Valentina Shevchenko
Valentina Anatolyevna Shevchenko é uma lutadora de artes marciais mistas quirguiz-peruana, ex-lutadora de Muay Thai e kickboxer, com a rara distinção de ter sido campeã profissional nas três modalidades. Atualmente, ela compete na categoria peso-mosca feminino do Ultimate Fighting Championship (UFC), onde é a atual e bicampeã peso mosca feminino do UFC e a primeira lutadora quirguiz a ganhar um campeonato do UFC. Em 17 de setembro de 2024, ela ocupava a 1ª posição no ranking peso por peso feminino do UFC. Ela é amplamente considerada uma das maiores artistas marciais mistas de todos os tempos.
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Shevchenko nasceu em Frunze, RSS Quirguiz, União Soviética, em 7 de março de 1988, em uma família russa-ucraniana de militares, mas ela se descreveu como russa[nota 1] em uma entrevista russa e sua língua nativa é o russo. Sua família tinha cidadania soviética e, posteriormente, quirguiz. Sua mãe, Elena Shevchenko, é presidente da associação nacional de Muay Thai do Quirguistão e ex-campeã de Muay Thai por múltiplas vezes. Seu pai, Anatoly Shevchenko, serviu na Frota do Pacífico da Marinha Soviética por três anos durante a Guerra Fria, e jogou pela seleção nacional de futebol do Quirguistão. Após se interessar por esportes de combate desde cedo, Valentina começou no Taekwondo aos cinco anos, por influência de sua irmã mais velha Antonina Shevchenko e de sua mãe, que também participavam do esporte. Aos 12 anos, ela migrou para o kickboxing e Muay Thai e depois para o vale-tudo estilo livre. Sua carreira no kickboxing começou em 2000, quando, também aos 12 anos, nocauteou uma oponente de 22 anos, ganhando o apelido de "Bullet" (Bala) de seu treinador Pavel Fedotov por sua velocidade no ringue. Ela viajou para o Peru com Fedotov e Antonina em 2007, onde se tornaram professores de artes marciais, e Fedotov acabou transferindo sua equipe para lá permanentemente. Mais tarde, ela obteve a cidadania peruana e é fluente em russo, inglês e espanhol. Ela também fala tailandês.
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De 2003 a 2015, Shevchenko venceu coletivamente mais de 90 lutas amadoras/profissionais em K-1, Muay Thai e kickboxing (oito foram vencidas por nocaute técnico, duas por nocaute). Ela sofreu sua primeira derrota no kickboxing ao lutar contra Debby Urkens (WFCA) em 2008 e a segunda contra Cong Wang em 2015. Shevchenko ganhou 8 medalhas de ouro (2003, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2012, 2014) quando competiu nos campeonatos mundiais da IFMA, bem como na Copa do Mundo Real da IMFA em 2015. Durante essas competições, Shevchenko derrotou a futura campeã peso palha feminino do UFC, Joanna Jędrzejczyk, três vezes e a futura lutadora do UFC, Lina Länsberg, uma vez. Shevchenko é considerada uma das melhores lutadoras de Muay Thai do mundo.
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Início de carreira
Shevchenko fez sua estreia profissional nas artes marciais mistas aos 15 anos, em 21 de abril de 2003, na Kyrgiz Federation of Kulatuu, contra a também estreante Eliza Aidaralieva. Ela venceu a luta por nocaute técnico no segundo round. Competindo em promoções regionais do Quirguistão, Rússia e Coreia, ela permaneceu invicta em suas 6 lutas seguintes, vencendo todas por finalização no primeiro round, antes de decidir dar uma pausa no MMA em 2006 para focar em sua carreira no Muay Thai e kickboxing. Ela retornou à competição ativa e fez sua estreia nos EUA contra a futura desafiante ao título do UFC, Liz Carmouche, em 30 de setembro de 2010, no C3 Fights em Concho, Oklahoma. Apesar de dominar sua oponente na maior parte do primeiro round, Shevchenko sofreu sua primeira derrota após uma controversa interrupção médica devido a um grande corte causado por um chute para cima ilegal. O árbitro decidiu não apontar a falta, o que resultaria em uma vitória por desqualificação para Shevchenko, e a luta foi interrompida pelo médico e considerada como uma vitória por nocaute técnico para Carmouche. Após se recuperar com sucesso de sua derrota no ano seguinte, derrotando Akjarkyn Baiturbaeva por decisão unânime e conquistando a primeira vitória por decisão de sua carreira no processo, Shevchenko fez outra pausa no esporte, durante a qual continuou a competir em lutas amadoras de Muay Thai.
