Oceano Ártico
O oceano Ártico, localizado no Hemisfério Norte e em sua maioria na região polar ártica, é a menor, e mais rasa das cinco grandes divisões oceânicas do mundo.
O oceano Ártico ocupa uma bacia aproximadamente circular e cobre uma área de cerca de 14 056 000 km², quase do tamanho da Rússia. O litoral tem comprimento de 45 390 km. É cercado pelas massas terrestres da Eurásia, América do Norte, Gronelândia, e por várias ilhas. É geralmente considerado como incluindo a baía de Baffin, o mar de Barents, o mar de Beaufort, o mar de Chukchi, o mar Siberiano Oriental, o mar da Gronelândia, a baía de Hudson, o estreito de Hudson, o mar de Kara, o mar de Laptev, o mar Branco e outros corpos de água tributários. Está ligado ao oceano Pacífico pelo estreito de Bering e para o oceano Atlântico através do mar da Groenlândia e do mar do Labrador. A borda do oceano Glacial Ártico está repartida entre diversos mares secundários, separados por arquipélagos costeiros; da Escandinávia à Rússia e à América do Norte sucedem-se: o mar de Barents, o mar de Kara, o mar de Laptev, o mar da Sibéria Oriental, o mar de Chukchi, o mar de Beaufort e o mar de Lincoln, ao norte da América. Limitado por soleira de pequena profundidade, o oceano glacial Ártico realiza pouquíssimas trocas com as águas dos outros oceanos. Sob a banquisa, a massa de água fria (0 °C) é pouco salgada (menos de 30).
O paralelo 85 N é um paralelo no 85° grau a norte do plano equatorial terrestre, o qual marca o centro do oceano Ártico.
Dimensões
Conforme o sistema geodésico WGS 84, no nível de latitude 85° N, um grau de longitude equivale a 9,74 km; a extensão total do paralelo 85° é portanto 3 505 km, cerca de 8,5% da extensão do Equador, da qual esse paralelo dista 9 444 km, distando 558 km do Polo Norte
Cruzamentos
Assim como todos os paralelos ao norte da latitude 83°40' N que passam por Kaffeklubben (extremo norte da Gronelândia), o Paralelo 85 N e passa totalmente sobre o oceano Ártico e suas plataformas de gelo, sem cruzar terra firme.
O oceano está situado na zona de clima polar, em que as temperaturas mínimas podem descer abaixo de -50 °C, existindo frio permanente e pouca variabilidade sazonal. Os invernos são caracterizados por escuridão contínua e condições estáveis com céu limpo; os verões pelo Sol da meia-noite, céu nublado e ciclones com neve ou chuva, embora de fraca intensidade. A temperatura da superfície do oceano Ártico é praticamente constante, próxima do ponto de congelação da água do mar, pouco superior a 0 °C. No inverno o mar exerce uma influência moderadora, mesmo que coberto por gelo (na forma de banquisa), pelo que no Ártico nunca se verificam os extremos de temperatura que ocorrem na Antártida.
Imagem: No puede hacerlo otro · BY-NC-SA · Openverse
A Geografia desse oceano é de extrema solidão, com numerosos icebergs, que são água congelada à deriva e que não são como a Antártida ou a Groenlândia que são gelo de terra firme. Tal como na Antártida, a noite é bem escura e fria, e chega aos -75 °C. Ocorre o fenômeno de aurora polar (aurora boreal no norte e aurora austral no sul).
Cheio de gelo e neve, só algumas algas, líquenes, briófitas e fungos sobrevivem. Entre os animais encontram-se o urso-polar, focas, leões-marinhos, raposas-do-ártico, lebre-ártica, krill e alguns peixes e baleias.
O degelo do Ártico é principalmente causado pelo efeito de estufa (ou efeito estufa) e o aquecimento global, que juntos provocam o descongelamento rápido de vastas reservas de água doce. Em setembro de 2007 é registado, pelo satélite ENVISAT, o maior degelo do oceano Ártico, abrindo à navegação a passagem do Noroeste.
Fitoplâncton
Em 2012, cientistas do Laboratório de Pesquisa e Engenharia de Regiões Frias (CRREL) publicaram resultados que descrevem a descoberta da maior eflorescência algal de fitoplâncton conhecida no mundo. Os resultados foram inesperados, já que até então se acreditava que o plâncton crescia apenas após o derretimento sazonal do gelo, no entanto foram descobertas algumas algas sob vários metros de gelo marinho intacto. Embora o impacto ecológico da proliferação do fitoplâncton debaixo do gelo marinho e na fixação de carbono no oceano Árctico seja potencialmente acentuado, a prevalência destes acontecimentos no Ártico moderno e no passado recente era, até então, desconhecida. Os investigadores inicialmente calculavam que a causa para o gelo marinho do Árctico estar a tornar-se progressivamente mais verde, estava relacionada com as plantas marinhas microscópicas, o fitoplâncton, que cresciam sob o gelo. Mas isso não fazia sentido – o fitoplâncton precisa de luz para a fotossíntese, e o Ártico é supostamente escuro demais para que este sobreviva.
Devido à acentuada sazonalidade de 2 a 6 meses de sol da meia-noite e noite polar no Oceano Ártico, a produção primária de organismos fotossintetizantes, como algas do gelo [en] e fitoplâncton, limita-se aos meses de primavera e verão (março/abril a setembro). Importantes consumidores dos produtores primários no centro do Oceano Ártico e nos mares adjacentes incluem o zooplâncton, especialmente copépodes (Calanus finmarchicus, Calanus glacialis [en] e Calanus hyperboreus [en]) e eufásidos, bem como fauna associada ao gelo (por exemplo, anfípodes). Esses consumidores primários formam um elo importante entre os produtores primários e os níveis tróficos superiores. A composição dos níveis tróficos superiores no Oceano Ártico varia de acordo com a região (lado atlântico vs. lado pacífico) e com a cobertura de gelo marinho. Os consumidores secundários no mar de Barents, um mar da plataforma ártica influenciado pelo Atlântico, são principalmente espécies subárticas, incluindo arenque, bacalhau-do-atlântico e capelim. Nas regiões cobertas de gelo do Oceano Ártico central, o bacalhau-polar é um predador central dos consumidores primários. Os predadores de topo no Oceano Ártico — mamíferos marinhos como focas, baleias e ursos polares — caçam peixes.


