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Abbott Lawrence Lowell

Abbott Lawrence Lowell foi um educador e jurisconsulto americano. Foi Presidente da Universidade Harvard de 1909 a 1933.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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Primeiros anos

Lowell nasceu em 13 de dezembro de 1856, em Boston, Massachusetts, sendo o segundo filho de Augustus Lowell e Katherine Bigelow Lowell. Sua mãe era prima do arquiteto Charles H. Bigelow. Membro da elite de Boston, da família Lowell, seus irmãos incluíam a poetisa Amy Lowell, o astrônomo Percival Lowell e Elizabeth Lowell Putnam, uma das primeiras ativista do cuidado pré-natal. Eles eram bisnetos de John Lowell e, por parte de mãe, netos de Abbott Lawrence. Lowell graduou-se na Noble and Greenough School em 1873 e frequentou o Harvard College, onde apresentou uma tese para graduação em matemática que abordava o emprego de quaterniões para tratar de quádrica e se formou em 1877. Graduou-se na Harvard Law School em 1880 e exerceu a advocacia de 1880 a 1897 em parceria com seu primo, Francis Cabot Lowell, com quem escreveu Transfer of Stock in Corporations, que foi publicado em 1884. Em 19 de junho de 1879, quando ainda era estudante de Direito, casou com uma prima distante, Anna Parker Lowell na King's Chapel em Boston, e passou a lua de mel no oeste dos Estados Unidos.

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Universidade Harvard

Em 1897, Lowell tornou-se professor assistente, e em 1898, professor de governo em Harvard. Sua carreira de escritor acadêmico continuou com a publicação de Colonial Civil Service em 1900, e The Government of England em dois volumes, em 1908. Em dezembro de 1901, Lowell e sua esposa doaram fundos anonimamente para a construção de um edifício para abrigar um grande anfiteatro, uma instalação que a universidade não dispunha na época. Tornou-se o New Lecture Hall (mais tarde renomeado de Lowell Lecture Hall), na esquina das ruas Oxford e Kirkland, e comportava um auditório com 928 lugares, bem como oito salas de reuniões. Na década de 1990, após sofrer danos, o salão foi reformado e agora tem 352 assentos no salão principal e oito salas de aula com capacidade para 22 a 24 pessoas. Desde relativamente cedo em sua carreira profissional, Lowell preocupou-se com o papel das minorias raciais e étnicas na sociedade americana. Já em 1887, ele escreveu sobre os irlandeses: "O que precisamos não é dominar o irlandês, mas absorvê-los.... Queremos que eles se tornem ricos, e enviem seus filhos para as nossas faculdades, para compartilhar da nossa prosperidade e de nossos sentimentos. Nós não queremos sentir que eles estão entre nós e ainda não fazem parte de nós." Acreditava que somente uma sociedade homogênea poderia salvaguardar as conquistas da democracia americana. Algum tempo antes de 1906, ele se tornou vice-presidente honorário da Immigration Restriction League, uma organização que promoveu testes de alfabetização e fiscalizou a aplicação das leis de imigração. Em 1910, escreveu com aprovação em privado de excluir imigrantes chineses inteiramente e dos estados sulistas que se negassem a conceder direitos civis a seus cidadãos negros. Publicamente ele sempre adotou assimilação como a solução para absorver outros grupos, limitando seu número a níveis que ele acreditava permitiria à sociedade americana absorvê-los sem alterá-la, uma postura que "fundia ideias liberais e racistas em fazer o caso por exclusão".

Reformas em Harvard

Lowell iniciou imediatamente uma série de reformas de natureza acadêmica e social. Sob a administração de seu antecessor, Charles William Eliot, Harvard tinha substituído o padronizado curso de graduação por um sistema que permitia aos estudantes a livre escolha das disciplinas. Essa era uma extensão lógica da evolução da educação nos Estados Unidos, que havia modelado a universidade no sistema alemão e, portanto, adotado a liberdade do estudante na escolha de cursos. Tão dominante era o papel de Harvard na área educacional americana, que todos os grandes colégios e universidades americanas haviam adotado o sistema eletivo em 1904. Ele é adequado para todos os tipos de estudantes, desde os intelectualmente curiosos e interessados, até os preguiçosos, sem ambição intelectual.

