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Alferes

Alferes é um posto ou graduação militar existente nas forças armadas de alguns países. Normalmente, corresponde a um posto das categorias de oficial subalterno ou de cadete/oficial aluno.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 01/07/2026
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Etimologia

O posto de alferes existe em diversos países de língua portuguesa e a sua variante alférez em diversos países de língua espanhola. Existem duas teorias para a origem da palavra "alferes". A primeira é a de que é uma palavra derivada da língua árabe, onde o "al" é artigo definido e o "feres" significa cavalheiro (educado, especializado, de saber e gentil) ou cavaleiro (o homem que monta um cavalo e que se sabe portar em sociedade). A outra teoria é de que é derivada do termo latino "aquilifer", que designava o soldado que transportava a águia (insígnia das legiões romanas). Em países de línguas eslavas, os postos correspondentes aos de alferes, designam-se por termos que se referem a um porta-bandeira ou porta-estandarte. São os casos dos termos "прапорщик [praporshchik]" em russo e "chorąży" em polaco. Em outras línguas, os postos equivalente a alferes são designados por termos que, etimologicamente, designam diretamente um tipo de bandeira usado pela infantaria e que, por extensão, passaram também a designar o seu porta-bandeira. São os casos dos termos "Fähnrich" em alemão, "Fänrik" em sueco, "enseigne" em francês e "ensign" em inglês.

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Origem

Na Península Ibérica medieval, eram chamados "alferes" os guerreiros que, em campanha, levavam a bandeira de uma unidade, de uma ordem militar ou mesmo de toda a hoste. Também existiam alferes em instituições não militares (como municípios, corporações profissionais ou organismos religiosos), os quais levavam as respetivas bandeiras em procissões ou outras cerimónias. No exército e na marinha, o transporte de um símbolo tão importante tornou igualmente importante a função de alferes. Em vários reinos ibéricos, o alferes da bandeira Real tornou-se no comandante-chefe de todo exército, subordinado apenas ao Rei. Os alferes das companhias e de outras pequenas unidades tornaram-se os segundos oficiais no comando, subordinados apenas aos capitães. Mais tarde a função de alferes tornou-se num posto de oficial militar, já sem a função permanente de transporte de uma bandeira.

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O posto de alferes em vários países

No Exército do Império Russo, o posto de пра́порщик [praporshchik] constituía a patente de oficial subalterno equivalente à de alferes. O termo tem origem em "прапор" [prapor], que significava "bandeira". Um praporshchik era, originalmente, um porta-bandeira das tropas da Rússia de Quieve. Inicialmente, o termo foi introduzido nos novos regimentos de streltsy de Pedro, o Grande, para designar o oficial de menor patente, sendo oficializado para toda a infantaria do Exército em 1722. Na cavalaria, o posto equivalente era o de корне́т [cornet] (corneta). As patentes de praporshchik e de cornet foram extintas pelos Bolcheviques, em 1917, e ambas substituídas pela de Комвзвода [komvzvoda] (comandante de pelotão). Por sua vez, em 1935, o posto de komvzvoda foi substituído pelo de Младший лейтенант [mladshiy leytenant] (tenente júnior). O posto de praporshchik foi reintroduzido no Exército Soviético em 1972, juntamente com o de Мичман [mishman] (guarda-marinha) na Marinha. Desta vez, já não designava um posto de oficial subalterno mas uma nova classe de suboficiais, então criada, intermediária entre a de oficial e a de sargento. A classe de praporshchik incluía as graduações de praporshchik (alferes) e stárshiĭ praporshchik (alferes superior).

Alemanha

Atualmente, nas Forças de Defesa Federais da Alemanha, Fähnrich (alferes) é uma graduação de oficial aluno. Etimologicamente, o termo "Fähnrich" designava a bandeira de uma unidade militar, por extensão passando também a designar o respetivo porta-bandeira. No Exército e na Força Aérea, atinge-se a graduação de Fähnrich depois de promoção a partir de Fahnenjunker (cadete). Posteriormente, cada Fähnrich será ainda promovido a Oberfähnrich (alferes superior), antes de poder receber a patente de oficial. As graduações de Fähnrich e Oberfähnrich são equiparadas, respetivamente, às de Feldwebel (segundo sargento) e de Hauptfeldwebel (primeiro sargento).

Brasil

Seguindo o modelo herdado do Exército Português, inicialmente, a primeira patente de oficial do Exército Brasileiro era a de alferes. Na reforma das Forças Armadas de 1930, sob comando de Getúlio Vargas, a patente foi substituída pela de segundo-tenente. Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, era alferes no Regimento de Dragões de Minas.

