Pesquisa · Mapa mental

Alimento geneticamente modificado

Alimentos geneticamente modificados, às vezes chamados de alimentos bioengenheirados, são alimentos produzidos com base em organismos que, através das técnicas da engenharia genética, sofreram alterações específicas no seu material genético. Se esses alimentos provêm de organismos que receberam genes de outras espécies, são conhecidos como alimentos transgênicos (português brasileiro) ou alimentos transgénicos (português europeu). Essa técnica tem permitido a introdução de culturas agrícolas de traços diferenciados, assim como um controle sobre a estrutura genética bastante superior em relação ao que proporciona o melhoramento por mutação e a seleção artificial.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 06/07/2026
01

Definição

Alimentos geneticamente modificados são alimentos produzidos a partir de organismos que tiveram alterações introduzidas em seu material genético usando métodos de engenharia genética, em oposição ao cruzamento tradicional. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, “os alimentos produzidos a partir de ou utilizando organismos geneticamente modificados são frequentemente chamados de alimentos geneticamente modificados”. OGM é, segundo o artigo 3º, inciso V, da Lei Federal brasileira nº 11.105, de 24 de março de 2005, "o organismo cujo material genético (DNA/RNA) tenha sido modificado por qualquer técnica de engenharia genética". A lei exclui da categoria de OGM (pelo §1º do mesmo artigo) o organismo "resultante de técnicas que impliquem a introdução direta, num organismo, de material hereditário, desde que não envolvam a utilização de moléculas de DNA/RNA recombinante ou OGM, tais como: fecundação in vitro, conjugação, transdução, transformação, indução poliplóide e qualquer outro processo natural.

Tipos de modificações

Na maioria das vezes, quando se fala em alimentos geneticamente modificados, está-se referindo a produtos obtidos de organismos transgênicos. No entanto, OGM e transgênico não são sinônimos: todo transgênico é um OGM, mas nem todo OGM é transgênico. Um OGM é qualquer organismo cujo material genético foi alterado, através das técnicas da engenharia genética, sem que isso implique necessariamente na inserção de genes de outra espécie. Os organismos transgênicos têm genes inseridos neles que são derivados de outra espécie. Os genes inseridos podem vir de espécies dentro do mesmo reino (planta para planta, animal para animal), ou entre reinos (por exemplo, bactéria para planta). Em muitos casos, o material genético inserido tem que ser modificado ligeiramente para ser expresso de forma correta e eficiente no organismo hospedeiro. Alimentos produzidos a partir de ou utilizando organismos transgênicos são frequentemente chamados de alimentos transgênicos.

02

História

A manipulação genética de alimentos dirigida pelos seres humanos começou com a domesticação de plantas e animais por meio da seleção artificial, por volta de 13.000–11.000 a.C. O processo de reprodução seletiva, no qual organismos com características desejadas (e, portanto, com os genes desejados) são usados para gerar a próxima geração, enquanto os organismos sem essas características não são reproduzidos, é um precursor do conceito moderno de modificação genética. Com a descoberta do DNA no início do século XX e, posteriormente, com a constatação em 1946 de que ele pode ser transferido entre organismos, abriu-se caminho para que, a partir dos avanços em técnicas genéticas alcançados até a década de 1970, se tornasse possível alterar diretamente o DNA e os genes presentes nos alimentos. As enzimas microbianas geneticamente modificadas foram a primeira aplicação de organismos geneticamente modificados na produção de alimentos e foram aprovadas em 1988 pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos. No início da década de 1990, a quimosina recombinante foi aprovada para uso em diversos países. Tradicionalmente, o queijo era produzido utilizando o complexo enzimático coalho, extraído do revestimento do estômago de vacas. Cientistas modificaram bactérias para produzir quimosina, que também consegue coagular o leite, formando a coalhada usada na produção de queijo.

