos. A Casa dos Representantes tem o poder de indicar o primeiro-ministro, fazer emendas constitucionais, convocar um voto de confiança ao primeiro-ministro, e dar sugestões a respeito das políticas domésticas e externas. O Conselho da República tem o poder de escolher diversos oficiais governamentais, conduzir um julgamento de impeachment do presidente, e aceitar ou rejeitar as propostas aprovadas pela Casa dos Representantes. Cada câmara tem capacidade de vetar qualquer lei sancionada por oficiais locais, se estiver em desacordo com a Constituição da Bielorrússia.
Relações internacionais
A Bielorrússia e a Rússia têm sido parceiros comerciais e aliados diplomáticos desde o fim da União Soviética. A Bielorrússia é dependente da Rússia, tanto para importações de matéria-prima quanto para o seu mercado de exportação. A União da Rússia e Bielorrússia, uma confederação supranacional, foi criada com uma série de tratados feitos entre 1996 e 1999 que estabeleceram uma meta de união monetária, direitos iguais, cidadania única e uma política comum de defesa e relações externas. O futuro da União, no entanto, está em xeque, devido às adiações corriqueiras da questão da união monetária feitas pela Bielorrússia, à falta de uma data para o referendo sobre uma constituição, e uma disputa entre 2006 e 2008 a respeito do comércio de petróleo.
Forças armadas
As Forças Armadas da Bielorrússia têm três divisões: o exército, a força aérea e o estado-maior conjunto do Ministério da Defesa. O coronel-general Leonid Maltsev chefia o Ministério da Defesa, e Alexander Lukashenko (como presidente) ocupa o cargo de comandante-em-chefe. As forças armadas do país foram formadas em 1992, utilizando-se de partes das antigas Forças Armadas Soviéticas que se encontravam no território. A transformação das forças ex-soviéticas nas Forças Armadas da Bielorrússia, completada em 1997, envolveu a redução do número de soldados para 30 000, e a reestruturação de sua liderança e de suas formações militares. A maior parte dos membros dos forças armadas bielorrussas são conscritos, que servem por 12 meses se tiverem educação superior, ou por 18, se não a tiverem. Diminuições demográficas nos bielorrussos em idade para o recrutamento, no entanto, aumentaram a importância de soldados contratados, que totalizavam 12 mil em 2001. Em 2005, cerca de 1,4% do produto interno bruto da Bielorrússia era destinado aos gastos militares. A Bielorrússia não expressou intenção de se filiar à OTAN, porém participa de seu Programa de Parcerias Individuais desde 1997, e o país oferece seu espaço aéreo e apoio logístico para a missão da ISAF no Afeganistão. A Bielorrússia começou a cooperar com a OTAN após assinar documentos garantindo sua participação no programa de Parceria pelo Programa da Paz, da organização, em 1995. O país, no entanto, não pode se filiar a organização na medida em que pertence à Organização do Tratado de Segurança Coletiva.
Direitos Humanos e corrupção
A classificação do Índice de Democracia da Bielorrússia é a mais baixa da Europa, o país é rotulado como "não livre" pela Freedom House, como "reprimido" no Índice de Liberdade Económica, e é classificado como o pior país para a liberdade de imprensa na Europa no Índice de Liberdade de Imprensa 2021 publicado pelos Repórteres Sem Fronteiras, que classifica a Bielorrússia em 158º lugar num total de 180 nações. O governo bielorrusso é também criticado por violações dos direitos humanos e pela sua perseguição a organizações não governamentais, jornalistas independentes, minorias nacionais e políticos da oposição. Lukashenko anunciou uma nova lei em 2014 que proibirá os trabalhadores kolkhoz (cerca de 9% da força de trabalho total) de deixarem livremente os seus empregos -uma mudança de emprego e de local de habitação exigirá a autorização dos governadores. A lei foi comparada com a servidão pelo próprio Lukashenko: "Não esperem mais liberdade ilimitada". Regulamentos semelhantes foram introduzidos para a indústria madeireira em 2012.
