Rio Guadiana
O rio Guadiana é um rio da Península Ibérica que nasce a uma altitude de cerca de 1 700 m, nas lagoas de Ruidera, na província espanhola de Cidade Real, renasce nos Ojos del Guadiana e desagua no oceano Atlântico, entre a cidade portuguesa de Vila Real de Santo António e a espanhola de Ayamonte. Com um curso total de 829 km, é o quarto mais longo da Península Ibérica. A bacia hidrográfica tem uma área de 67 700 km², situada, em grande parte, em Espanha.
Os romanos chamavam-lhe Anas que pode significar "dos patos", ou pode ser a partícula an que em celtibero significava água ou rio. Os mouros juntaram uádi (a palavra árabe para "rio") sendo então o Uádi Ana, passando ao português como Ouadiana e, mais tarde ainda para Odiana. Porém, desde o século XVI que, por influência castelhana, foi ganhando terreno a forma Guadiana (cognata de outros nomes árabes designando rios e que passaram ao castelhano com a forma inicial guad, como Guadalquivir, Guadalete, Guadalajara ou Guadarrama), sendo, hoje em dia, a forma consagrada.
É considerado como rio na comunidade autónoma de Castela-Mancha (Espanha), na fonte dos Ojos del Guadiana, situada no município de Villarrubia de los Ojos (província de Ciudad Real), a 608 m de altitude. Um dos rios que convergem na sua cabeceira é o Guadiana Alto, identificado toponímica e tradicionalmente como o troço superior do Guadiana. Porém, em termos hidrogeológicos não será assim, sendo habitual determinar o percurso desta corrente dentro do comprimento total do Guadiana. Este troço segue desde Viveros (Albacete), onde se origina o Guadiana Alto, até Argamasilla de Alba (província de Ciudad Real), onde a sua corrente superficial desaparece por infiltração no subsolo. Contabilizando este percurso, com cerca de 76 km, o Guadiana percorre uma distância total de 818 km, dos quais 578 km correspondem a território espanhol, 140 km a português e 100 km à zona fronteiriça. A sua bacia hidrográfica tem 67 733 km², sendo 81,9% em Espanha (55 513 km²) e 17,1% em Portugal (11 620 km²).
Não há consenso na identificação de qual seja o ponto preciso onde nasce o Guadiana. A teoria mais clássica e talvez mais discutível, provém de Plínio, o Velho. A sua hipótese era que o rio nascia nas lagunas de Ruidera e que se dividia em dois grandes troços, o Guadiana Alto ou Guadiana Velho e o Guadiana propriamente dito, separados entre si por um leito de rio subterrâneo. A lenda de um rio que desaparece e reaparece sobreviveu até ao século XX. Ainda agora se toma como referência em determinados artigos e manuais, além da tradição popular. No entanto, não existe nenhum leito subterrâneo, como também não parece defensável que sejam as lagunas de Ruidera o ponto de origem do Guadiana. De um ponto de vista hidrogeológico, também é discutível identificar o Guadiana Alto como o troço superior do Guadiana. Os históricos desencontros sobre o nascimento do Guadiana estão resolvidos por completo, pela consideração não de um ponto concreto de origem, mas de uma cabeceira composta pela confluência de vários rios, ribeiros e aquíferos. Entre eles, destacam-se os rios Ciguela, Záncara e Guadiana Alto ou Guadiana Velho, e o Aquífero 23 ou da Mancha Ocidental.
Rios Ciguela e Záncara
No contexto da confusão existente sobre o nascimento do Guadiana, uma das teorias que mais vingaram foi a de situar a sua origem na confluência do Rio Ciguela com o seu principal afluente, o Záncara, que ocorre perto de Ojos del Guadiana. Ambas as correntes são hoje consideradas como parte integrante da cabeceira deste rio, portanto decisivas para a sua configuração como curso, mas não a sua exacta origem. O Rio Ciguela nasce nos Altos de Cabreras (Cuenca), pertencentes ao Sistema Ibérico, a 1 080 m de altitude. Tem um percurso de 225 km de comprimento, ao longo dos quais recebe contribuição do Rio Jualón, Rio Torrejón, Rio Riánsares, Rio Amarguillo e Záncara. Este último procede das proximidades da Sierra de Altomira (Cuenca e Guadalajara).
Desde 2004, já se investiram milhões para retirar cerca de 300 mil toneladas desta planta infestante, o jacinto-de-água, mas a sua proliferação persiste. Ao longo dos últimos oito anos já foram extraídas mais de 293 toneladas da planta invasora que obrigou ao dispêndio de uma verba superior a 23 milhões de euros, sem que tivesse sido reduzida a sua proliferação. A sua extracção, aliada à colocação de barreiras no rio, impediu que o jacinto-de-água tivesse chegado às zonas de regadio tanto na Extremadura como nos sistemas de rega alimentados a partir de Alqueva. Contudo, a ameaça subsiste e obriga ao reforço das barreiras que a CHG colocou no rio Guadiana para impedir que a planta seja levada pela corrente do rio. Já foram detectadas situações em que a pressão desta invasora acabou por danificar as redes que sustêm o seu avanço.
No rio Guadiana existem 11 espécies de peixes autóctones e 11 espécies exóticas.