03

Métodos

A criação de alimentos geneticamente modificados é um processo de múltiplas etapas. O primeiro passo é identificar um gene útil de outro organismo que se deseja inserir. O gene pode ser obtido a partir de uma célula ou sintetizado artificialmente, sendo então combinado com outros elementos genéticos, incluindo uma região promotora e terminadora e um marcador selecionável. Em seguida, os elementos genéticos são inseridos no genoma do organismo-alvo. O DNA geralmente é inserido em células animais por microinjeção, podendo ser injetado diretamente no núcleo através da membrana nuclear da célula, ou por meio do uso de vetores virais. Nas plantas, o DNA é frequentemente inserido usando recombinação mediada por agrobactérias, biolística ou eletroporação. A eletroporação aplica um campo elétrico nas células, de modo a aumentar a permeabilidade da membrana celular, permitindo que produtos químicos, medicamentos ou DNA possam ser introduzidos. Biolística consiste na propulsão dos genes de interesse no interior das células com a ajuda de um canhão de DNA, com o qual se modifica o DNA da célula. As agrobactérias são parasitas de plantas que possuem a capacidade de transferir naturalmente seus genes para as plantas parasitadas, num processo conhecido como transferência horizontal de genes, elas são modificadas para receber genes escolhidos, e os transferem para as células-alvo.

04

Por organismo

Culturas agrícolas

Culturas geneticamente modificadas são plantas geneticamente modificadas utilizadas na agricultura. As primeiras culturas desenvolvidas tinham como destino a alimentação animal ou humana e forneciam resistência a certas pragas, doenças, condições ambientais, deterioração ou tratamentos químicos (por exemplo, resistência a um herbicida). A segunda geração de culturas buscou melhorar a qualidade, muitas vezes alterando o perfil nutricional. As culturas geneticamente modificadas de terceira geração poderiam ser usadas para fins não alimentares, incluindo a produção de agentes farmacêuticos, biocombustíveis e outros produtos de utilidade industrial, bem como para biorremediação. As culturas geneticamente modificadas têm sido produzidas para melhorar as colheitas por meio da redução da pressão de insetos, aumento do valor nutricional e tolerância a diferentes estresses abióticos. Até 2018, as culturas comercializadas globalmente limitavam-se principalmente a culturas de alto valor comercial, como algodão, soja, milho e canola, e a vasta maioria dos caracteres introduzidos proporcionava tolerância a herbicidas ou resistência a insetos.

Pecuária

Um gado geneticamente modificado é um organismo do grupo de bovinos, ovinos, suínos, caprinos, aves, equinos e peixes, criados para consumo humano, cujo material genético (DNA) foi alterado por meio de técnicas de engenharia genética. Em alguns casos, o objetivo é introduzir uma nova característica nos animais que não ocorre naturalmente na espécie. Uma revisão de 2003, publicada em nome da Food Standards Australia and New Zealand, examinou a experimentação transgênica em espécies de animais terrestres, bem como em espécies aquáticas, como peixes e crustáceos. A revisão examinou as técnicas moleculares utilizadas para a experimentação, bem como as técnicas de rastreamento dos transgenes em animais e produtos, bem como questões relacionadas à estabilidade dos transgenes.

Microorganismos

Os bacteriófagos são uma causa economicamente significativa de falha de cultura na produção de queijo. Diversos microrganismos de cultura – especialmente Lactococcus lactis e Streptococcus thermophilus – têm sido estudados para análise genética e modificação visando aumentar a resistência a fagos. Isso tem se concentrado especialmente em modificações plasmidiais e cromossômicas recombinantes. Microorganismos geneticamente modificados também estão sendo utilizados na agricultura e na saúde do solo. O Proven, um produto geneticamente modificado criado pela empresa de biotecnologia Pivot Bio, utiliza micróbios fixadores de nitrogênio em vez de nitrogênio sintético no solo para culturas como o milho.

05

Produtos derivados

Lecitina

A lecitina é um lipídio de ocorrência natural, encontrado na gema de ovo e em plantas produtoras de óleo. Atua como emulsificante e, por isso, é utilizada em diversos alimentos. Óleo de milho, soja e cártamo são fontes de lecitina, embora a maior parte da lecitina disponível comercialmente seja derivada da soja. Quando suficientemente processada, a lecitina muitas vezes se torna indetectável pelos métodos padrão de análise. Segundo a FDA, não há evidências que indiquem riscos à saúde pública quando a lecitina é utilizada em níveis comuns. A quantidade adicionada aos alimentos representa apenas de 2 a 10% dos 1 a 5 g de fosfoglicerídeos consumidos diariamente, em média. Ainda assim, preocupações de consumidores em relação a alimentos transgênicos também se estendem a produtos como a lecitina. Essas preocupações levaram a mudanças de políticas e regulamentações na Europa em 2000, quando foi aprovada a Regulamentação (CE) 50/2000, que passou a exigir rotulagem de alimentos contendo aditivos derivados de organismos geneticamente modificados, incluindo a lecitina. Devido à dificuldade de identificar a origem de derivados como a lecitina com os métodos atuais de análise, as regulamentações europeias exigem que aqueles que desejam comercializar lecitina no continente utilizem um sistema abrangente de preservação de identidade.

