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Raposo Tavares

Antônio Raposo Tavares, dito o Velho foi um sertanista português, bandeirante paulista, que expandiu as fronteiras brasileiras contra os domínios espanhóis e membros de missões jesuíticas. Muito serviu a D. Francisco de Sousa, e por isso foi por ele armado cavaleiro da Casa Real.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 21/07/2026
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Biografia

Nascido em São Miguel do Pinheiro, concelho de Mértola e distrito de Beja, Portugal, de mãe com ambas origens cristã-nova e cristã-velha, e de pai cristão-velho. No aspecto religioso e da educação é presumível que com o cristianismo católico terá possivelmente recebido também uma influência judaica por via de sua madrasta cristã-nova e segunda mulher de seu pai, Maria da Costa. Chegou ao Brasil em 1618 com o pai, Fernão Vieira Tavares, antigo partidário de António Prior do Crato, tesoureiro da Bula da Cruzada e moço da câmara do Rei, designado capitão-mor governador da capitania de São Vicente em 1622. Era assim preposto do conde de Monsanto, donatário da capitania de São Vicente. A mãe era Francisca Pinheiro da Costa Bravo. António Raposo, aliás, nunca perderia contacto com os interesses da Coroa. Aos 24 anos, casou-se com Beatriz Furtado de Mendonça, filha do também bandeirante Manuel Pires. O casal teve dois filhos, porém mais tarde sua esposa veio a falecer e depois de dez anos de viuvez, voltou a se casar com uma viúva chamada Lucrécia Leme Borges de Cerqueira, já mãe de oito filhos. Dentro do segundo casamento teve uma filha.

Outros Cargos

Em janeiro de 1633 foi eleito juiz ordinário, e logo a seguir, desistiu do cargo pois foi provido pelo conde de Monsanto no ofício de Ouvidor da Capitania de São Vicente. Em julho de 1633, foi assaltado o colégio e a igreja dos jesuítas em Barueri, povoação perto de São Paulo, expulsos os padres e pregadas as portas. Os assaltantes (Antônio Raposo Tavares, Pedro Leme, Paulo do Amaral, Manuel Pires, Lucas Fernandes Pinto, Sebastião de Ramos) eram todos homens poderosos contra os quais os padres lançaram processo de excomunhão julgado, por ausência do Reitor Padre João de Mendonça em Cananéia, pelo padre espanhol Juan del Campo y Medina. Mas os autores do atentado zombaram da sentença trazida pelo padre escrivão do processo Antônio de Medina, rompendo-a de suas mãos. A violência contra os padres, os paulistas justificavam porque a lei de setembro de 1611 determinava que nas aldeias de índios assistissem apenas clérigos, debaixo da imediata jurisdição real ou civil. Achando-se a 25 de julho a aldeia de Barueri em poder dos jesuítas, exclusivamente, o Procurador do Conselho requereu que a Câmara fosse dela tomar conta, em nome do Rei, defendendo assim o que considerava uma usurpação do clero. A Câmara deferiu o requerimento e pouco depois convocou reunião dos maiorais da vila, realizada a 21 de agosto. Nesta reunião houve solidariedade de todos: a posse da aldeia tinha mesmo que ser à força. Os jesuítas se queixaram ao governador geral Diogo Luís de Oliveira. O caso se arrastaria pelo menos até 1635, pois em dezembro de 1633 houve provisão ao Governador geral alegando que a posse fora embuste para encobrir o verdadeiro motivo dos Paulistas, que era a escravização dos índios, ordenando a devolução da aldeia e da igreja aos padres, caçando o mandato de Ouvidor a Raposo Tavares. Como devia servir ainda mais dois anos, Raposo Tavares opôs um embargo. Que o Ouvidor do Rio de Janeiro, Francisco da Costa Barros, recebeu em julho de 1635, para o efeito de o manter no cargo de ouvidor… expulsou os jesuítas...

A bandeira de 1636 ao Tape

Em 1636 partiu em nova expedição, para escravizar nativos que estavam sob a proteção de jesuítas espanhóis estabelecidos nas reduções da região de Tapes, hoje Rio Grande do Sul. Deixou São Paulo em janeiro, com 120 paulistas e mil índios, e voltou em novembro. José Ortiz de Camargo seguia no troço do capitão Diogo Coutinho de Melo, fazendo a chamada «campanha dos araxás». Em novembro a bandeira chegou ao sertão dos tapes — província que compreendia a Oeste o alto rio Ibicuí, ao Norte a serra Geral, a leste o vale do rio Cai e ao Sul a vizinhança da serra dos tapes — o centro do atual Rio Grande do Sul. A 2 de dezembro atingiu e atacou a redução de Jesus Maria, na margem esquerda do rio Jacuí, e depois de seis horas de arrasou a redução, fazendo prisioneiros que seriam escravizados. Depois, atacou a redução de San Cristóbal, em Rio Pardo, e no rio Jacuí; logo depois tomou a redução de Santana. De acordo com a tática usada, a bandeira ia dividida em companhias, dispersas em vários pontos, guardando porém unidade de ação. Uma dessas companhias, a de Diogo de Melo Coutinho, ficou agindo no chamado «sertão dos carijós».