Estados Unidos

Até 1800, existiam os postos de ensign (alferes) e de cornet (corneta) no Exército dos Estados Unidos, que correspondiam à primeira patente de oficial, respetivamente, das armas a pé e da cavalaria. Nesse ano, ambos os postos foram substituídos pelo de second-lieutenant (segundo-tenente). Na Marinha, Guarda Costeira e outros serviços uniformizados de âmbito marítimo dos Estados Unidos, existe o posto de ensign que corresponde à menor patente de oficial. Equivale ao posto de segundo-tenente do Exército, Marines e Força Aérea. O posto de ensign foi introduzido na Marinha dos Estados Unidos em 1862, em substituição do de passed midshipman (guarda-marinha aprovado).

França

Na França, durante o Antigo Regime, o posto equivalente ao de alferes era o de enseigne. Originalmente, a enseigne (signa) era o tipo de bandeira usado por cada um dos regimentos de infantaria. Por extensão, a designação passou também a ser aplicada aos oficiais que tinham como função transportar a enseigne. No final do século XVIII, o posto de enseigne foi substituído pelo de sous-lieutenant (subtenente) no Exército Francês. Na Marinha, existia o posto de enseigne de vaisseau (alferes de navio de linha), equivalente ao de enseigne das tropas de terra. No final do século XVIII, também foi substituído pelo posto de sous-lieutenant de vaisseau (subtenente de navio de linha), mas a designação original foi reposta pouco depois. Hoje em dia, existem os postos de enseigne de vaisseau de priemière classe (alferes de navio de linha de 1ª classe) e enseigne de vaisseau de deuxième classe (alferes de navio de linha de 2ª classe), os quais constituem as duas patentes inferiores de oficial da Marinha. Correspondem, respetivamente, aos postos de tenente e de subtenente do Exército e da Força Aérea. Os titulares de ambos os postos de enseigne de vaisseau têm o tratamento genérico de lieutenant (tenente).

Portugal

Atualmente, em Portugal, alferes é um posto de oficial subalterno, intermediário entre o de tenente e o de aspirante a oficial, no Exército, na Força Aérea e na Guarda Nacional Republicana. Na Marinha Portuguesa, a patente equivalente é a de guarda-marinha ou subtenente. Os alunos dos cursos superiores de duração superior a cinco anos, da Academia Militar e da Academia da Força Aérea, são graduados em alferes no 6º ano, tendo a designação honorífica de "alferes alunos". Tal como nos restantes reinos ibéricos, no Portugal medieval, dava-se o nome de "alferes" aos porta-bandeiras dos exércitos, das unidades militares individuais, das ordens de cavalaria e de outras instituições. O alferes da bandeira Real, tinha o título de "alferes-mor de El-Rei", assumindo por inerência a função de comandante-chefe do Exército, durante parte da Idade Média,.

Reino Unido

Até final do século XIX, o posto de ensign (alferes) era a primeira patente de oficial nos regimentos de infantaria do Exército Britânico, excepto nas unidades de fuzileiros e de rifles (caçadores) onde, em vez de ensigns, existiam second lieutenants (segundos tenentes). Nos regimentos de cavalaria, o posto equivalente era o de cornet (corneta). Tanto o termo "ensign" (literalmente "signa") como o termo "cornet" se referem a tipos de bandeiras usados, respetivamente, pela infantaria e pela cavalaria. Em 1871, o primeiro posto de oficial em todas as armas passou a ser o de second lieutenant, sendo extintos os postos de ensign e de cornet. Competia aos ensigns e aos cornet, entre outras funções, a de transportarem as bandeiras regimentais. O termo "ensign" ainda é hoje usado, nos regimentos de guardas a pé, para designar o oficial que leva a bandeira nas cerimónias militares.

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Alferes-mor

Nos reinos ibéricos medievais, o alferes-mor era o alto oficial ao qual competia transportar a bandeira real. Posteriormente, assumiram também funções de comandantes dos exércitos.

Brasil

Durante o Império do Brasil, existiu o cargo honorífico de alferes-mor, segundo o modelo do alferes-mor de Portugal. Na sagração e coroação do Imperador D. Pedro I, serviu como alferes-mor, Manuel Inácio de Andrade, barão de Itanhaém.

Portugal

Desde o reinado de D. Afonso Henriques que existiu, na hoste Real, o cargo de alferes-mor. O alferes-mor tinha a função de transportar a bandeira Real nas cerimónias públicas e em campanha de ser o imediato do Rei no comando supremo da hoste. Como mais tarde as funções de comando o impediam de transportar efetivamente a bandeira, essa tarefa foi atribuída a um seu substituto, denominado "alferes-menor" ou "alferes pequeno". Durante o reinado de D. Fernando I, foram criados os cargo de condestável e de marechal de Portugal, aos quais foram atribuídas as funções de, respetivamente, comandante-chefe e segundo comandante do Exército. O alferes-mor passou a ser então apenas o terceiro oficial na hierarquia de comando, voltando a ter funções efetivas de transporte da bandeira real. Durante a Batalha de Toro, ficou famoso Duarte de Almeida - alferes-mor de D. Afonso V - pelo seu sacrifício na proteção da bandeira do rei.

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