Açúcar

Os Estados Unidos importam 10% do seu açúcar, enquanto os 90% restantes são extraídos da beterraba-sacarina e da cana-de-açúcar. Após a desregulamentação em 2005, a beterraba resistente ao glifosato foi amplamente adotada no país, de modo que, em 2011, 95% da área cultivada com beterraba utilizava sementes resistentes ao herbicida. As beterrabas transgênicas são aprovadas para cultivo nos Estados Unidos, Canadá e Japão, sendo a grande maioria produzida nos EUA. Elas também são aprovadas para importação e consumo na Austrália, Canadá, Colômbia, União Europeia, Japão, Coreia, México, Nova Zelândia, Filipinas, Federação Russa e Singapura. A polpa resultante do processo de refino é utilizada como ração animal. O açúcar produzido a partir de beterrabas transgênicas não contém DNA nem proteínas — trata-se apenas de sacarose, quimicamente indistinguível do açúcar obtido de beterrabas não transgênicas. Análises independentes, conduzidas por laboratórios internacionalmente reconhecidos, confirmaram que o açúcar proveniente da beterraba Roundup Ready é idêntico ao açúcar derivado de beterrabas convencionais cultivadas em condições comparáveis.

Óleo vegetal

A maior parte do óleo vegetal usado no Brasil é produzido a partir de culturas transgênicas como milho, algodão e soja. O óleo vegetal é vendido diretamente aos consumidores como óleo de cozinha, gordura vegetal e margarina e é usado em alimentos preparados. Há uma quantidade extremamente pequena de proteína ou DNA da cultura original no óleo vegetal. O óleo vegetal é feito de triglicerídeos extraídos de plantas ou sementes e, em seguida, refinados, podendo ser posteriormente processados ​​por hidrogenação para transformar óleos líquidos em sólidos. O processo de refino remove todos ou quase todos os ingredientes não triglicerídeos.

06

Outros usos

Ração animal

Gado e aves são criados com ração animal, grande parte da qual é composta por sobras de processamento de safras, incluindo safras transgênicas. Por exemplo, aproximadamente 43% de uma semente de canola é óleo. O que resta após a extração do óleo é uma farinha que se torna um ingrediente na ração animal e contém proteína de canola. Da mesma forma, a maior parte da safra de soja é cultivada para óleo e farelo. O farelo de soja desengordurado e torrado com alto teor de proteína se torna ração para gado e ração para cães. 98% da safra de soja dos EUA é destinada à ração para gado. Em 2011, 49% da colheita de milho dos EUA foi usada para ração para gado (incluindo a porcentagem de resíduos de dreche). Apesar dos métodos se tornarem cada vez mais sensíveis, os testes ainda não conseguiram estabelecer diferenças na carne, no leite ou nos ovos dos animais, dependendo do tipo de ração com que são alimentados. É impossível dizer se um animal foi alimentado com soja transgênica apenas observando a carne, os laticínios ou os ovos resultantes. A única maneira de verificar a presença de OGM na ração animal é analisar a origem da própria ração.

Proteínas

A base da engenharia genética é o DNA, que direciona a produção de proteínas. As proteínas também são a fonte comum de alérgenos humanos. Quando novas proteínas são introduzidas, elas devem ser avaliadas quanto à potencial alergenicidade. O coalho é uma mistura de enzimas usada para coagular o leite na produção de queijos. Originalmente, estava disponível apenas no quarto estômago de bezerros, sendo, portanto, escasso e caro, ou proveniente de fontes microbianas, que muitas vezes resultavam em sabores indesejáveis. A engenharia genética tornou possível extrair genes produtores de coalho do estômago de animais e inseri-los em bactérias, fungos ou leveduras, fazendo com que esses microrganismos passassem a produzir quimosina, a principal enzima envolvida nesse processo. Após a fermentação, o microrganismo modificado é eliminado. A quimosina é então isolada do meio de fermentação, de modo que a quimosina produzida por fermentação (FPC) utilizada na indústria queijeira possui uma sequência de aminoácidos idêntica à do coalho bovino. A maior parte da quimosina aplicada permanece no soro, mas pequenas quantidades podem permanecer no queijo.

