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Amâncio de Carvalho

Antônio Amâncio Pereira de Carvalho foi um médico legista brasileiro.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 01/09/2026
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Biografia

Nasceu em Salvador, na Bahia, em 8 de abril de 1850, filho de Francisco José Pereira de Carvalho e Joaquina Marcelina Pereira de Carvalho, que ainda viviam em 1900. Após os estudos iniciais, matriculou-se no curso de preparatórios do Gymnasio Bahiano, então dirigido por Abílio César Borges, depois barão de Macaiubas. Matriculou-se na Academia de Medicina da Bahia em 1866, diplomando-se em 1872 com a tese Hemorrhagia puerperal. Casou-se por 1879, no Rio de Janeiro, com Emília Pereira da Silva. Em julho de 1886, fez parte da chapa do Partido Conservador para juiz de paz da freguesia de Santo Antônio, Rio de Janeiro.

Carreira médica

Cursando o terceiro ano acadêmico, foi nomeado aluno interno do Hospital de Caridade, Salvador. No último ano, fez parte da comissão governamental nomeada para estudar as febres que então assolavam o município de Alagoinhas, por proposta do lente José de Goes Siqueira. Em novembro de 1874, era comissário vacinador municipal de Araçuaí, em Ouro Preto, na Província de Minas Gerais. Em 26 de maio de 1877, foi comissionado pelo governo da Província da Bahia para diagnosticar e prestar socorro às vítimas da febre amarela que grassava em Amargosa. Em agosto de 1877, foi louvado pelos esforços empregados nessa missão, sendo o louvor verificado e lavrado em ofício dirigido ao governo imperial e datado de 13 de outubro do mesmo ano.

Publicações

Em 1900, havia publicado na Revista da Sociedade de Antropologia Criminal, Ciências Penais e Medicina Legal uma monografia intitulada "As cicatrizes sob o ponto de vista médico-legal", e outra "Resposta a uma consulta", e várias outras na Revista da Faculdade de Direito.

Associativismo

Foi o primeiro presidente da Sociedade de Antropologia Criminal, Ciências Penais e Medicina Legal, fundada em São Paulo em 1895, e sócio-fundador da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo. Foi médico ajudante da Sociedade Beneficente Portuguesa, médico das Sociedades Beneficente Italiana, Operária Príncipe de Nápoles, da Associação Providência Doméstica e da Sociedade Humanitária dos Empregados do Comércio, sendo tido como um dos melhores clínicos e operadores.

Eugenia

Amâncio de Carvalho foi sócio e presidente honorário da Sociedade Eugênica de São Paulo, dedicada ao aperfeiçoamento físico e moral da espécie humana, desde a sua fundação em 1918, partilhando a presidência honorária com Augustino José de Sousa Lima, sendo presidente atuante Arnaldo Vieira de Carvalho. Segundo a historiadora Pietra Diwan, Arnaldo foi um dos médicos mais entusiastas do movimento da eugenia, termo criado por Francis Galton (1822–1911), que a definiu como o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações, seja física ou mentalmente. Não se deve tomar o termo eugenia na acepção que a tornou mais conhecida, isto é, como uma política racista. A rigor, tratava-se, antes, de contribuir, pelo higienismo e pelas campanhas de vacinação, para o fortalecimento das populações diante da doença e das condições adversas de alimentação, moradia, clima, entre outras. Dos quadros da Sociedade fizeram parte, entre outros expoentes da intelectualidade nacional, o médico Francisco Franco da Rocha (1864–1933).

Morte e sepultamento

Morreu na sua residência, na rua da Liberdade, n.º 75, no dia 17 de julho de 1928, sendo sepultado no Cemitério São Paulo. Um ano depois, em junho de 1929, a pedido de sua viúva Emília da Silva Carvalho, sepultar-se-ia no mesmo cemitério, em campa perpétua, o cadáver mumificado de Jacinta.

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Homenagens

A antiga rua do Curtume, na Vila Mariana, em São Paulo, foi rebatizada em 18 de agosto de 1928 como rua Doutor Amâncio de Carvalho em sua homenagem. No início da década de 1940, foi dado o seu nome a uma das salas da Faculdade de Direito, possivelmente aquela em que teria lecionado. Em 10 de abril de 2021, após a publicação de uma reportagem sobre a múmia de Jacinta pela Ponte, estudantes de direito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP) se mobilizaram contra as homenagens concedidas a Amâncio de Carvalho, por ter mumificado Jacinta. Assim que a reportagem foi publicada, alunos da unidade entraram em contato com docentes e coletivos para dialogar sobre a renomeação da sala da instituição que leva o nome desse professor catedrático, Em 11 de agosto do mesmo ano, estudantes da FDUSP fizeram uma intervenção política na cidade, colando nomes de personalidades negras em placas de rua que homenageiam pessoas com histórico racista e eugenista. Na ocasião, a rua Doutor Amâncio de Carvalho foi renomeada simbolicamente em sua placa, dando lugar à "rua Jacinta Maria de Santana", com a descrição: "Moradora de rua negra que teve seu corpo embalsamado, exposto como curiosidade científica e utilizado em trotes estudantis no Largo São Francisco". A intervenção foi simbólica e não alterou o nome oficial da via, que ainda mantém o nome de Amâncio de Carvalho.==Referências==

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Fontes consultadas

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