Xenia Alexandrovna da Rússia
Xenia Alexandrovna Romanova; em russo:, foi a quarta criança e primeira filha do czar Alexandre III da Rússia e da sua esposa Maria Feodorovna. Era uma das irmãs mais novas do czar Nicolau II.
A grã-duquesa Xenia da Rússia nasceu às quatro da manhã do dia 6 de abril de 1875 no Palácio Anitchkov em São Petersburgo. O seu avô paterno, o czar Alexandre II da Rússia ficou encantado com o nascimento da sua nova neta, tal como demonstram as palavras do seu manifesto anunciando o seu nascimento. No 25º dia do presente mês de Março [a Rússia utilizava um calendário diferente] a nossa adorada nora, Sua Alteza Imperial, a Czarinavich, esposa de Sua Alteza Imperial, o Czarevitch, trouxe a este mundo uma filha que recebeu o nome de Xenia. Recebemos este novo membro da família com uma nova graça de intervenção divina. A pequena Xenia foi baptizada no dia de aniversário do seu avô a 17 de abril de 1875 na capela do Palácio de Inverno. A pequena grã-duquesa usou um vestido de baptizado de algodão e renda feito pela sua mãe. Tinha um babete removível com o símbolo da família Romanov bordado e uma coroa imperial. Os padrinhos de Xenia foram a sua avó paterna, a czarina Maria Alexandrovna, o seu avô materno, o rei Cristiano IX da Dinamarca, o irmão do pai, grão-duque Vladimir Alexandrovich e a irmã mais nova da mãe, a princesa Tira da Dinamarca (mais tarde Duquesa de Cumberland).
Xenia tinha dois irmãos mais velhos, o futuro czar Nicolau II e o grão-duque Jorge Alexandrovich, bem como dois irmãos mais novos, o grão-duque Miguel Alexandrovich e a grã-duquesa Olga Alexandrovna. Xenia e os irmãos foram criados de forma simples e a sua residência oficial era o Palácio de Gatchina. Quando era mais nova, Xenia era uma “maria-rapaz” e muito tímida. Em fevereiro de 1880, um grupo de niilistas conseguiu entrar no Palácio de Inverno e colocaram uma bomba na sala de jantar da família. A bomba explodiu e causou grandes danos, mas felizmente a família tinha atrasado o jantar e ninguém ficou ferido. O pai de Xenia enviou-a a ela e aos irmãos imediatamente para o Palácio de Yelagin onde estariam em segurança. A mãe de Xenia escreveu à sua mãe na Dinamarca: As pobres crianças estão felizes por estar fora da cidade e a aproveitar este lugar. Tragicamente, no dia 13 de março de 1881, quando tinha 6 anos, Xenia testemunhou a morte do seu avô Alexandre II que foi assassinado por uma bomba que fez explodir a sua carruagem. O seu pai ascendeu ao trono e tornou-se o czar Alexandre III.
Em 1884, Luís IV, Grão-Duque de Hesse fez uma visita ao Palácio de Peterhof juntamente com a sua família para o casamento da sua segunda filha, Ella, com o tio de Xenia, o grão-duque Sérgio Alexandrovich. Foi a primeira vez que Xenia viu a sua futura cunhada Alexandra Feodorovna que na altura tinha 12 anos e ainda se chamava Alice. As duas deram-se muito bem e brincaram juntas durante muito tempo. A sua nova tia Ella também criou um laço muito especial com Xenia e com o seu irmão Nicolau. Em 1888, Xenia e Alexandra começaram a escrever uma à outra. Xenia era a “galinha” e Alexandra a “galinha velha”. Xenia e a sua família viviam em constante medo de morte às mãos dos terroristas. Em 1887, quando a família estava prestes a entrar num comboio para fazer a viagem de regresso a Gatchina de São Petersburgo, o seu pai foi informado de que vários estudantes tinham sido detidos por transportarem livros que continham bombas e que tinham como objectivo ser atiradas à família imperial. Um dos cinco terroristas enforcados em resultado desta tentativa de assassinato foi Alexandre Ulyanov, irmão mais velho de Vladimir Lenine.
