Arlete Salles
Arlete Sales Lopes é uma atriz brasileira. Muito conhecida por se destacar entre os pioneiros da teledramaturgia nacional, iniciou sua prolífica carreira ainda na década de 1950, tornando-se, ao longo dos anos, consagrada em sua profissão. Salles é ganhadora de vários prêmios, com destaque para um Grande Otelo, um APCA e dois Prêmios Qualidade Brasil, além de ter sido laureada com o prestigiado Troféu Mário Lago por sua contribuição artística.
Juventude e primeiros trabalhos
Arlete Sales Lopes nasceu em Paudalho, distante 37 km de Recife, capital de Pernambuco, em 17 de junho de 1938. Ela é filha de Lourenço Lopes da Silva, um sanfoneiro, e Severina Salles Torres, uma enfermeira. Durante sua infância, mudou-se para Recife, em sua adolescência, começou a trabalhar como instrumentadora em um consultório odontológico para ajudar financeiramente sua família. Nos momentos livres, Arlete gostava de ouvir radionovelas e sonhava em atuar profissionalmente. Aos quinze anos, soube que a Rádio Jornal do Comércio, em Recife, estava procurando por novos talentos e resolveu fazer um teste. Embora não tenha sido selecionada como atriz devido à falta de experiência, sua voz grave chamou atenção e ela conseguiu um emprego como locutora. Mesmo assim, conseguiu participar de algumas novelas, embora admita que nunca teve a voz típica de uma jovem apaixonada e nunca viveu uma grande história de amor.
Salles iniciou sua trajetória profissional na década de 1950, quando aos quinze anos de idade passou a atuar como locutora na Rádio Jornal do Commercio, em Recife, capital do estado onde nasceu. Casou-se com o ator Lúcio Mauro em 1958 e com ele integrou a Companhia Barreto Júnior, fazendo sua estreia profissional como atriz na peça de comédia A Cegonha se Diverte, sob a direção de Graça Mello. A atriz foi honrada com um prêmio de Melhor Atriz Revelação em um festival de teatro por esse trabalho. Nos anos seguintes, na década 1960, fez parte da equipe dos Diários Associados com trabalhos na Rádio Tamandaré e na TV Rádio Clube de Pernambuco. Neste período, com a inauguração de uma filial da TV Tupi em Recife, Salles fez testes e foi convidada para participar de montagens de teleteatro da emissora, ganhando projeção local com suas performances. Este foi o pontapé inicial para que ela se mudasse para o Rio de Janeiro, ao lado do então marido Lúcio Mauro e o amigo José Santa Cruz, como contratados do elenco fixo de atores da TV Tupi carioca. Nos anos finais da década de 1960, apareceu em diversos programas na grade da emissora, não apenas como atriz, mas também como apresentadora de alguns programas ao lado do marido.
Atriz de telenovelas e consolidação artística (1968—1976)
Após quase uma década de carreira, em 1967, Salles foi contratada pela recém inaugurada TV Globo para o elenco da telenovela Sangue e Areia, escrita por Janete Clair, para o papel de Mercedes. Curiosamente, sua personagem era mãe da personagem de Myriam Pérsia, apesar de ambas as atrizes terem a mesma idade na época, apenas 22 anos. Para dar maior veracidade à personagem, Arlete precisou utilizar maquiagem pesada para aparentar uma idade mais avançada. Em janeiro de 1969, fez uma participação especial – como Gladys – no último capítulo da novela A Gata de Vison. Contudo, seu primeiro papel de destaque na emissora foi em A Ponte dos Suspiros (1969), escrita por Dias Gomes sob o pseudônimo de Stella Calderón. Nesta produção, interpretou a rainha Impéria, a antagonista da trama ambientada em Veneza no ano de 1500 e protagonizada pelo casal do momento Yoná Magalhães e Carlos Alberto.
Papéis centrais na televisão (1977—1986)
No ano de 1977, Salles foi selecionada para interpretar uma das protagonistas da telenovela Sem Lenço, Sem Documento, escrita por Mário Prata, que abordava as relações entre empregadas domésticas e suas empregadoras. Integrando o núcleo do quarteto de irmãs pernambucanas que migraram para o Rio de Janeiro em busca de trabalho como domésticas, ela contracenou ao lado de Isabel Ribeiro, Ilva Niño e Ana Braga. Na trama, Arlete interpretou Dorzinha, uma mulher ingênua e sonhadora apaixonada por fotonovelas, que aspirava viver um romance tão intenso quanto o de sua personagem favorita ao lado de seu namorado, Juvenal (Luiz Orioni). No ano seguinte, em A Sucessora (1978), escrita por Manoel Carlos, Arlete desempenhou o papel de Germana Steen. A atriz destacou que esta novela representou um marco na história da teledramaturgia brasileira. Ela teve a oportunidade de atuar novamente ao lado de Kadu Moliterno, que interpretava seu marido na trama. Em uma entrevista ao Memória Globo, Arlete descreveu sua personagem como uma mulher madura que mantinha um relacionamento com um marido mais jovem, a quem exercia controle de forma tirânica. Para concluir a década de 1970, Arlete participou da segunda versão de Cabocla (1979), interpretando a dançarina espanhola Pepa.