Instituto Lowell e Escola de Extensão de Harvard

Em 1900, Lowell sucedeu seu pai como administrador do Instituto Lowell, que o bisavô de Lowell fundou para subsidiar conferências e programas de educação popular. Ao longo dos 40 anos em que dirigiu o Instituto, a seleção de Lowell de temas e palestrantes para a série pública refletiu seus gostos conservadores. Os tópicos tenderam à história e governo, com um pouco de ciência e música conforme a ocasião. Ele ignorou a literatura contemporânea e as tendências sociais atuais. Representativos foram "A Guerra de 1812", "O Desenvolvimento da Música de Coral", "A Migração dos Pássaros", e "Oradores e Oratória americanos". Uma série equilibrada sobre "A Rússia Soviética após Treze Anos" foi uma exceção.

Liberdade acadêmica

Durante a Primeira Guerra Mundial, quando as universidades americanas estavam sob grande pressão para demonstrar o seu compromisso inequívoco com o esforço de guerra americano, Harvard sob a direção de Lowell gozou de um relativo clima de independência. O New York Times escreveu mais tarde que Lowell "se recusou a aderir às exigências do patriotismo histérico a que os súditos alemães foram submetidos." Quando um aluno de Harvard ameaçou retirar uma doação de dez milhões de dólares a menos que certo professor pró-Alemanha fosse demitido, a Corporação Harvard se recusou a submeter-se a sua exigência. A declaração intransigente de Lowell, em apoio da liberdade acadêmica foi um marco num momento em que outras universidades estavam exigindo comportamento compatível de seu corpo docente.

Expulsão de homossexuais

Em 1920, o irmão de um estudante que recentemente havia cometido suicídio trouxe evidências de atividades homossexuais entre os alunos do decano da faculdade, Chester Noyes Greenough. Após consulta com Lowell e sob a sua autoridade, o decano convocou uma tribunal ad hoc de administradores para investigar as acusações. Ele realizou mais de trinta entrevistas a portas fechadas e tomou medidas contra oito estudantes, um recém-formado, e um professor assistente. Eles foram expulsos ou tiveram a sua associação com a universidade cortada. Lowell se mostrou particularmente contrário à readmissão para aqueles que tinham sido expulsos apenas por se associarem com aqueles mais diretamente envolvidos. Ele finalmente cedeu em dois dos quatro casos. O incidente não se tornou público até 2002, quando o presidente de Harvard Lawrence Summers chamou o caso de "parte de um passado que certamente foi deixado para trás".