A Bielorrússia está dividida em seis voblasts (em bielorrusso: voblastsi, singular voblasts — na época da União Soviética: oblasti, singular oblast), "províncias", que recebem o nome das cidades que lhes servem como centros administrativos. Cada voblast tem uma autoridade legislativa provincial, chamada de oblsovet ("conselho do voblast"), eleito pelos habitantes do voblast, e um autoridade executiva provincial, cujo líder é indicado pelo presidente. Os voblasts são subdivididos, por sua vez, em raions (comumente traduzidos como "distritos" ou "regiões"). Da mesma maneira, cada raion tem sua própria autoridade legislativa (raisovet, ou "conselho do raion"), eleito pelos seus residentes, e uma autoridade executiva, indicada por instâncias superiores do poder executivo. Em 2002 existiam seis voblasts, 118 raions, 102 cidades e 108 assentamentos urbanos. A cidade de Minsk, capital do país, se divide em nove distritos e recebe um status especial, devido à sua função de capital nacional. A Cidade de Minsk é gerida por um comitê executivo e recebeu do governo nacional um estatuto de autonomia.
A maior parte da economia bielorrussa continua a ser controlada pelo Estado, ou seja, ainda planificada como no período da URSS e foi descrita como de "estilo soviético". É considerado então um país tecnicamente socialista. 51,2% dos bielorrussos são empregados das companhias estatais, 47,4% são empregados de empresas bielorrussas privadas (dos quais 5,7% são ao menos em parte propriedade de empresas estrangeiras), 1,4% são empregados de empresas estrangeiras. O país depende da importação de determinados produtos, como o petróleo, da Rússia. Entre seus principais produtos agriculturais estão batatas e derivados do gado, incluindo carne. Na agricultura, em 2018, o país era um dos 5 maiores produtores do mundo de triticale e centeio, além de ter grandes produções de batata, maçã, aveia, beterraba-sacarina, trigo, milho, cevada, colza, entre outros produtos. Na pecuária, o país era, em 2019, um dos 25 maiores produtores do mundo de leite de vaca e tinha boas produções de carne de frango, carne suína e carne bovina, entre outros. As maiores exportações de produtos agropecuários processados do país em termos de valor, em 2019, foram: queijo (U$ 1 bilhão), carne bovina (U$ 500 milhões), manteiga (U$ 377 milhões), leite desnatado (U$ 285 milhões), carne de frango (U$ 267 milhões), óleo de colza (U$ 204 milhões), leite de vaca (U$ 168 milhões), coalhada (U$ 150 milhões), açúcar (U$ 122 milhões), soja (U$ 106 milhões), bebidas alcoólicas (U$ 103 milhões), entre outros.
Em 2008 existiam cerca de 3,718 milhões de linhas telefônicas fixas no país, e 8,639 de telefones celulares. A maior parte das linhas telefônicas são operadas pela Beltelcom, uma empresa de propriedade do Estado. Cerca de dois terços de todos os serviços telefônicos são geridos por sistemas digitais, e a média é de 90 telefones por cada 100 pessoas. Em 2009 existiam aproximadamente 113 000 provedores de internet na Bielorrússia, atendendo a cerca de 3,107 milhões de usuários. O principal conglomerado de mídia do país é a estatal BTRC que controla diversos canais de rádio e televisão, que transmitem tanto doméstica quanto internacionalmente, através tanto dos sinais tradicionais quanto da internet. A Rede de Transmissão de Televisão é uma das principais estações independentes de televisão no país, exibindo principalmente uma programação regional, com uma versão 'pirateada' da série americana The Big Bang Theory chamada de The Theorists ("Os Teóricos"). Diversos jornais, editados tanto em bielorrusso quanto em russo, circulam no país e fornecem informações gerais ou conteúdo de interesse específico, como política, negócios ou esportes. Em 1998 existiam menos de 100 estações de rádio na Bielorrússia; 28 estações de AM, 37 FM e 11 estações em ondas curtas.
