América Futebol Clube (São José do Rio Preto)
O América Futebol Clube, também denominado América de Rio Preto ou América-SP, é um clube de futebol sediado no município de São José do Rio Preto, no interior do estado de São Paulo. Fundado em 28 de janeiro de 1946, surgiu com o objetivo de competir com um clube amador então em destaque no cenário local, consolidando-se, posteriormente, como uma das agremiações mais tradicionais do futebol paulista.
1946: Fundação
O América Futebol Clube foi fundado em 28 de janeiro de 1946, por iniciativa do engenheiro da Estrada de Ferro Araraquarense, Antônio Tavares Pereira Lima, em conjunto com Vítor Buongermino e outros 53 esportistas. Sua constituição ocorreu em reunião realizada no salão de festas do Hotel São Paulo, no 3º andar do Edifício Curti, na Rua Bernardino de Campos. À época, buscou-se a formação de uma equipe capaz de rivalizar com o Bancários, então dominante no esporte local. Logo após a fundação, foi empossado como primeiro presidente o próprio Pereira Lima, tendo-se iniciado o processo de filiação à Federação Paulista de Futebol (FPF). Paralelamente, procedeu-se à inscrição no Campeonato do Interior, posteriormente reconhecido como uma das edições do segundo escalão do futebol paulista. Dispôs-se, para tanto, de apenas dois meses para a formação do elenco necessário à disputa.
1948–1960
Em 1948, registrou-se a estreia em competições profissionais, com participação na segunda divisão estadual e encerramento na 9.ª colocação, somando 26 pontos. No mesmo ano, ocorreu o primeiro confronto contra uma equipe de grande expressão da capital, o Corinthians, com derrota por margem mínima. Ainda naquele período, inaugurou-se o estádio Mário Alves Mendonça, em 27 de junho, em partida diante do América do Rio de Janeiro. Em 1957, foi conquistado o título da segunda divisão, assegurando-se o acesso à elite do futebol paulista, mantido até 1960.
1963–1997
Em 1963, deu-se o retorno à primeira divisão estadual, na qual permaneceu até 1997. Ao longo desse intervalo, foram contabilizados 31 anos consecutivos na elite, configurando-se, à época, como o clube do interior com maior sequência ininterrupta na principal categoria do futebol paulista. Na década de 1970, obtiveram-se resultados expressivos, destacando-se 1973, quando se registrou invencibilidade de 17 partidas consecutivas, culminando na conquista da Taça dos Invictos. Em 1978, ocorreu a primeira participação no Campeonato Brasileiro. Já em 1989, foi obtido o título do Torneio José Maria Marin.
1999–2025
Em 1999, conquistou-se a segunda divisão estadual pela terceira vez, garantindo-se o retorno à elite, onde se permaneceu até 2007. Em 2012, após cinco temporadas na segunda divisão, ocorreu novo rebaixamento, desta vez à terceira, então o pior desempenho registrado até o momento. Dois anos depois, houve novo descenso, com passagem para a quarta divisão, último nível do futebol paulista à época.[b] A permanência estendeu-se até 2025, quando foi solicitado o licenciamento das competições, sob justificativa de impossibilidade de utilização do estádio Benedito Teixeira, em razão da ausência de laudos técnicos exigidos pelos órgãos competentes.
Ainda em 1946, formalizou-se a filiação à Federação Paulista de Futebol e a inscrição no Campeonato do Interior. Diante do curto prazo, foi necessária a formação emergencial de elenco para participação na competição. Sem estádio próprio, utilizou-se inicialmente o campo do .mw-parser-output .tooltip-dotted{border-bottom:1px dotted;cursor:help}Palestra como mando de jogo. Às vésperas da estreia, contudo, o gramado foi considerado impróprio em razão das condições climáticas. Assim, a primeira partida foi realizada em 17 de março de 1946, contra a Associação Atlética Ferroviária, de Araraquara, no estádio Giocondo Zancaner, em Mirassol, após negativa do Rio Preto em ceder seu estádio.
Estádio Mário Alves Mendonça
Em 27 de junho de 1948, foi inaugurado o estádio Mário Alves Mendonça, conhecido como "Caldeirão do Diabo", passando a sediar os jogos da agremiação. A inauguração ocorreu em amistoso contra o América do Rio de Janeiro, encerrado em empate por 1 a 1. Inicialmente, a estrutura contava com campo de terra batida e capacidade aproximada para três mil espectadores. Em 1957, passou por ampliação, elevando-se sua lotação para cerca de 20 mil pessoas. O maior público registrado ocorreu em 1979, com 23 mil e 800 torcedores em partida contra o Corinthians. A última partida no local foi disputada em 1996, sendo posteriormente demolido para a construção de um supermercado.
Estádio Benedito Teixeira
Com o encerramento das atividades no antigo estádio, passou-se a utilizar o estádio Benedito Teixeira, cuja construção havia sido iniciada em 1981. Em 1994, foram liberados recursos estaduais para instalação de refletores, viabilizando a iluminação da arena, situada no bairro Jardim Primavera, em área de 43.000 m² doada pela Prefeitura Municipal. O projeto arquitetônico foi elaborado por Pedro Abílio Cury e Alberto Barbur, com execução de Lino de Carvalho Seixas, prevendo capacidade para cerca de 50 mil espectadores. A inauguração ocorreu em 10 de fevereiro de 1996, em partida contra o São Paulo, vencida por 3–2 pelo clube visitante, diante de 17 mil e 586 torcedores. O primeiro gol do estádio foi marcado por Valdir, aos 42 minutos do primeiro tempo, enquanto o primeiro gol da equipe mandante foi marcado por Adriano.
Imagem: JonasBR · BY-SA · Openverse
Na reunião de fundação, definiu-se, como primeira deliberação, a adoção das cores vermelho e branco. Tal escolha contribuiu para a determinação do nome da agremiação, então discutido entre as opções Dínamo, Flamengo e América, tendo esta última prevalecido. Concluído o processo de batismo, passou-se a adotar ampla referência à iconografia do América do Rio de Janeiro, incluindo uniforme, escudo e mascote. Nesse contexto, o caricaturista argentino Lorenzo Molas foi responsável pela criação do "Diabo Rubro" da agremiação carioca, inspirado em sua admiração pelo Independiente, clube de seu país de origem. À semelhança de sua matriz, o América de Rio Preto passou também a ser identificado como "Diabo", sendo que, com o decorrer do tempo, a mascote incorporou características do personagem de histórias em quadrinhos Brasinha, criado pelo norte-americano Alfred Harvey, bastante popular na década de 1960 e veiculado pela revista O Cruzeiro, período coincidente com a ascensão do clube à primeira divisão paulista.
Imagem: JonasBR · BY-SA · Openverse
Embora tenha sido concebido para rivalizar com o Bancários, tal confronto não se concretizou, uma vez que este permaneceu no amadorismo enquanto o clube se profissionalizou rapidamente. Consolidou-se, na prática, rivalidade com o Rio Preto, que, inclusive, recusou a cessão de seu estádio no ano de fundação. O primeiro confronto entre ambas as equipes ocorreu em 14 de abril de 1946, com vitória do América por 2–0. Desde então, os encontros foram esporádicos e, em sua maioria, de caráter amistoso. Em 2008, registravam-se 58 partidas entre os dois clubes, conforme levantamento de Milton Rodrigues.