Exclusão de afro-americanos dos Freshman Halls

"Devemos ao homem de cor as mesmas oportunidades de educação que oferecemos ao homem branco; mas nós não devemos forçá-lo, nem ao branco a terem relações sociais que não são, ou não podem ser, mutuamente agradáveis." Os estudantes afro-americanos moravam nos dormitórios de Harvard há décadas, até Lowell mudar a política. Os calouros foram obrigados a morar nos Freshman Halls a partir de 1915. Dois estudantes negros moraram lá durante a Primeira Guerra Mundial sem incidentes. Quando alguns foram excluídos após a guerra eles não fizeram qualquer objeção. O assunto tornou-se objeto de protesto estudantil em 1922, quando seis calouros negros que foram expulsos dos dormitórios, liderados por um estudante que frequentava a Business School, protestaram contra as suas exclusões. Lowell enviou sua justificativa para o educador afro-americano Roscoe Conkling Bruce, ele próprio um ex-aluno de Harvard e pai de um calouro. "Nós não achamos que seja possível obrigar homens de diferentes raças a residirem juntos". A longa resposta de Bruce ressaltou a ironia da posição de Lowell: "A política de residência obrigatória nos Freshman Halls é dispendiosa, uma vez que obriga Harvard a conviver com uma política de discriminação racial". Lowell se manteve firme: "Não é um progresso relativamente ao passado se recusar a obrigar homens brancos e negros a ocuparem quartos no mesmo prédio. Devemos ao homem de cor as mesmas oportunidades de educação que oferecemos ao homem branco; mas nós não devemos forçá-lo, nem ao branco a terem relações sociais que não são, ou não podem ser, mutuamente agradáveis". Ele acusou Bruce de insistir em uma mudança da política e utilizou um argumento sobre a presença das minorias provocarem preconceitos que ele também utilizou quase ao mesmo tempo na discussão sobre a quota de matriculas destinada aos judeus. "Para o homem de cor alegar de que ele tem o direito de obrigar o homem branco a morar com ele é uma novidade muito lamentável que, longe de lhe fazer bem, aumentaria um preconceito que, como você e eu concordamos plenamente, é mais despropositado e, provavelmente, crescente".

Admissões de judeus e cota polêmica

Em consequências das primeiras reformas de Lowell relativas ao processo de admissão em Harvard visando aumentar o ingresso de alunos de escolas públicas, o número de estudantes judeus comparado com os demais aumentou de 6% em 1908 para 22% em 1922, numa época em que os judeus constituíam cerca de 3% da população dos Estados Unidos. Lowell, dando continuidade a sua política de coesão do corpo discente, observou um campus onde o antissemitismo estava aumentando e os estudantes judeus estavam cada vez mais se isolando da maioria. Ele temia - e os acontecimentos recentes na Universidade de Colúmbia confirmavam - que a elite social deixaria de enviar seus filhos para Harvard com o aumento do número de matrículas de judeus. Ele citou o que ele via estar acontecendo em hotéis e clubes que perdiam sua antiga freguesia, à medida que o número de frequentadores judeus aumentavam. Ele propôs então limitar as admissões de judeus em 15% em cada período letivo. Suas tentativas de persuadir os membros do Conselho de Supervisores de Harvard a adotar seus pontos de vista já estavam fracassando quando o plano vazou para o jornal The Boston Post em maio de 1922. A ideia foi imediatamente denunciada por grupos de irlandeses e negros e pelo American Federation of Labor.

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Posições públicas

Oposição à nomeação de Brandeis

Em 1916, o presidente Woodrow Wilson nomeou Louis Brandeis, um advogado da iniciativa privada conhecido como um oponente liberal dos monopólios e proponente da legislação de reforma social, para servir como juiz associado da Suprema Corte dos Estados Unidos. Como a opinião pública sobre a nomeação dividiu-se em linhas ideológicas, Lowell se juntou ao establishment republicano, especialmente o de sua classe da elite de Boston, na oposição. Ele se juntou a outros 54 ao assinar uma carta afirmando que faltava em Brandeis o requisito "temperamento e capacidade legal". Um editorial no Harvard Alumni Bulletin criticou-o por envolver desnecessariamente a universidade em uma disputa política. Alguns estudantes organizaram sua própria petição a favor da nomeação. Embora algumas oposições a Brandeis estivessem enraizadas em antissemitismo, o próprio Brandeis via a oposição de Lowell como impulsionada pela classe social do preconceito. Escrevendo em privado em 1916, Brandeis descreveu os homens como Lowell "que foram cegados pelo privilégio, que não têm má intenção, e muitos dos quais têm um espírito público distinto, mas cujos ambientes - ou inata estreiteza - obscureceram toda a visão e simpatia com as massas".

