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Língua tâmil

A Língua tâmil ) ou tâmul é uma língua dravídica falada por cerca de 68 milhões de pessoas no sul da Índia, Sri Lanka, Mianmar, Malásia, Indonésia, Vietnã, Singapura e ainda em zonas do sul e leste da África, pelo povo tâmil.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/07/2026
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História

O tâmil tem registros datando do século V a.C. O Tolkāppiyam, primeira obra literária da língua, datada entre os séculos III a.C. e III d.C., também é conhecido pela historiografia como um dos mais antigos estudos de gramática, nesta obra aparece pela primeira vez o nome da língua, cujo significado foi entendido por estudiosos da língua como Franklin Southworth e Kamil Zvelebil por algo como 'sua própria língua'. Autores como S. V. Subramanian, por outro lado, entendem o termo como significando 'som doce', o que é aproximado pelo léxico tâmil da Universidade de Madras, que define a palavra como 'doçura'. Convencionalmente, a história da língua é dividida em três épocas: antiga, média e moderna.

Tâmil antigo

O tâmil antigo, a forma mais antiga registrada da língua, estima-se ter emergido caracteristicamente de uma protolíngua dravídica do sul da Índia por volta do século III a.C. Desta língua originaram-se todas as outras grandes línguas dravídicas, com exceção de brami e kurux, e teria se originado da língua proto-dravídica, falada no milênio III a.C.na foz do rio Godavari, por volta do II milênio a.C.Os textos deste período são escritos em uma variedade da escrita brami e a princípio se limitavam a inscrições em cavernas e em cerâmica, estas sendo datadas a partir do século V a.C. O Tolkāppiyam é o primeiro texto longo na língua tâmil. Muitos poemas, datados entre os séculos I e V, também foram preservados. O alfabeto vattelluttu começa a tomar o espaço do brami no século VI, marcando a transição para o tâmil médio, na mesma época em que surgem o alfabeto grantha, posteriormente simplificado pelo Império Palava, em forma como é frequentemente chamado alfabeto pallava.

Tâmil médio

Acredita-se que a transição para o tâmil médio tenha estado completa por volta do século VIII. Inovações como o tempo presente, a coalescência de nasais alveolares e dentais e o desaparecimento do aytam são características deste período. O alfabeto pallava e o vattelluttu eram os mais utilizados, com o kolezhuthu também adquirindo certa relevância. Pertence a este período o Nannul, gramática tâmil até hoje usada como referência padrão. Esta variante se tornaria a língua malaiala na região de Querala por volta do século XIV, caracterizando-se como o tâmil moderno por volta do século XVII em Tâmil Nadu e Seri Lanca.

Tâmil moderno

Embora o tâmil formal tenha uma gramática razoavelmente estática a partir da codificação do Nannul no século XIII, a língua tâmil hoje possui particularidades fonológicas claras, algumas transformações de algumas formas gramaticais neste período e, sobretudo, uma linguagem coloquial distanciada deste antigo padrão. O alfabeto grantha sobrevive ativamente até o século XX, quando se completa sua substituição pelo alfabeto tâmil.

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Fonologia

Vogais

As vogais são classificadas em curtas e longas (cinco de cada) e dois ditongos. As vogais longas têm o dobro de duração em comparação com as vogais curtas. Os ditongos são uma vez e meia mais longos que as vogais curtas, embora os gramáticos os coloquem junto às vogais longas. /ɯ/ é alofone de /u/ no final de palavras.

Consoantes

A língua tâmil restringe encontros consonantais. Existem regras bem definidas para o vozeamento de plosivas na forma escrita do tâmil. Plosivas são desvozeadas quando no começo de palavras, em encontros consonantais com outra plosiva e quando geminadas; são vozeadas noutras posições.

Sândi

Sândi (chamado de puṅarci em tâmil) é o termo para mudanças sonoras que ocorrem quando dois morfemas ou palavras se encontram. Ocorre inserindo -y- quando seguindo vogais frontais (exceto ai em tâmil falado) e -v- quando posteriores (exceto au e ō em tâmil falado):

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Escrita

Consoantes

As letras em tâmil que representam as consoantes são conhecidas como meyyeḻuttu ('letras do corpo'). Na descrição gramatical tradicional do tâmil, as consoantes (mei) são classificadas em três categorias com seis em cada: vallinam ('duras'), mellinam ('suaves' ou nasais) e idayinam ('médias').