07

Benefícios

Alimentos geneticamente modificados são geralmente editados para apresentar algumas características desejadas, incluindo certos benefícios para a sobrevivência em ambientes extremos, um nível nutricional aprimorado, acesso a substâncias terapêuticas, desintoxicação e genes de resistência a pesticidas e herbicidas. Essas características podem ser benéficas para os humanos e o meio ambiente de determinadas maneiras. Uma meta-análise de 2014 concluiu que a adopção da tecnologia transgênica reduziu a utilização de pesticidas químicos em 37%, aumentou o rendimento das colheitas em 22% e aumentou os lucros dos agricultores em 68%. Essa redução no uso de pesticidas tem sido ecologicamente benéfica, mas os benefícios podem ser reduzidos pelo uso excessivo. Os ganhos de produtividade e as reduções de pesticidas são maiores para culturas resistentes a insetos do que para culturas tolerantes a herbicidas. Os ganhos de rendimento e lucro são maiores nos países em desenvolvimento do que nos países desenvolvidos. Os envenenamentos por pesticidas foram reduzidos em 2,4 a 9 milhões de casos por ano somente na Índia. As características combinadas de aumento da produtividade, redução do uso da terra, redução do uso de fertilizantes e redução do uso de máquinas agrícolas criam um ciclo de retroalimentação que reduz as emissões de carbono relacionadas à agricultura. Essas reduções foram estimadas em 7,5% do total de emissões agrícolas na União Europeia, ou 33 milhões de toneladas de CO2, e em cerca de 8,76 milhões de toneladas de CO2 na Colômbia.

Preparo para condições climáticas extremas

Plantas geneticamente modificadas podem apresentar maior resistência a condições climáticas extremas. Alimentos geneticamente modificados podem, ocasionalmente, ser cultivados em locais com condições climáticas desfavoráveis. A qualidade e o rendimento dos alimentos geneticamente modificados costumam ser aprimorados. Esses alimentos tendem a crescer mais rapidamente do que os cultivados de forma convencional. Além disso, o uso de alimentos geneticamente modificados pode ser benéfico na tolerância à seca e a solos pobres. Essas cultivares ganham destaque no contexto das mudanças climáticas e da desertificação, que impactam especialmente a agricultura no Brasil.

Melhoria nutricional

O aumento dos níveis de nutrientes específicos em culturas alimentares pode ser alcançado por meio da engenharia genética. O estudo dessa técnica, às vezes chamada de melhoria nutricional, já está bastante avançado. Os alimentos são cuidadosamente monitorados para adquirir qualidades específicas que se tornaram viáveis, como altos níveis de nutracêuticos e compostos benéficos à saúde, tornando-os um componente desejável de uma dieta variada. Entre os avanços mais notáveis da modificação genética está o arroz dourado, cujo genoma foi alterado pela inserção de um gene de vitamina A proveniente do narciso, possibilitando a produção de pró-vitamina A. Isso aumenta a atividade da fitoeno sintase, que, por sua vez, sintetiza maior quantidade de betacaroteno, além de permitir a modificação e o aprimoramento dos níveis de ferro e de sua biodisponibilidade. Essa alteração afeta a cor e o teor de vitaminas do arroz, o que é benéfico em locais onde a deficiência de vitamina A é comum. Além disso, o aumento nos teores de minerais, vitamina A e proteínas tem desempenhado um papel fundamental na prevenção da cegueira infantil e da anemia por deficiência de ferro.