Internacionalismo e a Liga das Nações

Após a eclosão da Primeira Guerra Mundial em 1914, Lowell ajudou a fundar uma organização cívica para promover a cooperação internacional a fim de evitar futuras guerras. Ela foi concebida para ser não partidária, mas foi inevitavelmente atraída para a política partidária já que o tema da participação americana na Liga das Nações dominou a política do pós-guerra. Lowell descreveu a si mesmo como "um inconsistente republicano" ou "um independente de antecedentes republicanos." Quando o debate terminou, muitos questionaram aquela independência. Em uma convenção no Independence Hall, Filadélfia, em 17 de junho de 1915, presidida pelo ex-presidente William Howard Taft, cem americanos notáveis anunciaram a formação da Liga para Impor a Paz. Eles propuseram um acordo internacional no qual os países participantes concordariam em "usar em conjunto a sua força econômica e militar contra qualquer um deles que fossem à guerra ou cometessem atos de hostilidade contra o outro." Entre seus fundadores estavam: Alexander Graham Bell, o rabino Stephen Samuel Wise, o cardeal de Baltimore James Gibbons, e Edward Filene em nome da recentemente fundada Câmara Americana de Comércio. Lowell foi eleito para o Comitê Executivo.

Comitê Consultivo no julgamento de Sacco e Vanzetti

Em 1927, o governador de Massachusetts Alvan T. Fuller enfrentava apelos de última hora para conceder clemência a Sacco e Vanzetti, cujo caso atraía a atenção mundial. Ele designou Lowell para fazer parte de um Comitê Consultivo juntamente com o presidente Samuel Wesley Stratton do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e o juiz de sucessões Robert Grant. Eles foram incumbidos de analisar o julgamento de Sacco e Vanzetti para determinar se o julgamento tinha sido justo. A nomeação de Lowell foi por todos bem recebida, pois, embora ele tivesse polêmicas em seu passado, ele também tinha, por vezes, demonstrado uma postura independente. Os advogados de defesa pensaram em abandonar o caso quando perceberam que o Comitê era tendencioso contra os réus, mas alguns dos mais proeminentes defensores dos réus, incluindo o professor de Direito de Harvard Felix Frankfurter e o juiz Julian Mack do Circuito de Apelações dos Estados Unidos, os persuadiram a ficar, porque Lowell "não era totalmente impossível".

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Últimos anos e morte

A saúde de Lowell declinou lentamente, e seus problemas de audição ao longo da vida pioraram. Ele renunciou a sua posição como presidente da Universidade Harvard em 21 de novembro de 1932, e trabalhou até o verão seguinte. Durante seus anos como presidente, a matrícula na faculdade cresceu de 3 mil para 8 mil e sua dotação de fundos cresceu de 23 para 123 milhões de dólares. Os projetos de construção de Lowell, alguns com base nos Freshman Halls e o sistema College, mas incluindo a Biblioteca Widener, a Igreja Memorial e muitos outros, transformaram a infraestrutura da universidade. Também entre os novos prédios do campus durante o mandato de Lowell estava a Casa do Presidente (mais tarde chamada de Loeb House) no número 17, da rua Quincy, que Lowell encomendou a seu primo Guy Lowell. O prédio serviu de residência para os sucessivos presidentes de Harvard até 1971. Lowell é também lembrado por uma doação de um milhão de dólares para ajudar encontrar a Harvard Society of Fellows. Anos antes, tinha doado 10,5 mil dólares para a compra de um telescópio de 13 polegadas para o Observatório Lowell de seu falecido irmão Percival, que em 1930 ganhou fama como o Telescópio Descobridor de Plutão.

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Citações

Uma discussão sobre o treinamento universitário ideal a partir desses três aspectos diferentes, o desenvolvimento mais elevado do aluno individual, a relação adequada da faculdade com a escola profissional, a relação dos alunos entre si, parece levar, em todos os casos, à mesma conclusão: que o melhor tipo de educação liberal em nosso complexo mundo moderno visa produzir homens que saibam um pouco de tudo e alguma coisa bem.

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Fontes consultadas

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