Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro
O Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro é a parada carnavalesca que acontece anualmente no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil.
Ao longo dos anos, os nomes dos grupos, número de escolas participantes e regras de competição foram alteradas. As escolas têm seus componentes divididos em grupos ou alas, e cada ala tem a mesma fantasia, dentro do enredo trazido, uma bateria que são os ritmistas que tocam os instrumentos de percussão, uma ala de baianas, figura tradicional do carnaval carioca, ala de crianças, uma comissão de frente, formado por 15 pessoas em média que vem na frente da escola, em geral com uma apresentação teatral ou coreográfica, as alegorias, que são os carros alegóricos, onde estão os destaques, figuras centrais do enredo, os passistas que são os componentes que desfilam "sambando no pé", já que as alas evoluem e não sambam, algumas apresentam coreografias ensaiadas, e atualmente os componentes dos carros também podem apresentar coreografias, os diretores de harmonia, que são elementos responsáveis pela organização do desfile, o mestre-sala e porta-bandeira, responsáveis pela condução do pavilhão da escola, se apresentam ricamente trajados e bailando, sendo que todos os componentes cantam o samba enredo em uníssono, liderados pelo cantor oficial da escola, o "puxador".
Anos 1920 — anos 1950
Nos anos 1920, os ranchos carnavalescos eram a maior atração do carnaval de rua. Desfilavam na Avenida Rio Branco e seus componentes eram oriundos da classe média. Precursor da escola de samba, o rancho de carnaval teve sua primeira agremiação — a "Reis de Ouro" — criada em 1893 pelo pernambucano Hilário Jovino Ferreira, e foi responsável por apresentar novidades como o enredo, personagens como o casal de mestre-sala e porta-bandeira e o uso de instrumentos de cordas e de sopro. A população mais pobre, por sua vez, não desfilava nos ranchos devido ao custo alto das fantasias, saindo nos blocos e nos cordões, formados por negros oriundos principalmente da Bahia, que moravam na região da Saúde, e se apresentavam principalmente na Praça Onze e arredores, ao som da batucada, um ritmo de origem africana, com elementos do candomblé.
Anos 1960
Em 1961, os desfiles passam a ser um evento com cobrança de ingresso do público. Mas as escolas não só sobreviveram à demolição da Praça Onze como irá ver nos anos 1960 sua ascensão definitiva. Os desfiles passaram a render dinheiro e prestígio para muita gente. Os ingressos passam a ser muito procurados. As grandes torcidas faziam festa nos desfiles, muitas vezes levando sua escola ao campeonato. A alta sociedade carioca e os mais famosos artistas da época passaram a prestigiar os desfiles. A integração de pessoas das camadas sociais mais abastadas nos desfiles teve seu início no desfile da Mangueira. Conhecida como "Gigi da Mangueira", uma jovem pertencente a tradicional família da alta sociedade, se tornou a primeira passista de fora da comunidade da escola. Do Salgueiro, Isabel Valença foi a primeira cidadã afro-brasileira a concorrer no baile mais luxuoso da cidade, o baile de carnaval do Teatro Municipal, disputando e vencendo o concurso de fantasias que acontecia durante o baile, numa belíssima representação de Chica da Silva, enredo da escola em 1963, em um desfile memorável, a vermelho e branco da Tijuca revoluciona o carnaval com um samba enredo diferente, onde a letra ao contrário do que se fazia, era bem cuidada, sucinta e com grande fidelidade aos fatos históricos, e nesse desfile apresentou inovações como ala de passo marcado dançando o minueto, ensaiados pela coreógrafa do Teatro Municipal, Mercedes Batista, uma obra prima dos artistas Arlindo Rodrigues e Fernando Pamplona, que iriam homenagear em anos seguintes, personagens esquecidos de história do Brasil como: Zumbi dos Palmares, Chico Rei e Dona Beija, mudando a estética dos enredos que até então exaltavam a história oficial, um estupendo sucesso que causou a indignação dos sambistas conhecidos como "puristas" que acreditavam que essas inovações iriam acabar com o samba. As escolas de samba colaboraram de certo modo para integrar as diferentes camadas sociais, nos anos seguintes as escolas saiam da exclusividade de suas comunidades e abriam espaços para pessoas de fora, o que iria ser um fator que nos anos seguintes levariam a ser o super espetáculo a qual se tornou.