Vogais

Em tâmil, os glifos usados para representar as vogais são chamados de uyireḻuttu ('letra da vida'), e funcionam como diacríticos ou modificadores dos meyyeḻuttu. As vogais são divididas em curtas e longas (cinco de cada), além de dois ditongos.

Forma composta

Como a escrita tâmil é um abugida, uma sequência consoante-vogal é representada apenas como uma unidade. Usando a consoante 'k' como exemplo:

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Gramática

Enquanto o português é uma língua de ordem SVO, Tâmil é considerada uma língua de ordem SOV, por exemplo, a sentença em português "a raposa comeu a framboesa" seria "a raposa a framboesa comeu" em tâmil.

Pronomes

O tâmil tem pronomes honoríficos (que indicam deferência ou respeito), realiza a distinção t-v e tem inclusividade: distingue entre 'nós' exclusivo (não inclui o interlocutor) e 'nós' inclusivo (inclui o interlocutor). O modo formal da segunda pessoa do singular é idêntica à forma da segunda pessoa do plural, nīnga(ḷ). Os pronomes pessoais (nominativos) são: As consoantes em parênteses são deletadas quando no final da palavra (p.ex. ava pōrā 'ela vai'), mas estão presentes se sufixos são adicionados (p.ex. avaḷukku 'a ela' ou ava pōrāḷā? 'ela vai?'). A forma de sufixo dos pronomes são usadas no final da raiz de verbos para indicar pessoa e número do sujeito.

Substantivos

Os substantivos em tâmil têm dois gêneros, masculino e feminino, e dois números, singular e plural. O sufixo plural, -kaḷ, é inserido após a raiz do verbo e antes do sufixo de caso, se houver. Os substantivos em tâmil têm sete casos gramaticais: nominativo, dativo, acusativo, locativo, ablativo, associativo e instrumental. O caso nominativo marca o sujeito do verbo. Em tâmil, verbos no nominativo não recebem sufixos. Usado quando o verbo expressa movimento para o seu objeto; indica o objeto indireto ou posse (absorve o papel de genitivo). É usado com certos verbos estativos ou defectivos para indicar o sujeito. O caso acusativo marca o substantivo como 'objeto' ou 'paciente' de alguma ação. O marcador acusativo é -e. Substantivos inanimados não são normalmente marcados a não ser que o falante queira indicar algo específico ou definido.

Adjetivos

Adjetivos podem ser comparados usando viḍa (infinitivo do verbo viḍu 'sair, deixar'). A regra para construir uma sentença do tipo 'A é maior que B' seria 'B ACC viḍa A SUBS + -ā irukku'. Em tâmil, os superlativos podem ser formados através do uso do caso locativo mais o enfático ē. Por exemplo, 'Esta é a maior casa em (toda) Madurai' seria expresso em tâmil como 'Esta em-toda-Madurai-ENF grande casa'.

Verbos

Os verbos são divididos em sete classes, com três tempos verbais (presente, passado e futuro), três modos (indicativo, optativo e imperativo) e dois números (singular e plural). Indicativo é o modo verbal que expressa uma certeza, um fato. O primeiro sufixo adicionado após a raiz do verbo marca tempo, seguido pelo sufixo de pessoa, número e gênero. Optativo é o modo gramatical que indica desejo ou pedido. A forma optativa de um verbo é formada através da adição do sufixo -ka (alomorfo -kka nos verbos de classe VI e VII) ou -attum à raiz do verbo. O tâmil distingue entre imperativo plural e singular e entre imperativo positivo e negativo. A forma singular positiva é idêntica à raiz do verbo, portanto não há marcador. O imperativo singular negativo consiste da raiz do verbo com os sufixos -āt e -ē. Para o imperativo plural positivo, adiciona-se o sufixo plural -(u)ṅkaḷ à raiz raiz do verbo; pode ser interpretado tanto como para número singular e honorífico quanto para plural. Enquanto o imperativo plural negativo é formado pela raiz do verbo, seguido pelo negativo alomorfo -āt e pelo sufixo da segunda pessoa do plural -irkaḷ.

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Vocabulário

Tâmil tem relativamente menos empréstimos linguísticos que outras línguas dravídicas, mas foi influenciado pelo sânscrito, prácrito e hindi, também adotando algumas palavras do português e do inglês. Desde o século XX, o uso de palavras nativas é promovido em detrimento de palavras estrangeiras. Palavras onomatopeicas são numerosas e muitas são formadas via reduplicação.

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Exemplo

Artigo 1.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos em tâmil literário:

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