Xenia e o seu primo, o grão-duque Alexandre Mikhailovich (conhecido por "Sandro" entre a família e amigos), brincavam juntos desde a infância e a sua relação começou como sendo simplesmente amigos. Quando chegou à adolescência, Xenia apaixonou-se pelo seu primo 9 anos mais velho que era um grande amigo do seu irmão Nicolau. Em 1886, quando Alexandre de 20 anos estava a servir na marinha, Xenia de 11 anos enviou-lhe um postal quando o seu navio se encontrava no Brasil: Felicidades e volta depressa! A tua marinheira, Xenia. Em 1889, Alexandre escreveu sobre Xenia: Ela tem 14 anos. Acho que gosta de mim. Xenia e Alexandre queriam casar-se desde o momento em que ela completou 15 anos. Foi uma atracção na qual os seus pais não estavam inclinados para confiar, uma vez que Xenia era muito nova e eles não tinham a certeza sobre a personalidade de Alexandre. Finalmente, em janeiro de 1894, os pais de Xenia aceitaram o noivado depois do pai dele, o grão-duque Miguel Nikolaievich, tio do pai de Xenia, intervir, apesar da czarina Maria Feodorovna se queixar da arrogância e falta de educação de Alexandre.
Filhos
Xenia e Alexandre tiveram sete filhos juntos: Um dos descendentes de Xenia poderia ser actualmente o líder da família Romanov, mas todos os seus filhos tiveram casamentos inválidos, por isso, se a monarquia voltasse à Rússia, nenhum deles poderia subir ao trono. Em 1913, a filha de Xenia, Irina, expressou a sua vontade de se casar com o príncipe Félix Yussupov, herdeiro da maior fortuna privada da Rússia. Félix tinha decidido que Irina seria uma esposa perfeita, mas Xenia não ficou feliz com a perspectiva de aceitar o casamento da sua única filha com ele devido à sua reputação duvidável. Chegaram a aparecer rumores de que ele teve um caso com o grão-duque Demétrio Pavlovich. Maria Feodorovna tinha ouvido estes rumores e pediu uma reunião com ele. Ela terá dito: Não te preocupes, eu farei tudo o que estiver ao meu alcance pela tua felicidade.
A atracção romântica entre Xenia e o seu marido não durou muito. Durante a última gravidez de Xenia em 1907, Alexandre teve um caso com uma mulher identificada como “Maria Ivanovna” enquanto estava no Sul de França. Um ano depois também Xenia começou um caso com um homem inglês a quem chamava “Fane” e apenas se referia a ele como “F” nos seus diários. Eles trocaram correspondência até ao início da Primeira Guerra Mundial. Depois de Alexandre e Xenia admitirem os casos um ao outro o seu casamento entrou em crise. Apesar de ainda se sentirem apaixonados um pelo outro, começaram a dormir em quartos separados e a levar vidas diferentes. A sua cunhada, a czarina Alexandra Feodorovna comentou sobre o casamento: Coitada da Xenia, com todos aqueles filhos e a com a filha casada com aquela família imoral – e com um marido tão falso. Antes da revolução, Alexandre tinha-se desencantado com o rumo que a Rússia estava a tomar e com a vida na Corte. Tanto ele como Xenia passavam a maior parte do tempo fora do país, mas ambos regressaram antes do início da Primeira Guerra Mundial. Depois da revolução, ambos se separaram e conseguiram escapar da Rússia.