Produção de substâncias terapêuticas

Os organismos geneticamente modificados, incluindo batata, tomate e espinafre, podem ser utilizados na produção de substâncias que estimulam o sistema imunológico a responder a patógenos específicos. Com o auxílio de técnicas de DNA recombinante, genes que codificam antígenos virais ou bacterianos podem ser transcritos e traduzidos em células vegetais. Anticorpos são frequentemente produzidos em resposta à introdução de antígenos, permitindo que a microflora patológica gere uma resposta imune direcionada a esses antígenos. Os organismos transgênicos podem ser usados como vacinas orais, permitindo que as substâncias ativas entrem no sistema digestivo humano e estimulem uma resposta imune mucosal no trato alimentar. Essa técnica tem sido amplamente aplicada na produção de vacinas, incluindo em arroz, milho e soja. Além disso, plantas transgênicas são amplamente usadas como biorreatores na produção de proteínas e peptídeos farmacêuticos, incluindo vacinas, hormônios, albumina sérica humana (HSA), entre outros. A utilização de plantas transgênicas ajuda a atender à demanda pelo rápido crescimento na produção de anticorpos terapêuticos.

Desintoxicação

Uma variedade de algodão foi geneticamente modificada para remover de suas sementes a toxina gossipol, de modo que seria seguro para os humanos comerem. A toxina permanece presente em outras partes da planta para proteger contra pragas.

08

Saúde e segurança

Imagem: Eneas · BY · Openverse

Existe um consenso científico de que os alimentos atualmente disponíveis derivados de culturas geneticamente modificadas não representam um risco maior para a saúde humana do que os alimentos convencionais, mas que cada alimento geneticamente modificado precisa ser testado caso a caso antes da introdução. No entanto, os membros do público são muito menos propensos do que os cientistas a perceber os alimentos geneticamente modificados como seguros. O status legal e regulatório dos alimentos geneticamente modificados varia de país para país, com algumas nações proibindo-os ou restringindo-os, e outras permitindo-os com graus de regulamentação amplamente diferentes, que variam devido a fatores geográficos, religiosos, sociais e outros. "Os alimentos geneticamente modificados atualmente disponíveis no mercado internacional passaram por avaliações de segurança e não é provável que representem riscos para a saúde humana. Além disso, não foram demonstrados efeitos para a saúde resultantes do consumo desses alimentos na população em geral dos países em que foram aprovados."

Equivalência substancial

O status legal e regulatório dos alimentos geneticamente modificados varia de país para país, com algumas nações proibindo-os ou restringindo-os, e outras permitindo-os com graus de regulamentação amplamente diferentes Os governos gerenciam a comercialização e a liberação de alimentos transgênicos caso a caso. Os países diferem em suas avaliações de risco e regulamentações. Diferenças marcantes distinguem os EUA da Europa. Culturas que não se destinam a alimentos geralmente não são revisadas quanto à segurança alimentar. Alimentos transgênicos não são testados em humanos antes da comercialização porque não são um único produto químico, nem se destinam a ser ingeridos em doses e intervalos específicos, o que complica o desenho de estudos clínicos. Os reguladores examinam a modificação genética, os produtos proteicos relacionados e quaisquer alterações que essas proteínas façam no alimento.

09

Regulamentações

A regulamentação governamental sobre o desenvolvimento e a liberação de OGMs varia amplamente entre os países. Diferenças marcantes separam a regulamentação de OGMs nos EUA e na União Europeia. A regulamentação também varia de acordo com o uso pretendido do produto. Por exemplo, uma cultura não destinada ao uso alimentar geralmente não é analisada pelas autoridades responsáveis ​​pela segurança alimentar. A regulamentação europeia e da UE tem sido muito mais restritiva do que em qualquer outro lugar do mundo: em 2013, apenas 1 cultivar de milho e 1 cultivar de batata foram aprovadas, e oito Estados-membros da UE não permitiram nem mesmo essas. O Protocolo de Cartagena estabelece os requisitos para o comércio internacional de OGMs entre os países signatários. Quaisquer remessas que contenham organismos geneticamente modificados destinados à alimentação animal, animal ou industrialização devem ser identificadas e uma lista dos eventos transgênicos deve estar disponível. Alguns países restrigem a importação de alimentos produzidos com OGMs.