Atriz premiada e consagrada (1987—1999)
Após o término de Dona Beija, Arlete encerrou sua breve passagem pela TV Manchete e reassumiu seu contrato com a TV Globo. Entre março e outubro de 1987, participou da novela O Outro, escrita por Aguinaldo Silva, no papel da governanta Vilma. Na trama, Vilma é retratada como uma mulher que nutre uma paixão duradoura pelo patrão Paulo Della Santa, interpretado por Francisco Cuoco. Ela o serve com devoção e resignação, reconhecendo seu papel de criada. À medida que a história se desenrola, é revelado que Vilma teve uma filha com ele. Arlete voltou a trabalhar com Aguinaldo Silva em Tieta (1989), uma novela de grande impacto protagonizada por Betty Faria no papel-título. Nesta produção, interpretou Carmosina, uma solteirona inquieta. A atriz considera este seu melhor trabalho na televisão, pois, conforme suas próprias palavras, havia muitas semelhanças entre ela e a personagem, já que conheceu várias mulheres como Carmosina durante sua residência em Recife.
Popularidade em Porto dos Milagres e Toma Lá, Dá Cá (2000—2009)
No início do novo milênio, em 2000, foi vista em mais dois episódios de Você Decide: "A Viagem" e "Ídolos de Barro". Ainda foi convidada para mais uma participação especial no programa Sai de Baixo, dessa vez no episódio "Vestida Pra Rebolar" como Margot Fontana. Salles recebeu aclamação por sua performance da grande vilã Augusta Eugênia na novela Porto dos Milagres (2001), de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares. Na trama, que se passa na fictícia cidade de Porto dos Milagres, Augusta é considerada a grande dama local, a qual vive sob essa tradição para se manter no poder. Sua personagem ganhou muita repercussão entre o público por seu tom cômico e vilanesco. Tornou-se um dos papéis mais marcantes de Arlete e ela foi premiada duplamente no Prêmio Qualidade Brasil como melhor atriz de televisão, nas edições de São Paulo e Rio de Janeiro, além de ter sido indicada ao Prêmio Contigo! de TV de melhor atriz cômica.
Retorno às telenovelas e novos projetos (2010—2019)
Após o término de Toma Lá, Dá Cá, em 2010, Arlete participou de episódios das séries S.O.S. Emergência e A Vida Alheia. Em 2011, retornou às telenovelas após uma ausência de cinco anos, interpretando a taxista Vilma Moreira Prado em Fina Estampa, em mais uma colaboração com Aguinaldo Silva. No ano de 2013, integrou o elenco do filme Até que a Sorte nos Separe 2. Nos anos subsequentes, a atriz esteve envolvida em projetos de menor duração, fazendo participações em seriados como Louco por Elas (2013), A Grande Família (2013) e no reboot de Sai de Baixo (2013). Também realizou uma participação na novela teen Malhação Casa Cheia, entre dezembro de 2013 e fevereiro de 2014. Em 2014, esteve em cartaz com a peça O Que o Mordomo Viu, sendo posteriormente substituída por Marisa Orth devido à necessidade de remoção de um tumor. Arlete retornou para as últimas sessões da peça em 2015, após sua recuperação. Foi diagnosticada com câncer de mama no início de 2014, o que levou a uma redução de seus trabalhos para focar no tratamento da doença.
Protagonismo aos 80 e destaque recente (2020—presente)
Em 2020, diante do surgimento da pandemia de COVID-19, Arlete participou de projetos gravados de maneira remota para prevenir o contágio. Ela esteve em dois episódios da série Diário de um Confinado, protagonizada por Bruno Mazzeo, no papel de Tia Rita. Além disso, interpretou Olga no episódio "Gilda e Lúcia" da série Amor e Sorte e no especial de fim de ano Gilda, Lúcia e o Bode, derivado da mesma série. Em 2021, Arlete fez uma participação especial no quarto episódio da 4ª temporada da série dramática Sob Pressão, atuando ao lado de Ary Fontoura como Esmeralda, em um episódio que abordava o HIV entre os idosos. Também em 2021, Arlete estrelou o filme de comédia Amigas de Sorte, dirigido por Homero Olivetto, ao lado de Susana Vieira e Rosi Campos. No filme, elas interpretam um trio de amigas que decide viajar para o Uruguai para quebrar a rotina, encontrando-se em diversas confusões.
Imagem: TV Brasil · BY · Openverse
Relacionamentos
Em 1958 casou-se com o ator Lúcio Mauro. Com ele teve dois filhos, o ator Alexandre Barbalho e o cineasta Gilberto Salles. Já casada com Lúcio Mauro, ingressou na Companhia Barreto Júnior, onde estreou profissionalmente em espetáculos de comédia. Em 1963, o casal se mudou para o Rio de Janeiro, onde se concentrava as maiores produções artísticas do país, para desenvolver a carreira. O casamento chegou ao fim no final da década de 1970. Também nesse período, Arlete casou-se com o ator Tony Tornado. Em uma entrevista recente, Arlete relembrou que as pessoas usavam a narrativa de que ela se separou de Lúcio Mauro por conta de seu novo relacionamento como uma desculpa para o racismo direcionado a Tony Tornado. Ela afirmou que a diferença não era a cor da pele, mas sim o fato de que "essa mulher" (referindo-se a ela mesma) ter supostamente abandonado maridos e filhos para seguir uma paixão. Atualmente, ela tem dois netos, o ator Pedro Medina e Joana, ambos filhos de Alexandre.
Saúde
Em janeiro de 2014, Arlete descobriu um nódulo maligno em um de seus seios e foi diagnosticada com câncer de mama. Ela passou por tratamento de quimioterapia e radioterapia, além de uma cirurgia, e se recuperou da doença em novembro do mesmo ano. Em 2022, revelou ter sido diagnosticada com herpes-zóster, doença crônica infecciosa causada pelo vírus da catapora. A atriz participou da série documental Dor, do Globoplay, contando sua experiência com a doença.