Anos 1970 - As escolas de samba agigantam-se
O crescimento vertiginoso das escolas de samba trouxe muitos e novos problemas para os desfiles. Faltava disciplina e organização, o que causava enormes atrasos, criando intervalos de horas entre a passagem das escolas. Em 1975, o desfile, que deveria terminar ao amanhecer do dia seguinte, atravessou a manhã, indo terminar sob o calor de 40 graus Celsius, às duas horas da tarde do dia seguinte, em pleno verão carioca, deixando seus integrantes e público cansados com as muitas horas de duração. Nessa época, era comum que o público saísse sambando atrás da escola que desfilava por último, a Mocidade, que possuía a mais famosa bateria, sob a regência de Mestre André, tornou-se tradicional, introduziu as "paradinhas", que consistiam em dado momento os ritmistas pararem de tocar os instrumentos por alguns segundos, e depois retomando o ritmo em plena harmonia com o canto, o que causava grande efeito e levava o público ao delírio.
A partir dos anos 1980 - a era Sambódromo
No início dos anos 1980, o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro já era uma instituição nacional e na maior fonte de captação de dólares do setor de turismo. Em 1983, Leonel Brizola que era o então governador do estado,juntamente como o seu vice Darcy Ribeiro, tiveram a ideia de criar um espaço fixo e definitivo para os desfiles de carnaval, devido a importância cultural do evento e acabar com a estrutura provisória de todos os anos. Encomendou ao arquiteto Oscar Niemeyer projeto que aumentasse em cinco vezes a capacidade do público e que durante o ano pudesse abrigar uma escola e ainda tivesse um espaço para o Museu do Carnaval, para a preservação da história do carnaval. Em 1983, o então governador, Leonel Brizola, encomendou a Oscar Niemeyer o projeto de um local definitivo para os desfiles, já que até então as arquibancadas eram montadas na época do carnaval e depois desmontadas. O local escolhido foi a própria Marquês de Sapucaí, que passou a ser usada exclusivamente para o desfile, ficando fechada para o tráfego. Foi inaugurada em 2 de março de 1984 e passou a ser conhecido popularmente como 'Sambódromo', embora seu nome oficial fosse "Passarela do Samba". No primeiro ano de desfile na nova passarela, havia uma modificação nos desfiles: no final da passarela, em forma de praça, deveria acontecer uma apoteose. O local, de fato, ficou conhecido como Praça da Apoteose. Essa prática foi abandonada nos anos seguintes, e essa praça é usada hoje para eventos de música. Em 18 de fevereiro de 1997, o nome foi mudado para Passarela Professor Darcy Ribeiro, em homenagem ao idealizador do projeto. O nome popular 'Sambódromo' prevaleceu, no entanto. Com o aumento do número de escolas e do número de componentes em cada uma, o que tornou o desfile mais longo e cansativo para o público, em 1984 o desfile passou a ser realizado em dois dias: domingo e segunda-feira. No primeiro ano, foram proclamadas as campeãs de cada dia de desfile e a supercampeã, que foi a Mangueira, num resultado geral do desfile das campeãs, realizado no sábado seguinte. Porém essa prática não teve sucesso, motivo pelo qual a Mangueira se tornou a única supercampeã da história.
Anos 2000 - "Era Paulo Barros" e fim da AESCRJ
O desfile das escolas de samba entram no século XXI, como o maior espetáculo do planeta, seja em número de participantes ou como receita, e apesar de algumas previsões pessimistas de que as escolas haviam saturado, os desfiles procuram se renovar. A Beija-Flor, que tanto efetivou o conceito de carnavalesco, substituiu esse personagem por uma comissão de carnaval, que consiste numa divisão de tarefas, num processo de criação coletiva e associada, obtendo sucesso com seus desfiles. De 1998 a 2015, a escola de Nilópolis conquistou oito títulos e seis vice-campeonatos. Ao mesmo tempo, surge Paulo Barros. O carnavalesco surpreende em 2004 na Unidos da Tijuca, com uma estética diferente, usando materiais alternativos e baratos, além de alegorias "vivas", teatralizadas, como o já histórico carro do DNA. Em 2007, já na Viradouro, inova novamente com a bateria subindo em um carro alegórico em pleno desfile.
Desde o final dos anos 1970, a Rede Globo transmite os desfiles do Grupo Especial, os quais em meados dos anos 80 até o final da década de 90 dividia com a Manchete, com apenas três exceções:Em 1984, quando a Manchete conseguiu a exclusividade do desfile apenas naquele ano, e de 1988 e 1993, quando a Manchete não possuía verba suficiente para adquirir os direitos de transmissão. Com a falência da Manchete, a Globo detém desde 2000 os direitos com exclusividade do Especial. Já o Acesso, que era exibido há bastante tempo pela Manchete, passou a ser da CNT. Com o surgimento da LESGA, a emissora continuou exibindo, mas de forma independente. Em 2010, o contrato do Grupo de Acesso foi negociado juntamente com o do Grupo Especial e assim o desfile do grupo de acesso foi repassado para Rede Bandeirantes, tendo em 2011 sido renovado o contrato com a Globo por mais quatro anos e continuando sendo exibido pela Rede Bandeirantes.