Regulamentações do Brasil

A Lei de Biossegurança (Lei nº 11.105), sancionada em 2005 e regulamentada pelo Decreto nº 5.591/2005, estabeleceu normas de segurança e fiscalização para atividades com organismos geneticamente modificados (OGMs) e seus derivados. Ela atualizou a legislação anterior (Lei nº 8.974/1995), criada principalmente para regulamentar o plantio comercial da soja transgênica resistente ao glifosato em 1998. A lei define regras gerais para pesquisa, produção, transporte, importação, exportação, armazenamento, liberação ambiental e comercialização de OGMs. Seu objetivo é garantir a biossegurança, proteger a saúde humana, animal, vegetal e o meio ambiente, observando o princípio da precaução.

Regulamentações africanas

Nações como África do Sul, Nigéria, Gana, Etiópia, Sudão, Malawi, Essuatíni, Burkina Faso e Quênia já aprovaram ou cultivam comercialmente algumas culturas geneticamente modificadas, como algodão, feijão-caupi, soja e milho. Muitos outros países africanos ainda se encontram em fases de ensaios de campo, discussão legislativa ou mesmo em impasse político e regulatório. Os principais obstáculos para a expansão dos OGMs na África incluem a fragilidade das estruturas regulatórias, a escassez de recursos financeiros e técnicos, a falta de capacidade para monitoramento e avaliação de risco, além de um forte componente político e social. Até 2024, nenhum país da África Lusófona aprova ou cultiva legalmente culturas geneticamente modificadas para comercialização.

Regulamentações dos Estados Unidos

Nos EUA, três organizações governamentais regulamentam os OGMs. A FDA (Food and Drug Administration) verifica a composição química dos organismos em busca de potenciais alérgenos. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) supervisiona os testes de campo e monitora a distribuição de sementes geneticamente modificadas. A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) é responsável por monitorar o uso de pesticidas, incluindo plantas modificadas para conter proteínas tóxicas para insetos. Assim como o USDA, a EPA também supervisiona os testes de campo e a distribuição de culturas que tiveram contato com pesticidas para garantir a segurança ambiental.

Regulamentações da União Europeia

Tanto a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) quanto os Estados-membros elaboram uma avaliação de risco. Essa avaliação deve demonstrar que o alimento é seguro para a saúde humana e para o meio ambiente "nas condições de uso pretendidas". O controle da União Europeia sobre organismos geneticamente modificados é uma parte específica de uma imagem da promessa e das limitações do debate como uma estrutura para regulamentação supranacional. As questões levantadas pela regulamentação de OGMs da UE causaram grandes problemas na agricultura, na política, nas sociedades, no status e em outros campos. A legislação da UE regula o desenvolvimento e o uso de OGMs atribuindo responsabilidades a diferentes autoridades, públicas e privadas, acompanhadas pelo reconhecimento limitado dos direitos públicos de informação, consulta e participação. A Convenção Europeia dos Direitos Humanos (CEDH) garantiu certos direitos e proteção para a biotecnologia OGM na UE. No entanto, o valor da dignidade humana, da liberdade, da igualdade e da solidariedade, bem como o status da democracia e do direito, conforme enfatizado na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, são considerados a estrutura ética que rege o emprego da pesquisa e do desenvolvimento científico e tecnológico.

Rotulagem

Em 2015, 64 países exigiam a rotulagem de produtos OGM no mercado. Outras jurisdições tornam essa rotulagem voluntária ou têm planos para exigir a rotulagem. Alguns exportadores de alimentos geneticamente modificados, como os Estados Unidos (até 2018), Argentina e Canadá, adotaram abordagens de rotulagem voluntária. No Brasil, a rotulagem de produtos com OGMs é regulada pelo Decreto nº 4.680/2003, que determina que alimentos contendo ou derivados de OGMs, acima de 1% da composição, devem informar o consumidor sobre a natureza transgênica do produto. Os alimentos e ingredientes produzidos a partir de animais alimentados com ração contendo ingredientes transgênicos devem trazer a seguinte expressão: "(nome do animal) alimentado com ração contendo ingrediente transgênico" ou "(nome do ingrediente) produzido a partir de animal alimentado com ração contendo ingrediente transgênico". Aos alimentos e ingredientes alimentares que não contenham nem sejam produzidos a partir de organismos geneticamente modificados é facultativa a rotulagem "(nome do produto ou ingrediente) livre de transgênicos", desde que tenham similares transgênicos no mercado brasileiro.