Xenia tinha uma relação próxima com o seu irmão e a esposa antes de eles se casarem. Quando Nicolau e Alexandre se mudaram para o Palácio de Inverno depois do casamento, Xenia e Alexandre passavam longas noites juntos com eles na sala de entretenimento. Alexandra estava isolada do resto da família Romanov e, além das suas duas cunhadas, Xenia e Olga, apenas a rainha Olga da Grécia a tentava compreender. Eventualmente um grande ressentimento começou a crescer entre Xenia e Alexandra devido ao facto de Xenia, para além da primeira filha, Irina Alexandrovna, ter dado à luz apenas rapazes saudáveis. Em contraste, Alexandra tinha quatro filhas seguidas e nenhum herdeiro masculino. Em 1902, toda a família imperial russa esperava desesperadamente o nascimento de um herdeiro. Xenia escreveu que, nesse ano, Alexandra teve um pequeno aborto – se lhe podemos chamar um aborto de todo! Apenas saiu um pequeno óvulo! Alexandra acreditava que estava grávida devido à influência maligna de um charlatão francês chamado Philippe Nizier-Vachot. Vachot tinha convencido a impressionável e desesperada czarina de que ela estava grávida de um rapaz. Xenia estava preocupada e contou à dama-de-companhia da mãe, Ainda não consegui chegar perto de encontrar a origem do misterioso, senão falso, Phillipe.
Além de Nicolau, Xenia era dedicada aos seus outros irmãos, o grão-duque Jorge Alexandrovich e o grão-duque Miguel Alexandrovich. Ambos estavam destinados a morrer tragicamente antes dela. Jorge morreu de tuberculose em 1899 e Miguel foi brutalmente assassinado em Perm em 1918. A morte de Jorge, embora esperada, foi traumática, uma vez que agora o seu irmão Miguel estava mais perto do trono. Sem nenhum homem de Nicolau e Alexandra, se ambos os seus irmãos morressem, o trono seria entregue ao grão-duque Vladimir Alexandrovich, patriarca do ramo Vladimirovich da família e odiado pela família imperial. Xenia tinha esperança de que Miguel se casasse e partilhasse a sua tristeza quando surgiu a hipótese de uma união entre ele e a princesa Beatriz de Saxe-Coburgo-Gota, mas esta foi negada pela igreja. O nascimento de um rapaz de Nicolau e Alexandra trouxe alivio a ambos os irmãos. Por não poder casar com a princesa que queria e já não sendo czarevich, Miguel queria ter uma relação feliz. Isto levou a que se separasse da sua família quando se casou com Natasha Sergeyevna sem a permissão do czar. O casal foi exilado como castigo. Xenia não discriminou o irmão pela sua escolha, uma vez que ela própria estava a passar por dificuldades no seu casamento e compreendia a sua atitude. Ela recebeu Miguel e a sua esposa em Cannes em 1913 e tentou convencer Nicolau a perdoá-lo. Mais tarde o czar permitiu a entrada de Miguel na Rússia, mas sem a sua esposa. Xenia também conseguiu acalmar a sua mãe e, finalmente em julho desse mesmo ano, Maria Feodorovna aceitou encontrar-se com Miguel e até recebeu a sua esposa Natasha.
Guerra Russo-Japonesa
Como outros membros da família, Xenia estava grata por o seu pai ter mantido a Rússia fora de guerras. No dia 25 de janeiro de 1904, Xenia escreveu no seu diário, Foi declarada guerra! Que Deus nos ajude! A Rússia estava então em guerra com o Japão. No mês anterior, Xenia tinha mencionado ao ministro da guerra que não haveria guerra pois o seu irmão não queria guerra. Ela disse que não havia razão para lutar contra o Japão e a Rússia não precisava da Coreia. O ministro da guerra confessou tristemente que a Rússia não seria capaz de controlar a situação. Em fevereiro de 1905, o tio de Xenia, o grão-duque Sérgio Alexandrovich foi morto por uma bomba em Moscovo. Xenia quis ir para o lado de Isabel, mas disseram-lhe que a situação era demasiado perigosa. Pouco depois soube-se da derrota da Rússia na Coreia. Que terrível! Que pesadelo! Porquê, porque estamos a ser castigados por Deus?! Estou a caminhar como se estivesse a sonhar, incapaz de compreender o que se passa, escreveu ela. Xenia tinha-se mostrado contra a guerra e acrescentou a sua opinião, Um fim ainda mais estúpido! Na altura ela encontrava-se na Crimeia com o seu marido e filhos e ficou aterrorizada. Em outubro, o seu irmão foi obrigado a concordar com a formação de uma Duma. Alguns membros da família viram isto como o fim da autocracia na Rússia. O seu marido demitiu-se da sua posição no ministério da marinha mercante e a família passou o Natal em Ai-Todor na Crimeia por ser perigoso viajar para Norte.
Primeira Guerra Mundial
O rebentar da Primeira Guerra Mundial apanhou Xenia e a sua mãe desprevenidas. A primeira estava na França e a segunda em Londres. As duas combinaram encontrar-se em Calais onde o comboio privado de Maria Feodorovna estava à espera para as levar para a Rússia. Elas estavam confiantes de que o Kaiser as deixaria passar, mas quando chegaram a Berlim descobriram que a linha férrea para a Rússia tinha sido fechada. Quando ouviram que o Youssupov também estavam em Berlim, Maria Feodorovna pediu-lhes para se juntarem a elas no comboio. Depois de uma situação complicada em Berlim, foi dada finalmente autorização para o comboio seguir para a Dinamarca. Xenia e a mãe chegaram a casa pela Finlândia. Quando chegaram a casa, Xenia, Sandro e Maria Feodorovna viveram juntos no Palácio de Yelagin. Miguel obteve também autorização para regressar e juntou-se à família no dia 1 de agosto.
No dia 25 de fevereiro, escreveu no seu diário: Há distúrbios na cidade, até dispararam contra a multidão, dizem eles, mas tudo está calmo em Nevsky. Eles estão a pedir pão e as fábricas estão de greve. Não há fim para o pesadelo e há tantos rumores por aí. Diz-se que o comboio do Nicky foi parado e que ele foi forçado a abdicar!” Mais tarde ela escreveu, “Infelizmente o Nicky não compreendeu o perigo. Se o Nicolau tivesse reagido mais cedo e garantido as condições impostas pela Duma podia ter salvado o trono. Estas horas fizeram toda a diferença! Maria Feodorovna escreveu-lhe sobre a reunião com Nicolau em Mogiliev: Ainda não consigo acreditar que este horrível pesadelo é real! Mais tarde ela também escreveu, Não sei nada do pobre Nicky, por isso estou a sofrer horrivelmente. Xenia tentou ver o seu irmão, mas o governo provisório não lhe deu permissão. Não vendo futuro onde estava, Xenia voltou para Ali-Todor no dia 25 de março, dia do seu 42º aniversário.
No dia 17 de maio de 1920, Xenia recebeu os direitos das as propriedades de Nicolau na Inglaterra por ser a irmã mais velha do falecido czar. O seu valor era de 500 libras. O seu marido Sandro estava a viver em Paris. Em 1925, a situação financeira de Xenia tinha-se tornado desesperadora. Seu primo direto, o rei Jorge V, permitiu que ela vivesse em Frogmore Cottage, uma boa casa no Windsor Great Park. Ela escreveu ao primo em agradecimento: Mais tarde, teve de lidar com as afirmações fraudulentas de Anna Anderson que dizia ser sua sobrinha Anastásia. Sua irmã Olga ressaltou que se aparecessem mais gastos excessivos por parte da família, sua mãe deixaria de receber a pensão do rei britânico. Em julho de 1928, dez anos depois do suposto assassinato de Nicolau, Alexandra e filhos, todos assumiam que eles estavam mortos e, por isso, a família lutava pelas suas possessões, principalmente a propriedade finlandesa, mas não conseguiram.


