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Abílio César Borges

Abílio César Borges, primeiro e único barão de Macaúbas, foi um médico, educador e pedagogista brasileiro.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 08/07/2026
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Biografia e formação

Era filho de Miguel Borges de Carvalho e de Mafalda Maria da Paixão. Nasceu no povoado de Macaúbas, então pertencente à pequena vila de Rio de Contas, ao sul da Chapada Diamantina, exatamente quando esta completava cem anos de emancipada. Ali realizou os primeiros estudos e, em 1838 muda-se para a capital baiana, Salvador, a fim de completar sua formação. Em 1845, depois de haver interrompido os estudos por questões de saúde, ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, transferindo-se em seguida para o Rio de Janeiro, onde diplomou-se em 1847, tendo realizado o curso de forma brilhante. Voltando para a Bahia, dedica-se ao magistério por quatro anos. Em 1845, fundou, junto a outros, o Instituto Literário da Bahia, uma espécie de prelúdio de Academia de Letras, onde eram realizados saraus, discutidas ideias e reunidos os mais expressivos nomes da literatura baiana da época. Em 1849, chega à vila de São Francisco das Chagas da Barra do Rio Grande do Sul (atual Barra) para trabalhar como médico no Hospital São Pedro, para atender vitimas da peste (varíola), onde casou-se com Francisca Antônia Wanderley (irmã do Barão de Cotegipe). Em 1853, construiu a primeira escola ginasial na vila e foi presidente do Senado da Câmara da Barra, onde teve a hombridade de expulsar o coronel Militão de França Antunes (de Pilão Arcado), que acabara de ordenar a castração de um vaqueiro chamado Pedro na ilha do miradouro em Xique-Xique. Abílio afirmou: "A sessão não se realizará, dada a presença do coronel Militão, a quem convido para retirar-se do ambiente, bárbaro não se senta em mesa de cidadão". Militão levanta-se pega a bengala de ouro, o chapéu de "estadista", e declara: "venho acabar com a Barra na bala...". Nisto, Abílio retruca: "Espero... Na sua terra manda o direito da força. Na Barra manda a força do direito"

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O formador de gênios

Em Salvador, ainda sem o baronato, Abílio César Borges fundou o Ginásio Baiano, no ano de 1858. Ali, mais que um professor e diretor, aplicava as novidades pedagógicas que incorporava em seus estudos. Esta instituição, assim como o também famoso e contemporâneo "Colégio Sebrão", foi responsável pelos fundamentos educacionais de futuras genialidades da Bahia, como Rui Barbosa, Aristides Spínola, Castro Alves, Plínio de Lima, Cezar Zama, dentre outros. Conservou-se à frente da instituição por quase quatorze anos. Viajou ao Velho Mundo com o propósito de melhorar os seus conhecimentos sobre os problemas pedagógicos. De volta da Europa, em 1871 mudou-se para o Rio de Janeiro, fundando ali o Colégio Abílio, na Rua Ipiranga, 4, em sociedade com Epifânio Reis. Com a dissolução da sociedade no final da década, o colégio passou a se chamar Epifânio Reis. Onze anos depois, graças à fama alcançada por sua instituição, foi nomeado como representante do Brasil em congresso pedagógico internacional de Buenos Aires. Mudando-se para Barbacena, Minas Gerais, em 1881 instalou ali a segunda unidade do Colégio Abílio, por onde passaram ilustres personalidades da vida pública mineira (o prédio, que ainda hoje preserva características da construção original, serviu de sede para o antigo Colégio Militar de Minas Gerais e hoje é a sede do comando da Escola Preparatória de Cadetes-do-Ar). Essa unidade funcionou até 1888. Em 1883, seu filho, Joaquim Abílio Borges abriu no Rio de Janeiro a terceira unidade do Colégio Abílio, na Praia de Botafogo, que funcionou até meados da década de 1910.

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Civista extremado e Grande do Império

Imagem: Ecnovais · BY-SA · Openverse

Ainda na Bahia, por ocasião da Guerra do Paraguai, manifestava-se exaltadamente pela imprensa, conclamando ao povo à luta em defesa da soberania brasileira. Mas, não restringiu-se a isto: chegou mesmo a patrocinar, de suas próprias rendas, o batalhão dos "Zuavos Baianos". Pioneiro do Abolicionismo, fundou a "Sociedade Libertadora 7 de Setembro", que publicava o jornal "Abolicionista". A 30 de julho de 1881, foi agraciado com o título de Barão de Macaúbas, depois elevado com a honra de Grande do Império, em 3 de junho de 1882. Além dessa honraria, foi comendador da Imperial Ordem da Rosa, da Ordem de Cristo e da de São Gregório Magno. D. Pedro II demonstrava, através do reconhecimento dos méritos do Barão, sua preocupação com a educação no país, Imperador que valorizava o magistério e que declarava que, se não fosse imperador, queria ser "mestre-escola"... O Barão de Macaúbas foi um homem à frente do seu tempo, que amava o seu país. Como educador, manteve-se sempre afeito às novidades quanto aos métodos de ensino, sem nunca perder o aprendizado próprio. Não tivesse deixado vestígios, bastaria o fato de ter sido o alicerce de Castro Alves e Rui Barbosa, dentre muitos outros.

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Homenagens

Imagem: Ecnovais · BY-SA · Openverse

O barão de Macaúbas é homenageado em Curitiba, no bairro do Bigorrilho, na Travessa Abílio César Borges.

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