Detecção

Testes para detecção de OGMs em alimentos e rações são feitos rotineiramente usando técnicas moleculares como RCP e bioinformática. Em um artigo de janeiro de 2010, foi descrita a extração e detecção de DNA ao longo de toda a cadeia de processamento industrial do óleo de soja, com o objetivo de monitorar a presença da soja Roundup Ready (RR): “A amplificação do gene da lectina da soja por reação em cadeia da polimerase (RCP) em ponto final foi obtida com sucesso em todas as etapas dos processos de extração e refino, até o óleo de soja totalmente refinado. A amplificação da soja RR por ensaios de PCR usando primers específicos para o evento também foi obtida em todas as etapas de extração e refino, exceto nas etapas intermediárias de refino (neutralização, lavagem e branqueamento), possivelmente devido à instabilidade da amostra. Os ensaios de PCR em tempo real, utilizando sondas específicas, confirmaram todos os resultados e demonstraram que é possível detectar e quantificar organismos geneticamente modificados no óleo de soja totalmente refinado. Até onde sabemos, isso nunca havia sido relatado antes e representa uma conquista importante em relação à rastreabilidade de organismos geneticamente modificados em óleos refinados.”

10

Controvérsias

A controvérsia sobre alimentos geneticamente modificados consiste em um conjunto de disputas sobre o uso de alimentos feitos a partir de culturas geneticamente modificadas. As disputas envolvem consumidores, agricultores, empresas de biotecnologia, reguladores governamentais, organizações não governamentais, ativistas ambientais e políticos e cientistas. As principais divergências incluem se os alimentos geneticamente modificados podem ser consumidos com segurança, prejudicam o corpo humano e o meio ambiente e/ou são adequadamente testados e regulamentados. A objetividade da pesquisa científica e das publicações tem sido contestada. Muitos estudos sobre a segurança dos alimentos geneticamente modificados foram questionados como falhos, insuficientes, artificiosos e/ou apresentando conflito de interesses. As disputas relacionadas à agricultura incluem o uso e o impacto de pesticidas, a produção e o uso de sementes, os efeitos colaterais em culturas/fazendas não transgênicas, e o potencial controle do fornecimento de alimentos transgênicos por empresas de sementes. Discussões éticas sobre o patenteamento de vidas também são abordadas.

Alergenicidade

Novas alergias podem ser introduzidas inadvertidamente, de acordo com cientistas, grupos comunitários e membros do público preocupados com a variação genética dos alimentos. Um exemplo envolve a produção de soja rica em metionina. A metionina é um aminoácido obtido pela síntese de substâncias derivadas da castanha-do-pará, que pode ser um alérgeno. O gene da castanha-do-pará foi inserido na soja durante testes de laboratório. Como foi descoberto que pessoas alérgicas à castanha-do-pará também poderiam ser alérgicas à soja geneticamente modificada, o experimento foi interrompido. Ensaios in vitro, como RAST ou soro de pessoas alérgicas à cultura original, podem ser aplicados para testar a alergenicidade de produtos geneticamente modificados com fonte conhecida do gene. Isso foi estabelecido em soja transgênica que expressou proteínas 2S de castanha-do-pará e batatas transgênicas que expressaram genes de proteína de bacalhau. A expressão e a síntese de novas proteínas, antes indisponíveis nas células parentais, foram alcançadas pela transferência de genes das células de um organismo para o núcleo de outro. Os riscos potenciais de alergia que podem se desenvolver com a ingestão de alimentos transgênicos advêm da sequência de aminoácidos na formação das proteínas. No entanto, não houve relatos de reações alérgicas a alimentos geneticamente modificados atualmente aprovados para consumo humano, e os experimentos não mostraram nenhuma diferença mensurável na alergenicidade entre a soja geneticamente modificada e a não geneticamente modificada.