Legacy Fighting Championship
Em 2014, foi anunciado que o Legacy FC havia contratado Shevchenko para o MMA e kickboxing. Ela enfrentou Jan Finney em 27 de fevereiro de 2015, no Legacy Fighting Championship 39, vencendo a luta por decisão unânime.
Ultimate Fighting Championship
Shevchenko fez sua estreia no UFC substituindo Germaine de Randamie em cima da hora contra Sarah Kaufman no UFC on Fox: dos Anjos vs. Cowboy 2. Ela venceu a luta por decisão dividida. Em sua segunda luta pela promoção, Shevchenko enfrentou Amanda Nunes no UFC 196 em 5 de março de 2016. Embora tenha tido um desempenho impressionante e forte no terceiro round, seu início lento nos dois primeiros deu os rounds para Nunes. Ela perdeu a luta por decisão unânime. Em sua terceira luta no UFC, Shevchenko enfrentou a ex-campeã peso galo feminino do UFC, Holly Holm, no UFC on Fox: Holm vs. Shevchenko em 23 de julho de 2016. Depois de perder o primeiro round, ela se recuperou para assumir o controle da luta e venceu por decisão unânime dominante.
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Shevchenko fez sua estreia no boxe profissional em 8 de maio de 2010, no Coliseo Marotta em Callao, Peru, contra a boxeadora brasileira mais experiente Halanna dos Santos. Ela venceu a luta por decisão unânime. Shevchenko lutou a partir de uma postura tradicional de kickboxing e usou técnicas de Muay Thai e táticas de grappling várias vezes durante a luta, mas não foi penalizada pelo árbitro, apesar das inúmeras reclamações de sua oponente. No ano seguinte, foi anunciado que Shevchenko lutaria contra a campeã de boxe Melissa Hernandez pelo cinturão Peso Leve da WIBA. Este anúncio foi recebido com muitas críticas de especialistas em boxe e outras boxeadoras, já que Shevchenko era uma lutadora não ranqueada com apenas uma luta de boxe profissional em seu cartel no momento do anúncio. Após supostamente ser ameaçada de ter seu título destituído por se recusar a defendê-lo contra Shevchenko, Hernandez vagou o cinturão em novembro, comentando que Shevchenko lutar por um título mundial era como "um tapa na cara" e que "é hora de alguém defender o boxe feminino". A lutadora peso-leve e multicampeã de boxe Ann Saccurato entrou para lutar contra Shevchenko pelo título vago da WIBA, mas o evento foi eventualmente cancelado.
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Uma kickboxer condecorada, Shevchenko é conhecida principalmente por seus contra-ataques precisos. Ela é reconhecida por sua habilidade excepcional de avaliar a distância do ataque de uma oponente e, em seguida, revidar com uma variedade de contra-ataques. Em uma entrevista de 2017, Shevchenko observou os desafios de aperfeiçoar essa técnica nas artes marciais mistas: "É diferente lutar contra uma wrestler e uma lutadora de trocação. Sentir a distância do soco dela é diferente." Depois de se esquivar de um golpe da oponente, Shevchenko frequentemente contra-ataca com um gancho de direita rápido, um chute rodado ou um soco giratório. Na ofensiva, ela faz uso regular de ganchos de direita avançando e combinações de dois socos. Ela também utiliza um chute na parte externa da perna, regularmente lançado no final de uma sequência ou nos estágios iniciais de um round. Além de sua trocação, Shevchenko também é uma grappler altamente qualificada e possui faixa preta em Judô, como demonstrado por suas múltiplas quedas contra Holly Holm, Jéssica Andrade, Alexa Grasso e Zhang Weili (tendo uma média de pelo menos 4 quedas em cada uma de suas lutas), sua finalização por chave de braço sobre Julianna Peña, e sua finalização por mata-leão sobre Priscila Cachoeira.
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Em 2013, Shevchenko foi uma competidora na quarta temporada do reality show peruano de dança e competição Combate, transmitido pela ATV. Ela ficou em primeiro lugar na competição junto com seu parceiro de dança, a estrela de reality shows sul-americana Alejandro “Zumba” Benitez. Em um dos episódios, ela participou de uma luta de exibição de wrestling contra o boxeador profissional peruano peso-médio David Zegarra, a qual ela venceu por finalização em menos de um minuto. Em 2015, Shevchenko foi eleita para o conselho executivo da IFMA como representante da comissão de atletas da organização. Ela também foi embaixadora da iniciativa "Sport is Your Gang" (O Esporte é a Sua Gangue) da IFMA no Peru, que oferecia treinamento de Muay Thai para jovens marginalizados como forma de dar-lhes uma alternativa a entrar para uma gangue ou participar de um estilo de vida violento. O projeto ganhou o Prêmio "Muaythai Spirit of Sport" em 2014.