Literatura
A literatura bielorrussa se inicia com os escritos religiosos do período entre os séculos XI e XIII; a poesia de Cirilo de Turau, do século XII, é representativa do período. No século XVII o poeta bielorrusso Simeão de Polatsk introduziu o barroco como um estilo da literatura russa. Por volta do século XVI Francysk Skaryna, residente de Polócia, traduziu a Bíblia para o bielorrusso; a tradução foi publicada em Praga e Vilnius entre 1517 e 1525, tornando-se o primeiro livro a ser impresso na Bielorrússia e no resto do Leste Europeu. O período moderno da literatura bielorrussa se iniciou no fim do século XIX; um importante escritor foi Yanka Kupala. Diversos escritores bielorrussos do período, como Uładzimir Žyłka, Kazimir Svayak, Yakub Kolas, Źmitrok Biadula e Maksim Haretski, escreveram para um jornal em bielorrusso chamado Nasha Niva, publicado em Vilnius.
Música
Durante o século XVII o compositor polonês Stanisław Moniuszko compôs óperas e peças de música de câmara enquanto residiu em Minsk. Durante sua estada, trabalhou com o poeta bielorrusso Vintsent Dunin-Martsinkyevitch, com quem criou a ópera Sielanka (Camponesa). No fim do século XIX, as principais cidades bielorrussas tinham suas próprias companhias de ópera e balé. O balé Rouxinol, de M. Kroshner, foi composto durante o período soviético, e se tornou o primeiro balé bielorrusso a ser apresentado no Grande Teatro Acadêmico Nacional de Balé, de Minsk. Após a Segunda Guerra Mundial, a música do país passou a ter como foco os sofrimentos do povo bielorrusso e daqueles que empunhavam armas em defesa da pátria. Durante este período A. Bogatyryov, criador da ópera Na Floresta Virgem de Polesye, serviu como "tutor" dos compositores bielorrussos. O Teatro Nacional Acadêmico de Balé recebeu o Prêmio Benois de la Dance, em 1996, como a principal companhia de balé do mundo.
Apresentações e festivais
O governo bielorrusso patrocina diversos festivais culturais, como o Bazar Slavianski em Vitebsk, que apresenta artistas, escritores, músicos e atores do país. Diversos feriados estatais, como o Dia da Independência e o Dia da Vitória, reúnem grandes multidões para assistir paradas militares e fogos de artifício, especialmente em Vitebsk e Minsk. O Ministério da Cultura do país financia eventos que promovem as artes e a cultura, tanto dentro quanto fora do país.
Trajes típicos
Os trajes típicos tradicionais bielorrussos se originaram no período da Rússia de Kiev. Devido ao clima frio, as roupas, costumeiramente feitas de linho ou lã, eram projetadas para manter o corpo aquecido. Costumam ser decorados com ornamentos elaborados, influenciados pelas culturas dos países vizinhos, como a Polônia, Lituânia, Letônia e Rússia, bem como de outras nações europeias. Cada região da Bielorrússia desenvolveu padrões ornamentais específicos. Um padrão ornamental utilizado em algumas das primeiras vestes típicas do país atualmente é utilizado para decorar a bandeira nacional bielorrussa, adotada num referendo controverso em 1995.
Culinária
A culinária bielorrussa consiste principalmente de vegetais, carne (especialmente de porco) e pães. Os alimentos costumam ser assados ou cozidos lentamente. Um típico bielorrusso come um café da manhã muito leve e duas refeições mais substanciais no resto do dia; o jantar costuma ser a refeição maior e mais importante. Pães feitos de trigo e centeio são consumidos no país, porém o centeio é mais abundante, já que as condições climáticas não favorecem o cultivo do trigo. Para mostrar hospitalidade, um anfitrião bielorrusso tradicionalmente oferece pão e sal ao receber um convidado ou um visitante. Entre as bebidas consumidas popularmente na Bielorrússia estão a vodka russa, feita de trigo, e o kvas, uma bebida de baixo teor alcoólico feita de pão preto maltado ou farinha de centeio. O kvass também pode ser combinado com vegetais fatiados, para formar uma sopa fria chamada okroshka.
Patrimônio da Humanidade
A Bielorrússia tem quatro sítios que foram classificados como Patrimônio da Humanidade: o Complexo do Castelo de Mir, o Castelo de Nesvij, a Belovejskaya Pushtcha (partilhada com a Polônia) e o Arco Geodésico de Struve (partilhado com outros nove países).