Genes de resistência

Cientistas sugerem que os consumidores também devem prestar atenção aos problemas de saúde associados ao uso de plantas resistentes a pesticidas e herbicidas. Os genes ‘Bt’ causam resistência a insetos nas culturas geneticamente modificadas atuais, no entanto, outros métodos para conferir resistência a insetos estão em desenvolvimento. Os genes Bt são geralmente obtidos da bactéria do solo Bacillus thuringiensis e podem gerar uma proteína que se decompõe no intestino do inseto, liberando uma toxina chamada delta-endotoxina, que causa paralisia e morte. Preocupações sobre a resistência e os efeitos não desejados de culturas que expressam toxinas Bt, consequências de plantas transgênicas tolerantes a herbicidas causadas pelo uso de herbicidas e a transferência de expressão genética de culturas geneticamente modificadas por meio de transferência genética vertical e horizontal estão todas relacionadas à expressão de material transgênico.

Transferência horizontal de genes

A transferência horizontal de genes é o movimento de genes de um organismo para outro de uma maneira diferente da reprodução. O risco de transferência horizontal de genes entre plantas geneticamente modificadas e animais é muito baixo e, na maioria dos casos, espera-se que seja menor do que as taxas de ocorrência natural de fundo. Dois estudos sobre os possíveis efeitos da alimentação de animais com alimentos geneticamente modificados não encontraram resíduos de DNA recombinante ou novas proteínas em nenhuma amostra de órgão ou tecido. Estudos encontraram DNA do vírus M13, proteína fluorescente verde e genes RuBisCO no sangue e tecido de animais, e em 2012, um artigo sugeriu que um microRNA específico do arroz poderia ser encontrado em quantidades muito baixas no soro humano e animal. Outros estudos no entanto, não encontraram nenhuma ou insignificante transferência de microRNAs vegetais para o sangue de humanos ou de qualquer um dos três organismos modelo.

Impactos ambientais

Outra preocupação levantada pelos ecologistas é a possível disseminação dos genes resistentes a pragas para a vida selvagem. Este é um exemplo de poluição genética, que frequentemente está associada à diminuição da biodiversidade, à proliferação de ervas daninhas resistentes e à formação de novas pragas e patógenos. O fluxo gênico entre culturas geneticamente modificados e plantas compatíveis, junto com o aumento do uso de herbicidas de amplo espectro, pode aumentar o risco de populações de ervas daninhas resistentes a herbicidas. O debate sobre a extensão e as consequências do fluxo gênico se intensificou em 2001, quando um artigo foi publicado mostrando que transgenes haviam sido encontrados no milho tradicional no México, o centro de diversidade da cultura. Verificou-se que o fluxo gênico das safras geneticamente modificadas para outros organismos geralmente é menor do que o que ocorreria naturalmente. A fim de abordar algumas dessas preocupações, alguns OGMs foram desenvolvidos com características para ajudar a controlar sua disseminação. Para evitar que o salmão geneticamente modificado se reproduza inadvertidamente com salmão selvagem, todos os peixes criados para alimentação são fêmeas, triplóides, 99% são reprodutivamente estéreis e criados em áreas onde o salmão fugitivo não poderia sobreviver. As bactérias também foram modificadas para depender de nutrientes que não podem ser encontrados na natureza, e a tecnologia de restrição de uso genético foi desenvolvida, embora ainda não comercializada, que faz com que a segunda geração de plantas transgênicas seja estéril.

Outras preocupações

A introdução de culturas geneticamente modificadas no lugar de variedades mais adaptadas localmente pode levar a efeitos negativos de longo prazo em todo o sistema agrícola. Grande parte da preocupação com a tecnologia transgênica envolve a inserção de genes que aumentam ou reduzem determinados compostos bioquímicos. Alternativamente, a nova enzima programada pode consumir o substrato, levando à formação e ao acúmulo dos produtos resultantes. Do ponto de vista socioeconômico, as culturas transgênicas geralmente dependem de altos níveis de insumos externos, como pesticidas e herbicidas, o que as restringe à agricultura de alta intensidade e monocultura. Somado a isso, a ampla rede de patentes sobre essas culturas limita o direito dos agricultores de comercializar as sementes colhidas sem o pagamento de royalties. Outros argumentos levantados por opositores dos transgênicos baseiam-se nos altos custos de isolamento e distribuição das culturas transgênicas em relação às não transgênicas. As culturas transgênicas também vêm sendo criticadas por representarem potenciais riscos à segurança e à soberania alimentar, devido ao controle dos cultivos por empresas estrangeiras e à concentração do abastecimento de alimentos em companhias que produzem e comercializam organismos geneticamente modificados.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando