Alexandre Ramagem
Alexandre Ramagem Rodrigues ComMM é um ex-delegado de polícia e político brasileiro, filiado ao Partido Liberal (PL). Foi diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) de 2019 a 2022, durante o governo Jair Bolsonaro, e deputado federal de 2023 a 2025.
Graduado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), ingressou no Departamento de Polícia Federal em 2005, onde comandou as divisões de Administração de Recursos Humanos e de Estudos, Legislações e Pareceres (2016 e 2017). Com larga experiência em investigações contra o tráfico de drogas, atuou na área de coordenação de eventos como a Copa do Mundo de 2014, a Olimpíada de 2016 e a Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e fez parte da equipe da Lava-Jato no Rio de Janeiro. Em outubro de 2007, o delegado Alexandre comandou a Operação Metástase, que prendeu 32 pessoas suspeitas de fraudar licitações públicas da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Em entrevista, o delegado explicou que foram diversas as formas de fraude praticadas, desde editais que não eram devidamente publicizados, passando por preços acima do mercado e até acordos por fora para definir o vencedor da licitação (que repartia o lucro com o resto da organização criminosa). As fraudes englobavam contratos da Funasa nas áreas da saúde indígena, saneamento básico, compras de medicamentos e transporte aéreo. A PF descobriu que o dinheiro desviado pelas fraudes vinha de emendas orçamentárias da bancada de Roraima no Congresso; segundo Ramagem, no entanto, não havia evidências que os parlamentares soubessem dos crimes.
ABIN
Em julho de 2019, o delegado Ramagem foi nomeado Diretor-Geral da Agência Brasileira de Inteligência. No cargo, entre outras atribuições, Alexandre era responsável por coordenar as atividades de inteligência no âmbito do Sistema Brasileiro de Inteligência e assistir o Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, ao qual a agência é vinculada. Na sua liderança da Abin, a agência assinou um acordo de cooperação com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais. A autarquia se comprometia a ajudar o tribunal a criar um "Núcleo de Inteligência", além de disponibilizar seus cursos aos juízes e servidores; em troca, o tribunal disponibilizaria seu banco de dados de processos judiciais com a agência, com exceção dos processos em segredo de justiça.
Indicação a Diretoria da PF
Em 24 de abril de 2020, o presidente Bolsonaro resolveu demitir o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, decisão que gerou uma crise no governo. Sergio Moro, o então ministro da Justiça, viu-se surpreso com a demissão e pediu exoneração do cargo. Ao sair, Moro denunciou à imprensa que a troca se deu por preocupação de Bolsonaro com inquéritos da PF. No domingo, dia 26, a Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) mandou uma carta aberta ao presidente revelando preocupação com o futuro da organização. Os delegados denunciavam a "crise de confiança" causada pelos eventos recentes, tanto para a sociedade quanto para a própria polícia, e que impunham ao próximo diretor o desafio de mostrar independência.
Candidatura a deputado federal
Alexandre Ramagem se manteve na direção da ABIN até 30 de abril de 2022, quando se exonerou para se candidatar, pela primeira vez, a um cargo legislativo. Em 2 de outubro de 2022, Ramagem foi eleito deputado federal, pelo Partido Liberal (PL) para representar o Estado do Rio de Janeiro, com 59 170 votos. Na Câmara, foi um dos deputados que, no dia 16 de setembro de 2025, votou a favor da PEC 3/2021, conhecida como PEC da Blindagem.
ABIN Paralela
Já em dezembro de 2019 a então deputada Joice afirmou ter ouvido falar sobre uma "Abin paralela". Segundo seu depoimento à CPMI das Fake News, foi Carlos Bolsonaro quem teria tomado a iniciativa para criar a estrutura paralela, e também que teria sido ele quem havia indicado Ramagem para a chefia da Abin. Em 2024, a Procuradoria-Geral da República viu indícios de que Alexandre Ramagem, enquanto diretor da Abin, teria se corrompido para evitar a divulgação de informações sobre o uso do software de espionagem First Mile durante sua gestão no órgão, passando a ser investigado pela Operação Última Milha, da Polícia Federal. No dia 25 de janeiro foi deflagrada a Operação Vigilância Aproximada, como desdobramento da Última Milha, tendo Alexandre Ramagem como um dos alvos de busca e apreensão.
Candidatura à Prefeitura do Rio de Janeiro
Em 22 de julho de 2024, o Partido Liberal oficializou a candidatura de Alexandre Ramagem à prefeitura do Rio do Janeiro. O anúncio foi feito em convenção na sede do partido, em reunião fechada. O prefeito incumbente, Eduardo Paes, foi reeleito ainda no primeiro turno com 60,26% dos votos válidos; Ramagem recebeu 31,07% dos votos. Em entrevista após o pleito, ele se declarou "muito satisfeito" com o resultado, destacando que enfrentara a máquina política do prefeito e, mesmo assim, "saímos de 2% e chegamos a mais de 30%", percentual que seria o bastante para ir ao segundo turno em outras capitais.
Em 21 de novembro de 2024, Ramagem foi indiciado junto de Jair Bolsonaro e ex-integrantes de seu governo por abolição violenta do estado democrático de direito, golpe de estado e organização criminosa. Em 11 de setembro de 2025, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Alexandre Ramagem a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão em regime inicial fechado por crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, além do pagamento de multa fixada em 50 dias-multa, cada dia-multa atribuída o valor de um salário mínimo, isto é, um total de R$ 75 900. Ramagem também deve perder o cargo de deputado federal, bem como o cargo de delegado da Polícia Federal, uma vez que o Código Penal prevê a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo em caso de condenação, em regime fechado, a um ano ou mais, por "abuso de poder ou violação de dever para com a Administração Pública".
Prisão
Em 13 de abril de 2026, o ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi detido nos Estados Unidos por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), órgão responsável pela fiscalização migratória no país. Ramagem foi preso em Orlando, na Flórida, e levado a um centro de detenção na cidade. Segundo informações da Polícia Federal brasileira, a prisão ocorreu por questões relacionadas à situação migratória do ex-parlamentar. Mas já no dia 15 de abril após dois dias da prisão foi solto e pediu asilo político nos EUA.
Alexandre Ramagem é casado com Rebeca Teixeira Ramagem Rodrigues, nascida em Fortaleza, antiga delegada civil de Roraima e atual procuradora.