A luta contra os holandeses

De 1639 a 1642 integrou as forças paulistas, organizadas por D. Francisco Rendon de Quebedo a pedido de Salvador Correia de Sá e Benevides, que lutaram contra as invasões holandesas, combatendo na capitania da Bahia e na de Pernambuco. A 7 de agosto de 1639 D. Fernando de Mascarenhas, 1º conde da Torre, lhe deu patente de capitão, pois juntara em São Paulo à sua custa 150 soldados que conduziu à Bahia. Foi-lhe mandado agregar-se ao terço do mestre de campo Fernando da Silveira. Diz «Ensaios Paulistas», editora Anhembi, 1958, página 634: «Entre as façanhas bélicas dos paulistas (…) convém recordar os socorros por eles prestados contra os holandeses, quando da infeliz expedição naval do conde da Torre, em cuja esquadra embarcou um Terço formado em São Paulo, apesar de uma tentativa de revolta de feitio sebastianista contra esta recruta. Tal tropa comandada por Antônio Raposo Tavares destacou-se na terrível jornada chamada da Retirada do Cabo São Roque. Mais tarde novo socorro partiria de S. Paulo em defesa da Bahia, sob o comando de Antônio Pereira de Azevedo e pelas águas do São Francisco abaixo.»

A última expedição de 1648 a 1651

Raposo Tavares estivera em Portugal em 1647, sendo "encarregado de uma missão em grande parte secreta". A sua última expedição foi chamada a Bandeira de Limites ou a grande bandeira aos "serranos", os limites do Peru: Considerada a primeira viagem em torno do território brasileiro, partiu em maio de 1648 do porto de Pirapitingui, em São Paulo, descendo o rio Tietê rumo aos sertões do baixo Mato Grosso. Contava com brancos, mamelucos e mais de mil índios. Um de seus principais auxiliares foi Antônio Pereira de Azevedo, baiano. Oficialmente destinava-se à busca de minas, sobretudo as de prata. Afirma Jaime Cortesão em seu livro "Raposo Tavares e a formação territorial do Brasil" que a parte oficial era descobrir metais preciosos mas a outra parte, secreta, seria conhecer melhor o Brasil para identificar os interesses de Portugal na região.

Motivações da guerra contra as reduções jesuíticas

A escravização dos índios acabou por firmar a tese de que os bandeirantes eram movidos por razões econômicas. No entanto, pesquisas históricas mais recentes mostram que a razão econômica (escravização dos indígenas) é insuficiente para explicar a dureza dos ataques às reduções. Segundo a historiadora Anita Novinsky, além de interesses materiais, tais ataques teriam sido também motivados pelo ódio religioso. A origem judaica dos bandeirantes paulistas e o envolvimento do Tribunal da Inquisição de Lima no conflito entre a Companhia de Jesus e os paulistas seriam parte importante da explicação da ferocidade dos ataques. Embora o Brasil nunca tenha tido um tribunal estabelecido oficialmente, tal como o tiveram Lima, Cartagena e México, a Inquisição dispunha de um sistema de espionagem encarregado da fiscalização do comportamento da população e da prisão de suspeitos, que eram enviados aos cárceres do Tribunal de Lisboa. Nessa fiscalização e perseguição, os padres da Companhia de Jesus teriam tido um papel fundamental, como um braço da Inquisição portuguesa na Colônia. Nas visitações do Santo Ofício ao Brasil, em 1591 e em 1618, assim como na "Grande Inquirição" realizada na Bahia em 1646, a Mesa Inquisitorial, encarregada de ouvir confissões e denúncias de violações religiosas, era montada no próprio pátio do Colégio dos jesuítas. Nas Cartas Ânuas, enviadas pelos padres à Espanha, os "paulistas" eram claramente apontados como "judeus encobertos" e "falsos cristãos." Os jesuítas das missões estavam ligados à Inquisição de Lima, sendo por ela encarregados fiscalizar, perseguir e excomungar os hereges "conversos" (cristãos-novos). Um exemplo da relação dos jesuítas com a Inquisição é o caso do superior das reduções, Diogo de Alfaro, nomeado comissário do Santo Oficío da Inquisição de Lima para encontrar os hereges, puni-los e excomungá-los. Os bandeirantes o mataram

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